O Caminho da Cruz

Condenado à morte injustamente


"Disse-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado! O governador, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado! Então, Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; considerai isso. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Então, soltou-lhes Barrabás e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado." (Mt 27:22-26).

Aquele que regressará um dia para julgar o mundo se vê ali humilhado e indefeso diante de um juiz terreno. Pilatos sabe que Jesus é inocente e até procura um meio de absolvê-lo, mas diante da pressão, ele opta por ver o seu lado, para não comprometer sua imagem pública. Assim, a justiça foi espezinhada pela covardia e pelos interesses pessoais, que acabaram sufocando a voz da consciência. A mais severa pena foi aplicada ao homem mais justo da história. Deste modo foi que se deu a maior de todas as injustiças.


Sofrimento e humilhação à caminho da cruz


“Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a corte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.” (Mt 27.27–31).

Ao Rei dos reis deram uma coroa de espinhos, a ele, cujo cetro é de justiça (Sl 44.7), deram um caniço por cetro. O Filho de Deus foi tremendamente ridicularizado pelo mundo. “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Is 53.7). O Rei Jesus entrou em Jerusalém, manso e humilde, montado em um jumentinho, pois o verdadeiro Rei não reina por meio da violência, mas do amor que o move ao sacrifício da cruz, caminho este repleto de sofrimento e humilhação. Quão diferente são os reis e poderosos deste mundo que agem apenas em função dos seus próprios interesses.

Seguir o verdadeiro Rei é morrer para si mesmo e carregar a humilhante e dolorosa cruz em um mundo de tanta corrupção, injustiça e violência.

Ildo Mello

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