Milênio: A Natureza do Reino de Deus

(Autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)

Para que se tenha uma melhor compreensão do que está escrito em Apocalipse 20, é preciso que se conheça a natureza paradoxal do Reino de Deus ensinado por Jesus Cristo. Pois o Reino de Deus em sua dimensão terrestre não é sem oposição. Mas pode-se objetar aí que o texto de Apocalipse 20 afirma que Satanás é preso e que, portanto, tal descrição do Reino de Deus onde Satanás é descrito como estando preso não poderia se adequar a um conceito de Reino de Deus na era presente, devido à presença do mal nos dias de hoje. Portanto, segundo os premilenistas, seríamos forçados a concluir que o texto estaria mesmo se referindo a um reinado milenar que teria lugar na história no futuro, após a Segunda Vinda de Cristo. No entanto, como já demonstramos anteriormente, a prisão de Satanás descrita em Apocalipse 20 pode muito bem ser compreendida como significando o mesmo que Jesus está dizendo no capítulo 12 de Mateus, verso 29, quando fala sobre amarrar o valente antes de saquear os bens. Jesus estava saqueando os bens do “valente”, que simboliza ali a Satanás, pois o contexto mostra que Jesus estava expulsando demônios pelo Espírito de Deus, o que era em si um sinal de que o Reino de Deus já era chegado, pois já havia amarrado a Satanás (Mt 12.22 a 29). É o mesmo que vemos registrado em 2 Pedro 2.4 e Judas 6, que são textos que falam dos demônios que foram colocados presos no abismo. Portanto, Jesus, Pedro e Judas falam sobre este amarrar e prender dos demônios como eventos passados. Mas, se é assim, como é que vemos tanto mal agindo no mundo hoje? Bem, sabemos que este aprisionamento não pode ser interpretado no sentido de que o diabo está completamente inoperante no mundo, pois é óbvio que não é assim. Mas, se Jesus sabia que o diabo continuava a operar no mundo, o que é que ele quis dizer então com já ter amarrado o valente? Eis aí a questão!

Precisamos entender o sentido de amarrar e prender em correntes tanto de Mateus 12.29 como de Apocalipse 20. Precisamos entender a natureza do Reino de Deus. Há um paradoxo no fato de a Bíblia falar que Satanás está amarrado e nós ainda estarmos percebendo o seu agir no mundo, e isto com relativa e aparente liberdade. Há outro paradoxo também na afirmação cristã de que Jesus é o Senhor e nós não vermos ainda todas as coisas sujeitas ao seu senhorio (Hb 2.8). Neste mesmo sentido, temos o texto de Efésios 1:22 que diz: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja”, entrando em aparente contradição com o texto de 1 Coríntios 15.28, pois se, no primeiro, Paulo declara que todas as coisas estão debaixo dos pés de Cristo, no segundo, ele diz que todas as coisas lhe serão sujeitas um dia: “Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.”

Estas contradições são aparentes e se devem a natureza do Reino terrestre de Jesus na era da Igreja. Em sua primeira vinda, em sua morte e ressurreição, Jesus venceu e triunfou sobre a morte e sobre o mal. A batalha decisiva já foi travada, como bem observou Oscar Cullmani, ao lembrar que, numa guerra, nem sempre a última batalha é a mais importante e a decisiva. Pode ser que uma batalha intermediária tenha sido tão avassaladora que não exista mais como reverter a situação; não restando mais nenhuma esperança de vitória para o exército inimigo, por suas forças terem sido profundamente minadas. Mas, pode ser que, mesmo assim, outras batalhas ainda sejam necessárias porque o inimigo pode insistir em lutar, recusando-se a reconhecer sua derrota. Foi isto que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. A batalha decisiva, que ficou conhecida como o “Dia D”, não foi a última. Mas a vitória daquela batalha foi tão tremenda que já não havia mais como reverter o quadro. Foi o que aconteceu também na batalha entre Jesus e Satanás. A batalha decisiva já foi travada, na cruz, Jesus foi o vencedor, como afirmou o Apóstolo Paulo: “despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.15). Mas a batalha final, a batalha do Armagedom, ainda está por vir, quando “então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda” (2 Ts 2:8). Jesus é o legítimo Rei, mas o usurpador, mesmo derrotado, ainda é visto insistindo em ocupar o lugar que não lhe pertence. É por isto que o autor de Hebreus escreve em 2:8: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas.” O paradoxo é evidente: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés” versus “porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas”. Sendo assim, alguém poderia questionar: Afinal de contas, todas as coisas estão ou não estão sujeitas debaixo dos pés de Cristo? A resposta é ao mesmo tempo sim e não. Sim, num certo sentido, e não, em outro. É sim, no sentido em que ele triunfou sobre o mal, tendo vencido a grande batalha, e é não, no sentido de que a guerra ainda não acabou, devido ao inimigo insistir em não reconhecer a vitória de Cristo. Por esta razão, ainda que Cristo já tenha triunfado na batalha decisiva, há outras batalhas até o dia final. Quem joga xadrez sabe que a maioria das partidas é vencida muito antes do xeque mate, mas nem todos os adversários são prontos em reconhecer o evidente fracasso e muitos insistem em continuar jogando até o movimento final em que se dá o xeque mate.

