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Natal para os pobres



A simplicidade da estrebaria e da manjedoura, cenário do Natal de Jesus, tem sido substituída por luxo, ostentação e extravagância, e Papai Noel tem usurpado o lugar de Jesus. Um Natal materialista e consumista acentua ainda mais a dor dos pobres, dos desempregados, dos sem-teto e enfermos, suscitando protestos como o daquela famosa canção que diz: "eu pensei que todo mundo fosse filho de papai noel". No entanto,  o verdadeiro Natal é boa notícia para todos, quer sejam ricos ou pobres, empregados ou desempregados, saudáveis ou doentes.

Não nos esqueçamos que o Natal chegou para o casal José e Maria, que naquela noite estavam sem-teto. Um anjo anunciou o nascimento de Jesus aos pobres pastores que tomavam conta das ovelhas durante o turno da noite. Primeiramente o anjo disse: “Não temas!”. Como é bom ouvir uma voz celestial dizendo “não temas” num mundo tão conturbado e ameaçador. E o anjo continua dizendo: “eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura” (Lc 2.10-12).

Que boa-nova! A boa-nova do Evangelho para ser redundante de propósito, pois Evangelho significa: Boa nova. O Natal do Senhor Jesus, Filho de Deus, é a melhor de todas as notícias, pois é mensagem de vida, de paz, de amor, de tremenda alegria pela esperança na justiça e na vitória do bem sobre o mal. É boa-nova para todos os povos, sejam eles judeus ou árabes, negros ou brancos, pobres ou ricos. Deus não faz acepção de pessoas.

E o anuncio termina apontando para um curioso sinal: “encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura”. Era de se esperar que o futuro Rei nascesse em berço de ouro. Lembro, que os Reis Magos, primeiramente, procuraram em vão pelo bebê no Palácio do Rei Herodes. Uma manjedoura parece um berço muito inadequado para alguém tão especial. Lucas nos informa que Maria deu a luz numa estrebaria ou estábulo, porque todas as portas das hospedarias se fecharam para o casal. Numa hora tão importante como a do parto, o pobre casal parece abandonado e em apuros. Mas esta é uma falsa impressão. José e Maria são agraciados com o nascimento de Jesus. Aquele estábulo foi palco do momento mais extraordinário da história humana. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14).

As hospedarias estavam cheias, Jesus encontrou lugar para nascer em um estábulo e seu berço foi uma manjedoura. Jesus continua buscando corações humildes como uma manjedoura para repousar e manifestar a Sua glória! Interessante notar que no primeiro Natal não houve lugar para Jesus nas hospedarias e lares, pois estavam todos tão ocupados com distintas outras coisas que lhes pareceram muito mais prioritárias e interessantes, que “não houve lugar para Ele”. Hoje, também corremos o risco de estarmos ocupados a ponto de não darmos lugar a Cristo em nossas vidas.

A alegria do Natal não está em presentes e mesa farta, mas em acolhermos a Jesus. Ah! Se, na época do Natal, as igrejas estivessem tão cheias como os supermercados e os centros comerciais! Ah! Se as pessoas, ao invés de se empanturrarem de comida e bebida, dessem ouvidos àquele que disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Ah! Se todos tivessem um coração tão humilde como uma manjedoura, onde Jesus Cristo pudesse nascer! Aí, sim, cada um poderia experimentar, de forma pessoal e profunda, o verdadeiro sentido do Natal.


Bispo José Ildo Swartele de Mello

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