segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Igreja passa pela Grande Tribulação?

(Autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Introdução
Os pré-tribulacionistas afirmam que Deus não permitirá que a Igreja sofra no período da Grande Tribulação. Mas, não existe nenhum versículo bíblico que ensine que a Igreja não passará pela Grande Tribulação e nada existe também na Bíblia sobre uma Segunda Vinda de Cristo em duas fases ou etapas, separadas por sete anos de Grande Tribulação, e também não há nada sobre um arrebatamento “secreto”, pois não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-17; Mt 24.31). 

Outra incongruência deste ponto de vista é a ideia de um arrebatamento para tirar a Igreja e o Espírito Santo da Terra antes da manifestação do anticristo. Se este fosse o caso, o anticristo seria anti o quê? Isto de remover a Igreja e o Espírito Santo e aí, sim, termos a conversão de Israel num período curto de 7 anos, é uma ofensa ao ministério da Igreja e do Espírito Santo; Um reducionismo da Missão da Igreja e do Espírito que promove escapismo e alienação, além de ferir o bom senso. 

Agora, passarei a expor o ensino das Escrituras Sagradas a respeito deste assunto. Começarei mostrando que tanto Jesus como seus apóstolos advertem que a Igreja passará por muitas tribulações, inclusive pela chamada Grande Tribulação e que isto não é sinal de abandono ou derrota. Depois estudaremos os sinais que precedem a Segunda Vinda de Cristo. Demonstrando que o ensino bíblico é que o Arrebatamento da Igreja acontecerá após a Grande Tribulação, sendo parte integrante da Segunda Vinda de Cristo que é um evento único e visível para todos os habitantes da terra. Jesus destruirá o anticristo com o sopro de sua boca por ocasião da sua vinda. Por fim, depois de demonstrar a falta de base bíblica do ponto de vista pré-tribulacionista, tecerei algumas considerações sobre a preocupante origem de tal doutrina, que não tem a Bíblia com sua fonte de inspiração, mas visão profética de uma pessoa do século XIX. 

A Igreja, a perseguição e o martírio cristão. 
Jesus deixou claro que o primeiro requerimento para se tornar cristão é “tomar a cruz” (Mc 8.34). Jesus disse também que “não é o servo maior do que seu Senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.20, cf . 13.16, Jo 16.33), devendo o discípulo sempre ter a consciência de que, seguir o Servo Sofredor, que na cruz morreu, é se identificar com ele em todos os sentidos, não somente na glória da sua ressurreição, mas também na dor de seu sofrimento na cruz. E Paulo deixa bem claro que o cristão possui uma sina de sofrimento quando diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nEle” (Fp 1.29). Paulo exortava os cristãos a permanecerem firmes na fé “mostrando que, através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22). São numerosos os textos que falam a respeito do sofrimento da Igreja e do cristão.1

A Igreja em todos os tempos sofreu perseguições fortíssimas. Como é que os cristãos primitivos poderiam entender que Deus não permitiria que a Igreja passasse pela Grande Tribulação sendo eles próprios vítimas de toda sorte de crueldades e sofrimentos, quando cristãos eram mortos por amor a Cristo aos milhares? Os primeiros séculos da era cristã são conhecidos como a Era dos Mártires. O Apóstolo Paulo não nos dá esperança de escape ao sofrimento, pelo contrário, ele diz aos cristãos de Roma: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.35-37). Paulo ainda diz que: “... todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 2.12). O livro de Apocalipse tem como propósito confortar e animar cristãos que estão em grande tribulação (Ap 1.9; 2.3-13; 6.9s; 7.9-17; 11.1-10; 12.11, 17; 13.7,8; 14.1-5,13).

O martírio não é derrota
Alguns pré-tribulacionistas chegam a afirmar que "os santos" mencionados em Apocalipse 13 não se referem a Igreja, pois, para eles, estes "santos" serão derrotados pela Besta, o que não seria possível visto que Jesus profetizou que as "portas do inferno não prevalecerão" contra a igreja. Mas é equivocado concluir que os santos estão sendo derrotados pela Besta. Pois, não está de acordo com o espírito do Evangelho encarar o martírio como derrota, sendo que foi exatamente através do martírio que Jesus venceu Satanás: "e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz" (Cl 2.15, ver também Jo 12.32; 19.30; At 2.23 e 24). 

O Apóstolo Paulo afirma que nem a morte pode nos separar do amor de Deus e que, mesmo diante dela, somos mais do que vencedores. "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada. Como está escrito: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas em todas estas coisas, somos mais do que vencedores" (Rm 8.31-37). Portanto, a morte não derrotou a Cristo e também não derrotará a Igreja. "Somos mais do que vencedores"!


