segunda-feira, 28 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Não Depende de Nós




"Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (Romanos 9:16), "Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem" (Salmo 127:1-2).

Que lições podemos tirar para a nossa vida do texto acima? Podemos concluir que é inútil edificar, trabalhar, vigiar, levantar de madrugada, repousar tarde e comer o pão que penosamente granjeamos? Ou, por outro lado, seria certo deduzirmos que o negócio da vida é dormir, porque enquanto dormimos, Deus nos abençoa? Certamente estas seriam conclusões equivocadas. O texto não é um desestimulo a ação ou um convite à preguiça. Notar que as ações de edificar, trabalhar, vigiar, levantar de madrugada, repousar tarde e comer o pão que penosamente granjeamos somente são inúteis SE o Senhor não edificar, guardar, etc. Portanto, a questão da vaidade de qualquer ação humana passa pela condicional SE, que no caso está relacionada à própria ação de Deus. Em outras palavras, a nossa ação depende da ação de Deus.

O texto faz uma exaltação ao governo de Deus sobre todas as coisas, ao mesmo tempo que revela, nossa total dependência dEle.

Devemos refletir sobre as arrogantes pretensões humanas, como as que, por exemplo, caracterizavam aqueles que tentaram certa vez edificar a Torre de Babel. Rechaçando o orgulho humano, a auto-suficiência, a confiança no que supostamente temos e podemos. Lembramos o que também está escrito: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17:5).

A nossa confiança deve estar em Deus e não em nós mesmos. O que mais honra a Deus é a nossa fé e confiança nEle. Descansar em Deus significa entregarmos nossa causa, nossos problemas, nosso futuro nas mãos daquele que não somente é poderoso para nos socorrer como também é bondoso e misericordioso para conosco. É o que Davi revelou ao enfrentar o Gigante Golias. Davi não estava confiando em si mesmo, em sua habilidade com a funda, nem confiou na armadura, mas ele confiava em Deus, e em Seu nome enfrentou e venceu o gigante.

Descansar em Deus é uma das mais difíceis tarefas. A tendência humana é tentar confiar em nossas ações e nos recursos humanos. Por vezes, os homens depositam suas garantias naquilo que não é Deus, o que é uma espécie de idolatria, que entristece e ofende a Deus. Isaías relata como Deus ficou chateado com o povo, que num momento de crise, quando Israel estava a ponto de ser atacado pelo exército assírio, eles buscaram ajuda do Egito (Is 31). Deus nos convida a participar do Seu descanso (Mt 11.28,29), pois a vitória está em confiarmos e esperarmos tranqüilamente em Deus (Is 30.15). Não depende de nós, como por vezes supomos, mas depende da misericórdia divina (Rm 9.6, Ec 9.11; Sl 33.17; Pv 21.31; Jr 9.23,24; Pv 3.5). A nossa suficiência vem de Deus (2 Co 3.5), pois é Deus quem estabelece e remove reis, tempos e estações (Dn 2.20, 21). Por isso, a vitória que vence o mundo está e é a fé (1 Jo 5.4).

Nossa ação não deve ser encarada como uma coisa em si mesma. Devemos plantar e regar, sabendo sempre que o crescimento vem de Deus (1 Co3:6). Pensando assim, acabamos sendo encorajados a plantar mais, confiando tranqüilamente que Deus cuidará dos resultados. Portanto plantamos com santa expectativa, de que, ainda que com dor e sofrimento, um dia colheremos com alegria (Sl 126). Sendo assim, descansemos em Deus. Nada de ansiedade e preocupação (Lc 12.26). Coloquemos nossa vida e futuro nas mãos daquele que é poderoso e bom para cuidar de nós e confiemos em Suas promessas (Is 58.11, Sl 23). Confiemos no Agir de Deus, no cuidado de Deus, na justiça de Deus, na recompensa de Deus, no amor de Deus.

Bispo José Ildo S. Mello
www.metodistalivre.org.br

quarta-feira, 9 de junho de 2010

As Rivais

As Rivais

Por Bispo Ildo Mello


O Livro de Gênesis mostra a vida como ela é e não maquia a face de seus personagens. Os próprios patriarcas do povo hebreu são descritos como seres humanos normais sujeitos a muitos erros. Conflitos familiares são expostos com riqueza de detalhes, tais como os que envolveram Caim e Abel, Abraão e Ló, Sara e Hagar, Esaú e Jacó, José e seus irmãos. Veremos a seguir um embate muito interessante que aconteceu entre duas irmãs, Lia e Raquel, que, por uma série de circunstâncias, acabaram se tornando esposas de Jacó e passaram a disputar pelo coração de seu amado.

Examinando os capítulos 29 e 30 de Gênesis, vemos o seguinte contraste entre estas duas irmãs o que ajuda a entender os motivos de tanta rivalidade: Lia era mais velha que Raquel (29.16); Lia era feia (29.17) enquanto a Raquel era linda (29.17); De Lia, não ouvimos que ela tivesse ocupação, quanto a Raquel é dito que era pastora (29.9); Lia não recebe a mesma distinção que Raquel, que possuía notoriedade na sociedade (29.6); O texto revela poucos detalhes de Lia (29.16,17), enquanto Raquel é descrita com riqueza de detalhes (29.9- 10; 30.16-18); Para piorar a situação, é dito que Jacó amava a Raquel e que desprezava a Lia (29.18-31), de modo que ele não trabalhou nem uma hora por Lia, mas foi capaz de trabalhar 14 anos para conquistar o direito de se casar com Raquel (29.30). Por fim, observamos que nenhum diálogo é travado entre Jacó e Lia; Lia é totalmente ignorada; nenhuma emoção é externada a ela, nenhum olhar é descrito, em contrapartida, Jacó expressa muito carinho e dá muita atenção a Raquel, pois é dito que ele a viu, a ajudou, a beijou, chorou em sua presença, falou-lhe e a amou (29.10).

Em meio aos altos e baixos desta disputa, é interessante observarmos o uso que as duas irmãs fazem dos termos hebraicos Elohim e Adonai. Embora ambos sejam apropriados para se referir a Deus, nota-se uma curiosa peculiaridade do uso destes termos no livro de Gênesis, a começar pelo capítulo 1, que usa Elohim, que significa Deus, para descrevê-lo como criador do Universo, enquanto o capitulo dois usa o termo Adonai para falar especificamente da criação do ser humano, dando a entender uma noção de maior intimidade e proximidade. Estaria o autor se valendo destes termos para ressaltar os aspectos divinos de transcendência e imanência? Bem, parece que sim, pois o uso destes termos nos relatos do confronto das irmãs Lia e Raquel não é nem um pouco aleatório como veremos a seguir.

No início do conflito, vemos Lia muito abatida e humilhada por ter sido desprezada por Jacó. Quebrantada, Lia busca a proximidade e o auxílio do Senhor, que vem ao seu encontro para socorrê-la. Repare que Adonai é o termo usado (29.31-35). Enquanto isto, Raquel está muito segura de si, de suas habilidades e vantagens naturais. Sentindo-se auto-suficiente, não demonstra carecer tanto assim do auxílio e da presença de Deus. Tal noção de distância é expressa no uso do termo Elohim (30.6).

Mas, a situação vai se inverter. Raquel, quando se vê em apuros por ser estéril, não busca a ajuda de Deus, pois ela prefere confiar em seus próprios planos e soluções. Raquel, invejosa, apela para uma espécie de barriga de aluguel, fazendo uso de sua serva (30.3). E Lia ao ver a estratégia da irmã, não querendo ficar para trás, faz uso do mesmo recurso carnal (30.9) e por fim começa a não sentir tanto a necessidade da presença de Deus, passando, assim, a se referir a ele através do termo Elohim, o que sugere uma noção de distanciamento de Deus (30.18,20).

Então, durante a disputa, ambas se afastam de Deus a medida que passam a agir por conta própria, de acordo com suas próprias agendas. Numa certa altura do campeonato, Raquel cobiça as mandrágoras que Lia recebera de presente de seu filho Ruben. Raquel, supersticiosa, acreditava que tais mandrágoras pudessem curá-la para que ela fosse capaz de engravidar (30.15- 16). Raquel, desesperada, chega a propor um negócio a Lia e acaba se dando muito mal, pois o feitiço voltou-se contra o feiticeira, pois Raquel continuou estéril e Lia acabou dando à luz a mais dois filhos.

Então, no final da história, arrasada e quebrantada, Raquel deixa sua auto-suficiência de lado e busca a proximidade e a ajuda do Senhor, e o termo Adonai é usado para reforçar esta idéia de proximidade (30.24). O Senhor se compadece de Raquel, que concebe e dá à luz ao grande José. “Perto está o Senhor dos que tem o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.” (Sl 34.18; II Co 12.9-10).

Nesta história, ora Deus está do lado de Lia, ora está do lado de Raquel. Enquanto Jacó preferia Raquel por conta de sua aparência física, Deus está sempre do lado daquele que tem o coração contrito e quebrantado.

Podemos estar muito próximos de Deus, mas as pressões da sociedade nos conduzem à competição, stress, desejo de assumir o controle da própria vida, deixando de lado o Senhor. Nossa percepção dEle é, então, alterada (sentimento de distância). O Quebrantado tende a buscar a proximidade e o auxílio de Deus enquanto que o auto-suficiente confia mais em si e em seus recursos e tende a se manter mais distante de Deus. "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, pois, a Deus... Chegai-vos a Deus e Ele se chegará a vós outros... Humilhai-vos perante o Senhor e Ele vos exaltará..." (Tg 4:6-10).

terça-feira, 8 de junho de 2010

O Confronto das irmãs Lia e Raquel - Gn 29 e 30 (video)


Podemos estar muito próximos de Deus, mas as pressões da sociedade nos conduzem à competição, stress, desejo de assumir o controle da própria vida, deixando de lado o Senhor. Nossa percepção dEle é, então, alterada (sentimento de distância). Na disputa das irmãs, vemos as peculiaridades do uso dos termos Elohim e Adonai denotando suas perspectivas de proximidade e distância de Deus.