segunda-feira, 18 de agosto de 2014

6 visões de Isaías 6



6 visões de Isaías 6


(Isaías 6.1-8)

1. Visão do caos


Isaías vive num contexto de verdadeiro caos espiritual, que ele começa a descrever já no primeiro capítulo: “Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel e voltaram para trás… toda cabeça está doente e todo o coração enfermo… A vossa terra está assolada, as vossas cidades consumidas pelo fogo; a vossa lavoura os estranhos a devoram em vossa presença” (v.4-7); O próprio culto estava contaminado: “Não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene” (v.13). Era um período de profundo declínio moral e espiritual (3.5-26). A idolatria tomava conta do cenário religioso (2.18); o rico oprimia o pobre; “cada um deles ama o suborno” (1.23), homens e mulheres negligenciavam suas famílias em busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e profetas tornaram-se bêbados e interesseiros (5.7-12,18-23; 22.12-14). A última frase do capítulo 5 é um resumo do caos: “se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens”. Esta é a visão que Isaías tem da terra. Parece que o mal prevaleceu sobre o bem. O mundo parece estar de pernas para o ar. O Diabo parece estar no comando, pois as trevas estão obscurecendo a luz. Onde está Deus? Isaías vai ao templo em busca de resposta.

2. Visão de Deus em meio ao caos


A visão que Isaías tem de Deus em meio a todo o caos nacional é do Senhor “Assentado” no trono. Deus Não está agitado, correndo de um lado para o outro, nem aflito; Mas está tranquilo no controle de tudo e continua sendo o mesmo Deus glorioso e tremendo em seus grandes feitos! Isto no faz lembrar da ação criativa do Espírito Santo que pairava soberanamente sobre a Terra quando ela ainda estava em trevas e sem forma e vazia para que do caos surgisse a vida, a beleza e a ordem (Gn 1.2)! Deus não está indiferente ao que se passa na terra (3.13-26). Ele tem um plano de restauração (4.1-6; 6.8). Deus reina soberanamente e tem um caminho na tormenta (Naum 1.3)! Ele dará ordem para que haja luz (Gn 1.3)!Há muitos anos atrás, numa madrugada fria, meu coração havia sido tomado por uma grande tristeza. Não conseguia dormir. Então, fui assistir televisão para tentar espairecer um pouco, quando me deparei com estas duas excepcionais intérpretes cantando esta inspirada canção que diz que Deus tem o mundo inteiro em suas mãos! (vide vídeo abaixo).O impacto foi tremendo! Instantaneamente, despertei daquele estado melancólico. “O que eram os meus problemas diante daquele que tem o mundo inteiro em suas mãos?” Fui tomado por grande emoção diante da grandeza de Deus. Em meio a lágrimas e sorrisos de alegria, todo o meu fardo se foi, dando lugar a uma paz extraordinária que deliciosamente invadiu o meu coração, fruto de uma imensa certeza de que todo o meu futuro estava nas mãos do ser mais poderoso e bondoso de todo o universo.




3. Visão da adoração em meio ao caos


As Circunstâncias são ruins, mas Deus é adorado, pois permanece digno de louvor. Os anjos dizem constantemente: Santo, Santo, Santo (6.3)! Pois Deus não é o culpado pelo mal que há na terra (5.16). Este é produto da desobediência humana (5.24). Os homens estão colhendo o que eles mesmos plantaram, como sinal do juízo de Deus sobre o pecado (Is 3.11; 4.12; 5.24,25; Gl 6.9). Eles tiveram escolha, mas optaram por afastarem-se de Deus, trazendo sobre si o justo juízo, fazendo o mal a si mesmos (3.9, 11; 1.19-20). Pois “a arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada; só o Senhor será exaltado naquele dia” (2.17). É possível discernir a poderosa mão de Deus em meio ao caos, de modo que os anjos estão cantando: “Toda a terra está cheia da sua glória” (6.3)!

Em meio ao caos, Deus é adorado! Não é certo deixar de adorar a Deus alegando indisposição e nem adorá-lo apenas quanto tudo nos vai bem, pois devemos adorar a Deus em todo o tempo, assim como Habacuque que exclamou (3.17-18): “Ainda que a figueira não floresce, nem há fruto na vide; o produto da oliveira mente, e os campos não produzem mantimento; as ovelhas foram arrebatadas do aprisco e nos currais não há gado, TODAVIA eu me alegro no Senhor exulto no Deus da minha salvação.” Habacuque podia agir assim, pois bem sabia que “o justo vive pela fé” e não se deixa levar pelas circunstâncias (Hc 2.4b). “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1).

Portanto, não devemos ser cristãos de temporada, que são guiados por vista, por circunstâncias, movidos pelos “embalos de Domingo a noite”. Nossa fé em Deus não pode estar baseado em nossos sentimentos e nem nas circunstâncias ao nosso redor, por serem relativos e inconstantes. Deus segue sendo Deus a despeito das tribulações da vida, quer chova ou faça sol, seja em tempos de paz ou de guerra, de fartura ou de carestia, quer estejamos sadios ou doentes, pois “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8)! Precisamos ser como Paulo que disse (Fl 4.11, 12): “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação… tudo posso naquele que me fortalece”. “Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10b). Não é a alegria das circunstâncias, não é a alegria e nem a paz deste mundo. É algo que vem do Senhor e que excede a todo entendimento humano. É alegria que transcende a razão secular. A despeito da situação, dos problemas, das vicissitudes da vida, Deus segue sendo Deus e a Cruz continua sendo um evento histórico e redentor que alterou o curso da história humana. Nada pode alterar o fato de que Jesus ressuscitou, a alegria daquele dia ninguém pode nos tirar (Jo 16.22)!; A estrela brilhou de modo especial naquela Noite de Natal, os anjos apareceram aos pastores, a profecia se cumpriu, Jesus nasceu! O Verbo se fez carne! Os problemas e as mazelas desta vida não podem nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação?” (Rm 8.35). As circunstâncias não podem alterar a realidade de que Jesus é o Senhor e Salvador e nem de que Deus é Santo, Santo e Santo! Glória a Deus nas maiores alturas!

4. Visão de si mesmo em meio ao caos


Diante de Deus, Isaías vê o seu próprio pecado e diz: “ai de mim!” (v. 5). Isaías não atenta primeiramente para o pecado do vizinho; ele não desculpa o seu pecado e nem busca um “bode expiatório”, queixando-se de sua herança genética tentando, assim, minimizar sua responsabilidade e nem apela para as circunstâncias desfavoráveis ao seu redor ou para artimanha dos demônios e nem muito menos coloca a culpa em Deus, pelo contrário, ele se queixa dos seus próprios pecados, assumindo a sua responsabilidade e reconhecendo sua culpa.

A cura começa com a confissão do próprio pecado, ou seja, com o reconhecimento de que o caos não é apenas algo externo, mas também interno. Isaías sabe que não pode subsistir diante de Deus na base do seus próprios méritos, então, ele clama por misericórdia. Ele entende que até pode levar vantagem se quiser se comparar com determinados pecadores, mas vê-se totalmente perdido diante da pureza divina. A santidade e a luz da glória de Deus revelam a perversidade do seu coração. Assim diz o Senhor: “Porque, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” Façamos como Jeremias e Isaías: “Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor” (Lm 3.39-40).

5. Visão da bênção em meio ao caos


Deus se compadece e envia serafins para purificarem os lábios de Isaías (v. 6, 7); Ação misericordiosa e graciosa de Deus que aponta para a obra redentora de Jesus Cristo. Deus não abandona o homem a própria sorte, mas intervém na história promovendo salvação (Is 9.1-7; Jo 3.16). Ainda que Isaías tenha vivido cerca de 700 anos antes de Jesus, ele descreve o Cristo de modo tão detalhado (9.6)!

A bênção que temos em Cristo é extraordinária: “já fomos abençoados com toda sorte de bênçãos e graças espirituais em Cristo Jesus” (Ef 1.3); Fomos purificados de modo ainda mais especial do que Isaías: “Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós abundantemente, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.” (Tt 3.5,6). Jesus disse: “Já estais limpos pela Palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3); João disse: “… O sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).

6. Visão da sua missão em meio caos


O Encontro com Deus traz bênção e missão; purificação e serviço (v. 6-8). Após sua purificação, Isaías é convocado por Deus e enviado com uma missão ao mundo (v. 8). O mesmo vemos no episódio do chamado de Abraão registrado em Gênesis 12.2. Primeiramente, Deus diz a Abraão: “…de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome”; E, logo depois, diz: “Sê tu uma bênção!”

As bênçãos são como os talentos descritos na famosa Parábola de Mateus 25; Não podem e nem devem ser “enterradas” e nem existem para serem guardadas e conservadas intactas; Antes, precisam render e produzir frutos; Se não, corre o risco de ser considerada nula (Jo 15)! Pois aquele que é abençoado por Jesus, deve ele próprio ser uma bênção. Aquele que bebe da água da vida, não tornará apenas a não ter mais sede de novo, mas também se tornará uma fonte a saltar para a vida eterna (Jo 4). Devemos ser como a luz que não existe para ser guardada, mas, sim, para ser espalhada em benefício de todos ao redor! Fomos chamados a fazer diferença no Mundo!
Conhece aquele cântico que diz: “você veio buscar uma missão? Missão Jesus tem pra dar”? Eu também não! Isto porque muitas pessoas costumam buscar apenas as bênçãos, mas não estão interessadas em servir a Deus neste mundo. Se apenas um dos dez leprosos curados voltou para agradecer a Jesus, quão poucos não serão os que retornam para servir!

