segunda-feira, 18 de junho de 2012

Gondim afirma que Segunda Vinda é utopia motivacional

Ricardo Gondim fez a seguinte afirmação em uma palestra que proferiu aos pastores em Março de 2011:
“A volta de Cristo está revelada nas escrituras, não para a gente esperar por Ele. A volta de Cristo está revelada nas escrituras para nos mobilizar a ir na direção daquilo que a volta de Cristo significa, a agirmos, para dizer que o Reino de Deus é chegado entre os homens”. 
O vídeo desta palestra que estava publicado no Youtube, por alguma razão desconhecida, foi removido. Eu e muitas outras pessoas tivemos a oportunidade de assistir para confirmar que ele realmente ensinou isto. O link era este: http://www.youtube.com/watch?v=ihP-U4q53eY&feature=youtu.be

Então, para o Gondim, a Segunda Vinda não é um evento a ser aguardado pela Igreja, mas uma motivação para a Igreja trabalhar para produzir aquilo que a Segunda Vinda de Cristo significa. No entanto, a Segunda Vinda de Cristo não é uma utopia motivacional, mas, sim, a bendita esperança cristã baseada na palavra daquele que é fiel e poderoso para cumprir o que prometeu. "De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade" (2 Pe 1:16)

O Reino de Deus foi inaugurado na Primeira Vinda de Cristo, a igreja é o Corpo de Cristo, uma poderosa agência do Reino, que encontrará sua plenitude por ocasião da Segunda Vinda, que trará o juízo final e um novo tempo em uma nova terra.

É certo criticar a passividade de muitos cristãos que aguardam de braços cruzados o retorno de Cristo como solução de todos os problemas, mas não à custa do esvaziamento da promessa da Segunda Vinda de Jesus. "Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem" (Mt 24:27).


Gondim está plenamente equivocado quando afirma que a esperança da Segunda Vinda levou muitos tessaloniscenses à um comodismo, pois a causa do problema não foi a esperança, mas o falso ensino que dizia que a Segunda Vinda já havia ocorrido. "Irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso reencontro com ele, rogamos a vocês que não se deixem abalar nem alarmar tão facilmente, quer por profecia, quer por palavra, quer por carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor já tivesse chegado" (2 Ts 2.1-2).

A Segunda Vinda de Cristo será um evento real, concreto, pessoal e visível conforme a promessa de Jesus que diz: "Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória" (Mc 13.26).

Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12). Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos a cumprirem o seu papel evangelizador, apressando, assim, a volta de Jesus.

O derramamento do Espírito em Pentecoste ocorreu imediatamente após a ascensão de Cristo e é inseparável dela. Jesus foi entronizado como Senhor e Messias (At 2.36), como o Rei de todo o Universo, e é desta exaltada posição que ele enviou o seu Espírito para capacitar a sua Igreja a cumprir sua missão de fazer discípulos de todas as nações.

Portanto, a Segunda Vinda de Cristo não deve ser encarada como uma utopia motivacional, mas como a bendita esperança de um retorno real, físico e glorioso de Jesus Cristo o que também nos impulsiona ao cumprimento de nossa missão na Terra.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

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