A Segunda Vinda de Cristo é iminente?

(Autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)

A Segunda Vinda de Cristo é iminente? Pode acontecer a qualquer momento sem prévios sinais? A resposta é não. Pois não seria lógico concluir que determinados textos estão ensinando a idéia da iminência hoje, quando se evidencia que estes mesmos textos não poderiam ter sido interpretados neste sentido por seus primitivos destinatários. Por exemplo, os textos, como Mc 9.1; Mc 13.29-30; Mt 10.23; Rm 13.11-12; Tg 5.8; 1 Pe 4.7; Ap 22.20; Hb 10.25, 37; 1 Jo 2.18, usados pelos dispensacionalistas para defender uma Segunda Vinda de Cristo iminente, nunca poderiam ter sido compreendidos pelos discípulos com esta intenção, pois quando foram escritos, certos eventos tinham, necessariamente, que ocorrer antes da Segunda Vinda de Cristo, por exemplo: A promessa do consolador (Jo 16.7, 13, 26); Evangelho deveria ser pregado a todo mundo (Mt 26.13; At 1.8; 9.15; 22.15; 26.2); Pedro seria morto conforme profetizado por Cristo (Jo 21.18); guerras viriam antes do fim (Lc 21.9); primeiro ocorreria a apostasia e o aparecimento do Homem da Iniquidade (2 Ts 2.2,3). Paulo recebeu de Deus diversas orientações sobre o que lhe ocorreria no decurso de sua vida e ministério, inclusive sobre sua morte (At 9.15; 22.15; 26.2; 23.11; 27.24; 28.30; 2 Tm 4.5ss. Fica evidente, então, que a Igreja neo-testamentária não poderia ter esperado uma vinda de Cristo a qualquer momento. Se os textos usados pelos dispensacionalistas nunca poderiam ter significado de iminência para os leitores originais, também não têm este significado para nós, hoje.
Cristo no Sermão das últimas coisas nos ensinou que sinais deveriam preceder sua Segunda Vinda. Sinais depõem contra a idéia de “iminência”. Os sinais não têm a intenção de nos conceder condições para precisar o dia da Segunda Vinda, Jesus denuncia a fascinação por cálculos (Mt 24.33-36); os sinais mencionados por Cristo são inespecíficos para este fim, antes, o propósito é preparar o povo de Deus com a compreensão das pressões que terá de suportar. O propósito de Jesus é encorajar, não a especulação, mas a vigilância - fortalecer a fé e advertir os discípulos do que será a sua sorte como seguidores dela. Se os cristãos atentarem para as palavras de Cristo, como disse Travis, “conhecerão que a situação não está fora do controle de Deus, e que eles podem ‘perseverar até o fim e serem salvos’ (Mc 13.13) e que além dessas tribulações está o retorno triunfante do Filho do Homem (Mc 13.24-27)”.1 Por não sabermos quando se dará Sua Segunda Vinda, é necessária a vigilância (Mt 24.42-25.13). Alguns textos sugerem um tempo relativamente longo entre a ascensão e a Segunda Vinda de Cristo (Rm 9; 11; Mt 24.45-51; 2 Pe 3). O livro de Atos é um livro de história da Igreja e ninguém escreve história convencido de que o mundo está para acabar.
Os textos que falam sobre uma “vinda súbita” e o dos “sinais”, e mesmo aqueles que apontam para uma “demora”, não são contraditórios, mas complementares. Em 1 Tessalonicenses 5, temos uma referência à “vinda súbita”, já em 2 Tessalonicenses 2, temos a menção de “sinais” que devem preceder a Segunda Vinda de Cristo. Jesus não disse que poderia vir a qualquer momento, antes profetizou uma série de eventos que se dariam antes daquele glorioso dia. Tais sinais não são suficientemente precisos para calcularmos o tempo da Sua vinda, que para nós permanece como incerta, requerendo que estejamos sempre alertas. Este “em breve” pode até nos parecer demorado, como bem explicou Pedro, dizendo que há um propósito para o que encaramos como “demora”, a longanimidade de Deus e seu desejo que nenhum pereça (2 Pe 3.9); Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12). Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos que cumpram o seu papel, apressando a volta de Jesus.

Comentários

  1. Quando a gente pensa muito no Fim dos Tempos, a tendência é fazer o coração mergulhar em desespero, ou em mórbida apatia. Daí, a questão ser: Como viver sabendo que vivo o Fim dos Tempos? A resposta do Evangelho é uma só: Fazendo de você a melhor versão de você mesmo; andando em misericórdia, com a alma aberta ao faminto, e uma casa acolhedora no ambiente do ser; saciando as reais necessidades uns dos outros, e caminhando em permanente processo de transformação. Pois deste fel há de sair doçura! Portanto, o que se diz é: Viva e seja o melhor mundo enquanto você vai... O verdadeiro mundo acontece em você. Nele realize a paz. Nele efetive reconciliações. Nele busque a verdade, dentro de você. Haverá, obviamente, inúmeras implicações do lado de fora. É tempo de poda, para que se dê mais fruto ainda! Mas insiste a pergunta: Como viver sabendo que vivo o Fim dos Tempos? Isto porque corre-se o risco da desistência! A resposta do Evangelho é simples e chocante: Com paroxismo existencial total! Como é isto?—é a questão inapelável. Chorando com os que choram, enquanto nos alegramos e nos regozijamos com o Galardão nos céus.Galardão? Realmente! Mas é que creio que Galardão é Graça. É a surpresa Suprema para o ser em Cristo. Isto é Galardão! A Suprema Surpresa. Algo como uma pedrinha branca, na qual está escrito um novo nome, que ninguém conhece, exceto aquele que o recebeu. Então, conhecerei como também sou conhecido. Anelo por esta Surpresa! Assim se tem que viver! Assim viveram os que um dia creram que o Fim dos Dias havia chegado; isto com bem menos razão para o fazerem do que nós temos hoje. Ainda vai rolar muita água debaixo da ponte, mas, levando-se em consideração apenas a História da Civilização Humana, eu diria que o fim está próximo; visto que se meu referencial fosse o do momento da Criação, eu diria: o mundo já acabou! Quer dizer: acabou de ser criado outra vez! O nome da Capital do Novo Mundo é Nova Jerusalém!

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  2. Caro Pr. Daniel,

    Obrigado por seu comentário.
    Estou orando por seu ministério em Petrolina!
    Abençoado sejam sua vida, família e ministério!

    Ildo

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  4. Lu Cartoon, pode escrever para o meu gmail: Ildomello

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  5. Olá Pastor. Li seus comentários e também discordo dos dispensacionalistas, quanto a precisar cronologicamente um tempo para a vinda de Cristo. Contudo, as Escrituras nos indicam muito claramente que estamos no tempo do fim e que o julgamento é iminente, embora não nos diga a duração desse tempo. O Senhor Jesus no sermão das oliveiras nos deixou clara a mensagem de que quando vermos os sinais acontecendo, devemos saber que sua vinda está às portas, ou seja, está iminente.O dia do Juízo final está iminente desde quando Cristo ascendeu aos céus. João Batista disse:E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo (Mt 3:10). Note, o machado já está posto, não será posto, já foi posto. O Juízo de Deus já se iniciou pela sua casa e isso é sinal do Juízo final iminente. Agora, se perguntarmos, quanto tempo irá durar os últimos dias, o tempo do fim no qual nós estamos? A resposta é que ninguém sabe, apenas Deus o Pai. Então, no sentido qualitativo a Sua vinda é iminente,mas do ponto de vista cronológico e quantitativo Sua vinda não é iminente.Portanto os sinais nos indicam que estamos no tempo do fim, mas não nos dizem quanto tempo ele durará. Em outras palavras, do ponto de vista de Deus seu juízo está as portas, é iminente; mas o homem, do seu ponto de vista cronológico, não tem como precisar a duração desse tempo de Deus. O fato de não sermos dispensacionalistas, doutrina a qual eu abomino, não pode cegar para fatos claramente revelados pelo nosso Senhor. Se não pudéssemos reconhecer os sinais dos tempos, jamis saberíamos que estamos no tempo do fim. Sabemos que estamos porque o Senhor nos disse quais são seus sinais, mas não nos foi revelado a duração desse tempo. Tenhamos isso em mente: O Senhor está a porta, mas não sabemos a hora em que Ele a abrirá.

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  6. O Senhor acredita que o anticristo aparecerá ainda na nossa geração?. O Senhor não acha que os G-8 e os BRICS que são os países emergentes estão montando o palco para o aparecimento dele?. Aguardo respostas, obrigado!

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