Precisamos ter cuidado com a mentalidade utilitarista e egoísta que visa apenas ao interesse pessoal; que usa e depois joga fora como se algo descartável fosse. Infelizmente, tal atitude tem tomado conta da nossa sociedade, a ponto de adentrar nas igrejas. A igreja não é supermercado, onde os cristãos seriam os fregueses. Hoje, muitos trocam de igreja com a mesma facilidade com que trocam de supermercado. Estão sempre em busca de melhores ofertas. Se sentem como fregueses, como clientes e não como servos. Não estão dispostos a servir para suprir as necessidades da igreja local, não se sentem responsáveis. São melindrosos, imaturos, bebês que precisam ainda de mamadeira. E a igreja também não é um navio, onde os cristãos seriam os turistas. Mas se a igreja fosse um navio os cristãos seriam a tripulação e não meros passageiros. Longe de nós tal mentalidade sanguessuga e parasita, que nada tem a ver com seguir os passos de Cristo, que veio para servir e não para ser servido.

Concluindo:


A visão de que Deus está assentado num alto e sublime trono, reinando sobre tudo, tendo o mundo todo em suas mãos nos anima, revigora, enche o coração de alegria e confiança diante das tribulações e desafios da vida.

Adoremos a Deus por quem Ele é, e por tudo que Jesus fez. Não sejamos inconstantes. Nosso relacionamento com Deus, nossa salvação, nossa paz e alegria, e nossa adoração não dependem dos nossos sentimentos e das circunstâncias muitas vezes caóticas que nos rodeiam, mas devem estar edificados no firme fundamento da fé em Jesus e nos seus atos redentores e históricos e imutáveis registrados nas Escrituras.

O encontro com Deus produz o humilde reconhecimento do nosso pecado e culpa, conduzindo-nos ao arrependimento. Não há lugar para desculpas ou para transferência de culpa, quando estamos diante daquele que é Santo e que sabe todas as coisas. Cônscios dos nossos próprios pecados, não nos sentimos à vontade para apontar o cisco que porventura esteja no olho do nosso semelhante (Mt 7.3) e nem para sermos murmuradores e nos queixarmos dos outros e das circunstâncias, a não ser dos nossos próprios pecados. Cônscios também da gravidade dos nossos pecados, não ousamos confiar em nossos próprios méritos, mas assumimos a nossa inteira dependência da graça perdoadora de Deus, o que nos leva a sermos também misericordiosos com os que pecam contra nós (Mt 6.12).

Por fim, Deus nos concede bênçãos para que possamos ser bênçãos. Os talentos que Deus nos concede não devem ficar estagnados, precisam ser aplicados para poderem render (Mt 25). As bênçãos que um ramo recebe da raiz da árvore visam conceder-lhe as condições necessárias para frutificação. Mas, se não produzir os devidos frutos, corre o risco de ser cortado e lançado fora (Jo 15).

O justo viverá pela fé e não por circunstâncias. O cristão é cheio de esperança, confiança, alegria, tudo regado com muita humildade, amor e espírito misericordioso. Ele não é utilitarista; não busca apenas o que é seu, mas busca o bem comum, a unidade da Igreja e a glória de Deus; não busca apenas receber, mas aprendeu a servir, pois recebeu de Jesus o exemplo, a bacia e a toalha (Jo 13.5).

Bispo José Ildo Swartele de Mello




domingo, 10 de agosto de 2014

Deus tem o mundo inteiro em suas mãos!

Há muitos anos atrás, numa madrugada fria, meu coração havia sido tomado por uma grande tristeza. Não conseguia dormir. Então, fui assistir televisão para tentar espairecer um pouco, quando me deparei com estas duas excepcionais intérpretes cantando esta inspirada canção que diz que Deus tem o mundo inteiro em suas mãos!
O impacto foi tremendo! Instantaneamente, despertei daquele estado melancólico. "O que eram os meus problemas diante daquele que tem o mundo inteiro em suas mãos?" Fui tomado por grande emoção diante da grandeza de Deus. Em meio a lágrimas e sorrisos de alegria, todo o meu fardo se foi, dando lugar a uma paz extraordinária que deliciosamente invadiu o meu coração, fruto de uma imensa certeza de que todo o meu futuro estava nas mãos do ser mais poderoso e bondoso de todo o universo.

Curta o vídeo e descanse em Deus!


domingo, 13 de julho de 2014

A respeito dos dons espirituais



5 lições sobre dons espirituais

Preparadas por: Bispo José Ildo Swartele de Mello


Lição 1

"PNEUMÁTICA" – MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO



MEDITAÇÃO DIÁRIA

Segunda-feira - UNIDADE NO CORPO DE CRISTO - Ef. 4
Terça-feira - 0 DEVIDO USO DE DONS ESPIRITUAIS - RM 12.3-8
Quarta-feira - 0 DOM PARA SERVIR - 1 Pe. 4:7-11
Quinta-feira - DIAKONIA - Lc. 10:40; 17:8; 22:26s; At.6:2 e Ef. 4:12
Sexta-feira - COMUNHÃO E HUMILDADE - Fl 2:1-11
Sábado - VIDA PLENA DO ESPÍRITO - CI 3:12-17

Para Estudar: 1 Cor. 12, 13 e 14.

TEXTO BÁSICO: "A respeito das coisas pertencentes ao Espírito, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.(I CORÍNTIOS 12: 1)

QUESTÕES INTRODUTÓRIAS PARA DISCUSSÃO E ESTUDO:

1. Quem é verdadeiramente espiritual?
2. Como é possível testar coisas e pessoas espirituais?
3. Pode a Igreja de Corinto servir de modelo de espiritualidade para nós? Por quê?
4. Em 1 Coríntios de 12 a 14 Paulo apresenta as respostas às questões referentes às coisas espirituais. Temos, portanto, as soluções, quais seriam, então, os problemas? 


1 - A CIDADE DE CORINTO


Das cidades gregas, a menos grega era por esse tempo a menos romana das colônias romanas. Era uma cidade em que gregos, latinos, sírios, asiáticos, egípcios e Judeus, compravam e vendiam, trabalhavam e folgavam, brigavam e se divertiam juntos, na cidade e nos seus portos, como em nenhuma outra parte da Grécia. Era um ponto de parada natural na rota de Roma para o Oriente. Corinto era populosa e próspera. Era um lugar muito cosmopolita e importante. Era moralmente corrupta e os seus habitantes eram profundamente propensos a satisfazer os seus desejos, fossem de que espécies fossem. Nas palavras de Von Dobschutz: "0 ideal dos Coríntios era o atrevido desenvolvimento do indivíduo. 0 negociante que conseguia lucro por todos e quaisquer meio, o amante de prazeres que se entregava a toda luxúria, o atleta acerado para todos os exercícios corporais e orgulhoso de sua força física, são os verdadeiros tipos coríntios, num mundo em que o homem não reconhecia nenhum superior e nenhuma lei, senão os seus desejos”.


2 - A IGREJA DE CORINTO


A Igreja de Corinto atravessava inúmeras dificuldades: divisões, contendas, imoralidades (A igreja estava no mundo, como tinha de estar, mas o mundo estava na igreja, como não devia estar), carnalidades de toda espécie, heresias (alguns negavam a fé na ressurreição), ignorância e abuso dos dons espirituais, individualismo, presunção espiritual, orgulho, inveja, confusão e desordem nos cultos.

Os crentes de Corinto, de acordo com suas pretensões e seu espírito altivo, usavam os dons ou imitavam-nos em determinadas ocasiões, a fim de se exaltarem pessoalmente, e não a fim de glorificarem a Cristo. Não esperavam um pelo outro e nem respeitavam os próprios irmãos. Todos falavam ao mesmo tempo e faziam esforço para ocupar o centro do palco, onde se focalizava a atenção de todos. Em resumo, foi uma igreja que deu muita dor de cabeça ao Apóstolo Paulo.


3 - PNEUMÁTICA


A) Paulo roga aos leitores no início da passagem (12:1), “A respeito de pneumática, não quero que sejais ignorantes”.O termo grego sublinhado define o tópico em consideração.

Em 1 Coríntios ele trata de uma série de assuntos, introduzidos pela observação feita em 7: 1, "Quanto ao que me escrevestes..." O assunto do casamento ‚ discutido em 7:1-24. Um tratamento corolário começa em 7:25: "Com respeito as virgens..." Um novo tópico introduzido em 8:1, usando uma fórmula similar: "No que se refere às coisas sacrificadas aos ¡dolos...”.

Outra consideração apresentada em 12.1, usando-se a mesma fórmula introdutória: "A respeito de pneumatika..." E o final (tratado brevemente)‚ introduzido em 16:1, usando-se novamente a fórmula: "Quanto à coleta para os santos..." Nesta carta, Paulo está tratando de uma série de variados assuntos que foram levantados pela correspondência mencionada em (7: 1) e pela comunicação recebida da igreja de Corinto (1:11). Cada tratamento ‚ coerente dentro de si, e discreto; o contexto circundante serve como pano de fundo. 0 tratamento de pneumática abrange os capítulos 12 a 14, estes trˆs capítulos funcionam como uma unidade, desenvolvendo um tópico comum.

B) 0 termo grego usado para identificar o tópico‚ usualmente traduzido: "dons espirituais". Pneumática, contudo, mais inclusivo que charismata, que ‚ o termo escolhido quando se refere especificamente aos "dons" (ver 12.4, 3 1). A raiz do termo pneuma, que significa vento ou espírito. 0 resto do termo grego (tika)‚ desinência, como, por exemplo, em português "-tico" acrescentado ao radical "pneuma" tornar-se pneumático. 0 sentido da desinência ‚ semelhante ao português. 0 termo grego pneumática é neutro plural, referindo-se às coisas ou matérias que são características do Espírito ou pertencentes ao mesmo. 

C) "A respeito das coisas pertencentes ao Espírito...". A discussão inclui dons, mas como parte de uma agenda mais ampla. 0 amor é central, como matéria de significação vital em qualquer consideração das "coisas pertencentes ao Espírito". É vital também a edificação da igreja, a ordem no culto e ministério. Esses não são dons espirituais em si, mas cruciais à obra do Espírito na igreja.

D) "Não quero que sejais ignorantes a respeito dessas coisas", declara Paulo. A ignorância espiritual, qualquer que seja (desinteresse, falta de estudo, confusão ou medo) deve ser eliminada da igreja. As conseqüências, inclusive anemia espiritual e ineficiência ministerial, são debilitantes. Pior ainda, ignorância gera ignorância (espiritual), da qual nascem diversas doutrinas erradas. Temos que estudar diligentemente as "coisas pertencentes ao Espírito". 0 nosso próprio bem-estar espiritual e o estabelecimento da nossa igreja dependem desse estudo.


CONCLUSÃO 


Esta lição é uma introdução a PNEUMÁTIKA, tema desenvolvido, de maneira brilhante, pelo apóstolo Paulo, nos capítulos 12 a 14. Em nenhum outro lugar da Bíblia se dá uma atenção Cio especial a este assunto de vital importância para vida da igreja, como aqui, nestes três capítulos, que por esta razão se revestem de inigualável importância para a compreensão das "coisas pertencentes ao Espírito".

É indispensável o conhecimento do contexto histórico, geográfico e social da cidade de Corinto, bem como das características e do perfil daquela igreja. E, a partir daí, tendo em mãos os escritos de Paulo, procurar reconstruir as circunstâncias que motivaram as "respostas" de Paulo nestes 3 capítulos, que estão perfeitamente conectados e formam uma unidade sobre o mesmo tema: - pneumática. E por isto não podem ser estudados como se fossem independentes um do outro.

0 que Paulo escreve a seguir visa instruir e trazer luz a um assunto de vital importância para a igreja, onde a ignorância pode levar a uma série de erros.

LIÇÃO 2
CHARISMATA – DONS DO ESPÍRITO



MEDITAÇÃO DIÁRIA:

Segunda-feira - A Sabedoria do Espírito Santo - 1 Coríntios 2:6-16
Terça-feira - A unidade entre Cristo e o Espírito - 2 Cor. 3:17, 18
Quarta-feira - A missão do Espírito - Jo. 14:16-23, 26
Quinta-feira - 0 Espírito veio para dar testemunho de Cristo - Jo. 15:26
Sexta-feira - Veio para glorificar e anunciar a Cristo - Jo. 16:7-15
Sábado - Deus é soberano - 1 Tm. 6:15 e Ap. 1:5-8

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 12: 1 -11

TEXTO BÁSICO: "Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo." (I Cor. 12:4).


INTRODUÇÃO



QUESTÕES INTRODUTÓRIAS PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1. Os dons do Espírito são recompensas por um esforço feito? 
2. Quais os propósitos dos dons espirituais? 
3. Os coríntios davam proeminência a dons mais extraordinários, como o dom de línguas, em detrimento dos outros dons. Por quê? Quais eram as suas motivações? Quais foram as conseqüências desta atitude? 
4. É correto pensar que o Espírito Santo leva a pessoa além daquilo que ela tem "meramente" em Jesus Cristo, ao invés de levar precisamente a Ele (v.3)? Ou, seria exato concluir que o Espírito leva os cristãos para cima e além da "maioria dos cristãos" e doutras pessoas, ao invés depara eles no serviço e no ministério? 
5. Devemos nos sentir superiores, ou considerar outros superiores simplesmente baseados na posse deste ou daquele dom? 
6. Em sua opinião, por que há diversidade de dons e serviços no ministério cristão? 

1 - CHARISMATA


A concepção paulina de “dons” é mais dinâmica do que o nosso uso moderno.

Nós temos essencialmente um só meio disponível de nos referir aos "dons” os quais qualificamos como "dons espirituais" ou "dons do Espírito". Paulo usa diversas descrições, as quais não só esclarecem o conceito bíblico, mas também nos ajudam a definir "dons".

0 termo chave, usado com referência específica aos dons espirituais, é charismata (12.4, 31; Rm. 12.6). 0 termo está na forma plural; o singular é "charisma" (carisma). A raiz do termo, "charis", é a palavra que no Novo Testamento significa "graça”. A conexão com graça é vital ao entendimento correto de dons espirituais, como se vê em Efésios 4:7: 'E a graça foi concedida a cada um...”E em Romanos 12.6, que semelhantemente apresenta uma "lista" de dons relacionando-os com graça: "tendo, porém, diferentes charismata segundo a charis que nos foi dada..." A desinência tem a nuança de algo dado. Assim, dons são descritos como diversas dádivas da graça, dádivas dadas a cada crente por Deus.


2 - OUTROS TERMOS


Paulo também usa outros termos para descrever os dons, os quais são chamados "ministérios" ou "serviços" na igreja (12:5, 10, 11). Várias vezes (1 2:6, 11; Efésios 4:16), é usada a raiz grega da qual se deriva a palavra "energia". Esta é uma palavra composta (en-ergia), que significa "em-trabalhando". Ela descreve os dons espirituais como as operações de Deus nas pessoas individuais e através delas, Deus trabalhando dentro da sua igreja.

Finalmente, notamos a frase descritiva usada em 12:7, onde Paulo declara: "A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum (isto é, para edificação da igreja)."O verbo “sendo dado" está no presente, descrevendo ação contínua, não um evento singular; semelhantemente, "manifestação" tem substantivo como desinência que indica processo. Assim, os dons são definidos como os meios contínuos através dos quais Deus revela sua Pessoa e obra na igreja (ver 14: 24-25).

Um carisma ou graça é definido por Paulo, em primeiro lugar, como um "serviço" (diaconia, v.5). Não é, portanto, primariamente um privilégio espiritual para o indivíduo, para sua própria edificação, prazer, ou distinção. Como um serviço, a graça é dada em prol dos outros; está presente para o bem da igreja. Os variados serviços das graças-dons visam, todos eles "um fim proveitoso” segundo vimos acima.


3 - SENHORIO DE CRISTO



No v.3, Paulo vê a obra característica do Espírito Santo na confissão inteligível e simples de que Jesus é Senhor. 0 Espírito leva os homens a atribuírem senhorio a Cristo. 0 que não significa que é impossível a um descrente dizer as palavras: “Jesus é o Senhor". Obviamente ele pode dizer isso com zombaria. Mas somente sob a influência do Espírito Santo aquelas palavras podem ser ditas de forma sincera e cheia de significado. É só através do Espírito que uma pessoa pode conhecer a Jesus como seu Senhor e Salvador.

Entre os textos para meditação diária estão: 2 Cor. 3:17,18; Jo 14:16-23, 26; Jo 15:26; Jo 16:7-15, que falam do ministério do Espírito Santo em relação a pessoa de Jesus Cristo. No primeiro capítulo de I Coríntios, Paulo fala sobre tudo aquilo que os coríntios já têm. Observe que tudo o que os coríntios já têm, o têm "em Cristo". Foi a preocupação de Paulo em todo o decurso das epístolas aos coríntios ver o Espírito na mais íntima conexão com o Senhor e, portanto, com Deus (2 Cor 13:15). Note que os vs. 4,5 e 6 nos ensinam a trindade: "0 Espírito é o mesmo..."; "... mas o Senhor (JESUS) é o mesmo."; "... mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. "Resumindo, o Espírito não veio para concorrer com Cristo, ou para ir além de Cristo, mas para conduzir a Cristo, exaltando a Cristo como Senhor.

4 - DIVERSIDADE


Pauto nos ensina que: "os dons são diversos% "Há diversidade nos serviços" e há "diversidade nas realizações". Vimos que a obra central do Espírito é honrar a Jesus, e esta obra não é, em sentida algum, monótona ou de uma só forma. 0 Espírito é rico na variedade de suas manifestações, daí o tríplice emprego da palavra "diversidade”.

