quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Conexão Wesleyana de Santidade reunida em 21 de Outubro de 2010


Encontro de 21 de Outubro de 10

Foi muito bom o encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade que tivemos esta manhã no Exército de Salvação, que nos recebeu de maneira muito carinhosa, oferecendo-nos deliciosos café e almoço! Na última hora, devido há alguns imprevistos, os pastores Geraldo Nunes, Fernando Cesar, e Alexandre Zanatta não puderam estar conosco como tanto gostariam. A exposição que trariam sobre a teologia e prática da santidade no contexto Nazareno ficou, então, adiada para uma próxima ocasião. Contudo, fomos abrilhantados pela exposição de Nelson Wakai sobre a história da teologia de santidade no contexto do Exército de Salvação e pela inspirada mensagem do Bispo Caleb da Metodista Wesleyana.
A seguir, o Bispo Stanley coordenou um edificante debate sobre os temas levantados pelos dois palestrantes. Concluímos definindo detalhes do próximo encontro e também tratamos animadamente do grande encontro que pretendemos fazer no dia 21 de Maio de 2011 para celebrar o Dia do Coração Aquecido. Queremos reunir mais de 10 mil pessoas! (Clique aqui para saber mais a respeito)

Segue abaixo, vídeos das palestras deste encontro + texto da palestra de Nelson Wakai.

Um grande abraço a todos!

Bispo Ildo Mello


Obs: A Fraternidade Wesleyana de Santidade reúne os principais líderes de todas as denominações de tradição wesleyana para aprender uns com os outros e para orar por um avivamento que promova um mover do Espírito para santificação de vidas, famílias e comunidades inteiras, de modo a transformar o Brasil. Estamos nos unindo em torno de nossa mensagem!  Conheça o Site da Fraternidade Wesleyana de Santidade: http://holinessandunity.org/ 

Vídeos:
Palestra de Nelson Wakai sobre a história da teologia de santidade no contexto do Exército de Salvação São Paulo, 21 de outubro de 2010 Notas para o encontro da Fraternidade Wesleyana de Santidade no Quartel Nacional do Exército de Salvação. 1) Nosso lugar no Movimento Dentre as onze doutrinas fundamentais []

Mensagem do Bispo Anderson Caleb da Metodista Wesleyana baseada em Atos 4.13, ressaltando que a santidade é derivada da nossa comunhão com Cristo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As Duas Testemunhas do Apocalipse (Ap 11)

As Duas Testemunhas do Apocalipse
Quem são ou o que representam as Duas Testemunhas de Apocalipse 11? Muitos dizem que são Enoque e Elias, visto que são os dois únicos personagens do Antigo Testamento que não experimentaram a morte. Mas você deve observar que não há nada no texto que sugira Enoque. Enoque não era profeta. E os sinais ali mencionados apontam muito mais para Moisés e Elias que foram instrumentos de Deus para transformar água do rio em sangue e fazer o céu parar de chover. Mas, a respeito de Elias, devemos lembrar que Jesus afirmou que ele já veio na pessoa de João Batista, que foi brutalmente assassinado por Herodes: "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir" (Mt 11:11-14). Se Jesus afirmou que o Elias que havia de vir já veio e morreu na pessoa de João Batista, então, não temos razão para esperar que volte outra vez.

Para que possamos ser capazes de entender o significado das Duas Testemunhas mencionadas no capítulo onze de Apocalipse, é indispensável que, primeiramente, levemos em consideração as peculiaridades de uma literatura apocalíptica como esta, o propósito do livro e o contexto dos destinatários a quem o livro foi direta e primariamente endereçado.

O Livro de Apocalipse está repleto de simbolismo e figuras de linguagem, de modo que a pergunta certa a se fazer diante do texto não é “O que é isto?”, mas, sim, “O que significa isto?” Conhecemos muito bem o poder de uma figura de linguagem. É comum que uma pessoa se esqueça de um sermão, mas a ilustração e a imagem permanecem! Jesus, visando ser pedagógico, de uma maneira nova, criativa, dinâmica, dramática e viva, nos apresenta um livro repleto de figuras, fazendo revelações a respeito de si mesmo, da realidade espiritual, do Reino de Deus e dos propósitos soberanos de Deus em relação à história humana. Tais revelações não são novidades para aqueles que conhecem o restante do Novo Testamento, pois são muito mais uma confirmação de tudo aquilo que Jesus ensinou em seu ministério terreno. Portanto, o Apocalipse deve ser entendido à luz dos demais livros da Bíblia. Textos mais obscuros devem ser interpretados à luz de textos mais claros.