Para os cristãos, como Paulo, sofrer por Cristo é um imenso privilégio! O que é sinal de destruição e derrota para os pagãos é sinal de vitória e honra para os cristãos: "sem de forma alguma deixar-se intimidar por aqueles que se opõem a vocês. Para eles isso é sinal de destruição, mas para vocês, de salvação, e isso da parte de Deus; pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele" (Fp 1.28-29). 


Que honra poder seguir os passos do Grande Mestre e carregar a própria cruz! "Então Jesus disse aos seus discípulos: 'Se alguém quiser acompanhar- me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga- me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará'" (Mt 16.24-25).


O Arrebatamento acontecerá após a Grande Tribulação
O apóstolo Paulo ensina que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele, reunião esta que se dará através do arrebatamento (1Ts 4.16,17 cf. 2Ts 2.1-3), “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2Ts 2.3b,4). Os próprios dispensacionalistas concordam que o Anticristo se revela dando início ao período da Grande Tribulação. Portanto, o apóstolo nos garante que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele (o arrebatamento) só se dará após a revelação do “homem da iniquidade”. 

O contexto é claro: os cristãos tessalonicenses estavam sendo perturbados por aqueles que ensinavam que a Segunda Vinda era iminente, ou seja, que poderia se dar a qualquer instante sem sinais prévios (2Ts 2.2). Sabemos que o que os tessalonicenses esperavam era a Segunda Vinda de Cristo que desencadearia o arrebatamento da Igreja (2Ts 1.10). Sabemos também que aqueles cristãos tinham a expectativa do arrebatamento conforme foram instruídos pelo apóstolo em sua primeira carta (1Ts 4.13-18). Paulo, então, procura acalmá-los dizendo que são falsos os ensinos que diziam que o arrebatamento estava às portas ou que já até havia acontecido (2Ts 2.2), pois que tal não aconteceria sem que primeiro ocorressem dois grandes sinais, a saber, a apostasia e a revelação do anticristo, o que é o mesmo que dizer que o arrebatamento da Igreja não se dará antes do período da Grande Tribulação. Paulo lembra que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele (2Ts 2.1) ocorrerão posteriormente a manifestação do Anticristo: “então, de fato, será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá, pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2.8). Paulo não nos informa o que ou quem é que está detendo a manifestação do iníquo (2Ts 2.6-7), mas não se trata do arrebatamento da Igreja, pois Paulo deixa claro que o arrebatamento só se dará após a revelação do Anticristo.2

O ensinamento de Paulo se encaixa perfeitamente com o ensino de Cristo, que afirmou: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.29-31). 

Cristo ensina claramente que sua Segunda Vinda, o que inclui a nossa consequente reunião com ele, só se dará “logo em seguida à tribulação daqueles dias”. O ensino de Jesus e de Paulo era claramente pós-tribulacionista. Os tessalonicenses não poderiam estar esperando um arrebatamento para os livrar da Grande Tribulação, pois eles estavam instruídos a respeito de que o desígnio de Deus para os cristãos é a tribulação: “a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto” (1 Ts 3.3, ver também v.7; 2 Ts 1.4-7); Como ensinou Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim... Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu Senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros... Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou... Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus... Esta coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 15.18, 20, 21; 16.1,2,33).

Se sabemos que a ressurreição dos mortos precederá, mesmo que em milésimos de segundos, o arrebatamento (1Ts 4,16-17). E se também sabemos que a ressurreição é algo que acontecerá apenas no último dia (Jo 6.39, 40, 44, 54; 11.24)! Então,  precisamos concordar que o arrebatamento é algo que acontece no último dia e não sete anos antes do último dia como ensinam os pré-milenistas e nem três anos e meio como como o querem os midi. 

O Último Dia é também o Dia do ressoar da Última Trombeta. Apocalipse diz que quando o sétimo anjo tocar a sua trombeta, haverá fortes vozes nos céus, dizendo assim: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15); Pois, na sequência, aparecerá no céu um sinal extraordinário (Ap 12.1)! Portanto, após o soar da última trombeta, não haverá Grande Tribulação, mas a plenitude do Reinado de Cristo! E, também, após o soar da última trombeta, não acontecerá um arrebatamento secreto, mas a aparição gloriosa do Filho de Deus que vem sobre as nuvens dos céus como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16). 