Há diferentes modos de servir sob a unção do Espírito, mas as diferenças não são importantes, pois o Senhor é o mesmo. Os dons são diferentes, mas isto não deve nos dividir, porque é um e o mesmo Deus que outorga os Charismata em toda a sua diversidade. Paulo está muito preocupado com a unidade da Igreja. Trataremos de um modo especial deste assunto na próxima lição. Em seguida, Paulo descreve uma lista de dons espirituais. Além desta lista existem outras em Romanos 12:6-8; 1 Cor. 12:28-30; Efésios 4:7, 8, 11-13 e 1 Pe 4:9-11. 0 professor ou o aluno pode estudar sobre cada um deles consultando bons comentários e dicionários bíblicos e comparando cada definição, "examinando tudo e retendo o que é bom".

Terminamos esta lição comentando brevemente o v.11: "Mas um e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um individualmente”. Ensinando, mais uma vez, que dons divergentes não visam a propósitos divinos divergentes, pois é o mesmo Espírito que dá todos estes dons. "A cada um individualmente” lembra-nos que Deus nos trata como indivíduos. Ele leva em consideração a nossa personalidade, nossas características e habilidades pessoais que "os são natas, como também nossa capacidade. (ver parábola dos talentos em Mt. 25). E, para finalizar, nos ensina que os dons não são outorgados segundo queremos. Não é segundo a à do homem, mas segundo a vontade do Espírito: Como lhe apraz. Os dons têm nítida relação com nossa posição no corpo de Cristo, isto é, com a nossa função ou ministério. Estão em conexão com as” boas obras as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef. 2: 10).


CONCLUSÃO


A concepção bíblica de "dons" é mais rica e amplamente definida do que a nossa: a nossa parece muito limitada e estéril pela comparação (como ela se reflete dentro do vocabulário usado). Além do mais, a concepção bíblica é mais dinâmica. Nós falamos de 9, 12 ou 21 dons (o número varia), e os designamos às categorias específicas (estas também variam), de acordo com classe ou função ou um outro esquema (que também varia). Biblicamente, os dons são simplesmente um meio de descrever a obra de Deus dentro e através do seu povo.

Paulo ensina que a obra do Espírito é exaltar a Cristo como Senhor. E que o Espírito é rico e criativo em suas manifestações visando a edificação do corpo de Cristo, onde não há lugar para divisões e interesses mesquinhos.



LIÇÃO 3
"ECLESIA" – IGREJA EM FOCO


MEDITAÇÃO DIÁRIA

Segunda-feira - Somos um só corpo - 1 Cor. 10:16, 17.
Terça-feira - A Igreja - Corpo de Cristo - Ef. 1:22, 23.
Quarta-feira - Unidos pela cruz de Cristo - Ef. 2:11-22
Quinta-feira - Unidade do Espírito - Ef. 4:3-16
Sexta-feira - A fim de que todos sejam um - Jo 17:11-26
Sábado - Nada façais por partidarismo - Fl. 2:1-11

Para Estudar: 1 Coríntios 12:12-31

TEXTO BÁSICO: “Para que não haja - ia divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. - (I Co 12:25)”.


INTRODUÇÃO:


Quando esteve no Brasil, Dr. Bush, numa de suas mensagens, contou a seguinte ilustração: “Dois homens trabalhavam quebrando pedras na construção de um grande edifício. Foi feita a mesma pergunta a cada um deles: ‘0 que você está fazendo?’ 0 primeiro respondeu: ‘Ora, estou quebrando pedras’; mas o segundo respondeu: ‘Estou ajudando a construir um grande edifício!’”



PARA DISCUSSÃO E ESTUDO
1.     Quais as lições práticas que podemos tirar da ilustração acima para a vida da igreja?
2.     Qual a relação existente entre esta ilustração e o tema da aula de hoje?
3.     Por que Paulo dedica um quarto do seu estudo sobre PNEUMATIKA à questão da unidade da igreja? (Os 20 versículos deste parágrafo correspondem à aproximadamente 1/4 dos 84 versículos dedicados a PNEUMATIKA).
4.     Ciúmes, rivalidades, arrogância, pretensões, estrelismos, individualismo, menosprezo pelos dons considerados não tão interessantes, busca de satisfação pessoal, exaltação do "eu", e negligência para com os frutos do Espírito eram Características da igreja de Corinto. 0 que fazer para não incorrermos nos mesmos erros?


1 – ECLESIA


0 vocábulo grego "eclesia" significa, basicamente, "os chamados para fora", dando a entender um grupo distinto, selecionado e tirado para fora de algo, era empregado para indicar "assembléia", "reunião convocada pelo arauto", "assembléia legislativa". Portanto, a "assembléia" pode ser política, social ou religiosa. É usada para indicar a igreja cristã, um culto cristão, mas nunca o mero edifício das reuniões ou templo. E pode ser muito bem traduzida por: "CONGREGAÇÃO REUNIDA".

Grande parte da natureza espiritual da igreja pode ser percebida através dos seus títulos que são encontrados nos seguintes textos: Ef. 1:4, 22e 23; Ef. 3; Ef. 2:15, 19, 21 e 22; Ef. 5:26, 27; 2 Cor. 3:18; Rm 8:17, 29 e 30; Rm 7:1-6; Mc 2:19, 20; 2 Cor. 11:2; Mt 5:48.

0 ministério da igreja é, essencialmente, a continuação do ministério do próprio Senhor Jesus Cristo. A vontade de Deus é unir todas as coisas em redor de Cristo, harmoniosamente (ver Ef. 1:10). No seio da igreja, Deus demonstra como isso pode ser feito, através da unidade do Espírito (Ef. 4:3). E o trecho de Ef. 1:23, ensina-nos que Deus utilizar-se-á da igreja como um instrumento para realizar tal plano.

2 - A ECLESIA ESTÁ EM FOCO


O termo grego ECLESIA ou igreja aparece por nove vezes em 1 Coríntios 14 (vs. 4, 5, 12, 19, 23, 28, 33, 34 e 35) e uma vez em 1 Coríntios 12:28. No parágrafo 12:12-31, Eclesia é definido como "0 CORPO DE CRISTO" (o vocábulo "corpo" aparece dezessete vezes neste trecho). Paulo defende que os dons espirituais só podem ser entendidos dentro do contexto da IGREJA. Os dons foram dados a cada um individualmente visando o bem comum, isto é, a edificação do CORPO DE CRISTO. A "IGREJA" está em foco.

3 - A ANALOGIA DO CORPO

 

Intimamente entrelaçada com a consideração Paulina de "dons" está à realidade da igreja. Em 1 Cor. 12, Paulo toma o corpo humano como metáfora e elabora a sua aplicabilidade à igreja. Ele mostra que os dons espirituais, como os diferentes membros do corpo, são diversos em qualidade e função - mas cada um tem importante e necessária contribuição a fazer ao corpo inteiro. Todos são indispensáveis. Assim, os dons são individualizados, mas sempre ligados à igreja.

Os dons são divinamente dados, não primariamente para abençoar a vida do recipiente individual, mas para o benefício da igreja. 0 dom não é dado para nosso deleite pessoal ou para obtermos vantagens sobre os outros, mas para servimos aos demais crentes.

4 - UNIDADE E HARMONIA


Os dons não são dados para divisão, mas para a unidade do corpo. A igreja de Corinto estava a ponto de dividir-se e rachar-se entre o "ESPIRITUAL" e o "CRISTÃO", como se os dois fossem distintos entre si. Paulo inicia esta carta aos coríntios fazendo uma forte exortação à unidade (1 Cor. 1: 10- 13) e, no capítulo 3. Paulo repreende a carnalidades, as divisões, ciúmes e contendas que havia entre eles. E, em 11:17-34, Paulo afirma estar informado de que há divisões e partidos entre os coríntios.

Observe que a palavra chave deste texto é "UM". Releia o texto mais uma vez e responda: Quantas vezes ela aparece?

Num corpo existem órgãos com mais ou menos destaque; mas estas diferenças no Corpo de Cristo são meramente funcionais, não são qualitativas nem espirituais. Nenhuma parte deve sentir-se inferior ou superior com base nos seus dons ou na sua posição dentro do corpo, porque Deus mesmo foi quem dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprove. (v. 18).

As diversas partes do corpo não estão em feroz concorrência entre si, mas sim, se completam harmoniosamente, por amor da totalidade, segundo a orientação da Cabeça.

Compare esta passagem com a de Ef. 4, onde também Paulo está tratando de Dons espirituais: "Suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz: Há um só corpo e um só Espírito... Um só Senhor... A graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo... E concedeu dons aos homens... Para encher todas as coisas... E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para... Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé”. Em 1 Cor. 12:25, o apóstolo fala do propósito de Deus ao dar dons aos membros da igreja. Confira.

Qual o resultado da ação do Espírito Santo na vida dos primeiros cristãos? (At. 2:44ss).

Em João 17:11, 21-23, Jesus orou para que fôssemos um, para que fôssemos aperfeiçoados em unidade. Só assim a igreja será bem sucedida em sua missão aqui no mundo.

V. 11 - "Um só e o mesmo Espírito” - sublinha a verdade de que os dons divergentes não visam a propósitos divinos divergentes. Os membros diferem, mas as suas diferenças não afetam o fato de que há uma unidade fundamental.

5 - CONFORME SEU SOBERANO PROPÓSITO


V. 28 - Paulo ensina que no corpo natural Deus dispõe, estabelece as partes (vs. 18 e 24). O mesmo se dá com o corpo de Cristo. Não são as pessoas que escolhem se vão ser apóstolos, profetas... Ou... Etc, mas é Deus quem os estabelece na igreja. Paulo classifica estes vários dons para igreja em ordem de honra (comparar com a lista de Ef. 4: 11). É significativo que o dom de línguas, que os coríntios tinham em tão alta estima, seja mencionado por último.
Cada um de nós tem uma função, um ministério no Corpo de Cristo, aquelas "boas obras as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas" (Ef. 2:10).

Deus dará, a cada um individualmente, os dons necessários para que cada um possa estar capacitado par executar bem os seus serviços e ministérios já designados por Deus.

Vs. 15 e 16 - 0 pé pode muito bem ter ficado desalentado por sua incapacidade para exercer as complicadas funções da mão, mas "nem por isso deixa de ser do corpo". Os corpos precisam de pé como de mãos, de ouvidos como de olhos. Por melhor que sejam os olhos, o que seria do corpo se todos os seus; membros fossem olhos? Observe que Paulo coloca "0 TODO" no mais alto nível. Os membros não estão dispostos no corpo por acaso (vs. 6, 7, 11, 18, e 28).

Vs. 29 e 30 - Todas as perguntas destes dois versículos esperam um "NÃO" como resposta. 0 que nos ensina que nenhum dom em particular é destinado a todos os cristãos. Nem todos são apóstolos, nem todos profetizam, nem todos falam em línguas. Estes versículos são suficientes para provar que o dom de línguas não é o único sinal de que alguém foi batizado como Espírito Santo. Mesmo naquela época, nem todos os que eram batizados no Espírito Santo falavam em línguas. Os dons são dados como Deus quer, como lhe apraz e não como nós queremos.

CONCLUSÃO


Paulo tratou dos membros mais humildes da igreja, que achavam que, por lhes faltarem dons espetaculares, poderiam ser postos fora do corpo. Tratou também da questão dos membros que, por possuírem dons de maior destaque, menosprezavam os seus irmãos menos dotados, chegando à soberba ao pensar que podiam funcionar bem, sem as "insignificantes" contribuições dos outros não tão "espirituais" e bem dotados quanto eles. Barcley afirmou: "Sempre que começamos a pensar em nossa importância pessoal na igreja, esvai-se a possibilidade de uma obra realmente cristã".

Os dons não são dados por acaso, a revelia ou conforme a nossa própria vontade, e nem visam à interesses mesquinhos e pessoais. Deus concedeu dons com o propósito de nos capacitar para os serviços, funções ou ministérios que Ele mesmo estabeleceu e designou para nós, visando a edificação e a unidade da Igreja.

Entendendo melhor a IGREJA será mais fácil compreender os dons espirituais, bem como o seu uso e propósito na igreja.


LIÇÃO 4
AGÁPE” – O AMOR COMO O SUPREMO DOM DO ESPÍRITO



MEDITAÇÃO DIÁRIA:

Segunda-feira - Uma dívida eterna - Rm 13.8-14
Terça-feira - 0 fruto do Espírito é amor - Gl. 5:23-26
Quarta-feira - 0 amor é derramado nos corações pelo Espírito - Rm. 5:5-8
Quinta-feira - A essência do Evangelho - I Jo 3:11-24
Sexta-feira - Deus é amor - I Jo 4:7-21
Sábado - Amor fraterno - Rm. 12.9-21

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 13.1-13

TEXTO BÁSICO: "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine”.(I Cor. 13:1).

INTRODUÇÃO


As aparências enganam. 0 ser humano é facilmente seduzido pela forma. A embalagem atrai e leva o homem a perder de vista o mais importante: "0 CONTEÚDO". Mas Deus não se deixa enganar. Ele vê o coração, o íntimo, os motivos. Os grandes feitos e o bom desempenho podem impressionar a muitos, mas o que conta diante de Deus é a pureza de intenção. Não é tanto o que fazemos, mas como fazemos, com que coração realizamos até mesmo as mais simples tarefas.

"Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei, porque o Senhor não vê como vê o homem. 0 homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”.(1 Sm 16:7)

"E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente:"

PARA ESTUDO E DEBATE


1.     Por que, destes três capítulos destinados ao estudo das coisas pertencentes ao Espírito Santo, Paulo reserva um capítulo inteiro para a questão do amor?
2.     E porque este capítulo se encontra localizado exatamente nomeio dos outros dois? Haveria algum motivo especial?
3.     Com relação as coisas espirituais, qual foi a ênfase de Cristo e das epístolas apostólicas? E qual tem sido a ênfase nos nossos dias?
4.     É possível a manifestação de dons espirituais sem o elemento básico da vida cristã, o amor?
5.     Como distinguir entre o falso e o verdadeiro? É pelos seus dons que se conhece um homem genuinamente espiritual?
6.     Como é o amor de Deus? Como atua ele? Como se evidencia ele entre nós?

1 – AGÁPE – O Dom maior


AMOR - No grego, "AGÁPE", derivação da forma verbal "AGAPAO ". Não se usava comumente antes do Novo Testamento, mas os cristãos se apossaram do termo e fizeram dele a sua palavra característica para amor. Enquanto que o melhor conceito de amor antes do Novo Testamento era o de amor pelo melhor ser que se conhece, os cristãos pensavam no amor como aquela qualidade demonstrada na cruz. É amor pelos totalmente indignos, amor que procede de um Deus que é amor. Amor prodigalizado a outros sem que se pense se eles são dignos para recebê-lo ou não. Provém antes da natureza daquele que ama, que de qualquer mérito do ser amado.

0 cristão que experimentou o amor de Deus por ele, embora ainda pecador, foi transformado pela experiência. Agora, em certa medida, vê os homens como Deus os vê. Ele os vê como objetos do amor de Deus, como aqueles por quem Cristo morreu. Conseqüentemente, a sua atitude para com eles é de amor, do "AGÁPE" que o leva a dar-se. Vem a praticar o amor que nada busca para si, mas somente o bem da pessoa amada. 0 amor é aquele elemento que dá sabor a todas as demais atividades e lhes empresta significação, sendo assim, o amor é o grande princípio Cristão de toda a ação e a base de toda demonstração de espiritual idade, pelo que o amor deve governar os dons espirituais, servindo de solo onde os dons sejam cultivados.


2. A SUPREMACIA DO AMOR


Amor é "o caminho sobremodo excelente". 0 centro do tratamento Paulino de coisas pertencentes ao Espírito é amor. Sem amor, "dons espirituais" oferecem pouco benefício à igreja e "línguas" se tomam disfuncionais. Ágape é chave para harmonia, ordem e crescimento na igreja.

0 amor é mais importante do que qualquer dos dons, inclusive I Ínguas; na verdade, ele é mais importante do que qualquer combinação de dons, ou todos os dons juntos.

No capítulo doze, Paulo vinculou o pensamento da igreja acerca de coisas espirituais à graça; no capítulo treze, Paulo vincula as coisas espirituais ao amor. Nesse capítulo, Paulo ensina o modo segundo o qual as graças divinas discutidas no capítulo doze devem ser expressas humanamente. Nem o falar em línguas (13.1), nem a profundidade do saber (v.2), nem o sacrifício (v.3) são, por si só, nem substitutos para o amor cristão, nem sequer componentes necessários deste amor. 0 amor é uma graça mais básica e menos espetacular do que todas as demais. Sem ele, as graças cristãs são desgraçadas.

V.1 - Paulo ensina que falar em línguas (de qualquer espécie) sem o acompanhamento do amor, isto é, sem ter por finalidade a edificação da igreja, sem ter por propósito ajudar a outro, não passa de um ruído, que pode ter motivo a auto-glorificação. Aquele que não tem o amor de Deus a encher o seu coração é como um vagão vazio, que desce violentamente por uma colina; faz muito barulho porque nada tem dentro.

V.2 - São aqui frisados os dons da profecia, da sabedoria, do conhecimento e da fé. São dons pedagógicos, importantíssimos e maravilhosos, mas "se não tiver amor"... Observe que o dom importa menos do que a maneira de seu uso. Se o indivíduo que o possui, faz uso dele sem amor, nada será! Tenhamos por exemplos as experiências de Balaão e de Sansão, ambos possuíam dons sobrenaturais; porém, moralmente falando, eram homens degradados. E a derrota recaiu sobre ambos. Existem muitos que tem apenas o CHARISMA, mas não tem o caráter.

V.3 - Aqui são aludidos os dons de "socorros". Até mesmo o indivíduo que se tome conhecido como muito humanitário, cujas obras sociais e de socorro sejam abundantes, se lhe falta a motivação apropriada do amor cristão, a preocupação sincera pelo alívio da miséria alheia, nada será ele. Pois é possível realizar todas estas obras visando a auto-exaltação e a vanglória. Sem amor, nem mesmo um sacrifício supremo obtém coisa alguma para aquele que o realiza. A dedicação suprema nada significa sem a motivação do amor.

3 - A NATUREZA DO AMOR


Para entendermos corretamente 1 Coríntios 13, devemos conservar em mente o contexto dentro do qual a descrição do amor foi dada por Paulo: o contexto do problema referente às coisas espirituais na igreja de Corinto.

