terça-feira, 19 de julho de 2016

Jesus reinará em um trono em Jerusalém?

Há 61 referências a “trono” no Novo Testamento, 46 estão em Apocalipse. Somente 3 delas dizem respeito a tronos aqui na terra, e estes tronos terrestres pertencem a Satanás e a Besta (Ap 2:13; 13:2; 16:10).

O trono de Deus ou de Cristo é sempre celestial! (Ap 1:4; 3:21; 4:2,4-6, 9-10; 5:1, 6-7,11,13; 06:16; 7:9-11,15,17; 8:3; 12:5; 14:3; 16:17; 19:4-5; 20:4,11-12; 21:3,5; 22:1,3). A ampla maioria de referencias ao trono celestial e sua posição elevada demonstram sua primazia sobre qualquer outro trono. Deus é soberano!

Deus não habita e nem jamais habitará em edifícios ou tronos construídos por mãos humanas: “Todavia, o Altíssimo não habita em casas feitas por homens. Como diz o profeta: ‘O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés...'"(At 7.48-49 NVI).

Jesus declarou que seu Reino não era deste mundo (Jo 18.36). Jesus está assentado à direita do trono, um lugar de grande honra, e poder (Mc 14:62; Cl 3:1; Hb 8:1; 12:2). Jesus reina hoje e está colocando seus inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15.25). E, na Sua Segunda-Vinda, sentar-se-á no "trono da sua glória" para julgar os vivos e os mortos (Mt 25:31). Depois do Juízo Final, teremos Novos Céus e Terra (Ap 21)!

Bispo Ildo Mello

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Apresentação do Salmo 91

Salmo 91

Que tal conversarmos um pouco sobre o Reino de Deus?!

Que tal conversarmos um pouco sobre o Reino de Deus, afinal, este era o tema preferido de Jesus. Ele falou mais a respeito deste tema do que sobre qualquer outro, principalmente por conta da expectativa dos judeus, que entendiam que o Messias, o Rei prometido, viria para restaurar o reino político de Israel. Jesus precisou explicar a verdadeira natureza de seu Reino, ensinando que o seu reino não era do tipo humano e político: "meu reino não é deste mundo” (Jo 18:36). E dizendo: "não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20).

Jesus venceu a tentação política relativa aos reinos deste mundo (Mt 4:8-9). Disse a Pedro: “Embainha a tua espada” (Mt 26.52), pois seu reino não vem pela via da força e nem por violência (Zc 4:6; Mt 26:52). Jesus optou pela via da cruz, atraindo todos a si pelo seu amor sacrificial ali revelado (Jo 12.32). Veio como um rei manso e humilde (Lc 19 e Zc 9:9), para estabelecer um reino contrário ao espirito deste mundo. Um reino onde maior é o que serve e onde os últimos é que são os primeiros! (Lc 22.26) E felizes são os humildes, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos e os que sofrem perseguição por causa de Cristo e seu reino de “justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Mt 5 e Rm 14:17).

Jesus iniciou seu ministério anunciando a proximidade do Reino (Mc 1.15), pouco depois, declarou que o reino já havia chegado: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11:20). Jesus amarrou Satanás: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo?" (Mt 12:29). E disse ainda: ”Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso." (Jo 12:31). Ele afirmou ter visto a Satanás caindo, perdendo poder, em um contexto de euforia dos discípulos por terem sido capazes de expulsar demônios em nome de Cristo (Lc 10:18).

Na cruz, Jesus triunfou sobre principados e potestades (Co 2.15). E, depois de ressuscitado, passou quarenta dias discorrendo sobre o Reino de Deus (At 1.4) e, por fim, antes de subir aos céus e assentar-se no trono de sua majestade, declarou: "Todo poder me foi dado no céu e na terra!" (Mt 28:18).

Jesus tornou-se Cabeça de toda autoridade! (Cl 2:10) Do céu, Jesus reina! “E eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado" (Ap 4:2). “Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte." (1 Co 15:25-26). Jesus foi exaltado acima de todos (Fp 2:9); “fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef 1:20-21).

Jesus é denominado Senhor 664 vezes no Novo Testamento. Senhor é um título superior ao de Rei. Senhor é o Imperador supremo, que governa sobre os reis da Terra. Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores! (Ap 19.16). E nós, seus discípulos, também já reinamos juntamente com Cristo, pois "nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Ef 2:6). Jesus disse aos seus discípulos: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus" (Mt 16:19). “Recebereis poder" (At 1:8). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo" (Lc 10:19). As portas do inferno não prevalecerão (Mt 16:18).

Embora cause impacto no mundo material, o reino de Deus se manifesta de maneira espiritual: "Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20). Foi por esta razão que o autor de Hebreus afirmou: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés... Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas" (Hb 2:8).

O Reino de Deus tem um começo humilde e discreto e vai crescendo e se desenvolvendo de maneira gradativa como um grão de mostarda (Mt 13.31-32). É um reino em que há ainda muito joio misturado no trigo (Mt 13.24-30). As portas do inferno não podem prevalecer contra o Reino (Mt 16.18), mas ainda tem força para impor resistência e perseguição. Mas, "se Deus é por nós, quem será contra nós?... em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Rm 8.35 e 37). A Igreja será bem-sucedida em sua missão de fazer discípulos de todas as nações (Ap 7.9)! "Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar"(Hb 2.14).

