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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Controvérsias a respeito do Reino de Deus

Controvérsias a respeito do Reino de Deus
(autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Enquanto as discussões das questões tribulacionistas são bem recentes, em termos da história da Igreja, o debate em torno das questões milenistas remonta aos primórdios da Igreja. É antigo o debate entre premilenistas históricos, amilenistas e pós-milenistas. Mas, recentemente, em meados do século XIX, surge um tipo diferenciado de premilenismo, conhecido como premilenismo dispensacionalista, que é pré-tribulacionista e que faz uma rígida distinção entre Igreja e Israel, o que dará ao seu conceito de milênio um cunho bem judaico, de acordo com seu sistema literalista de interpretação. É bom que se diferencie entre premilenista histórico e dispensacionalista para não incorrer em injustiça. A crítica maior deste trabalho se dirige ao premilenismo dispensacionalista, pois reconhecemos as seguintes virtudes no premilenismo histórico: (1) Deus tem apenas um povo, e não dois povos separados, Israel e Igreja, com dois destinos distintos; (2) o Reino de Deus é tanto presente quanto futuro; (3) a Igreja passa pela Grande Tribulação; (4) a Segunda Vinda de Cristo é um evento único e visível a todos, ocasião em que se dá o arrebatamento da Igreja; (5) os sinais dos tempos têm se manifestado desde a primeira vinda de Cristo, mas irão se intensificar à medida que nos aproximamos do dia da sua Segunda Vinda.i Entretanto, existem pontos em comuns entre os premilenistas históricos e dispensacionalistas que estaremos questionando a seguir. Mas, antes, veja a tabela comparativa entre os distintos pontos de vista mais conhecidos sobre o Reino de Deus:
Tabela 3 Comparativa – Questões Milenistas

AmilenismoPós-Mile­nismoPremile­nismo Histó­rico
Premilenismo
Dispensacionalista
Povo de DeusUm UmUm
Dois. Distinção rígida entre Igreja e Israel, com dois planos e destinos distintos...
Gde. Trib.
Pós-tribulacionismo
Pós-tribulacionismo
Pós-tribulacionismo
Pré-tribulacionismo
Gde. Trib.
Período tempo inde­terminado
antes 2a vinda
Período in­determi­nado
antes 2a vinda
Período tempo inde­ter­minado
antes 2a vinda
7 anos de duração –
após ar­reba­tamento
2a Vindaúnica faseúnica faseúnica faseduas fases
2a Vindavisível em glória visível em gló­riavisível em glória
Arrebatamento se­creto (1a. fase)
2a Vinda
Fim da opor­tu­ni­dade de Salvação
Fim da opor­tu­ni­dade de sal­vação
Fim da oportu­ni­dade de sal­va­ção
Pessoas são sal­vas após o arre­bata­mento durante o período da Gde. Tribul.
2a Vinda
p/juízo final novos céus e terra
p/juízo fi­nal novos céus e terra
p/milênio; ju­ízo final e novos céus e terra
p/ livrar a Igreja da gde tribu­lação (1ª. Fase)
p/milênio; ju­ízo fi­nal e no­vos céus e terra (2ª. Fase)
Reino de Deus
  • Já e ainda não”.
  • Nenhum reino Milenar nem no presente nem no futuro
  • Realismo em relação à natureza do Reino no presente.
  • Reino futuro de dimensão celestial e eterna.
  • Já e ainda não” com ênfase no já.
  • Milênio na Terra na era presente.
  • Otimismo em relação ao Reino de Deus na era presente. Se bem que existem pós-milenistas realistas.
  • Reino futuro de dimensão celestial e eterna.
  • Já e ainda não” com ênfase no “ainda não”. Milênio na terra após 2ª. Vinda.
  • Pessimismo em relação ao Reino de Deus na era presente.
  • Reino milenar futuro na terra antes do juízo final e do reino eterno e celestial
  • Ainda não”. Reino adiado para o futuro.
  • Pessimismo total em relação ao Reino de Deus na era presente.
  • Reino milenar futuro com características predominantemente judaicas antes do juízo final e do reino eterno e celestial.
Ressurreição
Única E Ge­ral
P/Juízo Fi­nal

Única E Ge­ral P/Juízo Fi­nal
Duas: (1) dos salvos an­tes do Mi­lê­nio e (2) dos demais após Mi­lê­nio P/Juízo Final
Três: (1) dos salvos no Arrebata­mento, (2) dos crentes mortos na Gde. Trib. na 2ª. Vinda an­tes Do Mi­lê­nio e (3) dos infiéis após O Milênio P/Juízo Final
Juízo
Um único Julgamento Geral e final após a 2ª. Vinda.
Um único Julga­mento Ge­ral e final após a 2ª. Vinda.
Dois Julga­mentos: Dos crentes na Segunda Vinda e Juízo final após o milênio.
Três Julgamentos: Dos crentes no arrebatamento, dos demais crentes na 2ª. Etapa da 2ª. Vinda, e Juízo final após o milênio.

Começaremos levantando algumas objeções ao conceito premilenista, apresentando também uma interpretação de Apocalipse 20, único texto que menciona um Reino Milenar, à luz dos claros ensinos bíblicos a respeito do Reino de Deus. Veremos como a Natureza do Reino de Deus está intimamente associada à natureza e a Missão de Cristo e do Espírito Santo. Este capítulo servirá de base para o capítulo seguinte que tratará da missão da Igreja, que, como Corpo de Cristo que é, se apresentará como uma derivação natural da Missão de Cristo e do Espírito.


i Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 217.

ii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 218 e 219.
iii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 219.