Em muitas de suas parábolas, Jesus falou do Reino de Deus em termos deste paradoxo. Por exemplo, Jesus comparou o Reino de Deus a um homem que plantou o trigo, mas vem o inimigo e planta o joio, ambos crescem juntos e surge então este antagonismo e esta complexidade, típicas da natureza deste Reino (Mt 13.24-30). Em outra parábola, Jesus fala também do Reino de Deus em termos de um grão de mostarda (Mt 13.31-32), pequena semente que, uma vez plantada, cresce até tornar-se a maior das hortaliças. Mas não para por aí, pois fala também dos pássaros vieram aninhar-se debaixo de suas folhagens. Os pássaros não representam coisa boa, pelo menos neste contexto, pois na Parábola do Semeador (Mt 13.1s), os pássaros roubam a semente que caiu no caminho e aqui eles se aproximam como aproveitadores e interesseiros. Os pássaros procuram destruir a semente e querem se associar quando cresce como uma grande árvore. Foi isto que aconteceu com a Igreja, ela começou pequena como um grão de mostarda, foi desprezada e perseguida, mas resistiu e cresceu a ponto de conquistar o Império Romano, neste ponto muitos foram os pássaros que se aproximaram com intuito de tirar proveito. A boa semente cresceu, mas o joio também cresceu. Jesus compara o Reino de Deus com um pescador que lança a rede ao mar e pega peixes de toda espécie, bons e maus, e vemos também que a semente do reino cai em todo tipo de solo. Tal é a natureza do Reino de Deus, tão paradoxal e complexa, que muitos ou o ignoram ou o desprezam, enquanto outros tantos o adiam para depois da Segunda Vinda de Cristo. Mas não se deve desprezar o poder deste pequeno grão de mostarda, pois em seu DNA, ele encontra seu destino de crescer com a missão de ser sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16).

