quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Lições extraídas da história de Mefibosete

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Mefibosete from Ildo Swartele Mello on Vimeo.

Mefibose nasceu num "berço de ouro" de um "palácio real", pois era neto do Rei Saul, filho do Príncipe Jônatas (2Sam 4.4). Entretanto, uma tragédia se abateu sobre sua vida quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Israel foi derrotado em uma sangrenta batalha. A notícia da morte de Saul e de Jônatas chegaram até a casa real; então, a babá de Mefibosete, temendo que o menino também fosse morto, o toma em seus braços e foge correndo, mas, na pressa, acaba tropeçando e deixando o menino cair. Na queda, Mefibosete despedaça os pés e fica aleijado. Agora, ele está órfão de pai e mãe. Perdeu a majestade, perdeu a saúde e vive escondido em um humilde povoado na casa de um bom homem chamado Maquir, que foi quem o amparou, adotando-o como filho.

Tais tragédias são frutos da rebeldia do Rei Saul, que plantou ventos e acabou colhendo tempestades devastadoras para a sua casa e também para todo Reino de Israel. Mas, se por um lado, Mefibosete é afetado pelos erros do avô, ele será futuramente beneficiado pela justiça de seu pai. Tal constatação não serve de base para a afamigerada prática de quebra de maldições hereditárias praticada por muitos pastores e igrejas. Pois o que vemos aqui são as consequências naturais das decisões dos pais respingando sobre os filhos. Acabamos colhendo o que plantamos o que certo grau afetará nossos descendências. Os erros de um Rei não afetam apenas a sua família, mas também acabam afetando todo o seu reino.

Bem diferente de seu pai, o príncipe Jônatas revelou ser um homem justo. Vemos isto na atitude que ele tomou diante do conflito entre seu pai, o Rei Saul, e Davi. Ele não permitiu que os laços familiares e as ambições pessoais interferissem em seu juízo da situação. Ele examinou o conflito com imparcialidade. Jônatas não tomou partido do pai, mas rendeu-se as evidências e saiu em defesa de Davi. Ele também não se deixou dominar pelo ciúme, inveja e ambição pessoal, o que seria de se esperar visto que o aclamado herói nacional Davi era, na época, considerado por muitos como um forte concorrente ao trono de Israel, ao qual, ele, Príncipe Jônatas, era o herdeiro natural. (1 Sm 20.14-16). Tal ato de justiça seria um dia lembrado por Davi, o que beneficiaria seu filho Mefibosete.

Nesta história, existem lições preciosas a serem aprendidas com as atitudes de Davi, Mefibosete e Maquir (2Sm 9).

Lições que aprendemos com Davi:
Davi, por um bom tempo, havia se esquecido da promessa que havia feito a Jonatas (1Sm 20.14-16). Mas antes tarde do que nunca! Portanto, é bom, pelo menos, de vez em quando, a gente se perguntar se não temos nos esquecido de alguma promessa feita a alguém ou de algum compromisso previamente assumido. Davi nos ensina a importância de sermos fiéis à nossa palavra de honra e leais aos nossos acordos, alianças e compromissos. Deus é fiel para conosco e devemos ser leais uns para com os outros (Pv 18.24).

Ele buscou uma oportunidade para fazer o bem. Ele não se contenta apenas em fazer justiça a promessa feita, mas ele quer ir além, ele deseja agir com bondade (9.3). Os homens Bons deveriam buscar oportunidades de fazer o bem, como diz as Escrituras: “o nobre faz planos nobres, (Is 32.8). E se Deus nos coloca em posição de ajudar e socorrer, não devemos perder a oportunidade e, mais que isto, devemos buscar oportunidade de exercer atos de bondade. É na adversidade que se conhece quem são os amigos (Jó 6.13-15). A verdadeira amizade é generosa!