V.4 - "É paciente" - "Espera pelo tempo divino para a realização de seus propósitos graciosos e providenciais sem murmurar ou impacientar-se, suportando suas próprias fraquezas, bem como as fraquezas alheias, com santa e humilde submissão à vontade de Deus."(Adam Clark); - "É Benigno"- útil, gentil, prestativo, busca oportunidades para fazer o bem, cheio de bons frutos que vem do alto (ex. o bom samaritano). - "Não arde em ciúmes"- 0 amor não tem inveja. A inveja é um dos pecados mais mortais e destrutivos. Esta foi a causa do primeiro crime na história da humanidade. O amor não se deixa entristecer porque outra pessoa possui maior porção de bênçãos terrenas, intelectuais ou espirituais. Pois ama o próximo como a si mesmo. - "Não se ufana e nem se ensoberbece". Vanglória, auto-exaltação, fanfarronice, orgulho, pretensão, espírito altivo e desejo de ser estrela “, aparecer e estar no centro do palco" eram características de muitos em Corinto. 0 amor impede a pessoa de inflar-se com o senso de sua própria importância. (Pv. 16:18).

V.5 - "Não é inconveniente” - não é arrogante ou rude. 0 amor tem boas maneiras, é cheio de tato. 0 amor não deixa ninguém em situação embaraçosa, não faz ninguém passar vergonha. 0 amor é moderado, observa o verdadeiro decoro. 0 amor é reverente e ordeiro. - "Não procura os seus interesses" - 0 amor não procura as suas próprias coisas. Esta definição torna-se importante para a compreensão do capítulo 14, especialmente o quarto versículo. 0 amor não busca a sua própria vantagem.

Notemos no capítulo 12, o caráter tipo "DIAKONIA"(SERVIR AOS OUTROS) e "proveito para todos"das graças. Em suma, o amor não insiste nos seus próprios direitos. - "não se exaspera” - "não se ressente do mal” - Não se deixa provocar, não se irrita, não perde a compostura, não se amargura, não se lembra do mal. 0 amor perdoa, esquece e paga o mal com o bem.


V.6 - "Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”.

V.7 - "Tudo sofre” - 0 amor sustenta todo o sofrimento. Quando olhamos para a cruz, vemos o maior de todos os exemplos de como o amor pode suportar todo o sofrimento. - "Tudo crê"- Essas palavras não significam que OS Crentes devam ser crédulos, a ponto de serem enganados por charlatões e falsos profetas. No entanto, o amor acredita no lado melhor das pessoas e não procura expandir os seus defeitos, conforme procuram fazer os bisbilhoteiros. 0 amor encoraja o que há de melhor na outra pessoa. 0 amor permanece como amigo, e ama a despeito do que sabe a seu respeito; vê o seu potencial, encoraja-o a cumprir os seu ideal. - "Tudo espera"0 amor não se desespera. Está pronto para tudo. E se recusa a tomar o fracasso como final. É otimista. É como um soldado que, mesmo no grosso da batalha, não fraqueja, não se deixa vencer, sejam quais forem as dificuldades. - "0 amor tudo suporta".

4 - 0 FRUTO DO ESPÍRITO


Em Gálatas 5:22, aprendemos que o fruto do Espírito Santo é: AMOR. Quando o Espírito Santo vem a nós o AMOR de Deus é derramado nos nossos corações (Rm 5:5).

Em 1 Cor. 12:28-30 Paulo ensina que nenhum dom em especial é inerente aos cristãos, isto é, nem todos os cristãos profetizam, nem todos são mestres... E assim por diante. Mas o mesmo não se dá no caso do AMOR, pois o amor é fruto, e o fruto é inerente à árvore. Todo cristão autêntico precisa e naturalmente produzirá os frutos do Espírito. "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda”.(Jo 15:2).
0 amor é o sinal do cristão. "Pelo amor conhecido é o cristão". Jesus não ensinou: "Pelos seus dons os conhecereis”, mas sim: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt. 7:15-23). E segue: "Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não ternos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade."
Mc 11:12-14, a questão da figueira sem fruto. Quando Jesus examina uma árvore, Ele busca nela os seus frutos. Parece que não há desculpas para não frutificarmos.

A igreja dos coríntios é exemplo de que "dons” não é, necessariamente, sinônimo de “espiritual idade" (vida cheia do Santo Espírito de Deus). Vejamos: Em 1:7 - somos informados que aos coríntios não faltava dom algum. Dons eles Possuíam, mas em 1: 11; 11-4,16-18; 4:18; 5-1 a 13; 6:1, 5 a 11, 15 a 19; 10: 14, 21, 22; 11: 17 a 22 e 30; 15:33, 34, observamos o quanto eles eram carnais. E hoje em dia corremos o mesmo perigo de nos concentrarmos nos dons e nos esquecermos do fruto, que é o elementar.

É comum ouvirmos dizer: “Olha, vamos lá e assistir. Veja como aquela pessoa é espiritual’ Ela possui este ou aquele dom!... E incorre-se no mesmo erro de julgar ou de se Conhecer o grau de espiritualidade baseado em tal falsa premissa. Deixa-se enganar pela aparência”.

Dons podem até impressionar multidões, mas se não tiver amor... No dia do juízo final o que realmente importa é o amor. Tudo mais passará, mas o amor permanece para sempre. : “Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança...” (I Jo 4:17 e 18). Ainda sobre este tema, meditar em Jo 15, Mt 25:31-46.

CONCLUSÃO


As virtudes do amor, com sua humildade, paciência, altruísmo e consideração devem ser o veículo das manifestações especiais do Espírito Santo no seio da igreja. Sem esta base, tudo é nada.

Nestes dois primeiros capítulos, Paulo também está preparando os coríntios para receberem de maneira positiva as firmes exortações, correções e orientações do capítulo 14. Que é o tema da nossa última lição.



LIÇÃO 5
GLOSSAI – O DOM DE LÍNGUAS 

MEDITAÇÃO DIÁRIA:

Segunda-feira - No dia de Pentecostes - Atos 2.1-47
Terça-feira - Culto racional - Rm. 12.1-2
Quarta-feira - Como usar os dons espirituais - Rm. 12.3-8
Quinta-feira - Julgar e provar as profecias - 1 Ts. 5: 19-21; I Jo 4:1 e Jr. 23.
Sexta-feira - Perigos Deut. 13.1-5 e Deut. 18:20-22
Sábado - Não buscar o que é seu, mas o que é dos outros - Ef. 2.4, 21.

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 14:1-40

TEXTO BÁSICO: "0 que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetisa edifica a igreja”.(1 Cor. 14:4).


PARA ESTUDO E DEBATE

1.     Como os dons espirituais devem ser expressos nas reuniões congregacionais?
2.     Como conciliar: "Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” com as diretrizes estabelecidas por Paulo quanto à ordem de culto? (ver especialmente os versículos 19, 23, 26 a 33) Em outras palavras, liberdade de culto e necessidade de ordem no culto são conflitantes?
3.     Por que o apóstolo diz que temos que julgar as profecias? Você acha isto importante para os nossos dias?
4.     A questão: "0 que dirão os de fora?" deve nos preocupar? (v.23) (Ler com atenção 2 Cor. 6:3, que é um versículo muito importante para a compreensão deste tópico).
5.     A preocupação do apóstolo Paulo é com o uso dos dons na igreja. Você lembra qual é a concepção neotestamentária do termo grego eclesia? Então, como isto afeta nossa interpretação de 1 Cor. 14?
6.     Quando Paulo menciona “línguas” entre os dons espirituais, está ele se referindo às línguas humanas estrangeiras ou às elocuções estáticas que são ininteligíveis?
7.     Por que o dom de profecia é superior ao dom de línguas? Por que o que fala em línguas deve se calar se não houver quem interprete?


INTRODUÇÃO


Línguas (GLOSSAI) têm sido um meio entre muitos que Deus tem escolhido para se revelar. Não é o meio mais importante e, apesar de ser classificado por Paulo como o último dos dons (12:28), Paulo falou mais tempo sobre ele que sobre qualquer outro, pois, desde aqueles dias, este assunto tem sido mal entendido, com distorções na ênfase e na pratica deste dom nas igrejas, chegando a ser motivo de divisão. É para esclarecer dúvidas, corrigir erros e orientar à igreja de Corinto quanto ao uso dos dons espirituais, em particular o dom de línguas, que Paulo dedica um capítulo inteiro, com 40 versículos.

Existem diferentes interpretações com respeito à definição de línguas bíblicas. É difícil decidir entre elas. Uns resolveriam o problema insistindo que as línguas dos coríntios eram línguas estrangeiras, visto que as de Atos 2 o eram. Para outros, inclusive nossos estudiosos da Bíblia, parece patente que as línguas de 1 Coríntios 12-14 não eram línguas humanas inteligíveis.

Os argumentos baseados no texto gregos não resolvem o problema. 0 termo glossai (Iínguas; singular é glossa) é usado nos textos de Atos e Coríntios, mas não necessariamente no mesmo sentido. 0 contexto é essencial para a própria interpretação e tradução de cada uso de uma palavra, mesmo quando o termo grego fundamental é o mesmo.