Não podemos interpretar os números que aparecem no Apocalipse de modo literal. Todos os que fazem isto incorrem em graves equívocos. Exemplo do Russell, fundador das Testemunhas de Jeová que ensinou que somente 144.000 pessoas iriam para o céu. Apocalipse 11 fala de duas testemunhas. É muito interessante observar o significado do número dois através de suas ocorrências na Bíblia.
Vejamos algumas das mais significativas:

  1. Deus criou dois seres humanos, macho e fêmea os criou.
  2. O par perfeito: marido e mulher
  3. Duas árvores no Jardim do Éden
  4. Um casal de cada espécie na Arca, promovendo a preservação de toda espécie de animais.
  5. Duas eras: a presente e a que a de vir
  6. Dois é um número ligado ao Testemunho da Palavra de Deus
  7. Duas são as Tábuas da Lei
  8. Dois são os Testamentos, duas Alianças e dois Pactos
  9. A Lei e os Profetas como referência as Escrituras Sagradas que testemunham de Cristo (João 1:45).
  10. Antigo e Novo Testamentos compondo a Palavra de Deus
  11. Duas ou três testemunhas (2 Coríntios 13:1),
  12. Duas vezes a palavra "verdade" para confirmar a veracidade do que Jesus dizia: "Em verdade, em verdade vos digo..."!
  13. Os dois gumes da Espada que é a Palavra de Deus (Hebreus 4:12). 
  14. Dois fundamentos sobre os quais foi edificada a Igreja: profetas e apóstolos (Ef 2)
  15. Dois grupos de 12 anciãos totalizando os 24 anciãos do Apocalipse que representam a totalidade do povo de Deus do Dois espias fiéis: Josué e Caleb
  16. Para que um testemunha fosse válido, era necessário pelo menos duas testemunhas!
  17. “Melhor e serem dois do que um" (Ec. 4.9-12). 
  18. Duas eras: a presente e a que a de vir
  19. Dois é o número de Jesus, pois:
  20. Jesus é a segunda pessoa da Trindade
  21. Jesus é o Segundo Adão ou Segundo Homem (1 Cor. 15.47)
  22. Jesus possui duas naturezas: a humana e a divina.
  23. Duas vindas de Cristo
  24. Dois estágios da missão de Jesus: morte e ressurreição; sofrimento e glória.
  25. Dois pombinhos para Deus como oferta pelo pecado: um é para ser oferecido como oferta pelo pecado e o outro como oferta queimada (Lev. 5.7). 
  26. Dois Bodes Expiatórios representando o sacrifício de Cristo
  27. Jesus enviou seus discípulos de dois em dois como Suas Testemunhas (Lc 10.1). Jesus disse que seus discípulos receberiam o poder do Espírito para serem Suas testemunhas (mártires no original grego).
  28. Dois templos construídos para Deus e que foram destruídos e servem de figura de linguagem para o Corpo de Cristo que é a Sua Igreja que hoje é o Templo de Deus. Veja que a menção do templo em Apocalipse 11 é uma alusão a Zacarias 2, cujo significado profético aponta para a proteção de Deus para a Sua Igreja que é o seu verdadeiro templo hoje em dia!
  29. Deus habita onde dois ou mais estão reunidos em seu nome!
  30. As Duas Oliveiras do livro de Zacarias, que eram Josué e Zorobabel (Zc 4)
  31. As Duas Oliveiras de Apocalipse 11, que são as Duas Testemunhas e também os Dois Castiçais, que sabemos serem referências simbólicas da Igreja, pois o Apocalipse mesmo diz que os castiçais representam a Igreja no capítulo 1.
  32. Dois Castiçais do Apocalipse 11 - A Igreja de Cristo que recebeu a missão de iluminar o mundo
  33. Duas testemunhas no Egito diante de Faraó: Moisés e Aarão. Reparar que as Duas Testemunhas de Apocalipse 11 são descritas num contexto em que o Egito e as pragas são também mencionados.
  34. Dois anjos como testemunhas de Deus em Sodoma e Gomorra. Notar que o capítulo 11 de Apocalipse também faz menção a Sodoma e ao juízo de Deus contra os impenitentes.
  35. Duas são as mortes: a física e a espiritual
  36. Duas são as ressurreições: a espiritual (Novo Nascimento) e a corpórea por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.
  37. Duas são as Bestas que se levantam contra Cristo e Sua Igreja. As Bestas matam as Duas Testemunhas no capítulo onze e como as Duas Testemunhas representam a Igreja, vemos a Besta perseguindo e matando os cristãos no capítulo 13, um sinal de que Apocalipse 11 e 13 são textos paralelos que falam da morte de todas as testemunhas de Cristo, que são descritas em Apocalipse 7.14 como uma grande multidão de cristãos de todos os povos que procedem do cruel período da Grande Tribulação onde foram mortos pela Besta. Paulo diz aos cristãos no Livro de Romanos, capítulo 8, que nós somos entregues a morte todo o dia e fomos reputados como ovelhas para o matadouro, mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores por Aquele que nos amou! As Duas Testemunhas também foram mortas, mas não foram derrotadas! Aleluia! 

Assim como o número dois, o fogo que sai da boca das Duas Testemunhas do Apocalipse para matar seus adversários deve também ser encarado como uma figura de linguagem, a mesma aliás que Deus usou certa vez para falar para a Sua Testemunha que foi o profeta Jeremias:"Portanto assim diz o SENHOR Deus dos Exércitos: Porquanto disseste tal palavra, eis que converterei as minhas palavras na tua boca em fogo, e a este povo em lenha, eles serão consumidos (Jr 5:14). Tal palavra de Deus a Jeremias jamais se cumpriu literalmente. Assim também não é literal o fogo que sairá da boca das Duas Testemunhas. O Apóstolo Paulo diz que nós, como Igreja, somos o bom perfume de Cristo, exalando um perfume que para uns significará vida e para outros a condenação da morte. A Igreja, como testemunha de Cristo, recebeu o tremendo poder para ligar e para desligar coisas aqui na terra que são ligadas e desligadas também no céu.

Se tudo o que foi dito até aqui não foi suficiente para você perceber que as Duas Testemunhas do Apocalipse são reais representações dos cristãos que receberam o poder do Espírito para testemunharem de Cristo, peço então que observe a seguinte exposição bíblica que espero possa ajudar você a compreender melhor esta importante passagem das Escrituras (Ap 11.1-14).

Bem, algumas características registradas no versículo 6, como cerrar os céus para que não chova e o ato de transformar a água em sangue nos remetem a Elias e a Moisés. Sabemos que Moisés representa a Lei e que Elias representa a linhagem dos Profetas. Jesus costumava referir-se ao Antigo Testamento chamado-o de “A Lei e os Profetas” ( Mt 7:12; 22:40 e Lc 16:16), teríamos aí uma possível alusão ao testemunho das Escrituras Sagradas.

Além disto, Jesus também referiu-se as Escrituras Sagradas, também denominada “a Lei e os Profetas”, como suas Testemunhas: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39).

É sugestivo também o fato da aparição de Moisés e Elias no episódio da transfiguração de Jesus (Mc 9.4). Sendo assim temos muitos indícios dentro da própria Bíblia e principalmente nas Palavras do próprio Jesus para concluir que as Duas Testemunhas de Apocalipse 11 sejam uma referência às Escrituras Sagradas do Antigo Testamento que testificam de Jesus e que se cumprem em Cristo. Não cometeríamos nenhuma heresia em incluir as Escrituras do Novo Testamento entre as Escrituras Sagradas, pois elas, de maneira ainda mais clara, testificam de Jesus. O Apóstolo Paulo disse que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, dois grupos de testemunhas de Cristo, duas representações de lideranças espirituais do Novo e do Antigo Testamentos que são o alicerce da igreja (Ef 2:20; 3:5) e, que neste espírito, estariam em foco na visão apocalíptica das Duas Testemunhas bem como, um pouco mais adiante, na menção feita em Apocalipse 18:20.

Tendo compreendido que as Duas Testemunhas do Livro de Apocalipse são uma representação das Escrituras Sagradas, ou seja, a Lei e os Profetas, simbolizados ali por Moisés e Elias, devemos lembrar também que Jesus se dirigiu a toda a coletividade de seus discípulos incumbindo-os de serem suas testemunhas: "E recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas!" (At. 1.8). Os cristãos são os pregadores da Palavra e os porta-vozes das Escrituras. Não apenas as Escrituras, mas também os discípulos testificam de Jesus Cristo! A Igreja é o Corpo vivo de Cristo aqui na terra, devendo testemunhar dele como a expressão corpórea de Seu Espírito Ressurrecto! A igreja recebeu o legado de Moisés, dos profetas e dos apóstolos. O canto de vitória da Igreja contra a Besta é denominado de o Cântico de Moisés, servo de Deus e do Cordeiro! Pois uma coisa tem a ver com a outra. Há continuidade e pleno cumprimento! Ou seja, o Exôdo e a Páscoa do Antigo Testamento se alinham perfeitamente a Páscoa Cristã, encontrando seu pleno significado em Cristo e Sua Igreja, a vitória de Moisés contra Faraó é uma bela ilustração da vitória de Cristo contra morte e da Igreja contra a Besta, de modo que o cântico de vitória é o mesmo! Deus tem um só povo! De ambos os povos, fez um! (Ef 2.14)

A Igreja tem como missão encarnar as Escrituras Sagradas e dar continuidade ao testemunho de Jesus na plenitude do Espírito Santo. Os discípulos de Cristo receberam a promessa do Pai que os capacita a serem testemunhas de Jesus (At 1.8).

O fato de serem duas as testemunhas é algo que tem a ver com a tradição da necessidade de haver pelo menos duas pessoas para que um testemunho fosse aceito como válido (Dt 19.15; Nm 35.30; Jo 8.17; 2Co 13.1; 1Tm 5.19; Hb 10.28; Is 8.2). Por esta razão, foi que Cristo enviou seus discípulos para darem testemunho dele de dois em dois (Mc 6.7; Lc 10.1)! Também foram duas as testemunhas da ressurreição no Caminho de Emaús (Lc 24.13).

As Duas Testemunhas são descritas como "as duas oliveiras" e "os dois candeeiros" (v. 4). Clara alusão a visão de Zacarias 4, que fala do candelabro de ouro e das duas oliveiras cujo significado é: "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos" (4.6). As duas oliveiras eram "os dois ungidos" Zorobabel e Josué, líderes do povo de Deus que lançariam os fundamentos da casa de Deus e concluiriam a obra de construção pelo poder do Espírito de Deus contra toda a oposição do inimigo a semelhança das Duas Testemunhas do Apocalipse que pelo Espírito concluiriam seu ministério. O que nos faz lembrar das palavras proféticas de Jesus a Pedro como representante da Igreja: "sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16.18).

Sabedores que somos que o Livro de Apocalipse foi escrito para as Sete Igrejas que padeciam enorme tribulação sob a tirania de imperadores déspotas, nada mais natural do que ver a igreja em foco da primeira a última página do Apocalipse. A igreja é claramente descrita como candeeiro no início do livro de Apocalipse: "E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar- me, vi sete candeeiros de ouro" (1.12)... "Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas" (1.20). Jesus é descrito como a Videira Verdadeira e seus seguidores como os ramos desta árvore (Jo 15.). E, em Romanos 11, Paulo fala de duas oliveiras, a boa e a brava, dando a entender que os crentes gentios, como ramos, foram cortados da oliveira brava para serem enxertados na boa oliveira, compondo o povo de Deus, juntamente com os ramos naturais que representam o remanescente fiel do povo judeu (Rm 11.4-24). Temos aí, então, uma que a Oliveira é uma ilustração da Igreja de Cristo assim como também os são os candeeiros!

O ministério das Duas Testemunhas dura três anos e meio, o que coincide com tempo do ministério de Cristo aqui na Terra. Assim como Cristo, as Duas Testemunhas têm o seu tempo determinado para o cumprimento cabal de sua missão. Do modo como aconteceu com Cristo, as Duas Testemunhas serão perseguidas e mortas, mas também de modo semelhante, elas ressuscitarão e subirão aos céus (v.11; Rm 8.11; 1 Ts 4.16,17; 1Co 15)!

O texto de Ap 11.7 diz: “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar”, ou seja, estas Duas Testemunhas cumprem cabalmente a sua missão, concluindo o seu testemunho. Isto nos faz lembrar de que “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5:18), e, no mesmo livro, lemos: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). E Jesus também profetizou sobre o cumprimento bem sucedido do testemunho do Evangelho do Reino a todas as nações ao dizer: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mt 24:14). O fim somente virá após o cumprimento da Missão da Igreja. Apocalipse revela que a Igreja será fiel em seu testemunho de Cristo ao mundo inteiro, pois fala de uma multidão inumerável de salvos procedentes de todas as etnias da Terra (7.9)!

Assim como as Duas testemunhas são milagrosamente protegidas até o cumprimento cabal de seu testemunho, assim também vemos, por exemplo, o Apóstolo Paulo, que, por diversas vezes, no decorrer de seu ministério, foi miraculosamente livre da morte, até que ele cumprisse o seu ministério aqui na Terra. Observe que Paulo só é entregue à morte após o cumprimento de sua carreira de testemunha de Cristo! De modo que ele pode dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Tm 4:7).

Assim também é com a Igreja que, durante toda a sua história, sofreu muitas perseguições e não foram poucas as tentativas de destruir com as Escrituras e de se acabar com o Cristianismo, que tem sobrevivido a tudo e a todos e tem chegado aos nossos dias como a maior de todas as religiões da face da terra.

Perceba na descrição de Apocalipse 11, que as Duas Testemunhas estão em território hostil, mas mesmo assim elas conseguem sobreviver o tempo suficiente para cumprirem a sua missão. Pois elas possuem uma proteção especial. Elas não são um joguete nas mãos dos homens malignos. Somente após terem cumprido sua missão é que elas são entregues à morte. Isto nos remete não só ao testemunho da Igreja como um todo, como também ao testemunho individual de cada crente.

A semelhança das Duas Testemunhas, os santos da Igreja são descritos como sendo entregues à morte todo o dia, sendo reputados como ovelhas para o matadouro (Rm 8.36). Assim como é dito que a Besta surge do abismo para pelejar, vencer e matar as Duas Testemunhas (11.7), assim também vemos acontecer com os santos da Igreja: "Vi emergir do mar uma besta" (13.1)... "Foi lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse" (13.7). Impressionante a semelhança entre os capítulos 11 e 13 de Apocalipse. Isto se dá por tratarem-se de textos paralelos que retratam a mesma cena de ângulos diferentes e de modo criativo para fortalecer a visão. É sabido que o Livro de Apocalipse não está em ordem cronológica do começo ao fim, mas, sim, em blocos paralelos que retratam a história da Igreja do seu começo a consumação dos séculos. O triunfo da Besta é aparente e temporário. Dura pouco a sua festa! Breve Cristo vem para vencer! "então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória" (1Co 15.54).

Apesar de humildes, "vestidas de pano de saco" (v. 3), por serem desprezadas e perseguidas neste mundo, vemos que as Duas Testemunhas são mais do que vencedoras em Cristo Jesus (Ap 11.11-12 e Rm 8.37). Elas estão identificadas com Cristo não apenas no seu sofrimento e morte, mas também em sua ressurreição e glória (Rm 8.17)! A igreja primitiva que sofreu tamanha oposição e perseguição, contemplando a morte dos apóstolos e de boa parte dos seus irmãos em Cristo, podia, portanto, entender muito bem este texto, como também se identificar com estas Duas Testemunhas, encontrando neste texto um encorajamento muito grande da parte de Deus, que Reina Sobre Todos e que tem o Mundo inteiro e a história de toda a humanidade em Suas Mãos. Não é à toa que os testemunhos históricos afirmam que o Imperador Nero ficava perplexo com o fato dos cristãos morrerem na arena com um sorriso nos lábios. A última palavra não pertence a Besta. A morte não é o fim!