Portanto, o Reino de Deus não é facilmente identificado, mas, os que o descobrem, encontram grande alegria (Mt 13:44, 45–46). Deus convida as pessoas para o Reino (1 Ts 2:12 e Mt 22). Devemos partilhar as boas novas do Reino (At 28:31). É necessário fé e arrependimento para entrar no Reino de Deus (Mt 3:1–2). Só os nascidos de novo podem entrar no Reino (Jo 3:3). O Sermão do Monte descreve as qualidades dos cidadãos do Reino (Mt 5:1–19). A vida cristã deve refletir os valores do Reino (1 Ts 2:12).

A plenitude do Reino se dará na Segunda-vinda, quando será destruído o último inimigo que é a morte (1 Co 15.25,26). Teremos o juízo final e os novos céus e terra que Jesus foi preparar e onde estaremos para sempre com Ele e veremos a Deus como ele realmente é. Precisaremos mesmo da eternidade para ir desvendando as facetas deste Deus tão glorioso e eterno! (Mt 25.31-46; 2Ts 1.5-10; Jo 14.2-3; Ap 21 e 1Jo 3.2).

Por Sua graça, pretendo estar lá junto a vocês, meus queridos irmãos e irmãs em Cristo!

Bispo Ildo Mello

terça-feira, 12 de julho de 2016

A graça e o dever do perdão

O perdão graciosamente recebido nos deve conduzir ao perdão misericordiosamente oferecido, pois...

“Quando Deus julgar, não terá misericórdia das pessoas que não tiveram misericórdia dos outros. Mas as pessoas que tiveram misericórdia dos outros não serão condenadas no Dia do Juízo Final.” (Tg 2.13 - NTLH cf. Mt 5.7; 9.13; 12.7; 18.23-34; 25.31-46).

Temos ou não temos que mostrar nossas boas obras?

Jesus disse que não devemos exibir nossa justiça diante dos homens (Mt 6:1), mas também disse que devemos deixar nossa luz brilhar diante dos homens através das boas obras (Mt 5:16). E agora? Jesus quer ou não quer que nossas boas obras se tornem notórias? Devemos praticar a caridade de modo privado ou público? Dar esmolas de maneira oculta (6.3) não é o mesmo que esconder a luz debaixo do alqueire (Mt 5.15)? Se a caridade, o jejum e a oração forem sempre praticados em secreto, como serviremos de modelo e inspiração para as demais pessoas?

Quando Jesus diz que devemos esconder nossas boas ações, ele o faz preocupado com a questão do exibicionismo religioso daqueles que buscam glória para si mesmos. Já, quando ele pede para seus discípulos apresentem-se diante do mundo com suas boas ações, ele o faz tendo em mente a timidez que poderia levar os discípulos a agirem de modo retraído, o que seria danoso tanto para a obra de evangelização como também para a glória de Deus. Portanto, não devemos expor nossas boas obras para a satisfação do nosso ego ou para qualquer outro benefício pessoal (Mt 23.5), mas devemos praticar boas ações para a salvação e a edificação de outras pessoas e, principalmente, para a glória de Deus (Mt 5.16 e 1 Pe 2.12). Sendo assim, devemos constantemente fazer um autoexame para saber quais são as nossas reais motivações.

Um contraste entre dois estilos de vida

Compare o Salmo 1 com o Sermão do Monte (Mt 5-7). Ambos começam com a mesma expressão: “Bem-aventurado”, que significa aquele que é plenamente feliz. Ambos contrastam dois estilos de vida ou dois caminhos que levam a destinos completamente diferentes. (Sl 1.6 e Mt 7:13).
Agora, o contraste não é tão aparente assim aos olhos humanos (Sl 73). A pessoa feliz da perspectiva divina nem sempre é a que está sorrindo. Jesus surpreende a todos com sua lista de pessoas bem-aventuradas! (Mt 5.1-11). Há tempo para todo o propósito debaixo do sol. Há tempo também para chorar (Ec 3.1-4). Quem em lágrimas semeia, um dia colherá com alegria (Sl 126.5). Por isto é que Cristo diz que bem-aventurados são os que choram (Mt 5.4). O justo é como árvore plantada junto ao ribeiro e que dá fruto no seu devido tempo (Sl 1.3). É preciso paciência e perseverança para esperar o tempo da colheita (Gl 6.9).
Os ímpios não prevalecerão no juízo (Sl 1.5). Pode ser até que prevaleçam no juízo humano por suborno ou qualquer outro tipo de influência, mas não no juízo divino. Mais cedo ou mais tarde, ficará evidente a diferença entre a pessoa que serve a Deus e a que o despreza (Sl 1.6 e Mt 7.24-27).
À semelhança do Salmo 1, Jesus conclui seu sermão mostrando a diferença entre o que obedece a Deus e o que não lhe obedece. Deus conhece os justos (Sl 1.6), mas não reconhece como amigo os que são praticantes da iniquidade, não importando se são aparentemente religiosos (Mt 7:23 e Jo 13.17). A casa do prudente tem fundamento e permanecerá, enquanto que a da pessoa desobediente está em solo arenoso e será destruída (Mt 7.24-27). O vento do juízo soprará a palha, mas a pessoa que vive conscientemente na presença da “Palavra” e faz a vontade de Deus, esta permanecerá para sempre (Sl 1.5-6; Mt 7.21-27 e 1 Jo 2.17).