Davi não é vingativo, pois Saul havia sido o seu maior inimigo. Ele mostra bondade para com a casa de Saul. Os reis costumavam eliminar os descendentes de uma linhagem real que poderiam reivindicar o Reino (Jz 9.5 e 2 Cr 22.10). Davi ensina a pagar o mal com o bem (Rm 12.21; 1Pe 3.9). Davi tem o cuidado de dizer a Mefibosete: “Não tenha medo” (v.7). Grandes homens, como Davi, não tem prazer em ver alguém numa posição de inferioridade e medo. As palavras e ações de Davi produziram encorajamento, honra e igualdade a ponto de tratar Mefibosete como parte de sua própria família!
Lições que aprendemos com Mefibosete:
Ele é um Tipo do Pecador Resgatado. Pertencia originalmente a uma linhagem real (2Sm 4:4), que caiu em desgraça por causa dos pecados do seu antepassado. Saul tinha uma família muito numerosa (1Cr 8.33), mas os atos de desobediência e rebeldia de Saul produziram um resultado devastador, o que levou Davi a perguntar se ainda existia algum sobrevivente da família (2Sm 21.1).

Vivendo em exílio, pobre e deficiente, foi lembrado por causa de uma Aliança (2Sm 9:3,4; 1Sm 20:14,15). Chamado a estar na presença do Rei, foi exaltado por causa dos méritos de outro (2Sm 9:5,7) e recebe uma herança gloriosa (2Sm 9:9).

Mefibosete aceita a bondade com grande humildade. Ele não é daqueles que recebem cada favor como se estivessem recebendo o pagamento de uma dívida. Humildemente, se prostra diante do Rei e não faz nenhuma reivindicação na base de qualquer pretenso direito. Ele não estava clamando: "Restitui, eu quero de volta o que é meu!" Pelo contrário, Mefibosete fica admirado com a demonstração de bondade de Davi para alguém como ele, que se sentia tão insignificante. Ao se comparar com um cachorro morto, Mefibosete nos faz lembrar da atitude daquela mulher que, humildemente, disse para Jesus que os cachorrinhos comiam das migalhas que caíam da mesa dos filhos (Mc 7.28). Lembrar também que, no passado, o próprio Davi havia se prostrado diante de Jonatas (1Sm 20.41). Quando jovem, Davi não se considerava digno sequer de ser genro do rei (1Sm 18.18). “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado!” (Lc 14.11). “Certamente, ele escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3:34 e Tg 4.6).

Tem gente que parece ter nascido com o rei na barriga, pois são pretensiosas, orgulhosas e arrogantes. Acreditam que o mundo lhes deve. São do tipo que dizem: "Eu não vou comer esta porcaria de comida!"; "Ninguém merece!"; "Eu não pedi pra nascer!" e tantas outras coisas da mesma natureza. Já, Mefibosete, mesmo tendo nascido em família real, agiu com muita humildade e nada reivindicou na base de um senso de direito. De maneira semelhante, a agraciada Maria, que literalmente carregava o Grande Rei em sua barriga, jamais agiu com presunção. Muita gente, no lugar dela, jamais teria aceitado dar a luz a seu bendito filho num lugar tão inóspito como um curral. Maria não ralhou com José, dizendo: "Como você tem coragem de me oferecer este lugar tão nojento assim para eu dar a luz? Você é um imprestável, mesmo! Onde eu estava com a cabeça quando me casei com você?" Não, mil vezes não! Maria jamais diria isto a José. Ela era humilde, paciente e compreensiva. Recebeu tudo como uma dádiva de Deus numa atitude de ações de graças!

Durante a ausência do Rei Davi, Mefibosete viveu uma vida de abnegação (2 Sm 19:24) e também sofreu perseguição e difamação (2Sm 16:3; 19:27). Ele era humilde e não ambicionava grandes coisas materiais (2Sm 19:30).
Lição que aprendemos com Maquir:
Maquir havia acolhido o pobre Mefibosete em sua própria casa por anos. Davi e o próprio Mefibosete o recompensará por isto. “Não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos se não desfalecermos” (Gl 6.9 ver também Ec 11.2 e Pv 11.25)

Por que é necessária a exortação "não nos cansemos"? Por que as palavras perseverança e paciência aparecem repetidas diversas vezes no novo testamento? "Fazer o bem" nem sempre é fácil. As vezes fazemos o bem e recebemos o mal em troca. Algumas vezes, parece que não compensa fazer o bem. Somos tentados a desistir, pensando que isto é coisa de tolos. Por isto a exortação se faz necessária. "A seu tempo ceifaremos" e não necessariamente "no nosso tempo". São necessárias a paciência e a perseverança para evitar o desânimo, principalmente por vivermos num tempo marcado por muita ansiedade e imediatismo. Maquir foi perseverante em fazer o bem e, muito tempo depois, ele foi imensamente recompensado!

Bispo Ildo Mello