Assim como Moisés venceu a Faraó e como Elias venceu a Acabe e Jezabel, assim também as Duas Testemunhas vencerão a Besta, pois as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mt 16.18)! "Pois, se Deus é por nós, quem será contra nós" (Rm 8.31)! As Duas Testemunha possuem o poder do Espírito (At 1.8). Eles tem o poder da oração (Tg 5.17)! As Duas Testemunhas, como a Igreja, possuem as chaves dos céus! O que ligam na terra é também ligado no céu (Mt 16.19)! Não sejamos infantis ao ponto de interpretar literalmente o texto que diz que "sai fogo da sua boca para devorar os inimigos". Isto não é desenho animado ou jogo de vídeo-game. Isto é uma clara ilustração do poder de fogo da mensagem do Evangelho! A Palavra de Deus é como uma espada afiada de dois gumes! Como o Apóstolo Paulo bem descreveu o poder do testemunho da Igreja, dizendo: "porque para Deus somos um aroma de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de vida para vida" (2Co 2.14-15).

Quantas vezes lemos textos como este e ficamos esperançosos com a possibilidade da vinda literal de Moisés e Elias, ou de Enoque e Elias, enquanto deveríamos estar atentando para o fato de que nós, porta vozes das Escrituras Sagradas, devemos hoje cumprir a missão das testemunhas de Cristo? Moisés, Elias, Enoque e os apóstolos de Jesus já fizeram a sua parte e cumpriram a sua missão, já deram o seu testemunho e completaram as suas carreiras. Agora, cabe a cada um de nós, darmos seqüência a esta missão, assumindo o nosso papel de testemunhas de Jesus Cristo, de sal da terra e luz do mundo! Disse Jesus: "e ser-me-eis testemunhas" (At 1.8), então, "chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois" (Mc 6.7). Esta é a hora e a vez da Igreja!


Deixe seu comentário ou dúvidas.


Um grande abraço,

Bispo José Ildo Swartele de Mello

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vencendo a tentação da teologia da prosperidade






São muitas as distorções doutrinárias da Teologia da Prosperidade: Negam a soberania de Deus, dizendo que usar a expressão “se for a Tua vontade” destrói a oração; ensinam os crentes a exigirem e reivindicarem coisas de Deus, em vez de as pedirem a Ele; acabam exaltando mais ao homem do que a Cristo; exibem um espírito de orgulho do “que eu posso fazer ou conquistar em nome de Jesus”; dizem que sofrimento, pobreza e doença não devem fazer parte da vida de um cristão. Se, porventura, um cristão estiver em tais circunstâncias é porque não tem fé. Dizem que Jesus teve de morrer espiritualmente para pagar pelos pecados do homem no inferno, pois sua morte física e seu sangue derramado na cruz foram insuficientes para fazer a expiação. Chegam ao ponto de negar a eficácia do sangue de Jesus. Alguns afirmam a deidade humana, dizendo serem deuses. Hagin, em seu livro “Zoe: a própria vida de Deus”, página 79, diz que nem Jesus Cristo tem uma posição mais elevada do que nós diante de Deus. Blasfêmia!

A teologia da Prosperidade tem suas raízes na Ciência Cristã, que é derivada do gnosticismo. Daí vemos o dualismo da teologia da prosperidade, quando diz que a morte física de Cristo não tem relevância em relação a redenção do nosso espírito, tendo Jesus que morrer também espiritualmente no “inferno”, tal dualismo revela-se também em seu misticismo em relação ao poder das palavras e em sua ênfase na confissão positiva.

Hoje percebemos uma ênfase exagerada no elemento “fé”, em detrimento da verdade e do amor. Um exemplo disto se vê na trágica história do menino diabético Wesley Parker, falecido em 23 de agosto de 1973, cujos pais cristãos foram presos por negligência, devido a teologia da prosperidade, que os levou a acreditarem firmemente na declaração de um pastor que, após a oração, afirmou que o menino havia sido curado. A partir daí, seus pais não mais permitiram que ele tomasse insulina o que acabou levando-o à morte. Mais tarde, arrependidos, escreveram o livro: “We let our son die”, que traduzido, significa "Nós deixamos nosso filho morrer". Neste livro eles reconhecem, com muita dor no coração, o lamentável fato de terem colocado a fé, ou, mais propriamente falando: o orgulho da fé, acima do amor pelo filho. Infelizmente, este não é um caso isolado.

