Dois chamados, dois toques e duas cruzes

 Dois chamados, dois toques e duas cruzes

O processo do discipulado em Marcos 8, do "Vinde" ao "Ide"

1. Perguntas norteadoras

Por que os discípulos, depois de presenciarem duas multiplicações de pães, ainda se afligiam por não terem pão no barco? Por que Jesus curou um cego em duas etapas, sendo que poderia tê-lo curado com uma só palavra? Como Pedro pôde fazer a maior confissão de fé dos Evangelhos e, minutos depois, ser chamado de Satanás? E o que um mendigo cego, sentado à beira do caminho de Jericó, tem a nos ensinar sobre ser discípulo de Cristo? Estas perguntas encontram resposta quando lemos Marcos 8 como aquilo que ele é: a sala de aula de Jesus, o coração do processo de formação de discípulos.

2. Do "Vinde" ao "Ide": o discipulado como processo

O Evangelho de Marcos é o mais conciso dos quatro: direto, objetivo e cheio de histórias, podendo ser lido em uma única sentada. Logo no capítulo 1 encontramos aquele bendito chamado: "Venham comigo, e eu farei de vocês pescadores de gente" (Mc 1.17). E, chegando ao capítulo final, lemos a ordem de envio: "Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15). Entre esses dois extremos, o "Vinde" e o "Ide", está todo o processo de formação de discípulos: cerca de três anos e meio de convivência, ensino e prática missionária, nos quais Jesus trabalhou intensamente para transformar pescadores de peixes em pescadores de gente.

Note bem: não foi de uma vez só; foi um caminho. E isto já é a primeira lição do estudo. Ninguém se torna discípulo maduro no dia da conversão, assim como ninguém se forma médico no dia da matrícula. O discipulado é processo, e Marcos estruturou o seu Evangelho para mostrar exatamente isso. Bem no meio do livro, o capítulo 8 concentra, num único dia, os elementos fundamentais desta escola: a compaixão que supre, a correção da incredulidade, a visão que amadurece em dois toques, as duas perguntas que definem a fé, a confissão e o tropeço de Pedro e o chamado à cruz. Um dia inteiro com Jesus. Imagine o impacto disso.

Há ainda um detalhe da arquitetura de Marcos que ilumina tudo o que vem a seguir. A grande seção do discipulado, em que Jesus ensina no caminho para Jerusalém, é emoldurada por duas curas de cegos: o cego de Betsaida, curado em dois toques (Mc 8.22-26), e o cego Bartimeu, curado à saída de Jericó (Mc 10.46-52). Não é coincidência. Marcos está nos dizendo que o tema central desta seção é aprender a enxergar: enxergar quem Jesus é, enxergar o caminho da cruz e enxergar, com os olhos dele, o mundo que ele veio salvar.

3. A segunda multiplicação: a compaixão que supre (Mc 8.1-10)

O capítulo abre com a segunda multiplicação de pães e peixes. Isso, por si só, já ensina: milagres grandes podem se repetir; Deus não está limitado a agir uma única vez. A multidão estava com Jesus havia três dias num lugar deserto, ouvindo a sua voz, sem murmurar nem reclamar de fome (Mc 8.2). Isto é notável, quase um milagre silencioso: três dias de jejum forçado e nenhuma murmuração. A Palavra os alimentava mais do que o pão, pois "nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt 4.4).

Mas observe quem toma a iniciativa. Ninguém pediu nada. Foi Jesus quem percebeu a necessidade e disse: "Tenho compaixão desta multidão... Se eu os mandar para casa em jejum, vão desfalecer pelo caminho; e alguns deles vieram de longe" (Mc 8.2-3). Ele viu o sacrifício de quem veio de longe, valorizou este esforço e providenciou o milagre a partir de sete pães e alguns peixinhos, e todos comeram e se fartaram, sobrando ainda sete cestos cheios (Mc 8.5-8). Assim é o nosso Senhor: ele vê o que ninguém vê. Viu a oferta da viúva pobre que ninguém notou (Mc 12.41-44), conhece a palavra antes que chegue à nossa língua (Sl 139.4) e é "socorro bem presente na angústia" (Sl 46.1). Por isso Paulo pode nos exortar: "Sejam firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é em vão" (1 Co 15.58). Deus vê o nosso esforço, e a sua compaixão supre o que a nossa dedicação não alcança.

4. O fermento e a memória: a correção da incredulidade (Mc 8.11-21)

Logo em seguida, os fariseus exigem um sinal do céu, mesmo depois de tantos milagres (Mc 8.11-12). Há pessoas que, por mais sinais que vejam, permanecem incrédulas (Mt 12.38-39), porque o problema delas não está nos olhos, mas no coração. Jesus suspira profundamente no espírito e embarca com os discípulos para a outra margem. E no barco acontece a cena que seria cômica se não fosse tão parecida conosco: eles se esqueceram de levar pão, restou um único pão para todos, e começa a discussão sobre quem esqueceu (Mc 8.14, 16).

Jesus então os adverte: "Cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes" (Mc 8.15). O fermento é aquilo que, em pequena quantidade, leveda a massa toda: a incredulidade dos fariseus, que viam milagres e pediam sinais, podia contaminar também os discípulos. E a repreensão vem sem anestesia: "Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão? Ainda não compreendem nem entendem? Vocês têm o coração endurecido? Tendo olhos, não veem?" (Mc 8.17-18). Em seguida, Jesus aplica o remédio da memória: "Quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram?" Doze. "E quando parti os sete pães para os quatro mil?" Sete (Mc 8.19-20). E conclui: "Vocês ainda não entendem?" (Mc 8.21).

Aqui está uma das lições mais práticas do capítulo: os milagres de Jesus têm função pedagógica. Eles não existem apenas para resolver a crise do momento, mas para ensinar quem ele é e em quem devemos confiar na crise seguinte. A ansiedade diante do pão que falta é, no fundo, um problema de memória: esquecemos os cestos que sobraram. O discípulo maduro cultiva a memória das misericórdias de Deus, como Israel era exortado a fazer (Dt 8.2-3; Sl 103.2), e enfrenta a crise de hoje lembrando-se da provisão de ontem.

5. Os dois toques de Betsaida: a visão que amadurece (Mc 8.22-26)

Ao chegar a Betsaida, trazem a Jesus um cego. E aqui temos algo único: é o único milagre de cura registrado em duas etapas. No primeiro toque, o homem passa a ver de forma turva: "Vejo os homens, porque, como árvores, os vejo andando" (Mc 8.24). No segundo toque, passa a ver tudo claramente, ainda de longe (Mc 8.25). Jesus poderia tê-lo curado com uma palavra, como fez tantas vezes. Por que dois toques?

A resposta está na posição do milagre. Ele vem imediatamente depois de Jesus perguntar aos discípulos: "Tendo olhos, não veem?" (Mc 8.18), e imediatamente antes da confissão ainda imperfeita de Pedro. O milagre físico é uma parábola encenada da condição espiritual dos discípulos: eles já haviam recebido um primeiro toque, já viam mais do que antes, já haviam deixado tudo para seguir a Jesus, mas ainda enxergavam de modo embaçado, confundindo o Messias sofredor com um rei de glória imediata. A visão espiritual, como a deles, amadurece por etapas. Quantos de nós não estamos exatamente aí: já tocados por Cristo, já fora da escuridão, mas ainda vendo homens como árvores que andam? A boa notícia é que Jesus não abandona a obra no primeiro toque. Aquele que começou a boa obra há de completá-la (Fp 1.6). Às vezes, o que mais precisamos pedir é um segundo toque.

6. As duas perguntas: quem dizem e quem vocês dizem (Mc 8.27-30)

No caminho para Cesareia de Filipe, Jesus faz a primeira pergunta: "Quem os homens dizem que eu sou?" (Mc 8.27). A resposta revela a visão da multidão: João Batista, Elias, um dos profetas (Mc 8.28). Era uma visão elogiosa, mas turva; viam algo de muito bom em Jesus, mas não viam o Filho de Deus. E esta continua sendo a visão do mundo até hoje: Jesus como grande mestre, como revolucionário, como exemplo moral. Tudo verdadeiro, tudo insuficiente.