Este Reino de Deus pode passar desapercebido por muitos (Lc 17.20-21), pois se assemelha a uma pequena semente, que tem o seu crescimento gradativo e que possui esta natureza paradoxal e complexa só pode mesmo se dar na era presente, enquanto Jesus reina pondo um a um os seus inimigos debaixo dos seus pés (1 Co 15.25), pois, como sabemos pelas Escrituras, após a Segunda Vinda de Cristo, não haverá mais lugar para oposição, pois o anticristo será destruído (2 Ts 2.8) e a morte, o último inimigo a ser colocado debaixo dos pés de Jesus (1 Co 15.26), será tragada pela vitória final trazida pela Segunda Vinda de Jesus. Naquele dia, se dirá, “onde está, ó morte, a tua vitória... tragada foi a morte pela vitória!” (1 Co 15.54,55). Se a morte é como afirmou o Apóstolo Paulo, de fato, o último inimigo a ser destruído e se é certo como ele também afirmou que a morte será destruída por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando se dará a ressurreição, então, não resta outra alternativa, senão, concluir que, tais textos que falam sobre o Reinado de Cristo, que acabamos de mencionar, só podem estar se referindo a era presente que antecede a Segunda Vinda. Deixemos que Paulo fale por si mesmo: “Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Co 15.25 e 26). Portanto, a Segunda Vinda não inaugurará o Reino de Deus, mas, sim, trará a plenitude do Reino com a destruição final de toda oposição e o estabelecimento de uma nova era com novos céus e nova terra onde a justiça, a verdade, a paz e o amor prevalecerão sem rivais. Enquanto isto não acontece, ressalto mais uma vez a necessidade de se discernir a natureza multidimensional do Reino de Deus, procurando, assim, manter unidas as distintas polaridades dimensionais que formam área de tensão, tais como presente e futuro, pessoal e social, celeste e terrestre, interno e externo, otimismo e realismo, reino que se estabelece tanto de maneira gradual e paulatina a partir da primeira vinda de Cristo, como também através de momentos críticos de intervenção divina e de modo abrupto e cataclísmico caracterizado pela Segunda Vinda de Cristo, pois nenhuma destas dimensões deve ser entendida a despeito da outra, pois tal tensão paradoxal entre o “já e o ainda não”, deve-se ao fato de estarmos vivendo num período de transição entre o a inauguração do Reino e a sua plenitude.

Aprenderemos a seguir, de maneira mais específica, como a natureza do Reino de Deus se revela na Trindade, em especial, na pessoa e obra de Cristo e do Santo Espírito de Deus. O que servirá para preparar o terreno para que possamos compreender melhor a natureza e a dimensão da própria natureza da missão da Igreja, intimamente ligada a natureza do Reino e da Trindade.

i Cullman, Oscar, Christ and Time. tradução. Floyd V. Filson. Philadelphia: Westminster, 1950, p. 87.

Comentários

  1. Amado irmão,

    Sinto dúvidas com relação ao texto de Is 65,17-25, apesar do versículo 17 apresentar um paralelo no livro de apoc 21( o texto fala da Nova Jerusalém celestial).
    Em Is 65, 20-24 o texto parece sugerir um reino terreno, semelhante a interpretação daqueles que acreditam num milênio literal.
    Qual seria a explicação dessa profecia escatológica do profeta Isaías? Sobre o que realmente o texto está dizendo: Jerusalém Celestial, ou o milênio?

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  2. Caro Nilson,

    Neste texto, o profeta apresenta um vislumbre da realização do projeto de Deus para a humanidade: Um mundo de paz e felicidade. Apocalipse 21 mostra que a realização plena se dará na Nova Jerusalém. Mas Jesus nos ensina a orar buscando que a vontade de Deus seja feita na terra do mesmo modo como é realizada no céu. Tal texto profético serve como inspiração para a Igreja em sua missão de servir como sal da terra e luz do mundo. Portanto, o texto diz respeito não somente ao futuro celeste, mas também ao presente terrestre, através da missão da Igreja, proclamadora do Senhorio de Cristo e divulgadora dos valores e virtudes do Reino de Deus.

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  3. A PAZ SEJA CONVOSCO, AMADO IRMÃO! POR FAVOR TENHO QUE ESCLARECER UMA DUVIDA DE UM ALUNO SOBRE O MILÊNIO, DURANTE ESTE MIL ANOS DE PAZ DO REINADO DE CRISTO QUAL É O POVO QUE ESTARÁ NA TERRA? E APÓS ISTO QUEM E O POVO OU NAÇÃO QUE SATANÁS VAI TENTAR ENGANAR?
    AGUARDO RESPOSTAS

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  4. Suas dúvidas são bastante pertinentes e cutucam uma grande ferida do pensamento dos pré-milenista, que afirmam que, por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, os adoradores da Besta de todas as nações desfrutaram das bênção de um milênio em vez de terem de se deparar com o Juízo Final. E, para entornar o caldo, os pré-milenistas crêem que, no final do milênio, estes mesmos povos se rebelarão em massa contra Jesus, pegando em armas para fazer guerra contra ele. Verdadeiro absurdo imaginar uma guerra entre mortais seres humanos armados com armas humanas imaginando destruir o glorioso Filho de Deus e seus santos que na época já possuiriam corpos glorificados e indestrutíveis.