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O anseio da alma

Davi estava em um deserto, solitário, carente de água, alimento, conforto e de amigos. Mas, mesmo assim, não estava buscando a Deus por estas coisas. Seu anseio maior e mais urgente era o Senhor: "... A minha alma tem sede de ti. Todo o meu ser anseia por ti..." (Sl 63.1). Revela-se aí a primazia de Deus em sua vida. Seu maior anseio, sua maior ambição, sua maior aspiração, seu maior desejo, e o seu melhor amigo e o seu maior amor!


Este anseio por Deus está cada dia mais raro, mesmo entre aqueles que vão a igreja. Pois, a maioria das pessoas que buscam a Deus, o fazem por coisas desta vida. Deus é tratado como um meio para conseguir boas coisas nesta vida.


Idolatria é colocar qualquer coisa no lugar de Deus. Ocupamos nossas vidas com tantas coisas e atividades para, ainda que inconscientemente, preencher o vazio existencial. Certa vez, conversando no ônibus com um homem que estava embriagado, disse: “Este vazio interior que você tenta preencher com a cachaça, só pode ser verdadeiramente preenchido por Deus.“ Ele respondeu: “Jovem, você disse tudo! Um vazio! Um vazio!" E gemeu de dor, não física, mas emocional e espiritual.


Muitas pessoas tem sede de Deus, mas não se apercebem disto, por estarem entorpecidas por uma série de atividades. As atividades da vida, o trabalho, os estudos, os passeios, os prazeres, os jogos, os vícios e as distrações preenchem nosso tempo e acabam sublimando a nossa maior necessidade e sede.


Você tem amado a Deus sobre todas as coisas? Você tem buscado o Reino de Deus em primeiro lugar? Você tem sede de Deus?


Quando você se sentir abandonado e só, carente e sedento, lembre-se de que somente Deus pode satisfazer os anseios mais profundos da alma humana. Fomos feitos por Deus e para Deus, e, somente nele, a nossa alma pode encontrar plena realização. (Sl 63; Cl 1.16; Ct 1.6-7; Mc 8.36; Jo 7.38 e 10.10).


“O teu amor é melhor do que a vida…” (Sl 63.3). A verdadeira vida só é possível através da experiência e reconhecimento do amor de Deus.


Bispo Ildo Mello

terça-feira, 5 de julho de 2016

ROMANOS 9.20-21 NÃO É BASE PARA A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO

Romanos 9.20-21 não pode ser usado para defender predestinação incondicional, pois refere-se a passagens do Antigo Testamento que ensinam exatamente o contrário (Jr 18.1-10 e Is 29.16). Tais textos mostram que esse vaso de barro, Israel, tem vontade própria, e, por isto mesmo, foi que acabou se quebrando na mão do oleiro. De outro modo, se estivesse totalmente sujeito ao controle das mãos do grande e perito Oleiro, este vaso jamais se quebraria. Mas, mesmo quebrado, ainda pode ser refeito assim como o ramo cortado pode ser enxertado novamente na Oliveira através do arrependimento e fé (Rm 11.23-32). Pois qualquer nação pode escapar do decreto de condenação de Deus se vier a se converter da sua perversidade: “Se em algum momento eu decretar que uma nação ou um reino seja arrancado, despedaçado e arruinado, e se essa nação que eu adverti converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado.” (Jr 18.6-7).

Confira:

“Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’” O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?” (Rm 9.20-21 NVI).

“Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor: “Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem”. Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que ele estava formando estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade. Então o Senhor dirigiu-me a palavra: “Ó comunidade de Israel, será que eu não posso agir com vocês como fez o oleiro?”, pergunta o Senhor. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel. Se em algum momento eu decretar que uma nação ou um reino seja arrancado, despedaçado e arruinado, e se essa nação que eu adverti converter-se da sua perversidade, então eu me arrependerei e não trarei sobre ela a desgraça que eu tinha planejado. E, se noutra ocasião eu decretar que uma nação ou um reino seja edificado e plantado, e se ele fizer o que eu reprovo e não me obedecer, então me arrependerei do bem que eu pretendia fazer em favor dele.” (Jr 18.1-10 NVI)

Paulo se refere a textos do Antigo Testamento em que Israel, como barro, estava agindo, deliberadamente, de modo perverso e arrogante, insurgindo-se contra o Oleiro: “Vocês viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar que o oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer àquele que o formou: “Ele não me fez”? E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”? (Is 29.16 NVI).