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A Encarnação de Cristo e a Missão da Igreja

(Autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)

Seguindo o modelo de Cristo, a Igreja deve exercer um ministério encarnacional, de profunda identificação pessoal e social. A Encanação do Filho de Deus mostra como este mundo material é importante para Deus. É um grande sinal de que “Deus amou o mundo de tal maneira...” (Jo 3.16). A Encarnação destrói qualquer argumento de que Deus esteja preocupado apenas com o aspecto espiritual, considerando o aspecto material como maligno e não merecedor da atenção da Igreja. Pois Deus se fez carne. Deus se fez concreto e real. Jesus habitou entre nós em carne e osso, e foi possível tocar em suas feridas e escutar a sua voz. Portanto, afirmar que a Missão da Igreja diz respeito apenas às coisas espirituais é ignorar a Encarnação de Cristo.i Jesus desenvolveu um ministério de compaixão e caridade e boas obras atuando de maneira transformadora num mundo concreto e de maneira concreta, curando pessoas verdadeiras e ressuscitando mortos.

O ministério encarnacional de Cristo ensina que a Igreja não deve apenas crer, mas deve também encarnar a Cristo e seu Evangelho, como dizia Paulo: “não mais eu, mas Cristo vive e mim” (Gl 2.20). A semelhança de Cristo que se esvaziou de si mesmo para se fazer como nós, precisamos nos esvaziar de nossos privilégios e direitos a fim de viver uma vida de serviço aos outros no mundo com o coração de humildes servos. Um ministério caracterizado pelo equilíbrio entre a cruz e a ressurreição, entre o já e o ainda não, entre fraqueza e poder, perseguição e vitória, dor e alegria, e assim por diante. O cristão e a Igreja precisam experimentar primeiro a morte da cruz de Cristo para poderem, então, também experimentar o poder da ressurreição. Não há como separar um do outro. A cruz foi a máxima expressão do amor de Cristo, pois quem ama sacrifica e quem ama muito sacrifica muito. O cristão é chamado a carregar a sua própria cruz. Devendo, portanto, a exemplo de seu Senhor, manifestar o seu amor de modo sacrificial. Deve amar a ponto de dar a sua vida pelo seu Senhor e deve amar também ao seu próximo a ponto de também dar a sua vida por ele (1 Jo 3.16).

Portanto, a Encarnação e a cruz não são questões do passado, mas tarefa diária (Lc 9.23). E cada ato da missão transformadora e integral da Igreja deve caracterizar-se pela Encarnação e pela cruz do Cristo que veio ao mundo como Rei humilde e manso para ser quebrantado como Servo Sofredor. Não havendo lugar para prepotência e autoritarismo. Veremos mais detalhadamente as implicações da cruz de Cristo para a Missão da Igreja e para o exercício da autoridade e da liderança cristã.

iMyers, Bryant L. Caminar con Los Pobres. Manual teórico-prático de desarrollo transformador. Buenos Aires: Kairós. 2002. P. 49.

Comentários

  1. As igrejas hoje creio eu que Não querem muito se aprofundar no assunto de ter que se " Sacrificar " pois muitos que dizem Amar a Cristo, somente querem viver os milagres e Não as " pelejas " vividas por Ele. E isso é um ponto fundamental, para se viver o evangelho de maneira perfeita.

    Esses Estudos são excelentes.

    Grato pela participação.
    Pr. Marcelo Fernandes
    Igreja E. P. Jesus Cristo A Fonte Da Vida.

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  2. Olá Pr. Marcelo,

    Obrigado por seu comentário. Você tem razão. É como o Apóstolo Paulo falou: "não nos foi dada a graça de apenas crer em Cristo, mas também de padecer por ele".

    Deus abençoe sua vida, família e ministério.

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  3. Em meus estudos teológicos tenho me valido de sua experiência e desses estudos maravilhosos. Parabéns meu Bispo. Deus continue sendo complacente com sua pessoa e o mantenha sempre como vaso em Suas Santas mãos.

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