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  5. bp ildo estou estudando a respeito do pos milenismo mas me deparei com o texto de isaias 65.17-25.que dar a enteder que esse reino sera terrestre pois fala da morte do pecador que sera de cem anos e avida do justo como os dias da arvore? se possivel fora gostaria da sua ajuda. apz do senhor Deus abençoe seu ministerio...

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    1. Este texto tem a ver com o Reino de Deus inaugurado por Jesus em sua ascensão (Mt 28.18-20) e que culminará na Segunda Vinda de Cristo quando o último inimigo que é a morte será tragada pela vitória (1 Co 15.25-26). Por exemplo, os avanços científicos desenvolvidos em países de influência cristão tem beneficiado a humanidade de modo a aumentar a expectativa de vida que nos dias de Jesus girava em torno dos 30 anos e hoje é de 86 anos em países como o Japão! Este números aumentam a cada ano!

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  6. Olá Abedenego, Isaías 65 é um texto difícil para amilenistas, pós-milenistas e também para os pré-milenistas, pois não se encaixa bem com a descrição do milênio de Apocalipse 20.
    Tanto o pré como o pós-milenista procuram fazer uma interpretação literal.
    Veja o que diz um pós-milenista: "Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar." (Habacuque 2:14).
    “As bênçãos da Igreja nos últimos dias de glória de que Isaías 11:6-9 fala são reiteradas em Isaías 65:17-25. Este é o período - intensificado de bênção espiritual produzindo certas condições no mundo - que é denominado ‘novos céus e nova terra’ (v. 17). Refere-se à dramática renovação moral da sociedade antes do estado eterno, visto que Isaías fala de um tempo quando crianças ainda estão nascendo (v. 20), quando pessoas ainda estão construindo casas e plantando vinhas (v. 21) e se engajando em seus trabalhos seculares. Paulo usa uma linguagem similar quando diz que a salvação em Cristo é como uma ‘nova criação’ (2ª Cor. 5:17), ou ainda em Gálatas 6:15, ‘... nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.’ As condições de saúde e paz temporal da qual Isaías 65 fala não são a essência do evangelho, mas elas são propriamente as conseqüências do evangelho quando o seu impacto no mundo é intensivo e extensivo. A mensagem de reconciliação com Deus também produz como fruto a reconciliação entre os homens e até mesmo com a ordem natural das coisas. Também deveria ser notado que Isaías 65:17-25 não faz qualquer referência à presença física do Messias na terra. Nos últimos dias, Deus deseja criar em Jerusalém (a Igreja) um regozijo (v. 18). Mas a realidade dos versos 18-25 não se referem exclusivamente ao estado eterno, nem ao tempo após o segundo advento, mas sim à era Messiânica quando Cristo ainda governará no céu ao lado direito do Pai.” (conferir John Jefferson Davis, The Victory of Christ’s Kingdom: An Introduction to Postmillennialism [Canon Press], 37-38).
    Já, um amilenista interpreta da seguinte maneira: “Toda esta passagem de Isaías usa os aspectos da vida presente para criar impressões da vida que ainda está para vir. Será uma vida de total provisão (v. 13), total felicidade (19cd), total segurança (v. 22-23) e totalmente de paz (v. 24-25). Coisas que nós não temos uma capacidade real para entender só podem ser expressas através de coisas que sabemos e experimentamos. Assim é que, na presente ordem das coisas a morte eliminou a vida antes que esta começasse, ou antes que estivesse totalmente amadurecida. Mas isso não será assim depois” (Motyer, The Prophecy os Isaiah, 530).

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  7. Por favor, me de uma luz, estou muito confuso.
    Primeiro a igreja vai passar pela grande tribulação, jesus vai voltar e arrebatar a igreja,satanas será amarrado, e iremos para o ceu viver o milenio. Quem ficará na terra nesse tempo?
    2- Depois do milenio a cidade santa vai descer e vamos viver na terra novamente? Satanas será solto e vamos correr o risco de perder a salvação ?

    Apenas coloquei o meu ponto de vista ai em cima, e como pode ver, está muito confuso.
    Espero que responda, Abraço!