Então vem a segunda pergunta, aquela da qual ninguém escapa: "E vocês, quem dizem que eu sou?" (Mc 8.29). Pedro responde: "Tu és o Cristo" (Mc 8.29), e Mateus registra o complemento: "o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16), bem como a declaração de Jesus de que não foi carne nem sangue que lhe revelou isso, mas o Pai que está nos céus (Mt 16.17). Eis a maior de todas as confissões: reconhecer Jesus não apenas como profeta, mas como o Messias, o Filho de Deus (Jo 1.14; 20.31). Nenhuma pesquisa de opinião salva ninguém; a fé que salva é sempre resposta em primeira pessoa. A pergunta de Jesus não é "o que a sua igreja diz de mim?", nem "o que os seus pais dizem de mim?", mas "quem você diz que eu sou?".

7. A confissão e o tropeço: as duas cruzes (Mc 8.31-38)

Feita a confissão, Jesus começa a ensinar abertamente que "era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e, depois de três dias, ressuscitasse" (Mc 8.31). E Pedro, o mesmo que acabara de confessar, chama Jesus à parte e começa a repreendê-lo (Mc 8.32). É como se dissesse: nada de sofrimento, nada de morte, nada de cruz, só vitória. A resposta de Jesus é a repreensão mais dura dos Evangelhos: "Para trás de mim, Satanás! Porque você não pensa nas coisas de Deus, e sim nas dos homens" (Mc 8.33). A dureza se explica: Pedro repetia, sem saber, a tentação do deserto, quando o diabo ofereceu a Jesus glória sem cruz (Mt 4.1-11). O mesmo Pedro alternava altos e baixos, visão e cegueira; a sua visão de Cristo era real, mas ainda de primeiro toque. Só depois da ressurreição os seus olhos foram plenamente abertos para o lugar da cruz no ministério do Messias.

E então Jesus, chamando a multidão com os discípulos, estende o chamado a todos: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho vai salvá-la. Pois que adianta alguém ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.34-36). Há, portanto, duas cruzes neste capítulo: a cruz de Cristo, que só ele podia carregar, na qual foi consumada a nossa redenção; e a cruz do discípulo, que ninguém pode carregar por nós: a renúncia diária de si mesmo para viver sob o senhorio de Jesus (Lc 9.23; Gl 2.20). Satanás continua operando hoje onde operou em Pedro: cegando o entendimento de seguidores de Jesus para que pensem em Deus apenas em termos do aqui e agora. Mas "se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os seres humanos" (1 Co 15.19). O sofrimento pelo Reino não é acidente de percurso; é graça concedida: "a vocês foi dada a graça de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele" (Fp 1.29).

8. O custo do discipulado: a loucura santa

Ao meditar neste chamado radical, me vem à memória Fernando Pessoa. O poeta português cantou os grandes feitos das navegações e perguntou pelo seu preço: "Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar!". E respondeu: "Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor". Um povo pequeno realizou feitos enormes porque houve quem pagasse o preço: noivas sem casar, famílias separadas, sonhos deixados na praia. Noutro poema, sobre D. Sebastião, Pessoa vai mais longe: "Louco, sim, louco, porque quis grandeza qual a Sorte a não dá"; e arremata que, sem a loucura de viver por um propósito maior, o homem é "cadáver adiado que procria". Sem um ideal que valha a vida, apenas existimos até morrer.

Aqui, porém, está a diferença essencial. Os portugueses lutaram por mares, impérios e glórias temporais; Jesus nos chama a um ideal eterno. Eles atravessaram oceanos para conquistar terras; Jesus nos chama a negar a nós mesmos para herdar o Reino de Deus. Eles buscaram impérios que passaram; Jesus nos chama a participar de um Reino que jamais passará (Dn 7.14; Hb 12.28). Se homens foram capazes de tamanha renúncia por glória humana, quanto mais nós, por amor daquele que nos amou primeiro e se entregou por nós (1 Jo 4.19; Gl 2.20)? Seguir a Cristo é assumir esta loucura santa: sair do conforto, deixar o areal firme e lançar-se ao mar da fé, não por poder, glória ou fama, mas por vida eterna. Aos olhos do mundo, loucura; para nós, "a loucura de Deus é mais sábia do que os homens" (1 Co 1.18, 25).

9. Bartimeu: o retrato do discípulo que enxerga (Mc 10.46-52)

A seção do caminho, que começou com o cego de Betsaida, termina com outro cego: Bartimeu, à saída de Jericó, quando Jesus rumava para Jerusalém, para a sua Páscoa. Marcos o destaca de propósito. Bartimeu é o último convertido mencionado no Evangelho, e os últimos serão os primeiros; é o primeiro curado cujo nome é registrado; e é o primeiro a proclamar Jesus publicamente como Messias, clamando "Jesus, Filho de Davi!" (Mc 10.47). O homem que era desprezado por todos foi honrado na Bíblia com a menção do seu nome. Miserável e cego, ele enxergava melhor do que todos ao seu redor, e por isso é o melhor paradigma de discípulo no Evangelho de Marcos. Observe o que ele enxerga.

Ele enxerga a própria necessidade. Estava cego, arruinado, reduzido a mendigar, fora da cidade, assentado à beira do caminho (Mc 10.46), carregando ainda o estigma de quem era tido como maldito. Como se aprende nos Alcoólicos Anônimos, o primeiro passo de qualquer libertação é enxergar o próprio problema; o fariseu de Lc 18.11-12 não foi justificado porque não via necessidade alguma. Ele enxerga Cristo como a solução e clama a ele sem cerimônia. Ele enxerga que não possui méritos: não pede o que merece, clama por misericórdia: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!" (Mc 10.47). Ele enxerga quem Jesus é, pois "Filho de Davi" é confissão messiânica (2 Sm 7.12-16; Is 11.1), feita por um cego que nunca viu um milagre. E enxerga com tal convicção que não desiste diante dos obstáculos: muitos o repreendiam para que se calasse, e ele clamava ainda mais (Mc 10.48). Aqueles discípulos, advertidos pouco antes sobre o perigo de se tornarem pedra de tropeço para os pequeninos (Mc 9.42), agora mandavam calar um mendigo; a cegueira espiritual não estava nos olhos de Bartimeu. Jesus quer mudar a nossa visão e a nossa atitude em relação aos miseráveis: felizes os amigos que, como os do paralítico, aproximam os necessitados de Jesus em vez de afastá-los (Mc 2.3-5).

Então Jesus parou (Mc 10.49). O Rei, a caminho da sua cruz, para por causa de um mendigo. E, na sua bondade, concede aos discípulos a oportunidade de se redimirem: "Chamem-no". Agora os que mandavam calar dizem: "Coragem! Levante-se! Ele está chamando você" (Mc 10.49). Bartimeu dá ouvidos ao chamado prontamente: lança de si a capa, levanta-se de um salto e vai ter com Jesus (Mc 10.50). A capa era provavelmente o seu único bem, estendida para recolher esmolas; ele a abandona sem hesitar, em contraste frontal com o jovem rico, que foi embora triste porque tinha muitos bens (Mc 10.22). E ora: à pergunta "O que você quer que eu faça?", responde com simplicidade: "Mestre, eu quero ver de novo" (Mc 10.51). Por trás deste pedido havia fé nas promessas: os profetas anunciaram que, em vindo o Messias, "se abrirão os olhos dos cegos" (Is 35.5; ver Is 29.18-19), e a cura de cegos é justamente o milagre sem paralelo registrado no Antigo Testamento, reservado como assinatura do Messias (Jo 9.32). Sem ter visto, creu; e a lição permanece: a questão não é tanto o tamanho da fé, mas a fé depositada na pessoa certa. "A sua fé o salvou" (Mc 10.52).

E o desfecho é a moldura perfeita da seção: "Imediatamente ele recuperou a visão e foi seguindo Jesus pelo caminho" (Mc 10.52). Curado, Bartimeu não foi embora viver a vida à sua maneira. Não está mais sentado à beira do caminho, mas de pé, andando no Caminho, e há muita vida e ânimo nesse andar. O jovem rico saiu triste, afastando-se de Jesus; Bartimeu segue cheio de alegria, subindo com Jesus para Jerusalém. Em resumo, Bartimeu enxerga a Cristo, ouve a Cristo, fala com Cristo e anda com Cristo. Como queremos que termine a nossa história: como a do jovem rico ou como a de Bartimeu?

10. Aplicações práticas

Primeira: cultive a memória dos cestos que sobraram. Diante da crise de hoje, faça o exercício que Jesus fez com os discípulos no barco: lembre-se, de modo concreto e nomeado, das provisões passadas de Deus na sua vida, e ore a partir delas (Sl 103.2). Segunda: peça o segundo toque. Não se conforme com uma visão turva de Cristo; peça a Deus que abra os seus olhos para vê-lo como ele é, e não como gostaríamos que fosse (Ef 1.17-18). Talvez a melhor oração que possamos fazer hoje seja a de Bartimeu: "Senhor, eu quero ver". Terceira: responda você mesmo à segunda pergunta. Quem é Jesus para você: um sábio, um profeta, um gênio da lâmpada que existe para satisfazer aspirações terrenas, ou o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Senhor da sua vida? Quarta: tome a sua cruz com alegria, e não com lamento. A renúncia cristã não é masoquismo; é a troca consciente do que não podemos reter pelo que não podemos perder. Quinta: seja a voz que chama, e não a que manda calar. Há Bartimeus à beira dos nossos caminhos, pessoas que a igreja esqueceu e negligenciou; a nossa vocação é dizer-lhes: "Coragem! Levante-se! Ele está chamando você".

11. Questões para o estudo em grupo

1. Como você vê a Cristo? Quem é ele para você, na prática do seu dia a dia, e não apenas na doutrina que você professa?

2. Em que situações recentes você agiu como os discípulos no barco, esquecendo os "cestos que sobraram"? O que ajudaria você a cultivar a memória das provisões de Deus?

3. Que áreas da sua visão espiritual ainda estão "turvas", precisando de um segundo toque de Jesus?

4. Você já ouviu o chamado de Jesus de uma maneira nova em sua própria vida? O que este chamado tem exigido de você?

5. Qual é a diferença entre a cruz de Cristo e a cruz do discípulo? O que significa, concretamente, tomar a sua cruz nesta semana?

6. Você consegue pensar em pessoas que a igreja esqueceu e negligenciou, como Bartimeu à beira do caminho? Como você pode ser a voz de Jesus chamando essas pessoas a segui-lo como Senhor e Salvador?

12. Conclusão

Marcos 8 nos apresenta dois chamados, o "Vinde após mim" (Mc 1.17) que nos alcança e o "Ide por todo o mundo" (Mc 16.15) que nos envia; dois toques, um para começar a ver e outro para enxergar com clareza (Mc 8.22-25); e duas cruzes, a de Cristo, que nos salva, e a nossa, que nos conforma a ele (Mc 8.34). Minha posição, ao fim deste estudo, é a que procurei sustentar em cada seção: o discipulado é processo, e não evento. Entre a conversão e a maturidade há uma escola inteira, com aulas de compaixão, correções amorosas, segundas chances e segundos toques. Por isso, ninguém deve se desesperar por ainda ver homens como árvores que andam, nem se acomodar como se a visão turva fosse o destino final. Jesus não nos dá apenas um título de cristão; ele nos coloca sob o seu senhorio para vivermos a missão, e completa a obra que começou (Fp 1.6). Sigamos, pois, o caminho de Bartimeu e não o do jovem rico: enxergar a Cristo, ouvir a Cristo, falar com Cristo e andar com Cristo, ajudando outros a segui-lo também. "Pois que adianta alguém ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8.36). Com Pedro, confessamos: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68).

Bispo Ildo Mello



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