É simplesmente incorreto assumir ou afirmar que, porque glossa descreve linguagem humana em Atos 2, onde quer que o termo seja usado ele significa o mesmo. Em Marcos 7:33, 35, o texto grego diz que Jesus tocou a "glossa" do mudo: a palavra aqui obviamente se refere a língua física; seria sem sentido traduzida: "língua (idioma)". Semelhantemente, em Lucas 1:54, Deus tocou a "glossa" de Zacarias: o sentido intentado é provavelmente "boca" e não idioma. Finalmente, em I Jo 3:18, nós somos exortados: "não amemos de palavra, nem de GLOSSA” aqui a tradução “língua” pode ser usada, mas o sentido é comunicado melhor pela tradução usual, "discurso".

Da mesma maneira, devemos estudar contextualmente cada instância de "glossa" em Atos e Coríntios. Em alguns textos, o sentido exato não é claro: não podemos estar certos se as "línguas" em Atos 10 e 19 consistem em fala inteligível ou ininteligível. Em tais casos, dogmatismo (de qualquer lado, com a exclusão de outros pontos de vista) parece não só infundado, mas injustificado.

QUAL 0 SENTIDO DE GLOSSAI EM 1 COR. 12-14?


Como é de se esperar, os estudiosos diferem nas suas respostas, refletindo usualmente suas afiliações teológicas e eclesiásticas. Para um número crescente de variadas tradições, contudo, a seguinte conclusão parece assegurada: enquanto que as línguas de Atos 2 foram línguas estrangeiras inteligíveis, as "glossai" em I Cor. 12-14 consistem em elocuções humanamente ininteligíveis.

Esta conclusão está baseada nos dados específicos.
Pentecostes, como se acha relatado em Atos 2, foi um evento miraculoso. Naquele dia, quando o Espírito de Deus foi derramado, os discípulos falaram línguas (glossai) que eles não entenderam. De outro lado, os ouvintes, um auditório misto de visitantes de muitos países diferentes, entenderam o que foi dito. Eles se maravilharam, todavia, que os discípulos - todos "galileus" - estavam falando para eles, "que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nasceu" (2.8). A palavra grega traduzida língua ali e em 2:6 é "dialect", descrevendo língua particular nativa dos ouvintes. A lista dos nomes de lugares identifica algumas das regiões geográficas específicas representadas. Todas as línguas dessas vastas regiões não eram evidentemente conhecidas aos discípulos galileus iletrados (At. 4:13). Não obstante, as "glossai" faladas foram inteligíveis aos ouvintes; nenhuma interpretação foi necessária.

A situação que Paulo descreve em 1 Coríntios 12-14 é completamente diferente. A mensagem falada em línguas era não só ininteligível àquele que falava que (ver 14:14), mas também aos ouvintes: Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus... Ninguém (isto é, nenhum ser humano) o entende; porque em espírito fala mistérios. Porque tais elocuções são ininteligíveis, Paulo argumenta, sem interpretação, elas são sem sentido e não edificam a igreja durante suas reuniões.

0 fato de a "interpretação" ser considerada um dom espiritual faz crer que o dom espiritual de línguas mencionado em 1 Coríntios não era de idiomas conhecidos, que pudesse ser entendido por alguém em algum lugar do mundo.
Outra espécie de "glossai" pode estar sendo sugerida em 1 Coríntios 13:1: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos..." Aqui Paulo muda para além das fronteiras da língua humana, para abranger outra esfera de comunicação. No contexto, a sua idéia é que, ainda que uma pessoa possa comunicar em muitas línguas humanas e também com o espírito de anjo... Sem amor, a fala resultaria somente em muito ruído.

Na lista dos "dons", deve-se notar que "glossai" está sempre no plural e acompanhado de "espécies de..." 0 grego que salienta este qualificador fornece o termo científico gênero. Usado em biologia, um gênero, é a subdivisão principal da família e incluiu uma ou mais espécies. Este é o sentido que este qualificador acrescenta a "línguas". Em essência, Paulo parece reconhecer diversas espécies de glossai, inclusive línguas humanas, mas também "celestes". Todas são de Deus, e dadas segundo a sua escolha.

COMPARAÇÃO ENTRE PROFECIA E LÍNGUAS


Paulo estima os dons por sua capacidade de ajudar aos homens (Vs. 1 a 5).

À medida que Paulo usa para fazer esses juízos de valor está claramente identificada: 0 QUE EDIFICA A IGREJA?

0 que profetiza, fala aos homens, edificando, exortando e consolando “(v.3). 55”.

Está frase importante define a profecia. A "edificação" (oikodome) passa, então, a ser a chave para o entendimento desde capítulo(vv. 3, 4, 5, 12, 17, 26). Assim como Deus é a fonte das "graças" (cap.12), e assim como o amor é o modo delas (cap. 13), assim também a "edificação" é o alvo delas (cap. 14).

Paulo não negava que falar em línguas fosse um dom, mas nunca ensinou as igrejas a buscarem tal dom, mas recomendou com insistência a busca dos "melhores dons" no capítulo 12; do amor, no capítulo 13, e comparou o dom de profecia ao dom de línguas, no capítulo 14, provando a superioridade do primeiro, chegando a afirmar: "Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua." (v. 19). Pois quem fala em línguas não edifica a igreja, mas somente a si mesmo (v.4). E em 1 Cor. 13.5, aprendemos que o amor "não procura suas próprias coisas". Sendo assim, Paulo declara definitivamente: "visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para edificação da igreja" (v.12). Paulo deseja ver os dons espirituais tomar-se em serviço (cap. 12), o amor tomar o centro de nossas atenções (cap. 13), e a igreja ser edificada (cap. 14).

Enquanto o que fala em línguas edifica apenas a si mesmo, o que profetiza edifica a igreja. A profecia também serve para exortar (encorajar, fortalecer) e consolar os homens (v.3); também é um meio de transmitir revelações e doutrinas (v.6); a profecia faz "soar" aquele toque da mensagem cristã que leva o crente a preparar-se para a batalha espiritual (v. 8); a profecia é uma voz clara, em um mundo de vozes confusas (v. 10) e a profecia é uma maneira de ensinar (v. 31).

A inferioridade de "línguas" é manifesta, pois este dom não "dá proveito" aos ouvintes. Paulo diz que a fala ou é inteligível, ou não é nada mais do que falar ao ar (v. 9), pois tudo que se visa com um idioma, com uma linguagem é comunicar sentido a quem deve. A fala é um efetivo instrumento de comunicação, mas a fala que não for compreendida, não terá poder nenhum (v.11). Agora, se as "línguas" forem interpretadas, os ouvintes serão edificados, caso em que não há grande diferença da profecia.

"Se eu orar em línguas, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera." (v. 14 b). Não faz uso da mente, não acrescenta ao intelecto, ao conhecimento. Paulo não está argumentando em prol de um intelectualismo estéril, pois é certo que a vida cristã é bem mais do que exercício mental, há lugar para fervor e emoção, mas, como vemos no v. 15, a oração e o canto devem ser tais, que os adoradores possam envolver-se nelas integralmente, com a mente e com o espírito. (Obs.: Muitíssimas vezes as orações são elevadas numa espécie de jargão emocional, e os hinos são escolhidos com base em melodias atraentes, em vez de em sólida doutrina.)

"Não sejais meninos" (v.20) - Parai de ser meninos no entendimento. Na verdade, é característico da criança preferir o divertido ao útil, o brilhante ao sólido. E é isso que faziam os coríntios com o seu assinalado gosto pela "glossolalia" (glossolalia - falar em línguas). Portanto, "sêde homens amadurecidos."


UMA CONSIDERAÇÃO EVANGELÍSTICA


Numa reunião da igreja o efeito do falar em línguas sobre os de fora ou incrédulos é adverso. Diz o apóstolo Paulo que eles pensarão que os crentes estão loucos (v.23). Pois os coríntios tinham o costume de falarem línguas todos ao mesmo tempo. (Sobre este tópico, ler também 11 Cor 6:3) Paulo sempre se preocupou com a imagem da igreja diante dos de fora. Em Atos 2:47, vemos que a igreja primitiva contava com a simpatia de todo o povo em derredor, "enquanto isto, acrescentava-lhes o Senhor, dia-dia, os que iam sendo salvos." Não podemos perder de vista a nossa maior missão.
Obs: Parece haver uma contradição entre o v. 22 e os vs. 24e25. Mas é preciso levar em consideração o contexto do v. 22, que está baseado num texto do Antigo Testamento (Is 28:11, 12), onde os incrédulos são os que ouviram a palavra e a rejeitaram. Para eles, as "línguas" valem por um sinal do juízo de Deus sobrevindo a eles. Já em 24 e 25 se está pensando naqueles que nunca ouviram a palavra. Para estes, "línguas" não são mais que um sinal de loucura, mas a profecia os conduz a Deus.


