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Resignação ou indignação?



Embora o termo resignação não apareça na Bíblia, o seu significado como aceitação e submissão à vontade soberana de Deus se encontra bem presente. Jesus sujeitou sua vontade humana a vontade do Pai e aceitou morrer na cruz. Ele orou: "Não seja feita a minha, mas a Tua vontade" (Lc 22.42).

Os discípulos de Jesus também devem resignar a si mesmos e carregar suas próprias cruzes (Mc 8.34). Tal resignação é diante de Deus e não de Satanás e do mal e injustiça que há no mundo, pois diante das ações malignas nossa atitude deve ser de indignação e inconformismo. Paulo diz que os cristãos não devem se conformar com este mundo (Rm 12.1-2). Nos nos resignamos diante de Deus para resistir ao diabo. Jesus foi enviado para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8), e nós fomos convocados a nos engajarmos nesta batalha, seguros de que as portas do inferno não resistirão a força espiritual do ataque da Igreja (Mt 16.18).

Portanto, não devemos nos resignar diante de tudo e de todos, mas apenas diante da soberana vontade de Deus. Não devemos assumir uma postura passiva, conformista e fatalista diante do mal, pois fomos chamados para desfazer o mal e para transformar o mundo com a luz de Cristo (Mt 5.14).
Precisamos de discernimento. A principio devemos orar e agir no combate a toda espécie de mal. Mas devemos ser sensíveis a voz de Deus que é sábio e poderoso para utilizar uma enfermidade ou tribulação para o nosso próprio bem (Rm 8.28). Paulo reagiu a uma enfermidade, orando três vezes para ser curado, mas, por fim, resignou-se a vontade de Deus que lhe disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Co 12.9).

Bispo Ildo Mello

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