segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma pessoa divorciada precisa amar mais seus filhos do que odeia seu ex-cônjuge.

O divórcio não traz solução, pois gera inúmeros outros problemas. Ele produz inúmeras feridas difíceis de cicatrizar na vida de todos os envolvidos, principalmente dos filhos, que são suas maiores vítimas.

Uma pessoa divorciada precisa amar mais seus filhos do que odeia seu ex-cônjuge. Não contamine seus filhos com os seus ressentimentos. Não jogue seus filhos contra o seu ex-cônjuge, pelo contrário, colabore para que eles amem e respeitem o seu ex-cônjuge como pai ou mãe. Deixe claro para seus filhos que eles não são a causa da separação. Dedique tempo para estar com seus filhos, demonstrando amor e cuidado. 

Não fique remoendo o passado, reconheça os seus erros, confesse-os a Deus, receba o perdão e a orientação de Cristo, aprenda a lição, erga a cabeça e olhe para frente, pois, em Deus, temos muita vida e esperança. Tais medidas não resolvem a questão, mas ajudam a minimizar os danos e permitem um novo começar.


Bispo José Ildo Swartele de Mello

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Betel - Lugar de perdão e restauração



O significado de Betel na vida de Jacó.
A diferença entre Esaú e Jacó. Ambos eram netos de Abraão e herdeiros da promessa. Mas não basta ter o sangue de Abraão é preciso ter a fé de Abraão para tomar posse da mesma promessa. Esaú e Jacó eram pecadores, mas Esaú desprezava as coisas espirituais, enquanto Jacó as valorizava. Jacó se arrependia de seus pecados e encontrava perdão e restauração em Betel, casa de Deus. Há um bálsamo de cura em Gileade!

Qual é o seu nome?



Palestra do Bispo Ildo no retiro de casais da Imel de Mirandópolis 21Abr13, discorrendo sobre os erros de Isaque e Rebeca na criação de seus filhos Esaú e Jacó e as danosas consequências. Mostrando também como Jacó irá repetir o mesmo erro na criação de seus próprios filhos. Mas, em meio a tanta desgraça, há uma graça, um caminho de cura e restauração, que passa pela confissão de nossos pecados, humildade e abertura de coração para receber e oferecer perdão. A cura passa por Peniel!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fraternidade Wesleyana de Santidade em 18Abr13

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Líderes wesleyanos reunidos para orar e refletir sobre a doutrina de santidade e planejar ações conjuntas para espalhar a santidade bíblica pelo Brasil e por toda a terra.

Iniciamos com um delicioso café da manhã oferecido pela Metodista Wesleyana. Oramos em favor da Lucimar, esposa do Bispo Anderson Caleb que está hospitalizada. Os pastores Luiz, Eduardo e Yokimi da Holiness e o Pr. Fernando, superintendente da Concílio Sudeste da Igreja do Nazareno também justificaram suas ausências.

O Bispo Ildo Mello trouxe uma meditação baseada nos primeiros capítulos de seu livro: "Principados e Poderes" que será lançado no dia 22 de Maio na rua da Rosas, 445.

Tivemos um momento de compartilhamento e oração em grupos pequenos.

O Pr. Carlos Alberto Antunes compartilhou com propriedade como é que a doutrina de santidade tem sido articulada no contexto da Comunidade da Graça. Seguido por um debate em torno do assunto.

O Coronel David Bowles do Exército de Salvação falou sobre o projeto de evangelização para o período da Copa do Mundo.

O Bispo Adriel Maia compartilhou sobre os preparativos para a grande vigília do Coração Aquecido que acontecerá no dia 24 de Maio. das 22 às 5 da manhã na Catedral Metodista. Cada Igreja terá de 45 a 60 minutos para conduzir momentos de louvor, mensagem e oração. A ordem será a seguinte: 1) Metodista, 2) Metodista Wesleyana, 3) Exército de Salvação, (intervalo), 4) Holiness, 5) Nazareno e 6) Metodista Livre.

Fomos grandemente abençoados. Louvamos a Deus pela disposição e empenho de cada líder.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Em busca das mulas perdidas

Saul era um jovem de família humilde, quando se extraviaram as mulas de seu pai. Ele, como filho responsável e obediente, saiu para buscá-las. Tendo procurado muito, nada encontrou. As mulas eram muito preciosas para ele e sua família, pois delas dependiam para sobrevivência. Foi nesta procura que Saul acaba consultando o profeta Samuel, que lhe anuncia ter sido escolhido por Deus para ser o rei de Israel. Ele perdeu o que tanto buscava, mas acabou encontrando o reino com que nunca sequer sonhara.

Algumas breves considerações sobre este episódio narrado no capítulo 9 de 1 Samuel:

  1. Um grande homem se levanta a partir de um pequeno e modesto começo. E um grande evento surge de pequenas ocorrências. Saul foi fiel no pouco, portanto, sobre o muito foi colocado (Lc 19.17), não por obra do acaso, mas por obra e graça de Deus que tudo vê.
  2. Deus exalta os humildes (Pv 3.34);
  3. Devemos confiar na providência divina.
  4. Os planos e os caminhos e os pensamentos de Deus são muito mais elevados do que os nossos (Is 55.9)
  5. Muitos buscam a Deus para solução de seus problemas materiais e acabam encontrando em Deus coisas muito mais excelentes, como o Reino de Deus e a vida eterna.
  6. O triste é imaginar que os homens de Deus seriam muito mais procurados se a especialidade deles, em vez de salvar almas, fosse salvar mulas, tal é o cuidado dos homens pelas coisas materiais (1 Co 15.19). 
  7. Observa-se que, no final, as mulas também foram encontradas (10.2). Deus tem prazer em nos socorrer em nossas necessidades temporais, mas devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus (Mt 6.33). É até razoável a busca por tesouros terrenos enquanto não se conhece o supremo tesouro. Mas uma vez que nos deparamos com o inestimável tesouro, não pode haver lugar para outro em nosso coração (Mt 13.44; 6.21; Dt 6.5).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Importância das Células


Células - o que são?

A reunião de cristãos em pequenos grupos para comunhão, cuidado mútuo, estudo bíblico e oração com intuito de promover o crescimento espiritual de seus participantes e a evangelização de parentes e amigos.

Importância

Wesley preocupou-se com estruturas, buscou estruturas para evangelizar as massas e também para promover a santidade e o crescimento espiritual dos convertidos. Wesley pesquisou entre moravianos e pietistas. A questão chave para a edificação de uma Igreja com uma comunhão saudável que vive, nutre e reflete os valores do Reino de Deus foi, no movimento Wesleyano, o sistema de classes ou pequenos grupos de discipulado e santificação. O pequeno grupo é importante, pois transmite fé e não apenas conhecimento. Aprendemos muito mais através do convívio do que através da leitura. O poder da cultura é maior do que a força de nossa cosmovisão. O que significa que não adianta mudar nossa consciência, pois sozinha a consciência tende a sucumbir à cultura. E as células são o melhor ambiente para o desenvolvimento da cultura cristã, onde são nutridos os valores cristãos através da vivência comunitária dos princípios do Reino de Deus.

Não se deve desprezar o valor precioso papel destes pequenos grupos de apoio e cuidados mútuos, que promovem um ambiente acolhedor, solidário e favorável, para o desenvolvimento da cultura e dos valores do Reino de Deus, através também de uma série e salutar ordem disciplinar, com exortação em amor, oração em favor uns dos outros e estímulos mútuos para o desenvolvimento do caráter cristão pessoal e comunitário. O movimento wesleyano demonstrou o valor imprescindível de estruturas normativas para disciplina e missão, algo como um pacto de membros e supervisão dentro do grupo e de disciplina e supervisão do grupo e seus líderes ao grupo mais amplo da Igreja.

Líderes Leigos

As reuniões em grupos pequenos são também o melhor espaço para o exercício de dons e ministérios, favorecendo, assim, a formação e a multiplicação de novos líderes, células e igrejas.

A Reforma protestante ergueu a bandeira em defesa do sacerdócio universal de todos os crentes, mas foi no movimento wesleyano que vimos isto se dar na prática. Wesley, durante seu ministério, chegou à conclusão de que os leigos poderiam e deveriam exercer o ministério sacerdotal. Isto foi fundamental para o crescimento quantitativo e qualitativo do movimento wesleyano e para o sucesso de sua missão. Pois, para que a Igreja possa exercer sua missão de modo integral, é indispensável que a missão seja entendida como ministério de cada crente e não fique restrita a uma elite de obreiros ordenados.

A missão da Igreja, portanto, não deve ser encarada como privilégio de um pequeno grupo de ministros ordenados ou como algo destinado para aqueles que recebem um chamado para o campo missionário no exterior. O cristão é missionário por excelência, onde quer que esteja, e não um cliente dos produtos da fé. Todos os membros da Igreja, sem exceção, por terem sido integrados no corpo, receberam dons e ministérios. A função dos líderes maduros da Igreja é equipar homens e mulheres para a missão da Igreja no mundo. Pois a Igreja não existe como um fim em si mesma, mas existe para servir a Deus no mundo na proclamação e expansão do Evangelho do Reino de Deus, por palavras e boas obras, o que implica a participação ativa e construtiva de cada cristão, homens e mulheres, jovens e idosos, cultos e incultos, pobres e ricos...

O Papel do Líder

Tendo a célula um caráter bem comunitário e participativo, a função do líder é a de facilitador. Ele não precisa ser um exímio pregador e nem muito carismático, pois o seu papel não é o de centralizar as ações, mas o de facilitar a participação de todos. Para tanto, basta que seja um bom crente, consciente do valor dos grupos pequenos para a cura e o bem estar da alma humana. Assumindo o sério compromisso de devotar tempo e esforços para a constituição e continuidade do grupo. É muito importante também que seja uma pessoa ensinável e leal a Deus e a liderança da igreja, sempre disposta a aprimorar-se para melhor servir.


O papel do Anfitrião

A figura do anfitrião é vital para o sucesso da célula. Os donos da casa não devem se sentir na obrigação de prepararem lanche para os participantes das reuniões. O líder deve deixar claro que esta não é uma obrigação deles. De fato, a questão do lanche nem é um requisito essencial para a realização da célula. Mas, se o grupo fizer questão de um lanche, deve organizar-se de tal maneira a não onerar o anfitrião. Tal medida visa também encorajar que mais pessoas abram a porta de suas casas para as reuniões das células.


Discipulado e Evangelização


As células são excelentes para promover a comunhão e a edificação espiritual de seus participantes, como também para evangelizar os que estão separados de Deus e de Sua Igreja. Os sem igreja costumam ter mais simpatia por participar de uma reunião em uma casa do que em uma igreja. O ambiente aconchegante do lar e da célula favorecem a amizade e o entrosamento do visitante. Devemos convidar vizinhos, amigos e parentes para participarem das células. Devemos também acolher bem a todos os que visitam os cultos e programações da igreja. Eles merecem uma atenção especial de nossa parte para que se sintam amados e bem recebidos na igreja. Devemos facilitar a integração destes visitantes com os demais membros da igreja. Devemos fazer amizade com eles, ajudando-os a se enturmarem com outros membros da igreja. Devemos também aproveitar a oportunidade para convidá-los a participarem das células, observando que pessoas da mesma faixa etária tem mais facilidade de entrosamento.


O Perigo da Koinonite

Existe sempre o perigo da Koinonite, que é fazer da comunhão um fim em si mesma. Jesus conviveu por 3 anos com seus discípulos. E foi muito duro para eles quando Jesus disse que havia chegado o momento de partir. Os discípulos tornaram-se crentes maduros, e agora estavam aptos para formarem e liderarem novos grupos de cristãos. Tal separação foi vital para a multiplicação de novas células e igrejas. 

Formando e Multiplicando Líderes, Células e Igrejas

Não percamos jamais a visão missionária das células! Células saudáveis devem crescer, formar novos líderes e se multiplicarem. Líderes multiplicam líderes, células multiplicam células, e igrejas multiplicam igrejas. "Crescei e multiplicai-vos" (Gn 1.28 cf. Mt 28.18-20).



Estrutura Simples


Cada reunião das células deve possuir uma estrutura simples com duração de cerca de uma hora, composta por 3 blocos de aproximadamente de 20 minutos cada:

  1. O primeiro destina-se ao compartilhamento; (período em que as pessoas testemunham a respeito de seu desenvolvimento espiritual, vitórias, derrotas e desafios).
  2. O segundo ao estudo bíblico; (que deve ser baseado no sermão do domingo anterior. Não deve ser uma repetição do sermão e nem um palestra sobre o assunto. O dirigente deve atuar como um facilitador do debate em torno da mensagem. Deve ler o texto básico e apresentar um rápido resumo do que foi pregado, para depois ouvir o que as pessoas tem a dizer a respeito, levantando questões sobre como é que a mensagem tem afetado suas vidas. Ele não tem a obrigação de responder a questões difíceis. Estas devem ser encaminhadas aos pastores da igreja).
  3. E o terceiro e último é a oração. (Momento de carregarmos os fardos uns dos outros. Dependendo do tamanho do grupo, é aconselhável que haja uma divisão em grupos de 3 pessoas para que todos tenham tempo de compartilhar suas necessidades e orarem uns pelos outros).


Bispo José Ildo Swartele de Mello


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Jesus realmente disse que só a caridade salva?

Andam dizendo por aí que Jesus teria dito que só a caridade salva. Será? Qual é o ensino bíblico a este respeito? Pemita-me tentar esclarecer esta importante questão.

Primeiramente, é preciso reconhecer que Jesus jamais afirmou que "só a caridade salva". Não há registro disto na Bíblia. Pelo contrário, Jesus afirmou ser Ele o único caminho para a salvação eterna (João 14.6) e na Bíblia ainda lemos: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12).

Além disto, precisamos compreender o que é que Jesus entende por caridade. A caridade é muito mais do que a prática de boas ações. Jesus a define como amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, com toda a sua alma e com todo o entendimento e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22.36-38).

O problema não reside na caridade em si, mas em nós mesmos, por sermos pecadores, de modo que não conseguimos praticar a caridade de modo pleno e devido (Tiago 2.10 e Romanos 3.23; 6.23). Se as pessoas pudessem se salvar através das boas obras, Cristo não precisaria ter morrido na cruz para expiação dos pecados. E não precisaríamos dele como O Cordeiro de Deus para tirar os pecados do mundo (João 1.29).

O Apóstolo Paulo afirmou que a salvação não se dá através das obras de caridade para não fomentar o orgulho humano, mas, sim, por intermédio da fé em Jesus Cristo. E ele conclui, ensinando que as boas obras devem acontecer como alvo da salvação e não como meio de conquistá-la (Efésios 2.8-10). Portanto, devido a nossa natureza pecaminosa, as boas obras de caridade não produzem uma religião pura, mas é a religião pura que produz as boas obras (Tiago 1.27).

A salvação não é uma construção humana, tipo torre de Babel para ascender aos céus, mas uma dádiva divina que descende do céus (Tito 3.5 e Tiago 1.17). "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16).

Somos salvos pelo amor de Deus e não pelo nosso. Certamente, o amor de Deus gera muitos frutos de amor em nós mesmos. Nós amamos porque primeiramente Ele nos amou (1 João 4.19).

Jesus é o Salvador, pois o seu sangue nos purifica de todo o pecado (1 João 1.7). "Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1 João 1.9). Jesus não apenas perdoa, mas também nos capacita para a prática da caridade (João 15.5 e Gálatas 5.22). Jesus é o caminho da salvação e a fonte de toda a perfeita caridade, que é a fé que atua pelo amor (Gálatas 5.6).

Espero com isto ter contribuído para o entendimento do devido lugar da caridade na vida cristã, não como um meio de salvação, mas como produto e alvo de nossa salvação em Cristo.

No amor do Senhor,
Bispo José Ildo Swartele de Mello

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nota de Esclarecimento e Repúdio Quanto a Suposta Maldição sobre Negros e Africanos



A Aliança Evangélica vem a público para repudiar o uso inadequado das Escrituras Sagradas, a Bíblia, juntamente com as interpretações e afirmações daí decorrentes, especificamente as feitas quanto a supostas maldições existentes sobre africanos e negros.

Afirmações desta natureza são fruto de leitura mal feita de parágrafos bíblicos, tomados fora do seu contexto literário e teológico, que acabam por colaborar com os interesses de justificar pensamentos e práticas abusivas, contrárias ao espírito da Palavra de Deus, cujo foco está na Justiça, na Libertação e na promoção da Vida e Dignidade Humana.

O texto em questão, que tem servido de pretexto para declarações insustentáveis, tanto em púlpitos, redes sociais, na tribuna do Parlamento e até protocoladas junto à Justiça Federal, sob o manto da imunidade parlamentar, versa sobre o significado da passagem bíblica encontrada no Livro de Gênesis capítulo 9, versos 20 a 27.

Nessa passagem Noé, embriagado, despe-se e assim é surpreendido por seu filho Cam que, ao invés de manter a discrição e o respeito devidos ao pai, o anuncia aos seus irmãos; estes se recusam a ver o pai nesse estado e, sem olhar para ele, cobrem-no com uma manta. Desperto Noé, ao saber da postura de seu filho Cam, amaldiçoa seu neto Canaã, filho de Cam, destinando-lhe a servidão.

O equívoco em questão dá a entender que a maldição proferida pelo patriarca bíblico contra Canaã, seu neto e filho de Cam, atinge os seres humanos de tez negra que habitaram, originariamente, o continente africano, o que explicaria os vários infortúnios em sua história passada e presente, culminando no longo período em que foram feitos escravos no Ocidente; e que o ato de Cam em ver a nudez de seu pai, mais do que um desrespeito, indica um ato de violação sexual por parte de Cam.

Queremos salientar enfática e categoricamente:

  1. Primeiro, Cam teve outros filhos: Cuxe, Mizraim e Pute, e somente Canaã foi amaldiçoado.
  2. Segundo, embora o comportamento inadequado descrito no texto bíblico tenha sido o de Cam, filho de Noé, o objeto específico da maldição foi Canaã, o neto de Noé. [Segundo Orígines, um dos pais da Igreja, do sec. III, Canaã foi quem avisou seu pai sobre a situação do seu avô, publicando o que deveria ter mantido sob reserva]. Amaldiçoar, no senso bíblico, não determina a história, mas descreve a consequência da quebra dum princípio estabelecido pelo ato desrespeitoso; portanto, significa a percepção de efeitos e desdobramentos de um comportamento específico. Ou seja, a postura de Cam e de seu filho Canaã estabelece um padrão comportamental que resultaria numa situação de inversão paradoxal, onde alguns dentre os descendentes de Canaã se tornariam dominados e serviçais dos seus irmãos.
  3. Terceiro, Canaã, neto de Noé, foi habitar e estabeleceu-se na região a oeste do rio Jordão, até a costa do Mediterrâneo (sudoeste da Mesopotâmia), onde os descendentes de Canaã desenvolveram práticas absurdas, inclusive o sacrifício de crianças, e não no continente africano!
  4. Quarto, é de entendimento entre os teólogos especialistas no Velho Testamento que a maldição profética de Noé sobre Canaã foi cumprida quando da conquista da região povoada pelos descendentes de Canaã, os cananeus, por parte dos filhos de Jacó, sob o comando de Josué há mais de três milênios.
  5. Quinto, a maldição proferida sobre Canaã pelo seu avô Noé significou uma percepção e discernimento sobre uma tendência comportamental de um grupo humano, antevendo o resultado de uma corrupção cultural e civilizatória específica e localizada, e em consequente servidão, e de modo nenhum faz referência à cor da sua pele.
  6. Sexto, não há nada, absolutamente nada, nem neste texto bíblico em foco nem na Escritura como um todo, que indique qualquer maldição sobre negros e africanos, e muito menos algo que justifique a escravidão.
  7. Sétimo, o texto bíblico precisa ser lido em seu contexto imediato e considerado à luz da totalidade da Escritura, como saudáveis práticas de interpretação bíblica nos ensinam. De acordo com o próprio capítulo 9 de Gênesis, verso 1 e seguintes, é indicado que o desejo de Deus e sua promessa visam abençoar, dar vida, alimento e todo o necessário para o desenvolvimento de todos os descendentes de Noé, seus filhos e de toda a família humana. A declaração divina de abençoar a Noé e seus descendentes é firme e abrangente, e não pode ser contestada ou reduzida pela declaração relativa e descritiva de Noé a respeito de seu neto.
  8. Oitavo, Deus reafirma o desejo de abençoar a toda a humanidade, a todas as famílias da terra, raças e etnias no episódio descrito na sequência da narrativa bíblica, quando da vocação de Abrão (Genesis 12), intenção que tem seu ápice e culminância na pessoa, vida e ministério de Jesus e continuado em curso na Igreja. Em Cristo, toda maldição é destruída e uma Nova Criação é estabelecida, sendo chamados a participar deste novo concerto todas as nações, etnias, raças, povos e famílias de todas as terras e da Terra toda, sendo revogadas assim todas as maldições e oferecida salvação a todas as pessoas.
  9. Nono, a alegada violação sexual de Cam a Noé não é sustentada pelo texto. A citação do texto da lei de Moisés que chama a violação de descobrir a nudez não dá suporte a tal alegação, uma vez que os verbos usados são diferentes na raiz e no significado: no primeiro caso, trata-se de observação a distância; e, no segundo caso, trata-se de ato deliberado contra outrem.
  10. Décimo, toda vez, na história, que esse texto foi aventado a partir dessa hipótese vulgar, tratou-se de ato de má fé a serviço de interesses escusos, seja quando usado para justificar a escravidão de ameríndios no Brasil colonial, seja quando usado para justificar a escravidão dos africanos de tez negra, seja quando utilizado para a elaboração de sistemas legais de segregação social como o que ocorreu nos Estados Unidos, seja quando usado para justificar a política nefasta e mundialmente condenada do apartheid.

Tal leitura equivocada da Escritura corre o risco de ser vista como suspeita de esconder outros interesses de natureza política, econômica e de dominação social e religiosa. Não há nenhum apoio bíblico para defender qualquer maldição sobre negros ou africanos, que fazem parte, igualmente e em conjunto, da única família humana.

Lamentamos o equívoco provocado por tal vulgarização do texto bíblico, bem como a banalização quanto ao conteúdo de nossa fé, assim como repudiamos qualquer tentativa, intencional ou não, de uso inadequado do texto para quaisquer fins que não o de promover a vida, a libertação e a justiça, como a própria Escritura expressa muito bem.

Brasil, 07 de abril de 2013
Aliança Cristã Evangélica Brasileira

segunda-feira, 8 de abril de 2013

As Tentações do Caminho





As Tentações do Caminho

Representadas pelas tentações de quatro lugares terrenos: 1) Harã, 2) Egito, 3) Sodoma e 4) Tessalonica. Vejamos alguns exemplos dos perigos e tentações que podem nos levar a perecer no caminho.

1) O mundo exerce um forte fascínio sobre as pessoas. Até Abraão, que fora chamado por Deus para Canaã, foi tentado a ir para o Egito. Ainda bem que desistiu do Egito e foi para a Terra Prometida, porque, senão, aconteceria com ele o mesmo que sucedeu a seu pai, Tera, que também fora chamado por Deus para deixar Ur dos Caldeus e ir para as terras de Canaã. Por alguma razão que desconhecemos, Terá nunca chegou a Canaã, mas acabou ficando mesmo em Harã. Como disse, certa vez, o meu professor de seminário, Nivaldo Nassif: “as tentações do caminho podem nos fazer morar no caminho sem jamais chegarmos ao nosso destino”. A terra de Harã acabou seduzindo Tera que por lá ficou e morreu. "Tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; foram até Harã, onde ficaram. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã. (Gênesis 11:31-32)

2) Neste sentido temos ainda a mulher de Ló que, apegada as atrações de Sodoma e Gomorra, olhou para trás, desistindo do caminho de salvação, vindo a tornar-se em uma estátua sem vida de sal. O mundo promete muita vida, mas produz morte no final das contas. Tudo o que o diabo oferece através do mundo visa a nos separar do Deus da vida. "E a mulher de Ló olhou para trás e converteu- se numa estátua de sal. (Gênesis 19:26)

3) Lembremos também dos hebreus que morreram no deserto com saudades do Egito que, apesar do sofrimento da escravidão, também oferecia cebolas! Saíram do Egito, mas o Egito não saiu deles. Viviam olhando para trás com saudades do Egito, dos deuses e prazeres do Egito. Eles também não confiaram em Deus para enfrentar os gigantes de Canaã (Números 13.31-33).

4) E de Demas, que um dia fora um grande líder cristão que trabalhou ao lado do Apóstolo Paulo, apostatou-se da fé. "Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica" (2 Timóteo 4:10)

Conclusão:

Cuidado com as tentações do Caminho Espaçoso: "Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela, porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mateus 7.13-14). "Porque muitos são chamados, mas poucos os escolhidos" (Mateus 22.14). Cinco das Dez Virgens chegaram atrasadas para o casamento e ficaram do lado de fora (Mateus 25.1-13). "Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás" (Hebreus 4:1).

Harã, Sodoma, o Egito e Tessalônica possuem seus cativantes atrativos. O povo de Deus foi chamado para uma Canaã Espiritual, mas é constantemente tentado a ficar pelo caminho em Harã, a olhar para trás, a voltar para o Egito e a abandonar o caminho por amar o presente século. Por esta razão é que João nos exorta: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 João 2.15-17).

Cuidado!

Bispo José Ildo Swartele de Mello