Interpretando Apocalipse 3.10
Um texto usado pelos pré-tribulacionistas em defesa de que a Igreja não passará pela grande tribulação é o de Apocalipse 3.10: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei (tereo) da (ek) hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.” Erickson faz uma excelente exegese do texto dizendo que o sentido primário da preposição ek, “sair de dentro”, refuta a interpretação pré-tribulacionista do versículo. Para a Igreja emergir de dentro da hora do teste, deve ter estado presente durante aquele teste. O mesmo se dá em Apocalipse 7.14, onde os mártires saem “fora da (ek) grande tribulação”. A pergunta importante é por que João não empregou apo em Apocalipse 3.10, que pelo menos permitiria uma interpretação pré-tribulacionista. “Outra questão importante em Apocalipse 3.10”, conforme ressalta Erickson, “é o significado do verbo tereo. Quando está em vista uma situação de perigo, tereo significa ‘guardar’. O perigo está implícito na ideia de guardar. Sendo assim, se a Igreja está no céu nesta ocasião, conforme o ensino pré-tribulacionista, então, qual poderia ser o perigo que necessita a mão protetora de Deus sobre ela? 

Em João 17.15, tereo também ocorre juntamente com a preposição ek: ‘Não peço que os tires (airo) do (ek) mundo; e, sim, que os guardes (tereo) do (ek) mal’”.3 Portanto, em João 17.15, as palavras de Jesus nos ensinam que podemos ser guardados do mal sem necessariamente sermos tirados do mundo. O povo hebreu foi guardado das pragas que caíram sobre o Egito, mesmo estando dentro do Egito. Eles não precisaram ser arrebatados para serem guardados das pragas. 

O mesmo acontece em 2 Pe 2:9, onde se lê: "É porque o Senhor sabe livrar da (ek) provação os piedosos..." Pedro não está ensinando que os piedosos estarão afastados (apo) da provação, mas que o Senhor os livrará dela (ek), ou seja, em meio a ela, sendo especialmente protegidos durante o período de provação.

É preciso também que se faça distinção entre “ira de Deus” e “perseguição do Anticristo” que é contra a Igreja. Concordamos que a Bíblia ensina que seremos protegidos da ira de Deus (1Ts 1.9-10; 5.9; Rm 5.9), mas, como já vimos, não é necessário ser arrebatado para ser guardado do mal.

A Ira de Deus e o Dia do Senhor
A Igreja não está destina a ira de Deus. A ira de Deus é o seu justo juízo sobre toda a impiedade (Rm 1.18). "O Dia da Ira" (Rm 2.5) e "a Ira" (Ef 5.6) são também conhecidos como "O Dia do Senhor" (Is 13.9; Joel 2.1-11; 1Ts 5.2; 2Ts 2.2). É o Dia do Juízo Final: "Vejam! O dia do Senhor está perto, dia cruel, de ira e grande furor, para devastar a terra e destruir os seus pecadores. As estrelas do céu e as suas constelações não mostrarão a sua luz. O sol nascente escurecerá, e a lua não fará brilhar a sua luz. Castigarei o mundo por causa da sua maldade, os ímpios pela sua iniquidade. Darei fim à arrogância dos altivos e humilharei o orgulho dos cruéis" (Is 13.8-11). 

Qualquer tentativa de distinguir entre o Dia do Senhor e o Dia de Cristo e encontrá-los em dois diferentes programas escatológicos, um para Israel e outro para a Igreja está fadada ao fracasso, pois, para os cristãos do Novo Testamento, Jesus é o Senhor! (Fp 2.11; Rm 10.9). Ladd diz que a vinda de Cristo, para reunir seu povo, tanto os vivos como os mortos, para si (1 Ts 4.13-17), é chamada de o Dia do Senhor (1Ts 5.2), como o é sua vinda para julgar os infiéis (2Ts 2.2).4 

Em 1Ts 5.9, Paulo afirma: "porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Observe que o Apóstolo está contrastando "Ira" com "Salvação". Paulo está afirmando que os salvos em Cristo não estão destinados a condenação no Juízo Final (Rm 2.5; 5.9; Ef 5.6; Cl 3.6; 1 Ts 5.9; Ap 14.10 e 19; 19.15). "Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). "Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”. De modo que 1 Ts 5.9 não diz respeito a Grande Tribulação, mas sim a condenação do Juízo Final. De modo que, no Dia da Ira de Deus, os ímpios clamarão para que as rochas caiam sobre suas cabeças tal é a expectativa de condenação final (Ap 6.11-17; Ap 11.18). 

Mas, embora a Igreja não esteja destina à Ira, ela está destinada à Tribulação conforme lemos em 1 Pe 2.20-21; At 14.22; Jo 16.33; Rm 8.18, 23, 35, 36; 2 Co 8.2). Jesus advertiu seus discípulos com muitas palavras a respeito das tribulações que teriam de enfrentar por amor a Ele: “Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa" (Mt 24.9). "...Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro" (Ap 7.14). Tiago também enxerga os discípulos de Cristo enfrentando e vencendo a provação através da perseverança na fé em Jesus: "Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam" (Tg 1.12).