Os adeptos da Teologia da Prosperidade são mais preocupados com a questão do sofrimento do que com a questão do pecado. Mais preocupados com prosperidade e saúde do que com santidade. Demonstram mais medo do azar (forças invisíveis que não conseguimos controlar) do que do pecado e do juízo final. Eles são produto desta sociedade consumista que valoriza o que é material, cujo deus é Mamom. O secularismo e o mundanismo estão ameaçando a sã doutrina.

Lucas 4, conta como foi que Jesus venceu as tentações da teologia da prosperidade sugeridas por Satanás. Interessante notar que após seu batismo, Jesus é movido pelo Espírito Santo para o deserto. Isto nos faz lembrar da história do Êxodo, que mostra o povo hebreu tendo que enfrentar um longo período no deserto após sua passagem pelas águas do Mar Vermelho antes de poder ingressar na Terra Prometida. Enquanto a teologia da prosperidade promete um paraíso na Terra, vemos as Escrituras nos despertando para a realidade do deserto. O paraíso ainda está por vir.

No deserto, Jesus teve fome. Jesus disse aos seus discípulos que eles teriam de enfrentar aflições neste mundo. A boa notícia é que Jesus venceu o Mundo! Venceus as tentações! Venceu a Satanás! Venceu a morte! Ressuscitou e prometeu que sempre estaria conosco! Não estamos abandonados e sós no deserto! A vara e o cajado do Bom Pastor nos consolam! Os anjos consolaram e sustentaram a Jesus no deserto! A Palavra de Deus foi alimento para Jesus no deserto (Dt 8.2-3). O povo hebreu recebeu maná dos céus no deserto. Lá a presença de Deus se manifestava de muitas formas, entre elas, através da arca, da nuvem que os conduzia de dia e da coluna de fogo que os iluminava e aquecia durante a noite!

Satanás aproveitou-se da fragilidade física de Cristo e de sua fome para tentá-lo propondo alívio milagroso para as suas privações físicas, além de muito poder, riqueza e sucesso. Jesus não se deixou seduzir pelo conforto, prazeres, riquezas, poder e glória deste mundo. Ele não pactuou com o diabo. Ele venceu o Mundo! Jesus provou amar mais a Deus do que as coisas do mundo. Ele pode dizer de verdade que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus.

Quando Satanás pediu para Jesus saltar do pináculo do templo apelando para o texto do Salmo 91 que trata da proteção dos anjos de Deus. Jesus rebateu a sugestão lembrando outro texto bíblico que diz que não devemos tentar ao Senhor nosso Deus. É certo que os anjos de Deus acampam-se ao redor daqueles que temem ao Senhor para os protegerem, mas não devemos abusar disto tomando atitudes estúpidas. Deus nos concedeu inteligência para que fizéssemos bom uso dela. Isto já faz parte da proteção de Deus. Agir de maneira imprudente e ainda esperar o socorro de Deus é o mesmo que tentar a Deus. Por exemplo, não devemos acelerar o máximo e pedir para Deus nos proteger nas curvas. "De Deus não se zomba, o que o homem plantar, isto também irá colher" (Gl 6.9). Por falar nisto, muitos adpetos da teologia da prosperidade, movidos pela ambição consumista, acabam contraindo dívidas muito acima das suas posses, baseados numa pretensa fé de que Deus os ajudará de alguma forma. Isto não não se chama fé, mas, sim, má fé!

Deus pode nos curar sem o auxílio de remédios, mas também pode fazer uso deles para nos sarar. Se alguém se sente curado, deve primeiramente receber um atestado médico de cura antes de suspender qualquer medicação, pois está escrito: "não tentarás ao Senhor teu Deus".

Satanás tentava a Cristo lançando dúvidas sobre sua filiação, provocando-o com a expressão: "Se és filho de Deus...". Jesus não entrou na provocação do Diabo, pois ele estava firmado na Palavra de Deus. Dias antes, por ocasião de seu batismo, ele ouvira a voz do Pai que dizia: "Este é o meu filho amado!" Jesus dava ouvidos a Deus e não a Satanás!

Jesus venceu o diabo, firmando-se na Palavra de Deus. Satanás mencionou as Escrituras, mas de modo seletivo e fora do contexto, assim como fazem os pregadores da teologia da prosperidade e todos os demais hereges. Jesus mostrou-se um profundo conhecedor das Escrituras e as usou apropriadamente como uma espada bem afiada para botar o diabo em fuga.
"Resisti ao diabo e ele fugirá de vós!"

Assim, Jesus venceu as tentações da teologia da prosperidade. Sigamos o seu exemplo! Sejamos seguidores de Cristo e não de pregadores hereges.

Esta palavra de alerta contra a teologia do prosperidade, não significa uma defesa da teologia da pobreza, pois não concordamos com tais extremos. De fato, há ricos e ricos e pobres e pobres. Ou seja, nem riqueza e nem pobreza por si mesmas são sinais incontestáveis de fé ou de falta de fé, de virtude ou de pecado. Não devemos concluir que alguém é abençoado espiritualmente por possuir muitos bens materiais e nem podemos dizer que alguém está pobre por falta de fé. Encontramos na Bíblia exemplos de justos que eram ricos como Abraão, José e Davi, e de justos que eram pobres como José e Maria, Jesus e seus discípulos. A história de Jó nos ensina que um justo pode cair enfermo e experimentar a pobreza como também pode receber cura e receber muitas riquezas. O Apóstolo Paulo disse que já havia experimentado carestia e fartura e havia aprendido a estar contente em toda e qualquer circunstância.

Somos contra a teologia da prosperidade porque ela ensina que Deus tem de nos fazer ricos e saudáveis. Uma coisa é ensinar que Deus tem o poder outra bem diferente é ensinar que Ele tem o dever. Deus não nos deve nada! Ele é livre para agir como bem quiser. Deus tem uma sabedoria muito além da nossa. Deus em sua soberania consegue traçar um bom caminho no meio do deserto e da tormenta (Naum 1.3). Partilhamos da teologia bíblica, sim, da teologia da possibilidade de Mesaque, Sadraque e Abednego que diante do Rei Nabucodunosor que os ameaça jogar na fornalha caso não adorassem um ídolo, responderam dizendo: "Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei.
E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste" (Dn 3.17-18). Vemos aí que eles criam que Deus era poderoso para operar um milagre, mas também estavam preparados para enfrentarem a morte caso fosse esta a vontade de Deus para eles.

Interessante observar que Deus livrou o Apóstolo Paulo da morte em distintas ocasiões, mas sabemos também que chegaria o dia em que o corpo de Paulo seria entregue como libação: "Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé" (2 Tm 4.6.10). E, o capítulo 12 de Atos, conta como Herodes matou a Tiago, irmão de João, mas não conseguiu fazer o mesmo com Pedro, que milagrosamente foi liberto da prisão. Por que teria Deus libertado somente a Pedro? Por que o mesmo anjo que libertou a Pedro não libertou também a Tiago? Sabemos que mais tarde, o próprio Pedro irá morrer como um mártir. Por que Paulo disse: "Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro" (Rm 8.36)? Vemos em tudo isto que a Bíblia não dá margem para uma teologia da prosperidade que quer tratar a Deus como se Ele fosse como o Gênio da Lâmpada de Aladim.

Deus tem vontade própria. Deus tem seus caminhos. Orar não é dar ordens a Deus. Orar não é reivindicar e exigir coisas de Deus. Orar não e preencher um cheque em branco assinado por Deus. Pois aprendemos na Bíblia que Deus somente atende as orações que estão de acordo com a sua vontade: “Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade ele nos ouve” (1 João 5.14); “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões” (Tg 4,3).

Boa parte da multidão que buscava a Jesus estava interessada somente nos milagres de cura e multiplicação de pães, o que chateou a Jesus a ponto dele dizer: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará" (Jo 6.26). No final deste discurso de Jesus, muitos a maioria o abandonou pois realmente só estavam interessados em Cristo como um meio para obtenção de bens físicos e materiais (Jo 6.66).

O discurso de Jesus vai de encontro ao discurso dos pregadores da teologia da prosperidade, que, ao contrário de Jesus, estão pregando o que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Tais pregadores são prisioneiros do espírito que opera sobre os filhos da desobediência, estão plenamente conformados ao espírito deste mundo e estão buscando popularidade, poder e dinheiro, tentações estas que Jesus resistiu heroicamente.

Ouçamos a mensagem de Jesus e busquemos primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, acumulando tesouros nos céus e não aqui na Terra. "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Cl 3.1).

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

Bispo Ildo Mello