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    1. Olá Rafael, segue estudo que espero possa responder suas importantes questões: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2012/06/cronologia-escatologica.html - Grande abraço!

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  8. Foi a pergunta mais objetiva que encontrei, tambem gostaria de compartilhar essa resposta, se o homem pode responder. O que confunde é o fato de haver muitas teorias e linhas de pensamento.
    Deve ser por que mesmo que agente adquira um grande conhecimento, é dificil entender as coisas que nosso Pai tem preparado, para aqueles que perseverarem.
    Mas as revelaçoes a cima são muito coerentes e harmoniozas. A paz!!!!!! E vamos na fé, que é o que agrada nosso Criador em nome de Jesus Cristo.

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  9. Várias passagens do VT são citados no Novo Testamento para explicar a missão do Messias e de seus discipulos.
    Uma das mais ricas é o Salmo 2, que diz:
    1 Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?
    2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:
    3 Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.
    4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.
    5 Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá.
    6 Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.
    7 Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei.
    8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão.
    9 Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro.
    10 Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra.
    11 Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor.
    12 Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.

    Os primeiros versículos desse Salmo mostram a rebeldia dos povos e dos líderes humanos que não se submetem a Deus. Seus príncipes e líderes se exaltam contra o Senhor e contra o seu Ungido, porem vao de mal a pior.
    Em Atos 4:25-27, os cristãos em Jerusalém entenderam a aplicação desta profecia às perseguições que sofriam, achando conforto para suas almas quando se lembraram do Salmo 2 e das promessas de vitoria que ele tras.
    O versículo 3 descreve muito bem a atitude dos homens rebeldes, os quais, ao invés de receber o Evangelho como uma mensagem de libertação, recusam-no.
    Quando os inimigos de Deus atacam com toda a sua força, Ele zomba deles (4). Um Deus que vê as nações como uma gota de água num balde (Isaías 40:15) não teme a força humana, pois o mais forte dos reis do mundo não passa de uma criatura minúscula (Daniel 4:32). Aos seus pequeninos, Deus disse que daria poder para pisar serpentes e escorpioes, alem das portas do inferno nao prevalescerem contra a igreja.
    Deus ri e confunde os homens que se exaltam (4-5).
    Em contraste com a fraqueza dos homens, este Salmo destaca o poder do Cristo que viria. Deus fala sobre a coroação do Messias como um fato já realizado (6). Mesmo revelando estas palavras mil anos antes da vinda de Jesus, ele usou o pretérito (constituí o meu Rei) para mostrar a certeza do cumprimento das Suas Palavras.
    A proclamação do versículo 7 não fala de criação, nem do nascimento de Jesus, mas trata do estabelecimento do reino do Messias, como algo real e concreto.
    Citações no Novo Testamento (Atos 13:33; Hebreus 1:5 e 5:5) claramente aplicam este versículo à ressurreição e à ascensão do Cristo à sua posição de domínio no céu, para onde nenhum dos santos ainda subiu, mas, em espirito, encontram-se, em vida, assentados em tronos, juntamente com Ele.
    Ele venceu a morte e tomou seu lugar como sumo sacerdote eterno no Santo dos Santos (veja Hebreus 9:12). O Ungido reina sobre todas as nações (8, veja Atos 17:30; Filipenses 2:9-11),tendo recebido toda a autoridade, em cumprimento a uma longa série de promessas e profecias. Jesus é o Rei eterno sobre todos.
    Esse Rei domina com sua vara de ferro, despedaçando as nações rebeldes (9). Ele tem toda a autoridade (Mateus 28:18), tem aparência brilhante, olhos penetrantes, uma língua afiada e uma voz poderosa (Apocalipse 1:13-16). Por isso, é dito que todos devemos temê-Lo! De fato, todos devem temê-lo: reis, juízes e as gentes (10-12).
    Mas o Messias não viria apenas para castigar e quebrar; Ele oferece refúgio para as pessoas que o buscam, e elas encontram descanso nesse Salvador (12; veja Mateus 11:28-30).
    Paz!!!

    Ass: Rodrigues

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