4 comentários:

Anônimo disse...

José Ildo, no estudo da imutabilidade de Deus, não menciona o trabalhar do E#spirito Santo sendo ele o proprio Deus. De4us é imultável, eo Espirito Santo mútavel, a terceira pessoa da trindade, que tem emoçoes, trabalha por nós, amém.Rosangela Cunha.

Anônimo disse...

Caro Bispo josé, há cerca de um ano, desde que saí da Igreja Adventista estou estudando sobre o Milênio.Achei a explicação maravilhosa, super exclarecedora , principalmente o quadro sobre cada pensamento.

Edson Jr. disse...

Pr. Bezerril,

Tenho estudado Escatologia desejoso de definir uma posição. Essa tem se demonstrado uma árdua tarefa. Li Ryrie e Pentecost enfatizando o pré-tribulacionismo, Grudem, shadd e Ladd defendendo o pré-milenismo histórico, o que vinha parecendo o mais aceitável para mim. Também li Berkhof, Palmer Robertson e Hoekema, todos excelentes.

Ao me deparar com uma acusação de incoerência do sistema ao qual havia me filiado (pré-milenismo histórico), quanto ao juízo descrito por Cristo (separação de ovelhas e bodes), vislumbrei a possibilidade de não conseguir adequar esse juízo (final) no pré-milenismo.

Daí meu interesse pelo amilenismo cresceu. Percebi que o Novo Testamento parece ser claramente amilenista, a não ser pelo livro de Apocalipse. Neste livro, vejo dificuldades aparentemente insuperáveis. Levo então minha questão ao senhor no anseio de conseguir me esclarecer quanto a melhor interpretação de dois versículos.

1) Apocalipse 19:15 - O termo "cetro de ferro" me faz pensar que esse governo ocorrerá antes da eternidade.

2) Apocalipse 20:10 - O diabo será jogado no lago de fogo após a besta e o falso profeta, indicando que os eventos de Apocalipse 19 ocorrem antes do cap. 20. Como o senhor soluciona esse problema? Mesmo que a batalha que antecede a ida ao lago de fogo pareça ser a mesma do cap.19, como fica a narração de que o diabo é lançado no lago num segundo momento? O paralelismo progressivo me faz compreender a batalha de Ap 20 como correspondente a do cap 19, mas a indicação no versículo 10 de que o diabo foi lançado num lugar onde a besta e o falso profeta já haviam sido jogados me deixa em dificuldades.

Fico grato com sua atenção e com a ajuda em me fazer aprender mais das escrituras.

José Ildo Swartele de Mello disse...

Caro Edson Jr.

Fico feliz em ver seu sincero e profundo interesse pelas Escrituras.
Espero poder ajudá-lo em sua caminhada.
Então, vamos lá!
Respondendo as suas duas perguntas: "1) Apocalipse 19:15 - O termo "cetro de ferro" me faz pensar que esse governo ocorrerá antes da eternidade." Bem, embora, a primeira vista, tal expressão pareça concordar com o ponto de vista premilenista, um estudo mais cuidadoso mostrará exatamente o contrário, pois o capítulo 19 está descrevendo a grande batalha final do Armagedom, o dia da Ira do Todo Poderoso (v. 15), quando Jesus, com “cetro de ferro” triunfará sobre todos os seus inimigos, incluindo a Besta, o falso profeta, os reis e as pessoas das nações que receberam a marca da besta e adoraram a sua imagem (vs.18-21). Os inimigos de Cristo são cabalmente destruídos, mortos e lançados no inferno (vs. 20-21). Sendo assim, não resta nenhum opositor vivo e nenhum foco de resistência há para ser domado com “cetro de ferro”. O cetro de ferro, símbolo do poder de Jesus, é usado para subjugar os inimigos nesta batalha final contra todos os inimigos de Deus a fim de que o Reino se estabeleça em sua plenitude. A partir daí, o uso dele nem se fará mais necessário, visto que os adversários foram totalmente destruídos, não sobrando nenhum para opor-se ao Reino de Cristo.
Veja que já estou começando a responder a sua segunda pergunta. Aproveito aqui para apontar a falácia da interpretação premilenista que diz que o capítulo 19 descreve a Sengunda Vinda e o capítulo 20 descreve o Reino milenar de Cristo na Terra. Pois isto seria impossível, visto que o capítulo 19 descreve a destruição de todos os inimigos de Deus, incluindo reis e nações, de modo que não restariam nações para serem governadas por Cristo. Todos os ímpios já teriam sido mortos. Portanto, não faz nenhum sentido interpretar que os eventos dos capítulos 19 e 20 estão em ordem cronológica. O correto é vê-los como descrevendo a mesma visão do futuro só que de ângulos diferentes para que possamos ter uma melhor idéia do quadro todo. Uma interpretação cronológica literal de Apocalipse levaria a uma conclusão absurda de que Jesus reinaria no capítulo 20 sobre nações já totalmente destruídas no capítulo 19, que no final do milênio, teriam ainda a coragem de se juntar para fazer guerra com armas materiais contra o Cristo ressurreto e seus discípulos já revestidos de corpos imortais que não podem sofrer dano algum (Ap 20.8). O melhor mesmo é entender que as batalhas descritas nos capítulos 19 e 20 são referências a mesma batalha final que relata o triunfo definitivo de Cristo sobre todos os seus inimigos, que se dará no dia da Sua Segunda Vinda, quando todo joelho se dobrará e toda lingua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, sucederá então o juízo final e o novo céu e a nova terra, Jerusalém Celestial!