42,3 milhões de Evangélicos no Brasil, mas, e daí?

O IBGE acaba de divulgar o Censo Demográfico 2010 que destaca o grande crescimento dos evangélicos no Brasil, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%.

Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados.

Então, hoje, somos 42,3 milhões de evangélicos no país, mas e daí? Onde é que está o positivo impacto desta multidão de evangélicos no cenário nacional? Destes 42,3 milhões de evangélicos, quantos são realmente nascidos de Deus? Muitos professam terem tido um encontro com Deus, mas seguem vivendo como antes. Muitos buscam a Deus apenas pensando em receber bênçãos materiais. Tem muita gente nas igrejas, mas poucos convertidos. E boa parte da culpa se deve aos pregadores que estão pregando uma mensagem distorcida do Evangelho, dizendo o que o povo gosta de ouvir, escondendo o preço do discipulado. 


No entanto, um verdadeiro encontro com Deus deixa marcas! Abrão torna-se Abraão, Jacó transforma-se em Israel, Simão em Pedro, Levi em Mateus e Saulo em Paulo. Isaías exclamou: “ai de mim”! Zaqueu deixou de ser um corrupto ganancioso e passou a ser justo e caridoso. Ou seja, um verdadeiro encontro com Deus é impactante e transformador.

Alguém pode dizer: “eu creio, então, estou salvo”. O problema desta afirmação é que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.18), pois a verdadeira fé em Cristo é também transformadora. Quem reconhece que Jesus é o Senhor, deve também sujeitar-se ao seu senhorio.

É fácil perceber que a grande maioria das pessoas ao nosso redor professa uma fé cristã, mas Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7:21-23).


Jesus disse que "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3:3). Nascer de novo implica em mudança de vida, pois a nova criatura não pode permanecer a mesma, mas deve viver em novidade de vida (Rm 6.4).

Jesus também ensinou que o caminho da salvação era estreito e apertado (Mt 7.14), o que não condiz com a idéia de que basta crer. "Até o diabo crê e treme" (Tg 2.19). Como saber, então, se estamos no Caminho? Jesus mesmo responde a esta pergunta com a seguinte frase: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).

Se queremos conhecer que espécie de árvore somos nós, devemos examinar os frutos, pois eles são realmente reveladores. Paulo exorta os cristãos dizendo: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13:5).

João escreveu um livro para ajudar os cristãos a discernirem a autenticidade de seus relacionamentos com Cristo. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna” (1 Jo 5.13). Ele usa expressões descritivas das características dos salvos em Cristo que garantem aos possuidores delas a convicção de sua salvação. Tais expressões costumam conter os seguintes termos: “sabemos que” , “assim sabemos”, “deste modo sabemos”, “desta forma sabemos”, “conhecemos”, “assim conhecemos”, “nisto conhecemos”, “dessa forma reconhecemos”, “se alguém”, “dessa forma”, “quem não”, “todo aquele”, “todo aquele que é nascido de Deus”, “todo aquele que ama”, “todo aquele que crê”, “aquele que é”...

De acordo com João, aquele que é nascido de Deus apresenta as seguintes características:

  1. Tem comunhão com Deus e lhe obedece (1 Jo 1.3,5,71 Jo 2:3,5,14,24,281 Jo 3:16,241 Jo 4:161 Jo 5:2,20)
  2. Tem comunhão com a Igreja e não somente com Deus (1Jo 1.3,71 Jo 5:21 Jo 3:10,141Jo 2:9,10,19Hb 10:25).
  3. Tem comunhão com a Verdade (1Jo 2:14,20,22,241Jo 3:191Jo 4:1-61 Jo 5:6,10,20,212 Jo 1:7
  4. Tem o testemunho do Espírito Santo (1Jo 2.27; cf Rm 8.14-16; 1Jo 3.24; 1Jo 4.13; 1Jo 5.6,10
  5. Tem respostas para as suas orações (1 Jo 3.22 cf. Tg 5.16; Jo 15.71Jo 5:15)
  6. Tem vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo (1Jo 2.14-151 Jo 3.4-91 Jo 5.4,5,18).

Portanto, crentes sem frutos não encontram base para segurança de sua salvação (Jo 15.2). O verdadeiro cristão não pode amoldar-se a forma deste mundo (Rm 12.1-2).

A quantidade numérica não impressiona a Deus. Qualidade é mais importante que quantidade. Foi com apenas 300 soldados que Gideão venceu a guerra (Jz 7.7)! Sabendo disto, João Wesley orava assim: “Senhor, dá-me cem homens que não temam outra coisa senão o pecado, não amem outra pessoa senão a Deus, e eu abalarei o mundo. Não me importo se eles são pastores ou leigos, com eles eu devastarei o reino de Satanás e edificarei o Reino de Deus na Terra”. E o avivamento Wesleyano impactou a Inglaterra no século XIX!

Quem dera pudéssemos ter no Brasil 42,3 milhões de nascidos de Deus!

Bispo Ildo Mello

Comentários

  1. Verdade...devemos sempre nos questionar o que estamos buscando em uma Igreja, se é a Deus ou as necessidades e vontades proprias.
    Muito bom texto!!!

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  2. A teologia wesleyana é impressionante e tão necessária nos nossos dias de hoje.

    Mais à noite, estarei pregando sobre a verdadeira convervão genuína, sobre a "Perfeição cristã"...

    estamos tão distantes de tudo isso, infelizmente.

    ótima postagem, Bispo, parabéns.


    Pr. Júlio César L. Ronqui
    Caape

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  3. É muito bom saber que ainda existem muitos fiéis discípulos de Jesus Cristo.

    ResponderExcluir
  4. Boa pergunta. E daí? Igreja sem vidas transformadas não salga este mundo nem o ilumina.
    A meditação ensejada pela pergunta, é não apenas correta, mas urgente, vital até. Pena que seja conhecida por bem poucos daqueles que são denominados cristãos ou evangélicos.
    Pontuo apenas uma discordância. Não posso crer que a qualidade é mais importante do que a quantidade. As duas devem andar (e andam) juntas.
    Deus não se impressiona com nada, mas ele quer ter muitíssimos filhos. Fora o fato de que deseja que todos sejam salvos.
    Qualidade e quantidade nunca foram excludentes.
    Quantidade sem qualidade é religião morta feita para as massas .
    Qualidade sem quantidade se constitui numa impossibilidade. A menos que estejam todos encarcerados.
    Um diz: "Somos poucos, mas somos bons". O outro responde: "Não pode ser. Pois se fossem bons não seriam poucos, visto que os bons oram, pregam, visitam, servem, amam, e finalmente conquistam".
    Prova disto é o movimento metodista dos tempos de Wesley. Nunca pensaram em mediocridade. Nem no que se refere à qualidade, muito menos à quantidade.
    Por isso encheram a Inglaterra e logo após os EUA, com multidões de santos que serviram a Deus com suas vidas.
    Abraço

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    1. Amém! Também entendo que quantidade e qualidade não são excludentes. o ideal é que a igreja cresça com qualidade.

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  5. Paz do Senhor! Tenho dúvidas quanto aos que morreram sem ouvir falar de Jesus. Tem os q conhecem e n querem aceitá-Lo mas, os q nunca ouviram nem falar, como será a salvação e/ou julgamento deles se podem dizer: Senhor, nunca ouvir falar, como me jugas?
    Obrigado e fiquem na Paz!
    Seminarista Edson Alves - 100% Jesus

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    1. Caro Seminarista Edson,

      Este é um assunto bastante controverso. Existem os exclusivistas, os inclusivistas, os pluralistas e os universalistas. Existem também os que acreditam que a salvação não implica em discipulado. Sobre tal tema escrevi o seguinte artigo, intitulado "Os Termos da Salvação": http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2011/03/os-termos-da-salvacao.html

      Aprendemos que a pergunta no dia do Juízo Final não é quem conhece a Jesus, mas quem é que Jesus conhece. "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade" (Mt 7:22-23). De modo que haverá muitas surpresas no dia do Juízo.

      Por um lado, sei que Deus não leva em conta os tempos da ignorância (At 17.30). Sei também que Paulo fala sobre gentios que, mesmo sem o conhecimento formal da lei divina, caminham de acordo com a lei moral implantada em seus corações: "Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho... Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará porventura a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei?" (Rm 2:6-27).

      Mas também sei que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, estando, portanto, mortos nos seus delitos e pecados, e que há somente um caminho para Deus, pois que também sé existe um único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo. Sei que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. E, para que isto aconteça, é imprescindível a pregação do Evangelho. De modo que, ainda que seja possível que o Senhor Jesus salve pessoas que vivem sem o conhecimento do Evangelho, não sou nenhum pouco encorajado a confiar e a descansar nesta hipótese. Cabe a Deus decidir tais questões e cabe a mim pregar o Evangelho.

      Um grande abraço,

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