O Arrebatamento não será secreto

Não há base bíblica para qualquer idéia de que quando Jesus vier haja dúvidas sobre quem ele é ou sobre se ele realmente veio. A Segunda Vinda de Cristo e o conseqüente arrebatamento da Igreja nunca são descritos como sendo secretos ou silenciosos, mas sempre se apresentam como:


Um evento retumbante:
  • “grande clangor de trombeta” (Mt 24.31; 1 Ts 4.16,17);
  • “assim como o relâmpago” (Mt 24.27);
  • "bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror... pois os poderes dos céus serão abalados" (Lc 22.25-28)
  • “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12);

Um evento visível:

  • “assim virá do modo como o vistes subir” (At 1.11);
  • “aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Mt 24.30);
  • “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.” (Ap 1.7; ver também 19.11-21; Mt 26.64; Mc 14.62 e Dn 7.13) ; “pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2.8);
  • “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas... bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror... pois os poderes dos céus serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima.” (Lc 22.25-28; ver também Mc 8.38);
  • “aparecerá segunda vez” (Hb 9.28);
  • “Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pe 3.10; ver também v.12);
  • Paulo diz que nós os cristãos não estamos aguardando um evento secreto não visto pelo mundo, pois o que nós aguardando é “a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.12; ver também Cl 3.4 e 1 Pe 5.4; 1 Jo 3.2; Mt 16.27; 25.31; 1 Co 4.5; 1 Tm 4.1; Jd 14,15; 1 Co 1.7; 2Ts 1.7,8).


Além disto, nenhuma das três palavras gregas usadas no Novo Testamento para descrever a Segunda Vinda de Cristo favorece a idéia de um arrebatamento secreto, pois todas apontam para algo visível e manifesto: parousia, apokalypsis e epiphaneia.



O Pré-tribulacionismo é doutrina nova que não encontra apoio na Igreja Primitiva
Contra a posição pré-tribulacionista temos ainda que nenhum texto tem sido encontrado em apoio a esse ponto de vista, nem nos escritos dos primeiros séculos, nem em escritos posteriores, até 1830, com Darby, baseado em uma visão de Margaret McDonald, que era uma profetiza membro da Igreja Católica Carismática. Entretanto, inúmeros textos antigos atestam que o ensino cristão primitivo era de que a Igreja iria passar pela Grande Tribulação. George E. Ladd concluiu seus estudos sobre o período patrístico afirmando: “Cada pai da Igreja que trata do assunto prevê que a Igreja sofrerá às mãos do Anticristo”.5

O próprio Walvoord, um dos maiores expoentes do dispensacionalismo, chega a admitir que “pré-tribulacionismo”, i.é., uma vinda de Cristo antes da grande tribulação da Igreja, não é explicitamente ensinada na Escritura.6 Ladd comenta dizendo que o fato é que a esperança da Igreja não é um evento secreto, não visto pelo Mundo. A esperança cristã é o aparecimento visível da glória de Deus, no retorno de Cristo (Tt 2.13), a revelação ao mundo de Jesus como Senhor, quando ele vier com os anjos do seu poder (2Ts 1.7).


Conclusão
Portanto, não existe nenhuma base bíblica para ensinar que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Mas, ao contrário, como vimos, existem dezenas de textos que ensinam que a Igreja passará pela Grande Tribulação. Todos os registros históricos até o advento do dispensacionalismo (1830) revelam um ponto de vista pós-tribulacionista e não existe sequer um único texto neste longo período de quase dois mil anos de história da Igreja que registre a ideia pré-tribulacionista de um arrebatamento secreto para livrar a Igreja da Grande Tribulação.

Sendo assim, concluímos que a Igreja não só passará pela Grande Tribulação como já passou e, em muitos lugares e sentidos, tem passado por ela. E, baseados em Ap 20, podemos também concluir que haverá uma feroz investida satânica contra os discípulos de Cristo no final dos tempos, o que concorda também com o texto de Ap 12:12, que diz “ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta”.

Notas Finais

2 Sobre esta questão, recomendo a leitura do livro “Teologia do Novo Testamento”, Ladd, JUERP, 1993, pp. 516-518.

3 Erickson, J. Millard - Opções Contemporâneas Na Escatologia - Ed. Vida Nova - 1a ed. SP, 1982, p. 126.

4 Ladd, George, “A teologia do Novo Testamento”, JUERP, 1993, p. 513).

5 Ladd, The Blessed Hope, p. 31 Apud Erickson, Millard. Um Estudo do Milênio São Paulo: Vida Nova. 1991, p.122.

6 (J. Walvoord, The Rapture Question (1957) ,p. 148, Apud Ladd, George “Teologia do Novo Testamento. JUERP, 1993, p. 514.

Palestra em áudio sobre este tema: