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domingo, 20 de julho de 2025

Desconstruindo o Mito dos “Precursores” do Pré‑Tribulacionismo

Desconstruindo o Mito dos “Precursores” do Pré‑Tribulacionismo

Uma análise histórica e crítica

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello


Introdução

Quando alguém afirma que Jesus arrebatará a Igreja sete anos antes da sua volta em glória, logo surge a pergunta: “Mas onde isso foi ensinado ao longo da história cristã?” A verdade é que, por dezoito séculos, ninguém descreveu um esquema em duas etapas  — primeiro, um arrebatamento secreto, antecedendo a Grande Tribulação, seguido por uma segunda fase da Vinda de Cristo, de forma pública e visível. O próprio John Nelson Darby, pai do pré‑tribulacionismo, não recorreu aos Pais da Igreja nem a teólogos medievais para sustentar sua tese; baseou‑se exclusivamente na sua leitura da Bíblia, distinguindo Israel da Igreja, interpretando as semanas de Daniel e vendo tipos proféticos no Apocalipse.
Só mais tarde, apologistas dispensacionalistas passaram a “garimpar” frases antigas que, fora do contexto, parecem antecipar um arrebatamento prévio. Irineu, o sermão atribuído a “Pseudo‑Efrem”, a lenda inquisitorial sobre Frei Dolcino e notas dispersas de pregadores puritanos do século XVII foram convocados para dar ao sistema uma genealogia mais longa.

Neste estudo, voltamos às fontes originais — em grego, latim ou boas traduções — e fazemos a pergunta decisiva: essas passagens realmente falam de um arrebatamento antes da Grande Tribulação, separado da vinda gloriosa de Cristo? À medida que avançamos, fica claro que as supostas provas resultam de leituras anacrônicas, recortes fora do contexto ou equívocos de tradução. No fim das contas, o pré‑tribulacionismo plenamente articulado continua sendo uma novidade nascida no século XIX.


1. Pastor de Hermas e a tribulação espiritual (séc. II)

Na Visão II, cap. 6 do Pastor de Hermas¹ lê‑se: “Felizes sois vós que suportais a grande tribulação que está para vir…”. Alguns veem aí um convite à fuga, mas o próprio livro exorta os cristãos a carregarem cruzes, enfrentarem prisões e não negarem a fé. A bem‑aventurança recai sobre quem suporta, não sobre quem escapa. Gregory Beale² lembra que, na Igreja primitiva, a glória vinha depois da provação; não havia expectativa de remoção secreta antes do sofrimento.


2. Pais quilias­tas: Irineu de Lião e Vitorino de Pettau (sécs. II‑III)

2.1. Irineu

Dispersos em busca de pedigree histórico, alguns defensores do pré‑tribulacionismo agarram‑se a Irineu de Lião († c. 202), autor do monumental Contra as Heresias.³ Se um bispo do século II ensinasse um arrebatamento antes da tribulação, o argumento ganharia peso considerável. O verso mais citado é 5,29,1, na tradução ANF: “When, in the end, the Church shall be suddenly caught up from this, there shall be tribulation such as has not been since the beginning…”. Lendo só essa linha, parece haver dois atos: primeiro a Igreja sobe; depois começa a tribulação. Mas o efeito nasce de três equívocos.

Primeiro, a frase é arrancada do bloco que vai do capítulo 29 ao 30, onde Irineu organiza a sequência completa. Ele recorda dois períodos de três anos e meio — a meia‑semana de Daniel — e coloca neles a perseguição do Anticristo. Só depois declara que Cristo desce, os mortos ressuscitam, os vivos são transformados e então se inicia o reino. Segundo, o grego original usa ὅταν… γένηται, partícula temporal que significa “quando/ao mesmo tempo em que”, jamais “antes de”. Irineu descreve simultaneidade, não sucessão. Terceiro, o próprio autor chama esse tempo de “última prova dos justos”, o que pressupõe a Igreja ainda na cena, não ausente.


A coerência interna confirma o quadro. No mesmo Livro V ele diz que a Besta “perseguirá a Igreja, mas será destruída pela vinda do Senhor” (5,26,1) e que a ressurreição dos justos se dará “depois do advento do Anticristo” (5,35,1). Nada aqui indica um hiato de sete anos. A posição de Irineu também combina com a Didaquê 16, com o Diálogo de Justino (cap. 110) e com Hipólito (Tratado sobre Cristo e o Anticristo, capítulo 60): todos preveem a Igreja atravessando a tribulação e acolhendo Cristo numa única vinda gloriosa.

Assim caem as quatro colunas da tese pré‑tribulacionista: não existe intervalo de sete anos sem Igreja; há uma única segunda vinda, não duas; a gramática de Irineu dispensa a leitura “antes de”; e o testemunho patrístico é uniforme em esperar tribulação com a Igreja na terra. A “prova” pré‑tribulacionista é fruto de uma citação isolada, traduzida com viés e desligada do contexto. Quando lido por inteiro, Contra as Heresias exibe o esquema clássico pós‑tribulacionista: reinado final do Anticristo, perseguição derradeira aos santos, descida pública do Senhor, arrebatamento/ressurreição e início do reino milenar. Em vez de legitimar o pré‑tribulacionismo, Irineu confirma a expectativa primitiva: o povo de Deus enfrenta a tribulação, mantém‑se fiel e é vindicado na mesma e única manifestação de Cristo — nunca sete anos antes dela.


2.2. Vitorino

Alguns autores dispensacionalistas recorrem a Vitorino de Pettau para sugerir um arrebatamento antes da ira final. O argumento é que, no seu comentário de Ap 6.14, ao falar do “céu que se enrola como um pergaminho”, Vitorino veria ali o momento em que a Igreja seria retirada da Terra antes que os juízos seguintes caiam sobre o mundo.
Mas o próprio texto de Vitorino desmente essa leitura.⁴ Ele identifica o colapso cósmico do sexto selo como o anúncio do Juízo Final, imediatamente seguido da “primeira ressurreição” de Ap 20.4‑6. Em outras palavras, para ele o selar do céu não inaugura sete anos de ira sem Igreja; marca o clímax da parusia pública, logo antes do reino milenar. Vitorino, tal como Irineu, é quiliasta (pré‑milenista), mas nitidamente pós‑tribulacionista: a Igreja atravessa o período do Anticristo e só então, junto com o colapso do universo, encontra Cristo e reina com Ele.

3. Cipriano de Cartago e o desejo de “partir” (c. 252 d.C.)

Defensores do pré‑tribulacionismo costumam citar Cipriano de Cartago para sustentar a ideia de que Deus removerá os fiéis antes da tribulação. A base é uma linha de seu tratado De Mortalitate⁵, escrito em meio à peste (c. 252): “O justo é levado antes que venha o mal” (Is 57,1). Para esses autores, o “partir” do justo seria um indício de arrebatamento prévio aos juízos finais.
O contexto mostra outra coisa. Cipriano está confortando cristãos apavorados com a epidemia e interpreta Isaías como promessa de que a própria morte do crente pode ser um livramento misericordioso — não uma fuga coletiva em vida. Allen Brent⁶ observa que “partir” significa morrer em Cristo ou, no máximo, receber a coroa do martírio — nada a ver com uma retirada coletiva antes da tribulação. Cipriano encoraja os fiéis a permanecer firmes nas provações presentes, não a esperar um resgate secreto antes dos sofrimentos escatológicos.



4. Literalismo antioqueno ≠ pré‑tribulacionismo (sécs. IV‑V)

Alguns associam a escola de Antioquia — Luciano, Teodoro de Mopsuéstia, João Crisóstomo — ao pré‑tribulacionismo por causa do “método literal”. Entretanto, Crisóstomo, Homilia 77 sobre Mateus⁷, afirma que a Igreja verá a tribulação e permanecerá firme. Teodoro, em seu comentário ao Apocalipse⁸, aplica os 1 260 dias ao último governo do Anticristo, com a Igreja ainda na terra. Portanto, o dito literalismo antioqueno confirma a presença da Igreja durante a tribulação — não sua retirada antecipada.


5. Pseudo‑Efrem e a Última Trombeta (séc. VII)

No sermão Sobre a Última Trombeta⁹, encontra‑se a seguinte frase:
gmnes enim sancti et electi Dei, ante tribulationem quae ventura est, colliguntur et ad Dominum adsumuntur, ne quando videant confusionem, quae universum propter peccata nostra obruet mundum. (edição C. P. Caspari, Briefe, Abhandlungen und Predigten [1890] p. 211, l. 4‑6).


Tradução direta para o português:
Pois todos os santos e eleitos de Deus, antes da tribulação que há de vir, são reunidos e levados ao Senhor, para que não vejam a confusão que há de abater todo o mundo por causa dos nossos pecados.

Lida sozinha e com as lentes modernas do dispensacionalismo, a frase parece apoiar um arrebatamento pré‑tribulacional. Mas, no sermão inteiro, tribulação significa o período de perseguição brutal e martírio que o Anticristo desencadeará — não um bloco de sete anos de juízos divinos despejados sobre a terra enquanto a Igreja descansa no céu. Logo após a sentença citada, o autor descreve cristãos fugindo para o deserto, muitos sendo degolados e a terra enchendo‑se de sangue; tudo isso se passa durante a tribulação mencionada. Mais adiante ele diz claramente que “quando se completarem os três anos e meio, aparecerá o Anticristo e então o Senhor virá em glória para destruí‑lo”, vinculando a segunda vinda à plena manifestação do Iníquo, não a um resgate secreto antes dela. Alan Kurschner¹⁰ observa que o particípio latino colliguntur(“são reunidos”) tem conotação litúrgica de ajuntamento final, e que o propósito final — “para que não vejam a confusão” — é retórico, não cronológico; o autor promete livramento na crise (por proteção ou martírio), não fuga antes dela. Tomar essa linha como esboço do modelo de Darby, portanto, é anacronismo: transplanta categorias do século XIX a um texto do século VII que fala de sofrimento imediato dos santos e da vinda de Cristo logo após o auge da perseguição.


6. Frei Dolcino: desmontando o mito de um “precursor” do pré‑tribulacionismo

Há quem cite Frei Dolcino de Novara como se o líder dos “Apostólicos”, morto em 1307, tivesse antecipado a ideia de um arrebatamento anterior à Grande Tribulação. Quando se põem os fatos na mesa, a comparação não se sustenta. Dolcino capitaneou um movimento joaquinista que pregava o fim da “Igreja carnal”, defendia a comunhão de bens e, segundo registros inquisitoriais, recorreu a saques e violência nas montanhas do Piemonte¹¹. A Encyclopædia Britannica também o classifica como rebelde apocalíptico¹².
A única peça de origem que descreve sua escatologia é um libelo hostil, a Historia Fratris Dulcini (1316), escrita nove anos depois da execução. Dolcino não deixou uma linha de exegese bíblica; tudo chega filtrado pela pena dos vencedores¹³. Segundo o relato, ele pregaria durante três anos e meio, seria levado ao paraíso de Enoque e Elias antes de perseguição feroz, veria Enoque e Elias voltarem e morrerem, assistiria — de longe — ao longo reinado do Anticristo e, por fim, desceria à terra como “papa legítimo” para evangelizar quem sobrou. Mesmo assim, quase nada bate com o esquema pré‑tribulacionista clássico. Francis X. Gumerlock confirma que o episódio não gerou descendência teológica¹⁴.


7. Puritanos e pré‑Darbyanos (sécs. XVII‑XVIII)

  • Morgan Edwards especulou, em Two Academical Exercises¹⁵, sobre um intervalo de 3 ½ anos antes do milênio, mas não descreveu duas vindas.
  • Manuel Lacunza, em *La venida del Mesías…*¹⁶, aguardava um reino terreno futuro; a ideia de arrebatamento secreto surgiu apenas no prefácio inglês de Edward Irving (1827).
  • Increase Mather¹⁷ e Joseph Mede¹⁸ veem o retorno de Cristo como ato único e visível.


8. A alegada “cascata puritana” (séc. XVII)

O artigo de David Cloud¹⁹ destaca pregadores puritanos — Thomas Vincent, Jeremiah Burroughs, Nathaniel Homes, William Hooke, Oliver Heywood — como se já ensinassem um arrebatamento pré‑tribulacional. Mas Thomas Vincent, An Explicatory Catechism²⁰, lê 1 Ts 4.17 como a ressurreição final; não há intervalo de sete anos. Jeremiah Burroughs, sermão 240 sobre Oséias²¹, fala em “salvos da ira vindoura”, entendendo “ira” como juízo final. Nathaniel Homes, The Resurrection Revealed²², de fato propõe um arrebatamento pouco antes da conflagração de 2 Pe 3.10, mas sem dupla parousia. William Hooke, The Saints Dignity and Duty²³, confia em proteção durante a perseguição; Oliver Heywood, The Great Danger of Apostasy²⁴, exorta firmeza até que “o homem do pecado seja revelado”. Quando não pós‑trib, esses autores ficam no máximo num “pré‑ira” encurtado.


9. Uma última alegação dispensacionalista a examinar

Em A Brief History of the Rapture (2005), Thomas Ice cita cinco autores como prova de que já existiria um “arrebatamento secreto” antes da ira final: Pierre Jurieu, Philip Doddridge, John Gill, James Macknight e Thomas Scott²⁵. Contudo, a leitura direta das fontes mostra:
  • Jurieu prevê três anos e meio de perseguição, a queda de Roma e o reino de Cristo na terra, sem retirada celestial da Igreja²⁶.
  • Doddridge usa “rapture” apenas como tradução de 1 Ts 4,17; não divide a vinda em duas fases²⁷.
  • Gill fala do encontro nos ares seguido imediatamente do reino pós‑tribulacional²⁸.
  • Macknight admite que os crentes ficarão “algum tempo” com Cristo, mas descem logo para reinar; nenhum hiato de sete anos²⁹.
  • Scott vê o encontro como recepção ao Rei que prossegue direto ao juízo³⁰.
Nada aqui descreve sete anos de Grande Tribulação sem Igreja nem uma Segunda Vinda de Cristo em duas etapas separadas por sete anos. Até essa “evidência” suplementar reforça que a ideia de um arrebatamento secreto antes da Grande Tribulação surge só com Darby.


Conclusão

Revisitando o itinerário sugerido por quem busca uma linhagem antiga do pré‑tribulacionismo — de Hermas e Ireneu a Dolcino, dos puritanos a Jurieu ou Gill — encontramos sempre o mesmo resultado: falta a peça‑chave de duas vindas separadas por anos, com uma retirada secreta da Igreja antes do Anticristo e da Grande Tribulação. Esse quadro completo aparece apenas a partir de 1830, quando John Nelson Darby sistematiza o dispensacionalismo. O pré‑tribulacionismo, portanto, é construção moderna; os supostos “precursores” não passam de ecos esparsos, extraídos de contexto para justificar uma genealogia que a história não confirma.


Notas

1. HERMAS, Pastor, Vis. II, 2, Loeb Classical Library 24 (Lake, 1965), p. 26‑29.
2. BEALE, Gregory K. A New Testament Biblical Theology (Baker, 2011), p. 1101‑1106.
3. IRINEU, Contra as Heresias, V.29‑30 (trad. PAULUS, 2004).
4. VITORINO, Commentarius in Apocalypsin 6.14, CCSL 49, p. 78‑80.
5. CIPRIANO, De Mortalitate 25‑26, CSEL 3/3, p. 290‑295.
6. BRENT, Allen. Cyprian and Roman Carthage (CUP, 2009), p. 185‑190.
7. JOÃO CRISÓSTOMO, Hom. 77 in Matth. (PG 58, 708‑712).
8. TEODORO DE MOPSUESTIA, Commentarius in Apocalypsin 11.3‑12 (ed. Swete), p. 215‑219.
9. PSEUDO‑EFREM, De extremo iudicio, §§ 2‑3, CSCO 93, p. 4‑6.
10. KURSCHNER, Alan E. Pseudo‑Ephraem Is NOT a Pre‑Tribulation Document (Eschatos, 2012), p. 7‑11.
11. Historia Fratris Dulcini, caps. 2‑4 (Rerum Ital.).
12. Encyclopædia Britannica, s.v. “Fra Dolcino”, acesso 08 jul 2025.
13. Historia Fratris Dulcini, caps. 10‑11, in: McGinn, Apocalyptic Spirituality (Paulist, 1979), p. 217‑222.
14. GUMERLOCK, Francis X. “A Rapture Citation in the Fourteenth Century”, Evangelical Review of Theology 25/2 (2001), p. 113‑119.
15. EDWARDS, Morgan. Two Academical Exercises (1788), p. 7‑12.
16. LACUNZA, Manuel. La venida del Mesías en gloria y majestad (1811), I, p. 101‑104.
17. MATHER, Increase. The Mystery of Christ’s Kingdom (1693), cap. 4, p. 57‑61.
18. MEDE, Joseph. Clavis Apocalyptica (1643), p. 523‑533.
19. CLOUD, David. “When Was the Pre‑Tribulation Rapture First Taught?” Way of Life, 2010, acesso 18 jul 2025.
20. VINCENT, Thomas. An Explicatory Catechism (1675), p. 309‑312.
21. BURROUGHS, Jeremiah. Exposition of Hosea, serm. 240 (1651), p. 85‑89.
22. HOMES, Nathaniel. The Resurrection Revealed (1653), p. 62‑63, 492‑494.
23. HOOKE, William. The Saints Dignity and Duty (1660), p. 73‑75.
24. HEYWOOD, Oliver. The Great Danger of Apostasy (1679), cap. 3, p. 41‑46.
25. ICE, Thomas D. “A Brief History of the Rapture” (Pre‑Trib Research Center, 2005), p. 2‑4.
26. JURIEU, Pierre. The Accomplishment of the Scripture Prophecies (London, 1687), III, p. 306‑309.
27. DODDRIDGE, Philip. The Family Expositor, IV (London, 1738), p. 278‑280.
28. GILL, John. Exposition of the NT, II (London, 1748), com. 1 Ts 4,15‑17.
29. MACKNIGHT, James. Apostolical Epistles Explained, IV (London, 1763), p. 461‑462.
30. SCOTT, Thomas. Holy Bible with Explanatory Notes (London, 1792), com. 1 Ts 4,16‑17.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Questões referentes a embaixada em Jerusalém

Estarei hoje no Vejam Só debatendo os conflitos relacionados a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém. O que a Bíblia tem a dizer a respeito? Nesta Terça às 23:35 h na RITTV. Dá para assistir também ao vivo pelo canal do youtube da RITTV.

Defendo o direito de Israel ter seu Estado e sua capital, assim como vejo que os palestinos também tem seus direitos que precisam ser contemplados. Tudo com o máximo de justiça possível. Mas não vejo nenhuma profecia a respeito disto. Todas as do AT diziam respeito ao retorno do cativeiro babilônico. E nada é dito no Novo Testamento que sustente este apoio quase incondicional de muitos crentes às causas de Israel.

As Escrituras do Novo Testamento não vêem as promessas da Terra Prometida encontrando um cumprimento terreno, mas celestial: "Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hb 11:9-10).

A promessa da Terra é para toda a descendência de Abraão, o que inclui os gentios que são filhos da fé ou filhos da promessa e não somente de judeus que receberam a lei de Moisés (Rm 4:16-17). Paulo afirma que é através dos filhos espirituais de Abraão que se cumpre a promessa de que Abraão seria pai de muitas nações (Rm 4:17). "Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão" (Gl 3:7-9).

Paulo conclui o capítulo 3 de Gálatas reafirmando que as promessas foram destinadas ao descendente por excelência de Abraão que é o Cristo (v. 19) e diz que tais promessas são extensivas a todos os que crêem em Cristo: "Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem" (Gl 3:22).

Neste debate. levantarei as seguintes questões:


1. Se Jesus claramente ensinou que seu reino não era deste mundo (Jo 18.13) e que não viria com aparência física, e nem diriam que ele está aqui ou acolá (Lc 17:20), porque insistir na ideia de um reino de Deus político partidário, com trono terreno em um palácio em Jerusalém, e ainda uma reconstrução do templo para celebração de sacrifícios e festas judaicas nos moldes do AT?
2. Jesus veio como príncipe da paz ou como um general de guerra? Como o Bom Pastor ou como um grande guerreiro? Ele entrou em Jerusalém como um rei manso e humilde montado em um jumentinho ou como um rei cheio de pompa, ostentando poder para intimidar a todos?
3. Jesus reivindicou um trono terreno ou recusou a coroa política (Jo 6.15) e as glórias deste mundo (mt 4.8-9) e tranquilizando a Pilatos, garantindo não possuir ambições políticas, pois seu reino não era deste mundo (Jo 18.13)?
4. Como conciliar toda esta disputa bélica por poder com as bem-aventuranças do Reino de Deus proclamadas por Jesus Cristo no Sermão do Monte (Mt 5.1-12)?
5. Por que não entender de uma vez por todas que Jesus derrubou a parede de separação entre judeus e gentios (Ef 2) e que no Reino de Deus não há mais lugar para tais distinções ou qualquer espécie de discriminação (Cl 3.11)?
6. Por que priorizar Jerusalém quando Jesus claramente ensinou que não há mais lugar especial de adoração (Jo 4.21-24)?
7. Jesus prometeu voltar para nos levar para a Nova Jerusalém (Jo 14.1-3) que ele foi preparar e não para reinar aqui na velha terra de um trono na velha Jerusalém.
8. Esperamos novos céus e nova terra (2Pe 3.3). Os patriarcas habitaram em tendas como peregrinos em Canaã, pois esperavam a Nova Canaã (Hb11.8-16).

Um Messias Pastor


  1. Davi foi escolhido rei quando pastoreava o rebanho de seu pai e não como guerreiro (1 Sm 16.1-13).
  2. "E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. 3 Portanto, o Senhor os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. 4 Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra. 5 Este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando passar sobre os nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens.” (Mq 5.2-5).
  3. "Ele apascentará o povo na força do Senhor... (Mq 5.4).
  4. "Ele será a nossa paz" (Mq 5.5).
  5. "e suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará" (Ez 34.23).
  6. "Destruirei os carros de Efraim, e os cavalos de Jerusalém; e o arco de guerra será destruído" (Zc 9.10).
  7. "farei com elas aliança de paz" (Ez 34.25).
  8. e eu suscitarei a Davi um germe justo, e rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra (Jr 23.5).
  9. "Eis aí te vem o teu rei, Justo e Salvador, pobre montado sobre um jumento” (Zc 9.9).
  10. "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; 2 a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram 3 e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória." (Is 61.1–3, cp Lc 4:18–19; Mt 11:5; Lc 7:22 e Mt 5:4).
  11. "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto." (Is 9.6–7 cf. Lc 1:32–33).


Mas, Israel não esperava que o Messias fosse o Servo Sofredor de Isaías 53...

... com uma postura de rei humilde e que atuasse muito mais como um Bom Pastor, ensinando a amar o inimigo e a oferecer a outra face, ordenando a Pedro a embainhar a sua espada, e repreendendo os Tiago e João por seu desejo de ver fogo do céu punindo uma aldeia de samaritanos. Jesus disse a eles: “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. (Lc 9.55–56). “Nem por força e nem por violência” (Zc 4:6; Mt 26:52).

João Batista parece mesmo, por um tempo, ter partilhado desta expectativa messiânica político revolucionária. 

Depois de batizar a Jesus, foi confrontar o pecado do Herodes. Tendo sido aprisionado, passado muitos dias, nada de Jesus vir para libertá-lo da prisão. Em vez de liderar uma revolução armada, Jesus estava pregando a paz, ensinando seus seguidores a oferecerem a outra face, a caminhar a segunda milha e a amar os inimigos (Mt 5.38-48). Confuso, foi que ele enviou a seguinte pergunta a Jesus: “és tu aquele que havia de vir ou devemos esperar outro?” (Lc 7.20).

No Reino de Deus, os bem-aventurados são (Mt 5.1-11):

1. Os humildes
2. Os que choram
3. Os mansos
4. Os que tem fome e sede de justiça
5. Os misericordiosos
6. Os limpos de coração
7. Os pacificadores
8. Os perseguidos por causa da justiça
9. Os perseguidos por causa de Cristo

Pois, no Reino de Cristo:

1. os últimos serão os primeiros, maior é o que serve
2. o amor exemplar vem do samaritano
3. não há discriminação entre homens e mulheres, adultos e crianças, livres e escravos, ricos e pobres, judeus e palestinos.

O trono de Deus e de Cristo jamais é terreno, pois é sempre celestial:

1. “e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado" Apocalipse 4:2
2. "Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte." (1 Co 15:25-26)
3. Cabeça de toda autoridade! (Cl 2:10)
4. Exaltado acima de todos (Fp 2:9)
5. "fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef 1:20-21)

Jesus, interpretando as Setenta Semanas de Daniel

Jesus profetizou a Grande Tribulação de Jerusalém como castigo por conta do assassinato de profetas e do próprio Ungido.* “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.” (Dn 9.26, cp. Mt 23.34-38; Mt 24.15-26).

Jesus, em Lucas 21.20-24, ensina que, depois da destruição de Jerusalém, que se daria naquela geração (Mt 23.36) e que realmente cumpriu-se no ano 70 d.C., os judeus seriam dispersos e que Jerusalém seria pisada pelos gentios até que se completasse o tempo deles (gentios). Isto representa um enorme problema para os dispensacionalistas que ensina que a Grande Tribulação é um evento ainda futuro e que depois dela teremos imediatamente o retorno de Cristo, enquanto que esta profecia de Cristo dá a entender um longo período de tempo depois deste período da Grande Tribulação e destruição de Jerusalém, tempo este em que Jerusalém seria pisada por gentios. Por plenitude dos gentios, podemos entender o cumprimento da seguinte profecia: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mt 24.14). Portanto, o retorno dos judeus a Jerusalém é um sinal do final dos tempos, pois, se daria após o sucesso da missão da Igreja. Paulo fala disto em outros termos: "25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. 26 E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. 27 Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. 28 Quanto ao evangelho, são eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas; 29 porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. 30 Porque assim como vós também, outrora, fostes desobedientes a Deus, mas, agora, alcançastes misericórdia, à vista da desobediência deles, 31 assim também estes, agora, foram desobedientes, para que, igualmente, eles alcancem misericórdia, à vista da que vos foi concedida. 32 Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos." (Rm 11.25–32).

Quando estudamos o tratamento especial que Paulo dá a questão do seu povo judeu nos capítulos 9, 10 e 11 de Romanos, notamos que ele não menciona nada a respeito de uma restauração da nação de Israel. A oração de Paulo e sua esperança em relação aos seus conterrâneos é para que eles se convertam a Cristo e venham a fazer parte da única Oliveira, o Corpo de Cristo e povo de Deus. Não há um plano de salvação para judeus distinto e à parte do Evangelho e do Corpo de Cristo. Deus não faz acepção de pessoas! 

O papel da Igreja não é fazer política, mas fazer discípulos. Pois é isto que levará a plenitude dos gentios e a uma conversão de Israel no final dos tempos. Cristo regressará para resgatar uma Igreja bem-sucedida em sua missão de fazer discípulos de todos os povos. A Nova Jerusalém estará plena de gente salva por Cristo de todos os povos, tribos, línguas e nações. Maranata!

terça-feira, 12 de junho de 2018

O literalismo dispensacionalista e suas inconsistências

O literalismo dispensacionalista e suas inconsistências


Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

O literalismo produz muitos equívocos de interpretação, por exemplo, Nicodemos, por conta do literalismo, não entendeu a linguagem figurada de Jesus, concluindo equivocadamente que nascer de novo era o mesmo que voltar ao ventre de sua mãe (Jo 3:4). E a mulher samaritana errou em interpretar literalmente a seguinte frase de Jesus “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede”. Tanto que ela chegou a pedir para beber desta água para não precisar voltar a buscar água naquele poço (João 4:10-15). E os líderes judeus não entenderam a linguagem figurada de Jesus que falou do seu corpo como sendo templo e quiseram matar a Jesus por conta de sua errônea interpretação literal (Jo 2:21 e Mt 26:61).

O literalismo levou os dispensacionalistas a fazerem uma separação tão radical entre Israel e Igreja, chegando ao ponto de negarem que o Sermão do Monte seja uma mensagem de Cristo para os cristãos, alegando tratar-se de uma mensagem apenas voltada aos judeus. (Vide notas da Bíblia dispensacionalista de Estudo Scofield). No entanto, o Novo Testamento aplica a Igreja aquilo que o Antigo Testamento exclusivamente diz a respeito de Israel: “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus… vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus…” (1Pe2.9-10; Tt 2:14; Ap 1.6; 5.10; cp. Êx 19:5-6; Dt 14:2; Is 43:20).

Os dispensacionalistas seguem a mesma hermenêutica literalista que levou os fariseus a rejeitarem a Cristo, pois esperavam um rei político que os liderasse numa guerra contra o Império Romano, restaurando seu reino terreno, e não um rei pacífico e espiritual, cujo reino não é deste mundo.

Agora, ao contrário do que alegam, os dispensacionalistas não são nada consistentes em sua proposta de interpretação literal das Escrituras Sagradas. Por exemplo:


1. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as afirmações de Jesus sobre Satanás já ter sido amarrado (Mt 12.29), já ter caído do céu como um relâmpago (Lc 10.17) e que já havia chegado a hora dele ser expulso (Jo 12.31).
2. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a estupenda declaração de Jesus: “certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt 12.28); simplesmente porque isto contradiz sua crença de que o reino foi adiado por conta da rejeição de Israel.
3. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a seguintes declarações de Jesus sobre seu reino não ser deste mundo e nem se manifestar com visível aparência: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36); “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc 17.20–21), os dispensacionalista preferem contrariar o claro ensino de Cristo, do que abandonarem sua ideia de ver estabelecido um reino milenar aqui na terra em termos físicos e literais.
4. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as parábolas que ensinam que o Reino de Deus se manifesta no mundo de maneira discreta como um grão de mostarda e que vai crescendo de modo paulatino e que se defronta sempre com o inimigo que se apresenta em forma de pássaro ou daquele que planta o joio no meio do trigo (Mt 13).
5. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as seguintes declarações de Jesus: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” Mt 16.18); e “é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10), pois eles ensinam que o arrebatamento sempre foi iminente, podendo ter acontecido e acontecer a qualquer momento, mesmo antes do sucesso da Igreja em fazer discípulos de todas as nações, mesmo antes do cumprimento da profecia de que o Evangelho precisa necessariamente ser pregado para testemunho a todas as nações antes do fim.
6. Os dispensacionalista não interpretam literalmente a profecia das Setenta Semanas de Daniel, pois dizem que ela não se cumpriu em 490 anos na vinda de Cristo, sua morte e, no consequente destruição de Jerusalém e do templo, ensinando, ao contrário, que há um intervalo de dois mil anos ou mais no seu cumprimento profético quando não existe nada naquela profecia que sequer sugira algo assim.
7. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a profecia de Daniel 2, pois negam que Cristo tenha inaugurado seu Reino nos dias do Império Romano conforme esclarece Daniel: “nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação.” (Dn 2.44–45).
8. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o ensino de Jesus quanto a necessidade de vigiar para não ser pego de surpresa pela Vinda do Senhor que porá fim a oportunidade de salvação (Mt 24.14 e 37; 25.1-13; Mc 13.33), pois, contrariamente, ensinam que será possível haver salvação depois do arrebatamento.
9. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente 2 Tessalonicenses 2, que ensina que “a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com ele”(2Ts 2.1), que sabemos se dará com o arrebatamento, “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2Ts 2.3b,4). Isto porque a interpretação literal deste texto levaria necessariamente a negação do ensino pré-tribulacionista que ensina que a manifestação do Iníquo somente acontecerá após o arrebatamento da Igreja.
10. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as diversas passagens bíblicas que ensinam que a Igreja passa pela Grande Tribulação (Ap 1.9; 2.3-13; 6.9s; 7.9-17; 11.1-10; 12.11, 17; 13.7,8; 14.1-5,13).
11. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente os textos que claramente ensinam que o juízo final dos incrédulos irá ocorrer com a Segunda-vinda (Dn 12.2; Mt 25.31-34).
12. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente as palavras de Tiago no encerramento do concílio de Jerusalém, onde ele vê a conversão dos gentios para fazerem parte da Igreja como o cumprimento da profecia a respeito da reedificação do tabernáculo caído de Davi. (At 15.14–19).
13. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente a afirmação de Paulo que diz que a morte, o último inimigo, será destruída e tragada pela vitória na Segunda-vinda de Cristo (1Co 15.54), pois eles ensinam que, mesmo depois da Segunda Vinda de Cristo, haverá morte e rebelião na terra no milênio.
14. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente quando Jesus diz que os redimidos ressuscitarão no "último dia” (Jo 6.40), eles afirmam que Jesus quis dizer mil e sete anos antes do último dia. Porque o dispensacionalismo ensina que a ressurreição dos que morreram em Cristo acontecerá antes do Início da Grande Tribulação que, segundo eles, durará 7 anos. Ainda segundo este ponto de vista, haveria um segundo momento de ressurreição de pessoas que se converteram e morreram durante o período da Grande Tribulação, ressurreição esta que se daria por ocasião da Segunda-Vinda de Cristo. Mas este ainda não seria o último dia, visto que eles ensinam que depois disto ainda haveria um período de mil anos de história sobre a face da terra. Por isto é que os dispensacionalistas precisam interpretar último dia de maneira bem figurada. Para eles existem múltiplos "ultimo dia".
15. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente o texto em que Jesus diz que chegará "a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (João 5:28,29), eles negam o sentido normal do texto, alegando que ao dizer "a hora”, Jesus teria intencionado dizer pelo menos tres horas ou momentos distintas separadas por sete anos e mais outros mil anos. Além de tamanho disparate, eles ensinam também que, quando Jesus diz que naquela hora todos ressuscitarão, que não é bem assim, dizem que não devemos interpretar “todos” de maneira literal, pois, para eles, “todos" não significam todos, mas uns agora e outros depois e outros mais tarde ainda.
16. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o texto em que Jesus diz que o sumo-sacerdote e seus comparsas ali presentes o veriam vindo sobre as nuvens do céu (Mt 26:63-64), pois segundo a sua cronologia escatológica, os perdidos não ressuscitarão na Segunda-Vinda, mas apenas mil anos mais tarde. O resultado disto é que eles são forçados a apelar para a alegorização, dizendo que o sumo-sacerdote não ressuscitará para contemplar a vinda do Senhor, pois que ele ali representa a comunidade judaica. Jesus apenas estaria querendo dizer que haverá judeus vivos por ocasião da Segunda-vinda.
17. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente Apocalipse 1.7 que ensina que "todos, até os que o traspassaram", verão Jesus regressando sobre as nuvens dos céus, pois ensinam eles que o termo "todos" não deve ser interpretado literalmente como "todos" e que de maneira alguma os que o traspassaram na cruz ressuscitarão para ver a Segunda-vinda de Cristo, pois ensinam que apenas os salvos ressuscitarão na Segunda Vinda de Cristo. Eles também recusam-se em concordar com a afirmação de Jesus de que a ressurreição dos salvos ninivitas se dará no dia do juízo final juntamente com a geração de judeus que rejeitou o testemunho de Cristo (Mt 12.41), simplesmente porque isto contraria seus pressupostos pré-milenistas.
18. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente textos como João 10.16, 1 Coríntios 10.17; 12.13; Efésios 2.13-22 e Romanos 11 que ensinam que Deus só tem um povo, um só rebanho, pois há apenas uma só Oliveira da qual fazem parte pela fé judeus e gentios, pois Jesus derrubou a parede de separação que estava no meio, para que dos dois criasse, em si mesmo um novo homem, seu Corpo, a Igreja, edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo, a pedra angular. No entanto, os dispensacionalistas dizem que Deus tem dois povos, e que tem dois planos de salvação e dois destinos futuros, um terreno para Israel e outro celestial para a Igreja. Paulo usa 14 capítulos em Romanos para provar que nunca existiu um plano de salvação para judeus e outro para os gentios, mas, ao contrário, sempre houve um único plano eterno incluindo judeus e gentios (Gn 17.5; Rm 4.11, 12, 16, 17, 23, 24).
19. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente Romanos 2.28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, q no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.” Pois uma interpretação literal deste texto implicaria necessariamente em espiritualizar o termo judeu, algo inadmissível para eles que vivem ensinando que judeu é judeu e cristão é cristão. Eles fazem uma separação radical entre Israel e Igreja.
20. Os dispensacionalistas também não interpretam literalmente Hebreus 12.22: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia”, pois isto seria espiritualizar Monte Sião e Jerusalém como algo pertencente a Igreja na Nova Aliança.
21. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o ensino de Paulo de que a promessa da terra feita a Abraão não diz respeito somente a Israel, mas também a Igreja. “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.)” (Rm 4.13–17).
22. Os dispensacionalistas não interpretam literalmente o trecho de Hebreus 11 que diz que os patriarcas viram o cumprimento da promessa da terra em termos mais espirituais que terrestres, tanto que, Abraão, “pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade j que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador… Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. o Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.” (Hb 11.9–16). Portanto, uma pátria celestial é a esperança dos judeus crentes do Antigo Testamento, idêntica a dos cristãos do Novo Testamento! Jesus subiu foi nos preparar um lar celestial na casa do Pai! “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. (Jo 14.2–3). “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, a buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.1–2). Infelizmente, os dispensacionalistas seguem pensando na restauração de um reino terreno de Israel, enquanto que próprios patriarcas morreram na esperança de uma pátria celestial. Como Abraão, Isaque e Jacó, nós cristãos, também declaramos que “a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A interpretação da Profecia de Zacarias 14

A interpretação da Profecia de Zacarias 14

Por José Ildo Swartele de Mello

Árdua tarefa interpretar corretamente as profecias bíblicas. Há muita controvérsia a respeito. Alguns princípios simples de hermenêutica são simplesmente indispensáveis. 1. reconhecer o contexto em que as profecias foram proferidas, 2. Permitir que a Bíblia interprete a própria Bíblia, levando seriamente em consideração as intepretações que Cristo e seus Apóstolos deram as profecias do Antigo Testamento, e 3. Levar em consideração as características peculiares da linguagem profética.
Então, vamos lá!

Contexto

Zacarias é contemporâneo do profeta Ageu, profetizou entre 520 e 518 a.C., época da reconstrução do templo, que havia sido destruído em 586 a.C. pelo exército de Nabucodonosor. Tal destruição se deu por conta do juízo de Deus contra a infidelidade do povo Judeu à Aliança.

O profeta Daniel, décadas antes, estava com seu povo no exílio babilônico. Ele estava estudando as profecias de Jeremias que previam que o exílio duraria 70 anos (Dn 9.2). Visto que o prazo dos 70 anos de exílio estava se cumprindo, Daniel, consciente de que o exílio havia sido uma punição de Deus por causa dos pecados de Israel, começa a interceder pedindo perdão a Deus em nome do seu povo, na esperança de que o castigo de Israel estivesse para acabar com o final dos 70 anos de cativeiro. A oração de Daniel é ouvida (Dn 9.20-23). Mas, para sua surpresa, ele recebe uma visão de que 70 Semanas estavam determinadas para a realização de seis benefícios favoráveis a Israel que se realizariam na pessoa do tão esperado Ungido ou Messias.

Em Daniel 9.24, temos os seis propósitos da visão das 70 Semanas: 1. Para fazer cessar a transgressão; 2. Para dar fim aos pecados; 3. Para expiar a iniquidade; 4. Para trazer a justiça eterna; 5. Para selar a visão e a profecia; e 6. Para ungir o Santo dos Santos.

Todas as correntes teológicas concordam que 70 semanas equivalem a 490 anos, entendendo que cada dia da semana correspondem a um ano (Gn 29:27; Lv 25:8; Nm 14:34; Ez 4:4-6). As 70 Semanas estão dividas em três períodos (v.25): 1. Sete Semanas (7x7=49 anos) de reedificação; Seguidas por: 2. Sessenta e duas semanas (62x7=434 anos); seguida do terceiro e último período: 3. Uma semana (1x7=7 anos) - O v. 26 diz que “após” as sessenta e duas semanas, ou seja, já dentro da última semana, será assassinado o ungido. E, em decorrência da morte do ungido, ocorreria a destruição de Jerusalém e do templo por um povo de um príncipe que haveria de vir (Dn 9.26); período em que surge o assolador (v.27); Por fim, a visão de Daniel termina com o assolador recebendo o merecido juízo de Deus.

457 A.C. foi o ano em que o rei Artaxerxes decretou que os judeus podiam retornar a Jerusalém para reconstruir a cidade e o Templo (Ed 7:12-26). Se contarmos 483 anos a partir dessa data, chegaremos ao ano 26 d.C. Sabemos que Jesus nasceu no ano 4 a.C., então, ele tinha 30 anos em 26 D.C., ocasião em que foi batizado e iniciou seu ministério terreno. Três anos e meio depois, Jesus foi crucificado. Em termos proféticos, tamanha precisão, embora não necessária, é realmente impressionante!

É também dito que o Messias “fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício” (Dn 9.26–27). Ao fim desses três anos e meio, Jesus deu a Sua vida em uma Cruz. Sabemos que Jesus estabeleceu a Nova Aliança por meio do seu sangue derramado na cruz. Ele disse: “Este é o cálice da nova aliança no Meu sangue” (1Co 11:24-25). Com sua morte, Jesus tornou-se o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pondo assim fim ao sacrifício e as ofertas de manjares, que eram sombras da realidade que nele encontram plena realização (Hb 8 e 9).

Três anos e meio após a morte de Cristo, tivemos a morte do primeiro mártir cristão, Estevão (At 7:59-60). Lucas fez questão de registrar que o próprio sumo sacerdote estave presente, liderando o grupo de religiosos judeus que rejeitou o Evangelho de Cristo pregado por Estevão e o condenou a morte (At 7:1). A morte de Estevão é um verdadeiro marco, pois, a partir daí, temos a conversão de Saulo que será levantado como Apóstolo aos Gentios (At 9:1-6; 26:15-18). Na sequência, Deus desperta Pedro para a evangelização dos gentios! (At 10). As setenta semanas de favor de Deus para com Israel encerraram-se aí. “Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios.  Porque o Senhor assim no-lo determinou: Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra. (At 13.46–47).

Jesus afirmou que após a Destruição de Jerusalém, a cidade seria pisada pelos gentios até que o tempo deles se completasse (Lc 21.24). Portanto, a destruição de Jerusalém não representa o fim desta era presente. A era da Igreja chegou! De Jerusalém a Igreja se espalhou para todas as nações! É o tempo da missão de fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20) para que "os tempos dos gentios se completem" (Lc 21.24). Paulo a isto se referia quando disse "que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo" (Rm 11.25–26). O Apocalipse revela uma visão gloriosa do Israel de Deus pleno como "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos (Ap 7.9). Aí, então, Cristo voltará e se cumprirá esta outra magnifica visão de Daniel: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.  Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído."  (Dn 7.13–14).


Mais sobre as Setenta Semanas de Daniel em http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2008/02/70-semanas-de-daniel.html

Repare que a profecia de Zacarias também fala do Messias que entraria em Jerusalém, seria ferido e abandonado, mostrando, na sequencia, um novo juízo de Deus contra a cidade de Jerusalém. Portanto, ambos descrevem o mesmo cenário futuro. Um texto lança luz sobre o outro texto. E mais luz ainda teremos ao examinarmos como Jesus e seus Apóstolos interpretaram tais profecias.

O Novo Testamento interpretando as profecias de Zacarias

Importante notar como as profecias de Zacarias são interpretadas no Novo Testamento. Sua profecia aborda temas importantes como a vinda do Messias (Zc 9.9 cp. Jo 12.15), o sangue da Aliança (Zc 9.11 cp. Mt 26.27 e 1Co 11.25), que o Messias seria vendido por 30 moedas de prata (Zc 11.12-13 cp. Mt 27.9-10), que seria ferido e abandonado (Zc 13.7; cp. Mc 14.27), o que desencadearia novo terrível juízo sobre o povo judeu e a cidade de Jerusalém que seria novamente destruída (Zc 14.1–2; cp. Lucas 21.20–24 e Mc 13.14-20), descreve o livramento dado aos fiéis do seu povo (Zc 14.5; cp Lc 21.20.24), revela o juízo final contra as nações impenitentes que se levantam contra o povo de Deus (Zc 14.12; cp. Ap 19:15-18), e fala também da restauração de Jerusalém e da plenitude de vida, paz e segurança do Reino de Deus (Zc 14.8 cp. Jo 7.38 e Ap 22.1; Zc 14.9 cp. Ap 11.15; Zc 14.10 cp. Ap 21.1-3; Zc 14.11 cp. Ap 21.10-11 e 22.3; Zc 14.12; Zc 14.16 cp Ap 21.24-26).
Segue tabela que descreve como o Novo Testamento interpretou as profecias de Zacarias com a esperança de que isto lhe a ajude a interpretar adequadamente tais profecias, em especial, o último capítulo do livro.

Profecias de Zacarias interpretadas no Novo Testamento

Zacarias 8.23
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco. RA 
1Coríntios 14.25
tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós. RA
Zacarias 9.9
Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta. RA
João 12.15
Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta. RA
Zacarias 9.11
Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água. RA
1Coríntios 11.25
Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. RA
Zacarias 11.12–13
Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. 13 Então, o Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do Senhor. RA
Mateus 27.9–10
Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram; 10 e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.
Zacarias 12.3
Naquele dia, farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra. RA
Apocalipse 11.2
mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa. RA
Zacarias 12.10
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito. RA

João 19.37
E outra vez diz a Escritura: Eles verão aquele a quem traspassaram. RA

Lucas 23:27
Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais o pranteavam e lamentavam.   

Apocalipse 1.7
Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém! RA
Zacarias 13.7
Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos. RA
Marcos 14.27
Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas. RA
Zacarias 14.1–2
Eis que vem o Dia do SENHOR, em que os teus despojos se repartirão no meio de ti. 2 Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade.
Lucas 21.20–24
20 Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. 21 Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. 22 Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. 23 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. 24 Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.

Mc 13.14–20
Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 15 quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa; 16 e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. 17 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! 18 Orai para que isso não suceda no inverno. 19 Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. 20 Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
Zacarias 14.5
Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então, virá o Senhor, meu Deus, e todos os santos, com ele. RA
Lucas 21.20–24
20 Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. 21 Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. 22 Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. 23 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. 24 Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles. 
Zacarias 14.7
Mas será um dia singular conhecido do Senhor; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde. RA

Apocalipse 21.25
As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. RA

Apocalipse 22.5
Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. RA

Zacarias 14.8
Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto. RA

João 7.38
Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. RA

Apocalipse 22.1
Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. RA

Zacarias 14.9
O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o seu nome. RA

Apocalipse 11.15
O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos. RA

Zacarias 14.11
Habitarão nela, e já não haverá maldição, e Jerusalém habitará segura. RA
Apocalipse 22.3
Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, RA
Zacarias 14.10
Toda a terra se tornará como a planície de Geba a Rimom, ao sul de Jerusalém; esta será exaltada e habitada no seu lugar, desde a Porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à Porta da Esquina e desde a Torre de Hananel até aos lagares do rei. 11 Habitarão nela, e já não haverá maldição, e Jerusalém habitará segura.  
Ap 21.1–3
Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2 Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. 3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.

Ap 21.10–11 
“... e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina.
Zacarias 14.12
 Esta será a praga com que o SENHOR ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: 

Apocalipse 19:15-18 
Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes.
Zacarias 14.16
Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos
Apocalipse 21.24–26
As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória. 25 As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. 26 E lhe trarão a glória e a honra das nações.

O PERIGO DO LITERALISMO

É preciso reconhecer que a linguagem profética está repleta de figuras de linguagem, pois Deus falou aos profetas através de sonhos, visões, palavras obscuras e enigmáticas (Nm 12.6-8 e Os 12.10). Jesus profetizou a destruição do templo de Jerusalém, mas jamais profetizou sua restauração em termos literais. Não existe também nenhum texto no Novo Testamento que fale da reconstrução do templo destruído em 70 d.C.

Boa parte das profecias do Antigo Testamento que dizem respeito a restauração de Israel se cumpriram com o retorno do cativeiro babilônico que possibilitou a reconstrução da cidade, seus muros e do templo. Outras se cumpriram no remanescente fiel de Israel que é a Igreja como podemos observar em Atos 15.14-18, quando Tiago afirmou que a profecia de Amós 9.11-12 cumpriu-se em Cristo que restaurou o Tabernáculo caído de Davi para que todos, não apenas judeus, mas também os gentios de todos os povos, pudessem buscar ao Senhor, tornando-se também parte do povo de Deus que é a Igreja. Portanto, tal profecia não se cumpriu literalmente, pois o reino não foi literalmente restaurado como nos dias de Davi, mas, sim, espiritualmente, em Cristo. Veja a interpretação de Tiago: “... expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. 15 Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos.” (At 15.14-18).

Uma interpretação literal de Zacarias 14 tem levado muitos ao absurdo de concluírem que, em um reino milenar, o sacerdócio levítico será restaurado e retornaremos a prática de sacrifícios de animais no templo que precisará ser mais uma vez reconstruído em Jerusalém, e que os povos virão anualmente a Jerusalém para a celebração da festa judaica dos Tabernáculos nos moldes do Antigo Testamento.

Os dispensacionalistas fazem questão de ignorar o fato de que o Templo se revestiu de um novo significado no Novo Testamento, tornando-se um tipo de Cristo e de sua Igreja, encontrando aí seu último e definitivo significado e cumprimento (Ef 2:19-22; 1Co 3.16). O termo templo aparece 12 vezes no livro de Apocalipse e, em cada uma das ocorrências, está se referindo ao templo celestial ou ao Senhor Deus mesmo. “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21:22). Deus não habita em templos construídos por mãos humanas (At 7.48; 17.24). O tabernáculo ou o templo do Antigo Testamento eram sombra da realidade que se manifestou em Cristo e na sua Igreja (Hb 9.9-10.14). Com a chegada do verdadeiro templo, não há lugar mais para templos construídos por mãos humanas.

Assim como a glória do Senhor encheu o tabernáculo e o templo no Antigo Testamento (Ex 40:34; 1Rs 8.10), a partir de Pentecoste, a Igreja, o Corpo de Cristo, foi cheia do Espírito Santo de Deus! “Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. (2Co 6.16).

Jesus fez um sacrifício eficaz, pleno, uma vez por todas, não havendo, portanto, mais lugar para os cerimoniais e sacrifícios judaicos que haviam sido instituídos como sombras da realidade que se cumpriu em Cristo (Hb 9:9, 23, 24; 10:1-3, 11). Portanto, não há mais cabimento para o retorno a práticas dos sacrifícios do templo.

Em João 4.21–23, falando à mulher samaritana, Jesus anunciou a chegada do tempo em que a verdadeira adoração não estaria mais confinada ao templo de Jerusalém, mas que se tornaria descentralizada e universal, realizada em espírito e em verdade.

Os dispensacionalistas em sua insistência em enxergar dois povos de Deus, Israel e Igreja, e com sua crença na existência de dois propósitos e planos distintos para cada um destes povos, acabam promovendo a revitalização no seio evangélico das sombras do Antigo Testamento que já foram plenamente superadas pela substância no Novo Testamento. Entretanto, Deus não tem dois povos, mas somente um. O Novo Testamento vê as profecias do Antigo Testamento encontrando seu cumprimento em Cristo e em sua Igreja. A Igreja Cristã foi edificada sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos judeus (Ef 2.14-16). Ela não constitui um segundo povo de Deus. Deus tem apenas um povo (Jo 10.16; Ef 2.14-16). Os gentios crentes foram enxertados na mesma “oliveira”, tomando parte na mesma raiz e tronco do hebreu Abraão (Rm 11.16-18). Não existe um plano de salvação distinto para Israel. Pois Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11). A esperança futura para Israel é aceitar o Cristo, sendo novamente reconduzido a mesma e única Árvore, a oliveira, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, da qual fazem parte judeus e gentios crentes, não havendo mais lugar para distinções e divisões, pois, em Cristo foi derrubada a parede de separação que existia entre judeus e gentios.

Portanto, os cristãos que defendem a necessidade da reconstrução do templo estão regredindo ao sistema sacrificial do período pré-cristão. Sistema este que foi anulado, tornando-se obsoleto, por ter sido substituído e superado pelo sacrifício definitivo de Cristo na Cruz. Pois, o sacrifício do verdadeiro Cordeiro de Deus não permite mais lugar para outros sacrifícios. O retorno à prática destes sacrifícios em um templo construído por mãos humanas, ainda que em caráter de celebração simbólica, é algo descabido que revela um descaso para com o sacrifício supremo realizado por Cristo na cruz.

O CARÁTER CONDICIONAL DE MUITAS PROFECIAS

Além disto, muitas profecias foram dadas em caráter condicional: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr 7.14). “Porque assim diz o SENHOR Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranquilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes.” (Is 30.15). Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta.” (Mt 23.37–38). Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.11–12). “Assim como também diz em Oseias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada; e no lugar em que se lhes disse: Vós não sois meu povo, ali mesmo serão chamados filhos do Deus vivo. Mas, relativamente a Israel, dele clama Isaías: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve; como Isaías já disse: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, ter-nos-íamos tornado como Sodoma e semelhantes a Gomorra.” (Rm 9.25–29). “E Isaías a mais se atreve e diz: Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim. Quanto a Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente. (Rm 10.20–21).

“Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão, porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí. (Rm 4.13–17).

Zacarias 14 e a Queda de Jerusalém

O exército do Império Romano, que englobava inúmeras nações, cercaram e, por fim, destruíram a cidade de Jerusalém e profanaram e destruíram o templo em 67-70 d.C. conforme profetizou Zacarias 14.1-2. A angústia e desolação de Jerusalém foi a maior de toda a sua história. Sua destruição foi tal que os soldados puderam tranquilamente dividir os despojos no meio da cidade. Os judeus que não foram mortos, acabaram sendo levados cativos. Jerusalém passou a ser pisada pelos gentios que repartiram os despojos no meio da cidade destruída. Veja como Jesus interpretou Zacarias 14 e as Setenta Semanas de Daniel e como tudo isto se cumpriu naquela mesma geração (70 d.C.) conforme ele mesmo profetizou: "Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles." (Lc 21.20–24). Impressionante!

Algumas observações importantes nesta fala de Jesus que também está registrada em Mateus 24 e Marcos 13:

1. A frase “para se cumprir tudo o que está escrito” indica que não foram poucas as profecias a respeito de uma nova destruição de Jerusalém além daquela ocorrida em 586 a.C. A quais profecias Jesus está se referindo? Não estariam entre elas Zacarias 14 e Daniel 9? Obviamente que sim, pois tratam daquele que viria a ser o Dia do Senhor contra Israel que rejeitou o Messias, o maior Juízo de Deus contra a cidade de Jerusalém em toda a sua história (Dn 9.26; Mt 22.1-10; 24:3,21-35; Zc 14.1-2; Mc 13.19; Lc 19:11-27,41-44; 21.22-24), Jerusalém sofreria tamanho castigo por conta de terem rejeitado e assassinado do Ungido (Dn 9.26; Zc 13.7-9; Mt 22.6-7; 23.34-39; 24.1-2). Jesus é o melhor intérprete da profecia de Zacarias, Daniel e de todos os demais profetas do Antigo Testamento!

2. Jesus deixou claro que a destruição do templo e da cidade de Jerusalém ocorreria naquela mesma geração: “todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração “(Mt 23.36; cf. Mt 24.34; Mc 13.30; Lc 21.32). O que acabou realmente acontecendo no ano 70 d.C. Confirmando que o evento decorrente da Morte do Ungido é a destruição de Jerusalém, tudo acontecendo naquela mesma geração! Como você acha que os discípulos de Jesus interpretaram estas suas palavras quando viram os exércitos romanos se aproximando da cidade? Certamente que os cristãos que temem o Senhor, deram ouvidos as suas advertências e fugiram da cidade para escapar daquela grande tribulação. E como foi que eles interpretaram Zacarias 14, Daniel 9, Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21 quando receberam a notícia de tudo o que se passou Jerusalém? Os moradores de Jerusalém sofreram as maiores barbaridades, durante os anos de cerco, a fome foi tanta que chegaram ao ponto de sacrificarem infantes para canibalismo, “ai das grávidas e das que amamentam”. Quando o exército romano invadiu a cidade, a carnificina foi tremenda. O General Tito profanou o templo antes de destruí-lo totalmente, não deixando pedra sobre pedra. A cidade foi queimada e os sobreviventes levados cativos. A página mais triste de toda a história de Jerusalém conforme profetizou o Senhor Jesus Cristo e também profetizaram os profetas do Antigo Testamento.

3. O discurso de Jesus em Lucas revela com maior clareza que, depois de destruída, os judeus seriam levados cativos para todas as nações e a cidade de Jerusalém seria pisada pelos gentios até que a plenitude de salvação dos gentios se completasse (Lc 21.24). Então, esta grande tribulação e devastação de Jerusalém não termina com a Segunda Vinda de Cristo e o milênio, pois Jesus disse que os judeus seriam levados cativos e que Jerusalém seria pisada pelos gentios até a plenitude deles fosse alcançada, o que sugere um longo período posterior antes do fim. Interessante observar que Jerusalém foi realmente dominada por gentios até recentemente. Muito embora seja sendo ainda sendo motivo de muita disputa, em 1948, Israel foi reconhecida como nação. Sinal dos tempos!

Deus promete livramento para o seu povo

Neste juízo contra Jerusalém, Deus lutou por seu verdadeiro povo, promovendo escape para o remanescente fiel de Israel que recebeu a Jesus como Messias (Zc 14.3-4). O Senhor peleja por seu verdadeiro Israel (Js 10.14). Numa linguagem figurada, “o Senhor está para sair do seu lugar, e descerá, e andará sobre as alturas da terra. E os montes debaixo dele se derreterão, e os vales se fenderão, como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo”. (Mq 1:3-4). “Descias, e os montes tremiam à tua presença”. (Is 64-3). "Os montes te veem e se contorcem” (Hc 3.10). Com a fenda do Monte das Oliveiras criou-se um vale que serviu de escape para aqueles que realmente pertencem a Deus: "Fugireis pelo vale dos meus montes" (Zc 14.5). Jesus advertiu seus discípulos: "os que estiverem na Judeia fujam para os montes” (Mt 24.16). Eles realmente puderam escapar quando viram os exércitos romanos se aproximando de Jerusalém!

As montanhas ao redor de Jerusalém e os seus muros representavam separação entre judeus e gentios. O Monte partido e a queda do muro, representam também a queda do muro de separação entre judeus e gentios (Ef 2). Ao fugirem de Jerusalém, os judeus cristãos vão a outras partes do mundo espalhando as Boas Novas do Evangelho como parte do Rio de Deus que sai do Verdadeiro Templo que é o nosso Senhor Jesus Cristo, como águas vivas correndo de Jerusalém para irrigar o mundo inteiro (Ez 47; Jo 7.38). Como disse Zacarias: ““correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto. O SENHOR será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o SENHOR, e um só será o seu nome.” (Zc 14.8–9). A destruição do templo acabou contribuindo também para caracterizar a chegada do novo tempo em que a adoração Deus passa a ser descentralizada, acontecendo onde quer que dois ou mais estejam reunidos em nome de Jesus para adorar a Deus em espírito e em verdade.

Interpretar Zacarias 14.4-5 como uma referencia a Segunda Vinda de Cristo é complicado porque não faria sentido que os que são de Deus tivessem que fugir exatamente quando Cristo vem para salvá-los. Além do mais, sabemos que a Segunda Vinda de Cristo marcará o fim de qualquer espécie de conflito e temor para o seu povo. Com o sopro de sua boca, Jesus destruirá o iníquo. Quando Jesus retornar, seu povo não terá o que temer. Aquele não será o dia de nossa fuga, mas do nosso encontro com Ele!

“Toda a terra se tornará como a planície de Geba a Rimom” (Zc 14.10).

Tais transformações topográficas apontam para reformas morais que vão se ampliando a medida que o Evangelho do Reino se expande pelo mundo, difundindo seus valores. Linguagem semelhante a que vemos em Isaías 40.3-4: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados.” Sabemos que esta profecia se cumpriu de modo figurado no ministério de João Batista. Portanto, profecias assim não requerem um cumprimento literal, pois usam figuras de linguagem, algo muito típico da literatura profética e também da apocalíptica.

Juízo contra as nações

Roma, como a Assíria, serviu como a "vara da ira de Deus” (Is 10:5). Como aconteceu no tempo oportuno tanto com a Assíria quanto com a Babilônia, o juízo de Deus virá também contra o Império Romano. Interessante notar que neste período da destruição de Jerusalém, inicia-se também o processo de decadência do Império Romano que irá sucumbir, enquanto o Cristianismo irá crescer e se tornar a maior religião e influência sobre a face da terra.

As maldições para os que violam a aliança são pronunciadas sobre os inimigos do povo de Deus (Zc 14. 12-15; cf. Dt 28:15-68; Lv 26:14-26). É importante observar a semelhança que há aqui (Zc 14. 12-15) com a linguagem de juízo pronunciada contra a Assíria: “Então, a Assíria cairá pela espada, não de homem; a espada, não de homem, a devorará; fugirá diante da espada, e os seus jovens serão sujeitos a trabalhos forçados. De medo não atinará com a sua rocha de refúgio; os seus príncipes, espavoridos, desertarão a bandeira, diz o SENHOR, cujo fogo está em Sião e cuja fornalha, em Jerusalém.” (Is 31.8–9).

“Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte.” (1Co 15.25–26). Portanto, este reinado de Cristo mencionado por Paulo só pode ser aquele que se dá na era da Igreja, antes da Segunda Vinda, pois é por ocasião da Segunda Vinda que a morte será tragada pela vitória! (1Co15.54). Sabemos também que, por fim, Jesus julgará as nações (Mt 25.31-32). “Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.” (Ap 19.1–2; ver também Ap 19.15-21).

A Festa dos Tabernáculos – Festa da Colheita!

A menção a Festa dos Tabernáculos não é para ser entendida como uma restauração literal da festa nos moldes do Antigo Testamento. A profecia descreve as bênçãos espirituais futuras em termos próprios de sua religiosidade e cultura. Os convertidos das nações experimentarão a redenção e virão com alegria para adorar o redentor (Zc 14:16-19, cp. Ap 21.24-26).

Devemos lembrar que se trata de uma das 3 grandes festas de Israel. A última das 7 Festas do Pentateuco. Os judeus construíram tendas para celebrar a Deus que os redimiu da escravidão do Egito (Lv 23:39-43). É exatamente aquela que celebra a plenitude da colheita! (Ex 23.16; Dt 16:13-15). Os Campos brancos para a ceifa! (Jo 4:35-38) E, de alguma maneira, Jesus relaciona a Queda de Jerusalém com a plenitude dos gentios (Lc 21.24). A Festa dos Tabernáculos celebra a plenitude dos salvos e a vida eterna!

Um paralelo pode ser traçado entre as três grandes festas judaicas e o cristianismo, pois a Páscoa diz respeito à redenção que temos em Cristo, o Pentecostes aos primeiros frutos do Reino pelo poder do Espírito Santo, penhor da nossa herança, e a Festa dos Tabernáculos celebra a plenitude da colheita do Reino de Deus. O sacrifício de Cristo não foi em vão! O Salão do Banquete estará repleto de convidados procedentes de todos os povos línguas, tribos e nações do mundo (Mt 22.10 e Ap 7.9). Aquele que plantou com lágrimas, retornará com alegria carregando os seus feixes (Sl 126.6). E já nesta vida, podemos experimentar a vida abundante em Cristo (Jo 10.10). "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Celebramos a Jesus como a nossa fonte inesgotável de água da vida que nos faz saltar para a vida eterna! (Jo 4.13). Referindo-se a Zacarias 14 e a Ezequiel 47, ao participar da Festa dos Tabernáculos, foi que Jesus fez o seguinte convite: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” (Jo 7.37–38). João acrescenta que isto se referia ao Espírito Santo que seria derramado sobre os discípulos! (Jo.7.29). Através do Cordeiro da Páscoa e do Espírito derramado a partir do Pentecostes, podemos desfrutar da nova e abundante vida em Cristo agora e para todo o sempre!


No entanto, os que não se converterem a Cristo serão privados das bênçãos do Reino (Zc 14.17-19). Como, por exemplo, da chuva que é símbolo do favor de Deus (Ho 6:3).

A profecia aponta para o dia em que Jesus “será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o seu nome” (Zc 14.9). De modo que tudo será consagrado a ele, até as coisas mais comuns como as campainhas dos cavalos receberão a inscrição que até então era colocada apenas na mitra do sumo sacerdote, a saber: "Santidade para o Senhor (Zc 14.20; cp. Ex 28:36), assim como todas as panelas das casas serão também consideradas santas e consagradas a Deus (Zc 14.21). E “já não haverá maldição” (Zc 14.11) e nem mercadores na Casa de Deus (Zc 14.21). As maldições para os que violam a aliança são pronunciadas sobre os inimigos do povo de Deus (Zc 14. 12-15; cf. Dt 28:15-68; Lv 26:14-26). Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus! (Rm 8.1). Desfrutarão de abundância, paz e segurança! (Zc 14.11,14).


Conclusão

Devemos reconhecer o contexto em que as profecias foram proferidas e as características peculiares da linguagem profética. Precisamos também deixar que a Bíblia interprete a própria Bíblia, levando seriamente em consideração as intepretações que Cristo e seus Apóstolos deram as profecias do Antigo Testamento. Como dissemos a princípio, o ensino de que será restaurado o sacerdócio levítico para celebração sacrifícios de animais no templo na época do Milênio é um contrassenso, um injustificável retrocesso, que ofende a cruz de Cristo. O futuro deve ser encarado como a consumação da realidade e não como um retorno as sombras do passado. Em Cristo e sua Igreja, já nesta era e ainda mais plenamente na Nova Jerusalém, é que se cumprem as profecias que dizem respeito a restauração de Jerusalém e do reino de Israel. A própria promessa de uma terra prometida será cumprida na Nova Jerusalém como disseram Paulo e o autor de Hebreus (Rm 4:13; Hb 11:9-10).

Bibliografia

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http://kimriddlebarger.squarespace.com/the-latest-post/2008/4/9/jesus-the-true-temple.html

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