Pular para o conteúdo principal

Gondim afirma que Segunda Vinda é utopia motivacional

Ricardo Gondim fez a seguinte afirmação em uma palestra que proferiu aos pastores em Março de 2011:
“A volta de Cristo está revelada nas escrituras, não para a gente esperar por Ele. A volta de Cristo está revelada nas escrituras para nos mobilizar a ir na direção daquilo que a volta de Cristo significa, a agirmos, para dizer que o Reino de Deus é chegado entre os homens”. 
O vídeo desta palestra que estava publicado no Youtube, por alguma razão desconhecida, foi removido. Eu e muitas outras pessoas tivemos a oportunidade de assistir para confirmar que ele realmente ensinou isto. O link era este: http://www.youtube.com/watch?v=ihP-U4q53eY&feature=youtu.be

Então, para o Gondim, a Segunda Vinda não é um evento a ser aguardado pela Igreja, mas uma motivação para a Igreja trabalhar para produzir aquilo que a Segunda Vinda de Cristo significa. No entanto, a Segunda Vinda de Cristo não é uma utopia motivacional, mas, sim, a bendita esperança cristã baseada na palavra daquele que é fiel e poderoso para cumprir o que prometeu. "De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade" (2 Pe 1:16)

O Reino de Deus foi inaugurado na Primeira Vinda de Cristo, a igreja é o Corpo de Cristo, uma poderosa agência do Reino, que encontrará sua plenitude por ocasião da Segunda Vinda, que trará o juízo final e um novo tempo em uma nova terra.

É certo criticar a passividade de muitos cristãos que aguardam de braços cruzados o retorno de Cristo como solução de todos os problemas, mas não à custa do esvaziamento da promessa da Segunda Vinda de Jesus. "Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem" (Mt 24:27).


Gondim está plenamente equivocado quando afirma que a esperança da Segunda Vinda levou muitos tessaloniscenses à um comodismo, pois a causa do problema não foi a esperança, mas o falso ensino que dizia que a Segunda Vinda já havia ocorrido. "Irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e o nosso reencontro com ele, rogamos a vocês que não se deixem abalar nem alarmar tão facilmente, quer por profecia, quer por palavra, quer por carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor já tivesse chegado" (2 Ts 2.1-2).

A Segunda Vinda de Cristo será um evento real, concreto, pessoal e visível conforme a promessa de Jesus que diz: "Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória" (Mc 13.26).

Pedro ensina que podemos fazer algo para “apressar” a Segunda Vinda de Cristo (2 Pe 3.12), que depende, em algum sentido, das conversões (At 3.19-21). Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (Mc 13.10; cf. Mt 24.14). Conforme o ensino do apóstolo Pedro, a Segunda Vinda de Cristo não é iminente, pelo contrário ela depende da realização dos propósitos de Deus, que, por sua vez, estão vinculados à missão da Igreja. É desta forma que podemos entender o que o apóstolo quer dizer com esta incumbência dada aos cristãos de “apressar” a vinda do Senhor (2 Pe 3.12). Seria contraditório crer que a Segunda Vinda de Cristo pode se dar a qualquer momento, independente de qualquer fator ou cumprimento profético, e, ao mesmo tempo, ensinar que pode ser feito algo para apressar a vinda do Senhor. Ou Pedro era um pré-tribulacionista que acreditava que a Segunda Vinda de Cristo era iminente ou era, como deixou claro em sua segunda epístola, daqueles que acreditam que a Segunda Vinda do Senhor depende, entre outras coisas, da obra missionária da Igreja. Por isso, exorta os cristãos a cumprirem o seu papel evangelizador, apressando, assim, a volta de Jesus.

O derramamento do Espírito em Pentecoste ocorreu imediatamente após a ascensão de Cristo e é inseparável dela. Jesus foi entronizado como Senhor e Messias (At 2.36), como o Rei de todo o Universo, e é desta exaltada posição que ele enviou o seu Espírito para capacitar a sua Igreja a cumprir sua missão de fazer discípulos de todas as nações.

Portanto, a Segunda Vinda de Cristo não deve ser encarada como uma utopia motivacional, mas como a bendita esperança de um retorno real, físico e glorioso de Jesus Cristo o que também nos impulsiona ao cumprimento de nossa missão na Terra.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma exortação para que haja ordem e decência nos cultos

"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (I Co 14:40)

O Apóstolo Paulo exorta desta maneira a igreja de Corinto que precisava aprender que a ação do Espírito produz ordem e e decência, e não bagunça e confusão. A liberdade do Espírito não é incompatível com a ordem e a decência deste mesmo Espírito, pois "Deus não é Deus de desordem" (1Co 14.33). Portanto, toda desordem no culto não é de procedência divina. Sabedores disto, cabe aos pastores botarem ordem na casa, não permitindo que o culto seja enrolado e descontrolado. Assim como Paulo estabeleceu regras para o bom andamento do culto, devemos nós fazer o mesmo.

Alguns exemplos de coisas que devemos evitar em um culto:

O culto deve ser objetivo, enxuto, sem vãs repetições.

Cada participante deve possuir uma clara consciência da integridade do culto para não invadirmos a área do outro.

Um dirigente de culto e um líder de louvor não devem fazer comentários bíblicos prolongados, visto que já teremos um pregador…

Lições extraídas da história de Mefibosete

Áudio:
Vídeo:
Mefibosete from Ildo Swartele Mello on Vimeo.

Lições extraídas da história de Mefibosete Mefibosete nasceu num "berço de ouro" de um "palácio real", pois era neto do Rei Saul, filho do Príncipe Jônatas (2Sam 4.4). Entretanto, uma tragédia se abateu sobre sua vida quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Israel foi derrotado em uma sangrenta batalha. A notícia da morte de Saul e de Jônatas chegaram até a casa real; então, a babá de Mefibosete, temendo que o menino também fosse morto, o toma em seus braços e foge correndo, mas, na pressa, acaba tropeçando e deixando o menino cair. Na queda, Mefibosete despedaça os pés e fica aleijado.

Agora, ele está órfão de pai e mãe. Perdeu a majestade, perdeu a saúde e vive escondido em um humilde povoado na casa de um bom homem chamado Maquir, que foi quem o amparou, adotando-o como filho.

Tais tragédias são frutos da rebeldia do Rei Saul, que plantou ventos e acabou colhendo tempestades devastadoras para a sua …

A Igreja passa pela Grande Tribulação?

IntroduçãoOs pré-tribulacionistas afirmam que Deus não permitirá que a Igreja sofra no período da Grande Tribulação. Mas, não existe nenhum versículo bíblico que ensine que a Igreja não passará pela Grande Tribulação e nada existe também na Bíblia sobre uma Segunda Vinda de Cristo em duas fases ou etapas, separadas por sete anos de Grande Tribulação, e também não há nada sobre um arrebatamento “secreto”, pois não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-17; Mt 24.31). 
Outra incongruência deste ponto de vista é a ideia de um arrebatamento para tirar a Igreja e o Espírito Santo da Terra antes da manifestação do Anticristo. Se este fosse o caso, o Anticristo seria anti o quê? Anticristos são falsos profetas que já atuavam no mundo nos tempos mais primitivos da Igreja. Não devemos confundir Anticristo com a Besta ou Bestas Apocalípticas. Todas as menções ao(s) Anticristo(s) aparecem nas epístolas joaninas e dizem respeito aos hereges o…