QUESTÕES DE ORDEM E DECÊNCIA NA IGREJA


A preocupação corolária é a ordem na igreja. Paulo não só considera a ordem como princípio dirigente - é a palavra com que ele conclui o tratamento extensivo deste assunto (ver 14:40) - mas sublinha-a pesadamente no parágrafo final. Já no capítulo 12, ele tem caracterizado a igreja como uma entidade unida, composta por Deus "para que não haja divisão"(12:25). Em 14:26-39, ele fala de modo particular sobre a aplicação deste princípio às reuniões da igreja. “Quando vos reunis” (v.26)

Há vários ingredientes no culto, mas a regra orientadora é "Seja tudo feito para edificação" (v.26). Limites são estabelecidos tanto para línguas (com interpretação) quanto para profecias (vs. 27 a 29) - "não mais que três" - "e isto sucessivamente" (v.27), nunca todos falando em línguas ao mesmo tempo (v.23), mas, sim, um após o outro e haja quem interprete. Mas e se não houver intérprete? Resposta: "fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus" (v.28). E com relação à profecia, é necessário que haja julgamento.”“.
"Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro " (v.30). E para os que dizem que não podem se controlar diante da ação do Espírito, Paulo rebate dizendo: "Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; porque Deus não é Deus de confusão... " (vs. 32,33). Note-se, antes de tudo, que Paulo crê no domínio próprio e o defende (ver também vv. 28, 30 e 34). Isto é de se esperar, porque o fruto do Espírito é "... domínio próprio" (Gálatas 5:22). Para que o culto seja edificante e executado em ordem, é necessário que se possa ouvir enquanto alguém está falando (vv. 29, 31, 34, 35).

Uma congregação individual não é simplesmente livre para fazer o que bem entende. Paulo mostra sua exasperação com a congregação de Corinto quando ele pergunta: Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?"(1 4:36). Estas perguntas servem como um forte lembrete da interconexão da igreja. Finalmente, Paulo Naca a rolha", e exerce a plena autoridade do seu ofício apostólico: "as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (14:37). Esta palavra é dirigida ao que se pensa "espiritual" o qual é trazido fortemente sob a autoridade da liderança eclesiástica, ordenada por Deus.

 

JULGAR, PROVAR E DISCERNIR

 V.29 - "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três e os outros julguem" (ver questões introdutórias a esta lição). A Bíblia é a Palavra de Deus e nenhuma mensagem profética pode ir contra os seus ensinos (Hb 1: 1-2; 2Trn 3:16, 11 Pe 1: 19-21 e Deut 29:29).

Devemos fazer como os cristãos de Beréia, que eram nobres no modo de receberem a Palavra: "examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim." (At. 17:11).

E devemos atentar para os seguintes perigos: a) Deut 13: 1 -5 b) 1 Rs 13:1-30 0 Jr 23:13-40

A Bíblia diz que é nosso dever julgar, provar e discernir, portanto não sejamos acanhados ou negligentes neste ponto: 1 Tm 4: 1; 1 Jo. 4: 1; 1 Cor 14:29; Hb 5:13, 14: Hb 4:12-13; 1 Cor 2:15; 11 Cor 11: 13-15; At 5:1-11; Mt 7:15-20, Gálatas 1: 6-9 e 2Ts 2.1-3


CONCLUSÃO


A Bíblia ensina sobre os dons espirituais e nenhum versículo, inclusive 1 Cor. 13: 10 pode ser usado para justificar ou prever o fim destes dons. Nesta passagem, a Segunda Vinda de Cristo está sob consideração como aquele acontecimento que terminaria os dons (o que se vê claramente em 1 Cor. 13:12). Mas a mesma Bíblia que nos fala sobre os dons espirituais também nos ensina "como" e "com que propósito" devem ser usados nas nossas reuniões congregacionais. Muitos, hoje em dia, têm desacreditado nos dons, devido às distorções e abusos com que eles estão sendo praticados. Se quisermos ser bíblicos, devemos obedecer às orientações, aos princípios e as diretrizes que o apóstolo Paulo claramente determinou para o uso dos dons na ECLESIA. Sabendo que não se trata de mandamento de um homem, mas de Deus (1 Cor. 14:37).

E nunca devemos nos esquecer que os dons são divinamente dados, não primariamente para abençoar a vida do recipiente individual, mas para o benefício da eclesia. Se a igreja deve ser edificada através do exercício dos diversos ministérios de todos os membros, tudo deve ser feito descentemente e com ordem" (14:40). "Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz" (14:33)' Neste capítulo, como nos anteriores, a preocupação de Paulo não é com o chamado uso privado dos dons. A inteira discussão focaliza o que acontece "na igreja" (na reunião dos crentes), como vemos em 14:19, 28 e 35. 0 valor de "glossai" na congregação é menosprezado, não ultimamente proibido (14:39), desde que haja intérprete: "E SE alguém falar em línguas, ou no caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete, mas não havendo intérprete, fique calado na igreja". (14:27 e 28a.), mas repetidamente desencorajado (ver todo o capítulo). 0 discurso inteligível é exaltado como muito mais útil e apropriado (v.19), porque a manifestação do Espírito é muito mais imediatamente evidente, não só à congregação dos crentes mas também aos descrentes (14:24, 25).


CONCLUSÃO GERAL


NOSSOS VALORES PRIMORDIAIS COMO METODISTAS LIVRES

1. A CENTRALIDADE DE SANTIDADE. Nós estamos convencidos que santidade (definida como amor perfeito) é a visão integrante do Novo Testamento. Este amor se expressa em nosso relacionamento para com Deus e para com os próximos.

2. A UNIDADE DA IGREJA. Enquanto que a nossa igreja começou como um movimento reformista, nós não somos sismáticos. Nós valorizamos a unidade do corpo de Cristo, o bem comum. Nós ficamos magoados com desunião e contenda. Unidade é essencial para testemunho e missão.

3. BÍBLIOCENTRISMO. Somos cristãos bíblicos. Ficamos apreensivos com qualquer doutrina ou prática carente de apoio claro da Bíblia.

4. NOSSAS RAÍZES. Nós apreciamos a nossa tradição. Nós temos a versão em alterar o que é essencial à nossa identidade.

5. NOSSA MISSÃO. Nós cremos que estamos aqui para um propósito e esse propósito reflete fielmente o impulso central do Novo Testamento. Existimos para proclamar o perdão e a santidade para trazer os outros à comunhão do corpo de Cristo, e para equipar e enviá-los para fora como cristãos produtivos que dão testemunho. Esta convicção está no centro do nosso sistema e atividades institucionais.


A OBRA DO ESPÍRITO


Com referência à obra do Espírito, o consenso entre os metodistas livres contém os seguintes elementos:
1.     A santidade cristã tem ascendência sobre qualquer dom específico.
2.     0 testemunho do Espírito é interno e não é acompanhado necessariamente de qualquer manifestação particular. (Rm. 8:16)
3.     Os dons espirituais são soberanamente distribuídos pelo Espírito Santo e dados com o propósito de edificar a igreja.
4.     0 fruto do Espírito, cuja essência é o amor santo, aparecerá em cada vida entregue a Deus.
5.     0 Espírito dá poder para vida vitoriosa.
6.     0 poder da obra do Espírito é evidenciada em vidas transformadas e serviço efetivo.
7.     0 propósito do Espírito é edificar a igreja em unidade.

 

 

LÍNGUAS E SANTIDADE


Nós rejeitamos a sugestão de que qualquer um dos dons seja o sinal ou a evidência de que uma pessoa foi batizada com o Espírito Santo. Não concordamos com a posição que afirma que o dom de línguas é o sinal necessário da plenitude do Espírito Santo. Além do mais, questionamos, baseados em nosso entendimento, da Escritura, a proeminência geralmente dada, pelos pentecostais, à prática de falar em línguas.

Em nossa estimativa, a posição acima delineada coloca-nos no centro do que significa ser uma Igreja do Novo Testamento. Nós não descristianizamos os que não compartilham as mesmas convicções nossas em cada ponto. Pelo contrário, nós refletimos o grande coração de Wesley que disse, "Não destruamos a obra de Deus por opiniões ou palavras" (O caráter de um Metodista).

Os metodistas livres consideram que a doutrina do amor perfeito reflete o coração da vida cristã. 0 nosso fundador, Benjamim Titus Roberts, considerou esta doutrina da santidade cristã como "claramente ordenada na Palavra de Deus, e como constitutiva do real reforço e poder para o bem da Igreja de Cristo " (Cristão Fervoroso, 1, pp. 1, 5). Concordamos.

Portanto, recomendamos que: 

1.     Afirmemos os Parágrafos 122 e 308 do Livro de Disciplina;
2.     Continuemos a insistir,como o fez o apóstolo Paulo, que oculto seja realizado em língua inteligível pelo povo e de desencorajar a prática ou a promoção de falar em línguas no culto público; e
3.     Reafirmemos a prioridade de nossa missão de proclamar o perdão e santidade em Jesus Cristo. Unamo-nos para introduzir o Novo Dia debaixo de Deus.


BIBLIOGRAFIA



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Champlin, Russel Norman -PH.D. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, I Coríntios 12-14 - Milenium Distribuidora Cultural Ltda.

Foulkes, Francis - Efésios, Introdução e Comentário - Associação Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. São Paulo, SP, Brasil - 1986

Bruce, F.F. - MA., D.D. - Romanos, Introdução e Comentário - Série Cultura Bíblica - Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão - São Paulo, SP, Brasil,

Frederick Dale - Teologia do Espírito Santo - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova - São Paulo, SP, Brasil, 1989
Graham Billy - 0 Espírito Santo (ativando o poder de Deus em sua vida) Edições Vida Nova - São Paulo, SP, Brasil, 1980.

Knight, John A, - 0 que a Bíblia Diz Acerca de Falar em Línguas – Casa Nazarena de Publicações - São Paulo, SP, Brasil, 1989



Mais estudos a respeito: