quarta-feira, 31 de outubro de 2012

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O NOVO NASCIMENTO - “Importa-vos nascer outra vez”. (João 3.7)

O NOVO NASCIMENTO

 
1. SE QUAISQUER doutrinas, dentro do círculo do cristianismo, podem ser propriamente chamadas "fundamentais", estas serão, sem dúvida, duas: a doutrina da justificação e a do novo nascimento: a primeira relacionando-se com a grande obra que Deus faz por nós, perdoando nossos pecados; a última, referindo se à grande! Obra que Deus opera em nós, renovando-nos a natureza decaída. Quanto ao tempo, nenhuma delas tem a primazia: no momento em que somos justificados pela graça de Deus, pela redenção que há em Jesus, somos também "nascidos do Espírito"; mas, em urdem de pensamento, como é de uso expressar-se, a justificação precede ao novo nascimento. Primeiro, concebemos sua ira apartando-se de nós e depois seu Espírito operando em nossos corações.
2. Que importância enorme deve ter então, para todo filho do homem, o compreender profundamente essas doutrinas fundamentais! Partindo de uma perfeita compreensão disto, muitos homens excelentes têm escrito com abundância acerca da justificação, explanando cada ponto relativo a ela e abrindo as Escrituras que tratam do assunto. Muitos têm igualmente escrito sobre novo nascimento, e alguns deles com bastante largueza; mas ainda não tão claramente como se poderia desejar, nem de modo tão profundo e acurado: apresentam uma obscura, confusa versão do novo nascimento, ou uma versão leve e superficial. Parece, portanto, haver necessidade de uma completa e ao mesmo tempo clara definição do novo nascimento; uma definição que nos habilite a dar satisfatória resposta a estas três perguntas:
Primeiro – Por que precisamos nascer de novo? Qual é o fundamento da doutrina do novo nascimento? Segundo – Como podemos nascer de novo? Qual é a natureza do novo nascimento? E, terceiro – Para que devemos nascer de novo? Para que fim isto é necessário? Estas questões, com a assistência de Deus, pretendo responder breve e claramente, e depois acrescentar umas poucas inferências que naturalmente ocorram.


I


1. Primeiro – Por que precisamos nascer de novo? Qual é o fundamento da doutrina do novo nascimento?
Seu fundamento remonta tão longe e tão profundamente como à criação do mundo. Na descrição bíblica desse evento lemos: "E Deus", Deus Trino, "disse: façamos Q homem à nossa imagem e segundo nossa semelhança". Assim Deus criou o homem à sua própria imagem, à imagem de Deus o criou" (Gn 1.26,27) ; não meramente à suaimagem natural, um retrato de sua imortalidade; um ser espiritual, dotado de entendimento, liberdade de vontade e vários afetos; não meramente à sua imagem política, o governador deste mundo inferior, tendo "domínio sobre os peixes do mar e sobre toda a terra"; mas principalmente à sua imagem moral que, no dizer do apóstolo, é "justiça e verdadeira santidade" (Ef 4.24). Segundo essa imagem o homem foi feito. "Deus é amor": conseqüentemente, o homem, ao ser criado, estava cheio de amor, que era o único móvel de todas as suas disposições, pensamentos, palavras e aros. Deus é cheio de justiça, misericórdia e verdade: assim era o homem ao sair das mãos de seu Criador. Deus é imaculada pureza: e assim era o homem no começo, puro de toda mancha pecaminosa; de outro modo Deus não oteria achado, assim como a todas as demais obras de suas mãos, "muito bom" (Gn 1.31). Bom
não podia o homem ter sido, se não fosse limpo de pecado e cheio de Justiça e verdadeira santidade. Porque não há meio termo: se supusermos que uma pessoa Inteligente não ame a Deus, não seja justa e santa, necessariamente havemos de supor que essa pessoa não seja boa de modo nenhum, e ainda menos "muito boa".
2. Mas, embora tivesse sido o homem feito à imagem de Deus, ele não foi feito, todavia, imutável. Isto teria sido inconsistente com o estado de prova em que foi do agrado de Deus colocá-la, Foi criado com capacidade de permanecer de pé, e, no entanto, também sujeito a cair. E isto o próprio Deus lhe deu a conhecer e fez-lhe a tal propósito uma solene advertência. Não obstante, o homem não permaneceu em glória; caiu de sua alta condição. Ele "comeu da árvore a respeito da qual o Senhor lhe havia recomendado, dizendo: tu não comerás dela". Por esse ato voluntário de desobediência a seu Criador, por essa franca rebelião contra seu Soberano, o homem abertamente declarou que não mais queria que Deus o governasse; que desejava ser governado pela sua própria vontade, ê não pela vontade daquele que o criara; e que não pretendia buscar sua felicidade em Deus, mas no mundo, nas obras de suas mãos. Ora, Deus lhe havia dito antes: "No dia em que comeres" daquele fruto, "certamente morrerás". E a
palavra do Senhor não pode falhar. Conseqüentemente, naquele dia ele morreu: morreu para Deus – a mais tremenda de todas as mortes. Perdeu a vida de Deus: foi separado de Deus – e sua vida espiritual consistia precisamente nessa união. O corpo morre quando se separa da alma; morre a alma quando se separa de Deus. Mas essa separação de Deus Adão a experimentou no dia, na hora em que comeu do fruto proibido. E disso deu, prova imediata, mostrando pela sua conduta que o amor de Deus estava extinto em sua alma, a qual se encontrava agora "afastada da vida de Deus". Em troca, estava agora sob o temor servil, de modo que fugiu da presença do Senhor. Sim, tão pouco conservou do conhecimento daquele que enche o céu e a terra, que tentou "esconder-se do Senhor Deus em meio das árvores do jardim" (Gn 3.8): destarte havia ele perdida tanto o conhecimento como o amor de Deus, sem os quais a imagem de Deus não podia subsistir. Desta, portanto, foi ele privado ao mesmo tempo e tornou-se ímpio e infeliz. Em lugar da imagem de Deus, revestiu-se de orgulho e obstinação, verdadeira imagem do diabo; e de apetites e desejos sensuais, à semelhança dos brutos que perecem.
3. Se se disser: Mas aquela advertência – No dia em que comeres dela, certamente morrerás, refere-se à morte  temporal, e somente a esta, isto é, à morte do corpo" – responder-se-á de pronto: Afirmar isto é franca e palpavelmente tratar a Deus como mentiroso; asseverar que o Deus da verdade positivamente afirmava uma coisa contrária à verdade. Porque é evidente que Adão não morreu naquele sentido, "no dia em que comeu dela". Adão viveu, no sentido oposto a essa morte, por mais de novecentos anos. Assim, a expressão não pode ser entendida como morte corporal,. sem ofensa à veracidade de Deus. Deve, por tanto, ser entendida como morte espiritual, como a perda da vida e da imagem de Deus.
4. E em Adão todos morreram, toda a espécie humana, todos os filhos dos homens que então estavam nos lombos de Adão. A conseqüência natural disso é que todo descendente seu vem ao mundo espiritualmente morto, morto para Deus, totalmente morto – em pecados; inteiramente vazio da vida de Deus; destituído da imagem de Deus, de toda aquela justiça e santidade com que Adão fora criado. Em lugar disto, todo homem nascido no mundo traz agora a imagem do diabo, no orgulho e na obstinação; a imagem do animal, em apetites e desejos sensuais. Este é, pois, o fundamento do novo nascimento – a completa corrupção de nossa natureza. Daí é quê resulta que, sendo nascidos em pecado, precisamos "nascer de novo". Daí a necessidade de nascer do Espírito de Deus todo aquele que tenha nascido de mulher.


II


1. Mas, como pode o homem nascer de novo? Qual é a natureza do novo nascimento? Esta é a segunda questão – e questão da mais alta relevância que se possa imaginar. Não devemos, portanto, em tão
momentoso assunto, contentarmo-nos com um exame superficial; mas devemos examiná-la com todo o cuidado possível e ponderá-lo em nossos corações, até que plenamente compreendamos este ponto importante e vejamos claramente como podemos nascer outra vez.
2. Não que devamos esperar por alguma explanação minuciosa, filosófica, acerca da maneira por que isso se faz. Nosso Senhor suficientemente nos previne contra semelhante expectativa, através das palavras que imediatamente se seguem ao texto por meio delas lembrando a Nicodemos quão indiscutível é o fato, como qualquer outro que se verifica na marcha da natureza, e que, não obstante sua simplicidade, o homem mais sábio que haja debaixo do sol não é capaz de explicar satisfatoriamente. "O vento sopra onde quer" – não pelo teu poder ou sabedoria, "e ouves sua voz" – estás absolutamente certo, acima de qualquer dúvida, de que ele sopra; "mas não podes dizer de onde vem, nem para onde vai" – o modo preciso por que ele começa e termina, ergue-se e acalma-se, nenhum homem pode dizê-lo. "Assim é todo que é nascido do Espírito": podes estar tão absolutamente certo do fato, como do soprar do vento; mas o modo preciso por que isso se faz, como o Espírito Santo opera na alma, nem tu, nem o mais sábio dos filhos dos homens, será capaz de explicar.
3. Entretanto, basta a todo propósito racional e cristão que, sem descer a inquéritos curiosos, críticos, possamos dar um esquema claro e bíblico da natureza do novo nascimento. Isto satisfará a todo homem razoável, que somente deseje a salvação de sua alma. A expressão "nascer outra vez" não foi usada pela primeira vez por nosso Senhor em sua conversa com Nicodemos: era bem conhecida antes daquele tempo, e estava em uso comum entre os judeus ao tempo em que nosso Senhor apareceu em meio deles. Quando um pagão adulto se convencia de que a religião dos judeus era do Senhor e desejava unir-se a ela, era costume primeiro batizá-lo, antes que fosseadmitido à circuncisão. E quando era batizado dizia-se ter nascido outra vez oque queria dizer que, o que dantes era filho do diabo, era agora adotado na família de Deus e contado como um de seus filhos. Essa expressão, pois, que Nicodemos, sendo "mestre em Israel", devia ter bem compreendido, nosso Senhor emprega em conversa com ele; somente a emprega num sentido mais forte do que estava acostumado a ouvi-la. E esta podia ser a razão da pergunta: "Como pode ser isto?" O fato não se pode verificar literalmente: o homem não pode "entrar outra vez no ventre de sua mãe e nascer"; mas o fato pode verificar-se espiritualmente: o homem pode nascer de cima, nascer de
Deus, nascer do Espírito, o que tem analogia muito próxima com o nascimento natural.
4. Antes de a criancinha nascer neste mundo, ela tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve. Faz uso muito imperfeito de qualquer outro sentido. Não tem conhecimento de qualquer coisa do mundo nem tem qualquer  entendimento natural. A forma de existência que ela tem então riem podemos dar o nome de vida. Somente depois de nascido é que podemos dizer que o homem começa a viver. Porque, tão logo nasce, começa a ver a luz e os objetos com que esteja em contacto. Então se lhe abrem os ouvidos e ouve os sons que sucessivamente batem sobre eles. Ao mesmo tempo todos os outros órgãos dos sentidos começam a exercitar-se no campo apropriada a cada um. Ele próprio respira e vive de maneira totalmente diversa da vida que tivera até então. Como o paralelo exatamente se verifica em todos esses exemplos! Enquanto o homem se encontra no estado meramente natural, antes que seja nascido de Deus, possui, em sentido espiritual, olhos, e não vê; um espesso véu impenetrável estásobre eles. Possui ouvidos, mas, não ouve; é profundamente surdo a tudo que mais lhe interessa ouvir. Seus demais sentidos espirituais estão anulados e é o mesmo que se os não tivesse. Daí não ter conhecimento de Deus, nenhum contacto com Ele: o homem natural não se relaciona com Deus de modo nenhum. Não tem verdadeiro conhecimento das coisas de Deus, nem das coisas espirituais ou eternas; por isso, embora seja um homem vivo, é um cristão morto. Logo, porém, que é nascido de Deus há uma total mudança em todos aqueles pormenores. Os "olhos de seu entendimento são abertos" (tal é a linguagem do grande apóstolo); e Aquele que no passado "mandou a luz resplandecer das trevas, brilhando em seu coração, ele vê a luz da glória de Deus", seu glorioso amor, "na face de Jesus Cristo". Seus ouvidos sendo abertos, é agora capaz de ouvir a voz interior de Deus, dizendo: "Tem bom ânimo; teus pecados são-te perdoados"; "vai e não peques mais". Este é o sentido do que Deus fala em seu coração, embora, talvez, não naquelas mesmas palavras. Ele está pronto agora a ouvir seja o que for que seja do agrado "Daquele que ensina ao homem o conhecimento revelar-lhe de tempos em tempos. "Sente em seu coração", para usar a lin-guagem de nossa igreja, "a poderosa operação do Espírito de Deus", não num sentido grosseiro, carnal, como os homens do mundo estúpida e teimosamente deturpam a expressão, não obstante tenham sido repisadamente ensinados que queremos dizer, por aquelas palavras, nem mais nem menos do que isto: o homem sente, percebe interiormente, as graças que o Espírito de Deus opera em seu coração. Sente, é cônscio da"paz que excede a toda compreensão". Muitas vezes experimenta uma alegria em Deus que é "indizível e cheia de glória". Sente "o amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito Santo que lhe é dado"; e todos os seus sentidos espirituais são então exercitados em discernir o bem e o mal de ordem espiritual. Pelo uso deles, o homem diariamente cresce no conhecimento de Deus, de Jesus Cristo, a quem Ele enviou, e de todas as coisas pertinentes a seu reino interior. E agora pode propriamente dizer que vive: despertado por Deus mediante o Espírito, ele vive para Deus mediante Jesus Cristo. Vive a vida que o mundo não conhece, uma "vida que está: escondida com Cristo em Deus". Deus está constantemente bafejando, por assim dizer, a alma; e esta se acha respirando para Deus. A graça desce a seu coração e a oração e o louvor sobem ao céu: por este intercâmbio entre Deus e o homem, por esta comunhão com o Pai e o Filho, como por uma espécie de respiração espiritual, a vida de Deus se mantém na alma; e o filho de Deus cresce até chegar à "perfeita medida da estatura de Cristo".
5. Daí manifestamente ressalta qual seja a natureza do novo nascimento. É aquela grande mudança que Deus opera na alma, quando Ele chama-a para a vida, quando Ele levanta-a da morte do pecado para a vida da justiça. É a mudança operado em toda a alma pelo poderoso Espírito de Deus, quando ela é "criada de novo em Cristo Jesus", quando é "renovada segundo a imagem de Deus, em justiça e verdadeira santidade"; quando o amor do mundo se muda em amor de Deus, o orgulho em humildade, a impetuosidade em mansidão; o ódio, a inveja, a malícia num sincero, terno e desinteressado amor a toda, a humanidade. O novo nascimento é, numa palavra, aquela mudança pela qual a mente terrena, sensual e diabólica se transforma na "mente que havia em Cristo Jesus". Esta é a natureza do novo nascimento: "assim é todo aquele que é nascido do Espírito".


III


A quem tenha considerado essas coisas não é difícil perceber a necessidade do novo nascimento e responder à terceira pergunta. Para que fim é necessário nascer de novo? Mui facilmente se compreende que isto é necessário, primeiro, à santidade. Que é santidade, segundo os Oráculos de Deus? Não é uma religião meramente exterior, um amontoado de obrigações externas, qualquer que seja o número delas e qualquer que seja a exatidão com que sejam cumpridas. Não: a santidade evangélica não é menos do que a imagem de Deus impressa sobre o coração; não é outra coisa senão toda a mente que havia em Cristo Jesus; consta de todos os afetos e disposições celestiais fundidos num só. Implica num tal amor, contínuo e agradecido, Aquele que não nos ocultou seu Filho, seu Único Filho, de modo a tornar natural, de maneira imperativa, o amor a todos os filhos dos homens, à medida que nos enche "de coração misericordioso, ternura, doçura e longanimidade". É um tal amor de Deus que nos ensina a sermos inculpáveis em toda maneira de conversação; que nos habilita a apresentarmos nossas almas e corpos, tudo que somos e tudo quanto temos, todos os nossos pensamentos, palavras e ações, como um contínuo sacrifício a Deus, aceitável através de Cristo Jesus. Ora, esta santidade não pode existir enquanto não formos renovados na imagem de nossa mente. Não pode começar na alma enquanto não for operada aquela mudança; até que, revestidos do poder do Altíssimo, formos tirados "das trevas para a luz, do poder de Satanás para o poder de Deus", isto é, até que tenhamos nascido de novo; o que é, portanto, absolutamente necessário à santidade.
2. Mas, "sem santidade ninguém verá ao Senhor", ninguém verá a face de Deus em glória. Em conseqüência, o novo nascimento é absolutamente necessário à eterna salvação. Os homens podem na verdade lisonjear-se (tão desesperadamente mau e tão enganoso é o coração do homem!) na esperança de que possam viver em seus pecados, até chegarem ao último suspiro, e ainda depois viverem com Deus; e milhares realmente crêem que encontraram uma estrada larga que não leva à perdição. "Que perigo", dizem eles, "pode correr a mulher, com aquele que é tão sem maldade e tão virtuoso? Que perigo há que homem tão honesto, de tão rigorosa moral, possa perder o céu; especialmente se, sobre e acima de tudo isso, freqüenta a igreja e os sacramentos?" Um desses perguntará com toda a segurança: "Quê! não faço tanto bem como meu próximo?" Sim, tanto bem como teu próximo ímpio; tanto bem como teu próximo que morre em seus pecados! Na verdade, descereis todos ao abismo, ao mais profundo inferno! Todos vos reunireis no lago de fogo; no "lago de fogo que arde com enxofre". Então, afinal, vereis (conceda-vos Deus que possais vê-la antes!) a falta que faz à glória a santidade, e, conseqüentemente, a falta do novo nascimento, uma vez que ninguém pode ser santo, a não ser que seja nascido de novo.
3. Pela mesma razão, ninguém pode ser feliz, mesmo neste mundo, se não nascer de novo. Porque não é possível, pela própria natureza das coisas, que seja feliz o homem que não é santo. Mesmo o pobre, ímpio poeta, podia dizer-nos: Nemo malus felix: "Nenhum mau é feliz." A razão é clara: todas as inclinações ímpias são inclinações desagradáveis: não só, a malícia, o ódio, a inveja, o ciúme, a vingança, criam um inferno presente na consciência, mas ainda as paixões mais brandas, se não forem mantidas dentro dos devidos limites, darão mil, vezes mais dores do que prazeres. Mesmo a "esperança", quando "adiada" (e quão freqüentemente deve isto acontecer!) – "torna o coração enfermo"; e todo desejo que não seja conforme à vontade de Deus, pode "traspassar-nos de muitas dores". Todas aquelas fontes gerais de pecado – o orgulho, a obstinação e a idolatria – são, à medida que predominam, fontes gerais de miséria. Portanto, enquanto elas reinarem na alma, nesta não terá lugar a felicidade. Mas esses males devem dominar, até que as tendências de nossa natureza sejam mudadas, isto é, até que tenham nascido de
novo; conseqüentemente, o novo nascimento é absolutamente necessário não só à felicidade neste mundo, como à felicidade no mundo vindouro.


IV


Propus-me aduzir, em último lugar, umas poucas inferências, que naturalmente decorrem das precedentes
observações.
1. E, primeiro, observe-se que o batismo não é o novo nascimento: eles não são uma e a mesma coisa. Muitos, em verdade, parece imaginarem que são justamente a mesma coisa; pelo menos falam como se pensassem assim; mas não me consta que essa opinião seja abertamente sustentada por qualquer denominação cristã. Certamente que não o é por nenhuma dentro destes reinos, seja da igreja estabelecida ou dos dissidentes desta. A opinião dos últimos vem claramente exposta em seu Catecismo Maior : "P. Quais são as partes de um sacramento? R. As partes de um sacramento são duas: uma consiste no sinal externo e sensível; a outra na graça interior e espiritual, por aquele sinal simbolizada. – P. Que é o batismo? R. O batismo é um sacramento, no qual Cristo ordenou a lavagem com água como sinal e selo da regeneração por seu Espírito." Ai é manifesto que o batismo, osinal, é mencionado como ato distinto da regeneração, que é a coisa significada. No catecismo de nossa igreja se declara, igualmente, a opinião desta com a maior clareza: "P. Que queres dizer pela palavra sacramento? R. Quero dizer um sinal exterior e visível de uma graça interior e espiritual. – P. Qual é a parte exterior ou;" forma no batismo? R. A água, com a qual a pessoa é batizada em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. – P. Qual é a parte interior, ou a coisa significada? R. A morte ao pecado e o novo nascimento para a justiça." Nada, portanto, é mais claro do que, segundo a igreja da Inglaterra, não ser o batismo o novo nascimento.
Mas, na realidade, a razão do que se afirma é tão clara e evidente, que não necessita do abono de nenhuma outra autoridade. Porque, que pode haver de mais óbvio, do que ser um a obra exterior e outro a obra interna; que um é visível e o outro invisível e, portanto, inteiramente diferentes entre si? – um sendo ato do homem, purificando o corpo; o outro uma mu-dança operada por Deus na alma, de modo que a primeira é tão distinguível da segunda como a alma do corpo ou a água do Espírito Santo.
2. Das reflexões precedentes podemos, em segundo lugar, observar que o novo nascimento não é o mesmo que o batismo, de modo que nem sempre acompanha o batismo: eles não vão necessariamente juntos. Um homem pode possivelmente ser "nascido da água" e contudo não ser "nascido do Espírito". Pode haver algumas vezes o sinal exterior onde não exista a graça interior. Não falo agora acerca das crianças: é certo que nossa igreja supõe que todos os que são batizados na infância são ao mesmo tempo nascidos de novo: e admite-se que o ritual do batismo de crianças procede daquela suposição. Nem constitui objeção de peso o fato de não podermos compreender como se opera essa obra nas crianças, porque nem podemos compreender como se opera tal obra numa pessoa de idademais madura. Mas, qualquer que seja o caso em referência às crianças, é certo que todos os que são batizados em idade adulta não são ao mesmo tempo nascidos de novo. "A árvore é conhecida por seus frutos." E destes resulta
demasiadamente claro para ser negado que vários dos que eram filhos do diabo antes que fossem batizados, continuaram na mesma condição depois do batismo; "porque fazem as obras de seu pai": continuam como servos do pecado, sem qualquer pretensão à santidade, seja interior ou exterior.
3. Uma terceira inferência que podemos tirar do que já se observou, é que o novo nascimento não é a mesma coisa que a santificação. Isto é na verdade, tido como certo por muitos; principalmente por um eminente escritor, em seu recente tratado sobre "A Natureza e os Fundamentos da Regeneração Cristã". Pondo de parte várias outras objeções de peso que se poderiam fazer àquele tratado, esta é palpável: O tratado, através de todas as suas páginas, fala .da regeneração como de uma obra progressiva, realizada na alma a passos vagarosos, a partir da época em que primeiro nos voltamos para Deus. Isto é inegavelmente verdadeiro quanto à santificação, mas não é verdade quanto à regeneração, ao novo nascimento. Esta é uma parte da santificação, não toda ela; é uma porta para ela, uma entrada para ela. Quando nascemos de novo, então nossa santificação, nossa santidade interior e exterior, começa; e daí por diante gradualmente "crescemos naquele que é nosso Cabeça", Esta expressão do apóstolo admiravelmente ilustra a diferença que há entre uma e outra, e ainda aponta a exata analogia existente entre as coisas naturais eas coisas espirituais. A criança nasce num momento, ou pelo menos em muito curto espaço de tempo: ela depois gradual e vagarosamente cresce, até atingir à estatura de um homem. De modo semelhante um filho nasce de Deus num curto tempo, senão num momento. Mas é por degraus vagarosos que ele depois cresce à medida da perfeita estatura de Cristo. A mesma relação, portanto, que há entre nosso nascimento natural e nosso crescimento, há também entre nosso novo nascimento e nossa santificação.
4. Mais um ponto podemos aprender das observações precedentes, mas é um ponto de tão grande importância, que torna perdoável sua mais cuidadosa e mais extensa consideração. Que deve alguém que ama as almas e sente-se compungido ante o fato de que pereça alguma delas, dizer a quem ele veja quebrando o domingo, ou em embriaguez, ou em qualquer outro pecado voluntário? Que pode ele quiser, se as precedentes observações forem verdadeiras, senão isto: "Deves nascer de novo"? "Não" – diz o homem zeloso – "isto não pode ser; como podes falar assim, descaridosamente, ao homem? Não já foi ele batizado? Não pode agora nascer outra vez!" Não pode ele, nascer outra vez? Afirmas isto? Então ele não pode ser salvo. Embora seja tão velho quanto o era Nicodemos, "se não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Portanto, dizendo tu: "Ele não pode nascer de novo", tu de fato o entregas à perdição. E onde agora está a falta de caridade? De meu lado ou do teu? Eu digo: ele precisa nascer outra vez e tornar-se deste modo herdeiro da salvação. Tu dizes: "Ele não pode nascer de novo": e, se assim for, deve inevitavelmente perecer! Assim obstruis inteiramente seu caminho rumo à salvação, e o envias ao inferno
por simples caridade! Mas talvez o próprio pecador, a quem, por verdadeira caridade, dizemos: "Tens necessidade de nascer de novo", tenha sido industriado a replicar: "Desafio vossa nova doutrina; não pre-ciso nascer de novo: nasci outra vez quando fui batizado. Pretenderíeis então negar meu batismo?" Respondo, primeiro, que nada há debaixo do céu que possa desculpar a mentira; se assim não fosse: eu diria a um tão ostensivo pecador: "Se foste batizado, não o proclames. Porque, quão profundamente isto te agrava a culpa! Como te aumentará a condenação! Foste dedicado a Deus ao oitavo dia de vida, e passaste todos esses anos a dedicar-te ao diabo? Foste, antes mesmo que tivesses uso da razão, consagrado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo – e desde que alcançaste o uso da razão fugiste
da face de Deus e te consagraste a Satanás? A abominação da desolação – o amor do mundo, o orgulho, a ira, a cobiça, os desejos insensatos e todo o cortejo de afeições vis – não está onde não deveria estar? Entronizaste todas essas coisas malditas naquela alma que uma vez foi templo do Espírito Santo, separada para ser "habitação de Deus através do Espírito Santo"; sim, dada solenemente a Ele? E ajuda te glorias nisto, no fato de teres uma vez pertencido a Deus? Oh! Envergonha-te! Cora-te! Esconde-te no centro da terra! Nunca mais te gabes daquilo que devia encher-te de confusão, que devia envergonhar-te diante de Deus e diante dos homens!" Respondo, em segundo lugar: Tu já negaste teu batismo, e isto da maneira mais completa. Negaste-o mil e mil vezes, e ainda o fazes dia após dia. Porque no ato de teu batismo renunciaste ao diabo e a todas as suas obras. Toda vez, pois, que outra vez dás lugar a ele, toda vez que praticas alguma obra .do diabo, estás negando teu batismo. Deste modo tu o negas através de cada pecado voluntário, de cada ato de impurezas, bebedice ou vingança; de cada palavra obscena ou profana; de cada juramento que saia de teus lábios. Toda vez que profanas o dia do Senhor, negas teu batismo; sim, tu o negas toda vez que fazes a outrem aquilo que não quererias que te fizessem. Respondo, em terceiro lugar:
sejas batizado Ou não, "precisas nascer de novo"; de outro modo não é possível que sejas interiormente santo, e sem santidade interna e externa não podes ser feliz, nem neste mundo e menos ainda no mundo vindouro. Dizes: . "Pois não; mas eu não faço mal a ninguém; sou honesto e justo em todo: os meus atos: não praguejo e não tomo o nome do Senhor em vão; não calunio a meu próximo nem vivo em qualquer pecado voluntário!" Se assim é, mui para desejar é que todos os homens cheguem até onde chegaste. Mas deves ir ainda mais longe, ou não serás salvo: ainda "te é necessário nascer de novo". Acrescentas: "Vou ainda mais longe: porque não somente não faço mal, mas faço todo bem que posso". Duvido disso: temo que tenhas tido um milhar de oportunidades de fazer o bem e tenhas passado por elas sem as aproveitar, sendo, por esta causa, responsável diante de Deus. Mas, se tens aproveitado todas elas, se realmente tens feito todo o bem que terias possibilidade de fazer a todos os homens, ainda isto de modo algum altera o caso: ainda "te é necessário nascer de novo". Sem isto coisa alguma fará qualquer benefício à tua pobre alma poluída e pecaminosa. "Não, mas eu constantemente cumpro as ordenanças de Deus: apego-me à minha igreja e ao sacramento." Boa coisa fazes, mas tudo isso não te livrará do inferno, a não ser que sejas nascido de novo. Ir à igreja duas vezes por dia; ir à mesa do Senhor todas as semanas; fazer sempre
muita oração em particular; ouvir sempre sermões muito bons; ler muitoslivros devotos... ainda "te é necessário nascer de novo". Nenhuma daquelas coisas substituirá o novo nascimento; não, coisa alguma há debaixo do céu. Seja, pois, esta tua contínua oração, se já não experimentaste aquela graça interior de Deus: "Senhor, adiciona esta a todas as tuas bênçãos: permite-me nascer de novo! Nega-me tudo quanto for de teu agrado negar-me, mas não me negues isto: permite-me ser nascido de cima! Retira-me o que quer que te pareça bem retirar-me – reputação, fortuna, amigos, saúde – e dá-me somente isto: ser nascido do Espírito, ser contado entre os filhos de Deus! Permite-me nascer, não de semente corruptível, mas incorruptível, pela palavra de Deus, que vive e permanece para sempre; e então deixa-me diariamente crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador JesusCristo!"

 John Wesley


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Pesquisa revela que uma grande porcentagem de pentecostais nunca falou em línguas

Pesquisa realizada em 10 países pelo Washington-based Pew Forum on Religion and Public Life revela que uma grande porcentagem de pentecostais nunca falou em línguas. Na tabela abaixo, temos o resultado da pesquisa por cada país, cuja pergunta era com qual frequência as pessoas falavam em línguas, sendo que o primeiro resultado mostra a porcentagem daqueles que falam em línguas regularmente e a última coluna apresenta a porcentagem daqueles que nunca falaram em línguas entre pentecostais e carismáticos. No Brasil, por exemplo, 50% dos pentecostais jamais falaram em línguas e entre os carismáticos a porcentagem é impressionantemente maior: 84%!

Spirit and Power: A 10-Country Survey of Pentecostals - Página 17

Esta pesquisa apenas confirma o ensino do Apóstolo Paulo de que o dom de línguas não é um dom oferecido a todos os crentes. "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo" (1 Co 12:4). Paulo pergunta: "Falam todos em outras línguas?" (1 Co 12.30). A resposta obviamente é não, pois esta pergunta está atrelada a uma série de perguntas retóricas cuja resposta para cada uma delas é também um sonoro "não"! (1 Co 12.29-30). 

No mesmo capítulo em que Paulo ensina que nem todos falam em línguas, ele também afirma que todos da igreja de Corinto, sem exceção, foram batizados em um só Espírito no Corpo de Cristo (1 Co 12.13). Todos foram batizados com o Espírito Santo, mas nem todos falaram em línguas (1 Co 12.30). Não deveria haver divisão na igreja por causa dos dons. Ninguém deve ser desprezado por não possuir determinado dom. E ninguém deve se sentir diminuído por não falar em línguas. Pois, não importa que dom a pessoa recebeu, porque o importante é saber que o mesmo Espírito é a fonte de todos os dons. “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12:4). “Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?” (1 Co 12:15). “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12:11).

No dia de Pentecostes, existe dois grupos de pessoas que receberam o Dom do Espírito. O primeiro grupo é composto pelos 120 discípulos que estavam orando no cenáculo, sobre eles veio o Espírito Santo que se manifestou através de 3 sinais maravilhosos que jamais foram repetidos: 1) foi ouvido um som como de um vento impetuoso, 2) foram vistas línguas como de fogo pousando sobre a cabeça de cada pessoa ali presente e, 3) todos passaram a falar em outros idiomas, ou seja, em línguas estrangeiras, tanto que, ao saírem do cenáculo, tais idiomas foram compreendidos por pessoas provenientes de distintas partes do mundo. Há ainda outro grupo de discípulos, os 3 mil, que se converteram e que também foram batizados com o Espírito, mas nada é dito sobre terem falado em línguas, ou sobre ter sido ouvido um barulho como de um vento impetuoso, ou ainda sobre terem sido vistas labaredas de fogo pousando sobre as cabeças no momento do Batismo. Mas outros sinais são mencionados como características da presença e ação do Espírito Santo, tais como perseverança na sã doutrina, comunhão em amor, singeleza de coração e evangelização. Tais sinais, sim, devem estar presentes na vida cristã cheia do Espírito (At 2.42.47).

É errado concluir que o dom de línguas seja o dom sinal do batismo com Espírito Santo baseado no Livro de Atos que é um livro histórico e não doutrinário. A experiência de um ou outro não deve ser tomada como uma norma para todos os demais.

Quando em Atos lemos que pessoas falaram em línguas no momento de seu batismo com o Espírito Santo, deve-se observar tratarem-se sempre de grupos novos que precisaram de uma manifestação desta natureza para que viessem a ser reconhecidos como cristãos pelos apóstolos e demais líderes da igreja que, naquele período, em sua totalidade, eram judeus e não possuíam ainda um conceito claro do caráter universal da Igreja. Por esta razão, foi que Felipe, o diácono, não batizou os samaritanos convertidos, mas mandou chamar os apóstolos para que eles pudessem testificar com seu próprios olhos que o Espírito do Senhor estava regenerando também os samaritanos. O mesmo se deu com Pedro na casa de Cornélio, o romano. Deus precisou ser bem incisivo para que Pedro superasse todos os seus preconceitos contra os gentios, e fosse visitar a casa de um romano como Cornélio. Lembremos também que Pedro teve que se explicar muito diante dos demais apóstolos que o inquiriram a respeito de um fato tão inusitado e contrário a lei judaica. O fato de Cornélio ter falado em línguas serviu como argumento favorável de que o Evangelho era também para os gentios!

Algo ainda a ser considerado é que cristãos valorosos, que demonstraram sinais evidentes da plenitude do Espírito Santo, jamais falaram em línguas, entre eles: Lutero, Knox, Calvino, John Wesley,  George Whitefield, Charles Haddon Spurgeon, Dwight L. Moody, John R. Rice, Jack Hyles, F.B. Meyer's, Reuben Archer Torrey, Billy Sunday e Billy Graham. Como disse Jesus: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.20). Pelos frutos e não pelos dons.

Bispo José Ildo Swartele de Mello


Desejando saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura dos seguintes estudos, que podem ser encontrados nos links abaixo:

Batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas

5 Lições sobre os dons do Espírito Santo 

Batizados com água e com fogo!




Batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas

Batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

Quanto ao Batismo com o Espírito Santo e ao dom de línguas há grande controvérsia devido à ignorância que já era comum mesmo nos dias do Novo Testamento (1 Co 12.1). À luz da Bíblia, vamos primeiramente analisar o batismo com o Espírito Santo para depois estudarmos a questão do dom de línguas.


Sobre o Batismo com o Espírito Santo

O Apóstolo Paulo ensina que há um só batismo cristão (Ef 4.5). Existiam outros batismos praticados por judeus na época do Novo Testamento, como o de João, mas que não se enquadram na categoria de batismo cristão. Não devemos confundir o batismo de João com o batismo cristão. A igreja cristã não pratica o batismo de João, mas apenas o único batismo cristão que é o do Senhor Jesus Cristo. De modo que os discípulos de João, quando aceitavam a Cristo, precisavam ser novamente batizados em nome do Senhor Jesus: “Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus” (At 19.3-5).

Quais seriam as diferanças entre o batismo de João e o de Jesus? 

O Próprio João Batista chamou à atenção para algumas diferenças: "Eu vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11). Isto nos faz lembrar de uma das frases que Jesus disse a Nicodemos: "... Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3.5). O elemento distintivo do batismo cristão é a "Promessa do Pai" (At 2.39), é o dom do Espírito Santo que regenera o homem (Tt 3.5), capacitando-o a viver a vida cristã e a ser testemunha de Cristo (At 1.8). Toda a vida cristã é mediada pelo Espírito, desde a conversão até a ressurreição. A obra do Espírito se faz presente muito antes de nossa percepção dela. É o Espírito Santo que nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), e é o próprio Espírito que promove a regeneração (Jo 3), de modo que somos feitos novas criaturas habitadas e movidas pelo Espírito de Deus. Tito diz que nossa salvação é obra do Espírito Santo que foi derramado abundantemente sobre nós no momento de nossa regeneração: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas por sua graça ele nos salvou, pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo que ele derramou abundantemente sobre nós...” (Tt 3.5-6a) As virtudes cristãs são denominadas frutos do Espírito (Gl 5 e 6), pois sem Jesus nada podemos fazer (Jo 15.5).

Portanto, a vida cristã é uma vida gerada pelo Espírito para ser vivida no poder deste mesmo Espírito: "Se vivemos pelo Espírito, andemos também no Espírito". É pelo Espírito Santo que somos habilitados a reconhecer e confessar que Jesus é Senhor (1 Co 12.1), e é também nele que os cristão são batizados no corpo de Cristo (1 Co 12.13). "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dEle" (Rm 8.9). É o Espírito Santo que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16; Gl 4.5-6). 

Para o Apóstolo Paulo, as expressões "estar em Cristo" e "estar no Espírito" são sinônimas (Rm 8.1,9,10). Ele também não vê nenhum problema em denominar o Espírito Santo de "Espírito de Deus" e de "Espírito de Cristo", isto no mesmo versículo (Rm 8.9). Sua concepção da trindade é bem desenvolvida. Não se pode separar Cristo do Espírito Santo. Pois o Espírito Santo e Jesus Cristo são simplesmente inseparáveis (Rm 8.9-10; 2 Co 3.17). Quem recebe a Jesus, recebe o Espírito Santo.

 O batismo cristão é feito "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19). A Bíblia ensina que os cristãos são templos do Espírito (1 Co 6.19). Jesus disse que os crentes não ficariam órfãos (Jo 14.18), Ele disse que estaria sempre com eles até a consumação dos séculos (Mt 28.20). Jesus afirmou que o Pai e Ele viriam e fariam morada nos cristãos (Jo 14.23). Paulo ensina que isto se dá através do Espírito: “no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2.22). E Jesus cumpre a Sua promessa enviando o Consolador: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre conosco" (Jo 14.16).

Portanto, não existem dois batismos cristãos, um nas águas e outro com o Espírito. O batismo de Jesus inclui a ambos, ou seja, implica no lavar regenerador da água e do Espírito Santo (Tt 3.5). Não devemos também confundir o batismo com Espírito Santo com a plenitude do Espírito. Pois batismo só existe um (Ef 4.5) e a plenitude pode ser experimentada em diversas ocasiões da vida (Ef 5.18). Alguém pode facilmente cometer o equivoco de denominar de Batismo com Espirito Santo uma autêntica experiência de plenitude do Espírito tida num momento posterior a sua conversão, onde dons também podem ter sido comunicados. A mudança de nomenclatura não altera o valor da experiência, que permanece preciosa para o indivíduo.

Depois de Pentecostes, não encontramos nenhuma exortação para que cristãos busquem o batismo com Espírito Santo, mas encontramos algumas passagens que exortam os cristãos a se encherem do Espírito (Ef. 5.18; Gl 5.16; 1 Ts 5.19; Ef 4.30). Os apóstolos não exortavam os cristãos a buscarem o batismo com o Espírito Santo, pois era inconcebível a ideia da existência de um cristão sem o Espírito de Deus (Rm 8.9). O cristão é filho de Deus e não existe filiação parcial, pois a graça é total. Não há cristãos pela metade, mas completos, tornados justos pela obra de Jesus e incorporados na comunhão dos santos, desfrutando de todos as bênçãos e privilégios do Evangelho. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Ef 1:3)!

Sobre o dom de línguas

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. (1 Co 12:1)

Não tem base bíblica os que ensinam que os dons do Espírito eram apenas para o período apostólico visando o estabelecimento da igreja, pois a Bíblia ensina que os dons existem para a expansão e edificação do Corpo de Cristo, como diz Paulo em 1 Coríntios 14:12: "Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja". E a edificação da igreja é um processo contínuo até a Segunda Vinda de Cristo.

Por outro lado, os pentecostais estão equivocados quando ensinam que o dom de línguas é o dom sinal do batismo com Espírito Santo, pois eles próprios não possuem os dons e sinais manifestados no dia de Pentecostes. Sim, não possuem os mesmos sinais do Pentecostes, pois no momento do derramamento do Espírito sobre os 120 cristãos que estavam reunidos no cenáculo, foi ouvido um som como de um vento impetuoso, foram vistas línguas como de fogo pousando sobre a cabeça de cada pessoa ali presente e, por fim, todos passaram a falar em outros idiomas, ou seja, em línguas estrangeiras, tanto que, ao saírem do cenáculo, tais idiomas foram compreendidos por pessoas provenientes de distintas partes do mundo.

No dia de Pentecostes, nasce a Igreja, falando todas as línguas para alcançar todos os povos, melhor que isto, todos os estrangeiros ali presentes entendiam a mensagem em sua própria língua materna, o que denota um fenômeno reverso daquele da Torre de Babel. Sinal dos Tempos! Sinal da vocação universal da Igreja. As nações originadas e dividas na maldição de Babel (Gn 11), são benditas através do descendente de Abrão (Gn 12), Jesus Cristo, o Rei das Nações, que promove entendimento, unidade e paz.

Portanto, estes 3 sinais existiram como um marco histórico do cumprimento da promessa do derramamento do Espírito e do nascimento da Igreja. Podemos afirmar que tais sinais foram e permanecem inéditos. Jamais se teve notícia de que tenham sido reproduzidos do modo como aconteceu em Pentecostes.

No entanto, em Atos 2, existe ainda outro grupo de discípulos, os 3 mil, que se converteram e que também foram batizados com o Espírito, mas nada é dito sobre terem falado em línguas, ou sobre ter sido ouvido um barulho como de um vento impetuoso, ou ainda sobre terem sido vistas labaredas de fogo pousando sobre as cabeças no momento do Batismo. Mas outros sinais são mencionados como características da presença e ação do Espírito Santo, tais como perseverança na sã doutrina, comunhão em amor, singeleza de coração e evangelização. Tais sinais, sim, devem estar presentes na vida cristã cheia do Espírito.

Existe também no Novo Testamento a referência a outra espécie de dom de línguas, distinta do fenômeno de Atos 2. Paulo menciona o dom de falar línguas estranhas, talvez angelicais (1 Co 13.1), que necessitam o dom espiritual de interpretação para serem compreendidas (1 Co 12-14). Mas Paulo é claro ao dizer que este dom de falar em línguas estranhas, assim como outros dons ali mencionados, não são para todos os crentes, ou seja, nem todos falam em outras línguas. Veja a série de perguntas retóricas que ele faz em 1 Coríntios 12:30: “Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” Obviamente que, para cada uma destas perguntas, a resposta é a mesma, ou seja, não! Não, nem todos tem o dom de curar. Não, nem todos falam em outras línguas. Não, nem todos tem o dom de interpretar Sendo assim, já que nem todos falam em línguas, como pode subsistir o ensino de que falar em línguas é o indispensável sinal do Batismo com o Espírito Santo?

No mesmo capítulo em que Paulo ensina que nem todos falam em línguas, ele também afirma que todos da igreja de Corinto, sem exceção, foram batizados em um só Espírito no Corpo de Cristo (1 Co 12.13). Todos foram batizados com o Espírito Santo, mas nem todos falaram em línguas (1 Co 12.30). Não deveria haver divisão na igreja por causa dos dons. Ninguém deve ser desprezado por não possuir determinado dom. E ninguém deve se sentir diminuído por não falar em línguas. Pois, não importa que dom a pessoa recebeu, porque o importante é saber que o mesmo Espírito é a fonte de todos os dons. “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12:4). “Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?” (1 Co 12:15). “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12:11).

No Pentecostes, cumprisse a promessa do Pai através do derramamento do Espírito sobre a Igreja. E é através do Espírito que alguém é batizado e inserido no Corpo de Cristo que é a Igreja (1Co 12.13). O batismo é ritual de iniciação. É apenas o começo e não o ápice de nossa caminhada cristã. No batismo no Espírito, nascemos para uma nova vida, e graças são comunicadas para que o crente possa viver em novidade de vida, expressando as virtudes de sua nova natureza. É o Espírito quem capacita o cristão a ser testemunha de Cristo. É através dos frutos Espírito que os cristãos são conhecidos (Mt 7.20) e não por qualquer dom em especial, pois a posse do mais extraordinário dos dons sem o fruto do amor não tem nenhum valor algum aos olhos de Deus (1 Co 13). Os falsos profetas não podem ser desmascarados se o critério de avaliação for a posse e o exercício dos dons, pois eles também parecem possuir muitos dons, como, por exemplo, o de profetizar. Jesus advertiu também dizendo: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.22-23). Por isto também exorta o Apóstolo João: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4:1). E Paulo igualmente orienta a igreja, dizendo: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Co 14:29). “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (1Co 14:20). “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores (Mt 7:15). “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24:24). Portanto, devemos ser muito criteriosos, pois os falsos profetas espertamente se aproveitam da ignorância, da imprudência e da ingenuidade do povo de Deus.


Desejando saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura dos seguintes estudos:



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A igreja é como fogo

A igreja é como fogo que deve sempre se propagar, caso contrario, se extinguirá.

A Igreja não existe para si mesma. Ela jamais deve ser uma comunidade fechada, ensimesmada, de costas para os de fora, pois seu propósito maior é servir como sal da terra e luz do mundo.

Batismo Infantil

“Deixai vir a mim os pequeninos!”


Iniciamos este estudo lembrando da célebre frase de John Wesley: "Quanto a todas as opiniões que não danificam as raízes do cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar". O que evoca a inesquecível frase do Bispo Agostinho acerca da liberdade do cristão: "No essencial unidade, no não essencial liberdade, em tudo caridade."

Introdução

“O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã.

Os que foram batizados na infância serão obrigados a reafirmar o voto de batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da igreja” (Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre A/123).

O batismo não é principalmente um sinal de arrependimento e fé da parte dos batizados. É um sinal da aliança e da obra de Salvação de Cristo realizada na Cruz. É sinal da eleição graciosa da parte do Pai: “assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo...” (Ef 1.4; cf. Jo 15.16; Gn 12.1). Prega o próprio Cristo como Aquele que já morreu e ressuscitou, de modo que todos estão mortos e ressurretos nEle (2 Co 5.14; Cl 3.1).

Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente.

Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt 3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes como objetos condignos para começar a Sua obra. Exemplos: João Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41).

Jesus disse que as criancinhas, mesmo as que ainda estão na fase de amamentação, são capazes de oferecer um perfeito louvor a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21:16).

Quando chegam à maturidade é necessário que aqueles que foram batizados quando criança façam então sua profissão de fé. Mas assim fazem com o testemunho claro de que não é isto que os salva, mas, sim, a obra de Deus já feita a favor deles antes de crerem. Surge a possibilidade, naturalmente, de que não farão esta confissão, ou que não a farão de modo formal. Mas um modo diferente de administração não conseguirá evitar esta possibilidade. É um problema de discipulado. E mesmo se não crerem, ou se crerem apenas nominalmente, seu batismo prévio como sinal da obra de Deus será um testemunho constante para chamá-los de volta.

Razões bíblicas:

Antigo Testamento

Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento. Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com indivíduos. Quando Noé foi salvo do dilúvio, toda sua família é recebida com ele na arca (cf. 1Pe 3.20-21).

Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé (Rm 4.11), é ordenado a aplicá-lo a todos os membros do sexo masculino da sua família como um sinal da salvação que possuem por pertencerem ao povo de Deus: "Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós" (Gn. 17:11).

Em Cl 2.11-12, Paulo faz uma associação entre o batismo e a circuncisão, chamando o batismo cristão de a circuncisão de Cristo.

No Mar Vermelho, todo o Israel, incluindo crianças, passa pelas águas no grande ato de redenção que prefigura não somente o sinal do batismo como também a obra de Deus que está por trás dele. É isto mesmo que Paulo está dizendo em 1 Co 10.1-2: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”.

Moisés aspergiu sangue sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb 9.19). Deus convocou adultos e crianças para entrarem em aliança com Ele (Dt 29.10-12). Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (Salmos 103:17).

Novo Testamento

Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos: família da Lídia (16.15), do Carcereiro (16.32, 33), de Crispo (18.8) e Estéfanas (1 Co 1.16).

Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então: Jesus se torna um bebê concebido pelo Espírito Santo.

João Batista, também, fica cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe, de modo que poderia ser um candidato ao batismo (Lc 1.39-45; cf. At 10.47 “Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”).

Cristo acolhe e abençoa os pequeninos (Mt 19.13-14) e fica zangado quando seus discípulos os repreendem (Mc 10.14). Ele diz que as coisas de Deus são reveladas aos pequeninos mais do que aos sábios e entendidos (Lc 10.21). Ele retoma a declaração do Sl 8.2 no tocante ao louvor da boca de crianças de peito (Mt 21.16). Adverte contra o perigo de alguém ser um tropeço para os pequeninos que crêem nEle (Mt 18.6), e no mesmo contexto nos diz que, como cristãos, não temos de nos tornar adultos, mas, sim crianças. Jesus descreveu a condição espiritual especial destes pequeninos, dizendo: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18:10).

Na primeira pregação da Igreja, Pedro diz que a promessa do Espírito é para os filhos também e não apenas para os adultos: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos...” (At 2.38,39). Nas epístolas existem palavras dirigidas especialmente às crianças em Efésios, Colossenses e 1 João.

Em 1 Co 7.14, Paulo diz que os filhos de um casal, onde pelo menos um dos pais é crente, são “santos”, o que certamente significa que pertencem ao povo da aliança, tendo, portanto, também o direito ao sinal desta aliança. Uma pergunta que se faz necessária aqui é: Os filhos dos crentes devem ser considerados cristãos ou pagãos?

As crianças eram incluídas na antiga aliança, eram circuncidadas e participavam da Páscoa, que eram os sinais daquela aliança, por que razão as crianças deveriam ser impedidas de participar dos sinais da nova aliança? A Nova Aliança não é superior a antiga? Porventura a nova aliança não inclui igualmente, e, por que não dizer, até principalmente os pequeninos?

Quando é que se dá ou deveria se dar a conversão de alguém nascido em lar cristão? Precisaria ele experimentar uma crise de conversão? Não deveriam, os filhos de cristãos, serem abençoados e dedicados a Deus como cristãos, ensinados como cristãos, considerados como cristãos desde o seu nascimento? “Visto que as crianças cristãs pertencem tão obviamente a Deus, como podemos negar-lhes o sinal dessa posse?” (Zuínglio).

Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente abençoados por causa da fé do pais. A ressurreição da filha de Jairo (Mateus 9:18-19, 23-26), O pai de um epiléptico pediu que Jesus curasse o seu filho (Mt 17:14-18), a ressurreição do filho da viúva de Naim, episódio em que Jesus teve compaixão da mulher, e favoreceu o filho por causa da mãe (Lc 7:11-17), a cura do filho de um oficial da cidade de Cafarnaum (João 4:46-54).

Razões Históricas

O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva

O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva, atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180), Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 157). O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos .

Irineu, que foi discípulo de Policarpo, um discípulo do apóstolo João, foi batizado quando criança. Ele afirmou: "A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças" e, em 180 d.C., Irineu afirma também que “Jesus veio para salvar a todos que são renascidos através dele em Deus: recém nascidos, crianças, adolescentes, jovens e adultos” (Adv. Haer., livro II, 22.4; 39). O termo “renascidos”, para os pais da Igreja, é termo técnico para o “batismo”.

Na Constituição Eclesiástica de Roma, formulada por Hipólito em 215, encontramos a frase: “Primeiro devemos batizar os pequenos. Todos que podem falar por si mesmos. Para aqueles que ainda não sabem falar, falem seus pais ou alguém que pertença à família” (Const.Ecl. XVI, 4).

Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C., cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos. Orígenes, em seu comentário à carta de Romanos, afirma: “A igreja recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém nascidos” (Epist. ad. Rom. Livro V, 9 Hom. in Lev., VIII. 4). Sabemos também que o próprio Orígenes foi batizado quando criança.

Ireneu de Lião (sec III) considera óbvia a presença de "crianças e pequeninos" , entre os batizados em geral (Contra as Heresias II,24,4;).

Hermas, contemporâneo do apostolo Paulo (Veja Rm 16.14), fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: "Ora, esse selo é a água do batismo".

Clemente, que viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava os pais: "Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção do Senhor".

O "Didaqué" (manual da Igreja Antiga, também conhecido como doutrina dos doze apóstolos) prescreve o batismo de crianças.

Tertuliano (De Bapt., 18).

Cipriano afirma que o batismo de crianças era prática comum dos cristãos. Em 258, ele escreve: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (carta a Fido). No século III , um sínodo do Norte da África determinou que era permitido batizar as crianças "já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento" (Epístola 64 de São Cipriano). O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil após o oitavo dia de vida era comum.

Agostinho dizia: "Desde a Antigüidade a Igreja tem observado o batismo infantil" e ainda, "O costume de nossa igreja mãe de batizar crianças não deve ser desconhecido nem tido como desnecessário; nem se deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue pelos apóstolos" dizia ainda: Não foi instituído por concílios mas sempre esteve em uso". Estas afirmações foram feitas e o batismo de criança estava sendo praticado antes do desvio do catolicismo, pois os relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua "pureza". Lutero condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).

Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus. Outro motivo que permitiu a difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.

Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de história da prática do batismo infantil. Lutero, no entanto, condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).

Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo, confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde. Aliás, nem é possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança: “Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57). Este, porém, ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV, 57).

E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número 74, que diz: "As crianças devem ser baptizadas?" A resposta é a seguinte: "Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja (Gén.17:7).

Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47), como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em cujo lugar no Novo Testamento foi o Batismo instituído (Col.2:11-13).

A Responsabilidade dos pais

Os pais têm uma grande responsabilidade sobre a fé e a educação religiosa dos seus filhos (Dt 6.6-7). Temos na Bíblia a promessa de que os filhos bem educados no caminho do Senhor não irão se desviar dele (Pv 22.6). Sendo assim, os pais devem guiar seus filhos, através da instrução e do exemplo, no caminho da vida eterna.

A promessa do Espírito e da salvação não se restringe aos adultos, mas se estende aos filhos (At 2.38). Um pai ouve de Paulo que seu ato de fé em Deus abriria a porta da salvação a toda a sua casa (At 16.31). Quando Zaqueu se converteu, Jesus declarou: “hoje veio salvação para esta casa” (Lc 19.9). A Bíblia ensina também que a “oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5) e, como já mencionado, sabemos que uma mulher crente santifica sua família a ponto dos seus filhos serem contados entre os “santos” (1 Co 7.14).

Respondendo às objeções mais comuns

1. Não existe mandamento para batizar crianças

E nem era necessário, pois as crianças que eram filhas dos crentes sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais incluí-las na igreja do Novo Testamento.

2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé

Textos que mencionam arrependimento e fé como condição para o batismo foram dirigidos a primeira geração de convertidos. Pois, o mesmo argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mesmo aqueles que condenam o batismo infantil não são capazes de concluir que estariam condenadas as criancinhas que não tem idade para se arrepender e exercer fé. Portanto, concluímos que tais textos se dirigem àqueles que têm idade para responder com arrependimento e fé e não formam uma legislação aplicável aos infantes. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não coma’’. E as crianças?! Devemos deixá-las com fome, porque não podem trabalhar?!

No AT as crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para exercer fé em Deus (Gn 17). Como o sinal da justificação de Abraão pode ser aplicada a seu filho que ainda não tinha idade para crer?

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

Leia também: "Qual é a forma correta de batismo?"

Salmo 16



Uma exposição deste belíssimo Salmo!

sábado, 13 de outubro de 2012

Oração do Pacto


Uma consideração sobre a doutrina da Trindade

A Bíblia ensina a existência de um único Deus (Deuteronômio 6.4; Isaías 45.22; 1 Timóteo 1.17). Só Deus é Senhor, só Ele é Criador e só Ele deve ser adorado. Deus disse que não repartiria sua glória com nenhum outro (Isaías 42.8). Daí, temos que Jesus é igualmente denominado Senhor, Criador e também é adorado (João 1.1-3; 9.38; 20.28). Jesus também afirma ter poder para perdoar pecados, ressuscitar os mortos e que será o juiz de todos no dia final, atribuições destinadas única e tão somente a Deus. Além de tudo isto, Jesus é também claramente chamado de Deus verdadeiro e todo poderoso por seus Apóstolos em distintas passagens do Novo Testamento (1 João 5:20; Isaías 9:6; João 1.1-3; 9.38; 20.28; Apocalipse 1.8; Hebreus 1.1-8; Colossenses 1.15-20).

Se concordamos com o ensino bíblico de que Jesus é Deus e de que existe apenas um único Deus, teremos apenas duas saídas: Jesus e o Pai são a mesma pessoa ou são duas pessoas distintas pertencentes a mesma divindade. Ora, seria Jesus uma encarnação do Pai? Bem, existem várias passagens que impedem tal conclusão, pois Jesus e o Pai interagem entre si de muitas maneiras, conversando um com o outro, sentando-se lado a lado, um amando e honrado ao outro, etc. (Mateus 27.46; Lucas 9.35; João 8.54; 1 Pedro 3.22; Hebreus 10.12; Atos 7.55). 


Ficamos, portanto, diante de um impasse misterioso. Como é que Jesus pode estar com Deus e ao mesmo tempo ser Deus? (João 1.1). Começa aí a doutrina da Trindade, pois o Espírito Santo também é descrito como um ser pessoal que partilha de atributos puramente divinos (Atos 5:3-4; 1 João 5:7; Hebreus 9.14; Romanos 8.2,11; Salmo 139:7; 1 Coríntios 2.10; 12.11; Jó 33.4 e Gênesis 1.-3). O Espírito Santo está associado ao Pai e ao Filho em condição de igualdade (Mateus 28.19 e 2 Coríntios 13:14).

A mente humana não é capaz de compreender a natureza divina, mas temos a promessa de um dia sermos capazes de conhecer a Deus como Ele realmente é! "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos"(1 João 3:2, cf. 1 Coríntios 13.13).

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Jesus disse que o Reino de Deus chegaria com poder ainda durante a vida dos primeiros discípulos

Jesus prometeu aos seus discípulos que alguns deles presenciariam a chegada do Reino de Deus (Mt 9.1). Lembramos que Judas morreu e não viu o Cristo ressuscitado e, portanto, não participou do Pentecostes. 

Jesus iniciou o seu ministério terreno proclamando que o Reino estava prestes a chegar (Mc 1.15) e o concluiu declarando já ter recebido todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18). Após isto, subiu aos céus e assentou-se no trono, acima de todo o principado e potestade (Ef 1.20-22). 

Jesus disse que o príncipe deste mundo havia sido expulso (Jo 12.31) e que Satanás já estava amarrado! (Mt 12.29). Disse também que se Ele expulsava demônios pelo Espirito de Deus era chegado o Reino de Deus! (Mt 12.28).

Jesus já reina no presente século colocando seus inimigos debaixo dos pés! (1Co 15.25) O Reino veio com poder através do derramamento do Espirito Santo sobre a Igreja! "E recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo..." (At 1.8). A Igreja recebeu poder para triunfar sobre o inferno e recebeu também as chaves do Reino (Mt 16.13-19).  A Igreja recebeu a missão de fazer discípulos de todas as nações, e será bem sucedida no cumprimento desta missão (Ap 7.9 e Mt 24.14), pois foi enviada pelo Rei que tem todo o poder nos céus e na terra (Mt 28.18-20).  A igreja recebeu autoridade para pisar todo o poder do mal (Lc 10.19) e já está assentada nas alturas, reinando juntamente com Cristo sobre todo o principado e potestade! (Ef 2.4-6) 

Bispo José Ildo Swartele de Mello

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O conceito de Brunner sobre a eleição não soa armínio-wesleyano?

Ele diz:
É Seu livre propósito que coloca-nos pecadores, por meio da fé, na realidade do Filho do Seu Amor, como é Seu propósito enviar-nos Seu Filho, revelar-nos a nós e partilhar a Si mesmo conosco (...). Em si mesmo, o Filho significa Eleição. Onde o Filho está há eleição. Mas onde o Filho não está não há eleição. Mas o Filho só está presente onde há fé, por isso no Novo Testamento os eleitos e apenas eles são aqueles que crêem. Por esta causa só a fé é decisão na qual o prêmio é a salvação ou a ruína. Não é uma decisão falsa onde tudo já foi decidido de antemão. As conseqüências podem ser sérias, se a fim de escapar da doutrina da dupla predestinação tomarmos o caminho errado e acabarmos no Universalismo [1]. 
Alguém de fato lê na Bíblia como um todo, como também em Paulo, muito acerca daqueles a quem Deus rejeita ou rejeitou (por ex. Rm 11.15), mas nunca sobre aqueles aos quais Ele rejeitou desde a eternidade. Alguém encontra que Deus endurece os homens (Rm 9.18),mas nunca que Ele os predestinou desde a eternidade para a dureza do coração. Está escrito na Epístola aos Romanos que Deus tem o direito de fazer com sua criatura o que desejar – e se desejar, pode também fazer vasos de ira (Rm 9.22), mas não diz que Ele predestinou homens desde a eternidade para serem vasos de ira e os tenha criado como tais. Pelo contrário, é precisamente aqueles a quem Paulo descreve no nono capítulo como vasos de ira (9.22) de quem ele diz, no décimo primeiro capítulo que já estão salvos(11.23ss) (...) por um lado, ninguém se aproxima tão intimamente do pensamento de um “duplo decreto da predestinação, um para a salvação e outro para a perdição” como o nono capítulo da Epístola aos Romanos. Por outro lado, ninguém se aproxima mais da doutrina da salvação universal como o final do capítulo onze. (...). Se perguntarmos a razão disso, então estes são justamente os capítulos que nos fornecem uma resposta: apenas o fiel pode saber a respeito da eleição. A fé, porém, embora sendo dom de Deus é requerida de nossa parte. Nós também devemos crer (1 Co 16.13; Cl 2.7; Ef 6.16), A Palavra de Cristo está sendo proclamada em todas as nações, com a exigência da obediência (Rm 15.18). O que mais importa é a decisão da fé (Rm 11.20) [2].
[1] BRUNNER Emil. Dogmática I, p. 412.
[2] BRUNNER Emil. Romanos, p.257-258.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Venha fazer parte de Teologia para Formação Espiritual, com Don Thorsen em Faculdade de Teologia Metodista Livre


Líderes segundo o coração de Deus
FTML
FTML convidou voc"e para o evento 'Teologia para Formação Espiritual, com Don Thorsen' em Faculdade de Teologia Metodista Livre
 
Conferir "Teologia para Formação Espiritual, com Don Thorsen" em Faculdade de Teologia Metodista Livre

FTML

Teologia para Formação Espiritual, com Don Thorsen Horário: 5 novembro 2012 a 9 novembro 2012
Local: Ftmlbr
Organizado por: FTML

Descrição do evento:
O módulo III do doutorado será com o professor e doutor Don Thorsen, de Azusa (EUA), com o tema: Teologia para Formação Espiritual. Ocorrerá entre os dias 5 e 9 de novembro, das 8h30 às 17h.


Ver mais detalhes e RSVP em Faculdade de Teologia Metodista Livre:
http://ftmlbr.ning.com/events/event/show?id=2204381%3AEvent%3A25104&xgi=15bY346bvpjS5D&xg_source=msg_invite_event

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sem a sua presença, não vou a lugar nenhum




Moisés disse a Deus: "Se a sua presença não for comigo, não nos faça sair deste lugar" (Êxodo 33.15)

Moisés que era "Moisés" sabia que sua força estava em Deus. Ele não ousava dar um passo sem a graça da presença de Deus.

Valorizamos a presença de Deus tanto quanto Moisés?

Mensagem à imel de Mirandópolis no retiro em Valinhos, dia 30 de Setembro.

Intimidade com Deus - Palestra 1




Primeira Palestra do Pr. Carlos Alberto Antunes no retiro da Igreja Metodista Livre de Mirandópolis que aconteceu de 28 a 30 de Setembro no Hotel Fonte Santa Tereza na cidade de Valinhos.
Aqui, o Pr. Carlos Alberto expõe com propriedade o fundamento bíblico sobre o relacionamento íntimo que Deus quer ter com os seres humanos. Vale a pena meditar e se apropriar deste precioso ensino.

Intimidade com Deus - Palestra 2




Abençoada mensagem do Pr. Carlos Alberto Antunes à imel de Mirandópolis em um retiro em Valinhos no Domingo, dia 30 de Setembro de 2012 no período da manhã.
Unção da Palavra promovendo quebrantamento e reconciliando com Deus e de uns para com os outros.