terça-feira, 30 de dezembro de 2008

De volta pro meu aconchego!

Baseado na Parábola do Filho Pródigo em Lucas 15


Gosto da música que diz "estou de volta pro meu aconchego", pois expressa toda sensação de alívio, conforto, amparo e felicidade que se costuma encontrar no retorno ao lar. Entendo que o Filho Pródigo também deve ter experimentado está mesma sensação de alívio e amparo naquele aconchegante abraço que ele recebeu de seu Pai. Ele havia passado muito tempo longe de casa. Iludido pelo fascínio do novo e do distante, acabou desprezando o velho e bom convívio do lar, e, virando as costas para o pai, partiu em busca da satisfação tresloucada dos desejos carnais. Deu muitas cabeçadas na vida e acabou quebrando a cara, experimentando, assim, muita dor e desapontamento. 

Abandonado e desprezado por todos, num estado de ruína e humilhação, teve fome. Sua fome era mais do que uma fome de pão, pois estava também com fome de felicidade, com fome de paz, com fome de vida, com fome do aconchego do lar. Ele teve saudades de casa. Saudades do Pai! Ele caiu em si. Reconheceu o seu erro e quis voltar. 

Mas, ele nem podia imaginar que, depois de tudo, o Pai ainda o estaria esperando de braços abertos e que, ao vê-lo chegando, sairia correndo ao seu encontro e lhe receberia com tanto amor e alegria dando-lhe aquele abraço e aquele beijo tão especialmente carinhoso, perdoador e sanador. Ele deve ter pensado como é que ele pode ter desprezado assim a um Pai tão maravilhoso. Mas, agora, ele estava de volta! Que alívio! Que aconchego! Uma festa, roupas novas, anel no dedo, sandalhas nos pés, tudo restituído ainda que nada merecesse! Como é bom ser amado e que bom é quando a gente se encontra com a pessoa amada! Que bom é estar onde se deve estar!

Esta parábola de Jesus fala do amor do Pai por suas criaturas. Jesus veio buscar e salvar os filhos que estão perdidos. Jesus chegou a usar a figura da galinha que ampara os seus pintinhos debaixo da suas asas para expressar o aconchego que ele gostaria de proporcionar a todas as suas criaturas. Ele lamenta o fato delas, por vezes, o rejeitarem. Mas, mesmo assim, ele não as força a permanecer em casa, pois as ama de mais a ponto de não querer vê-las contrariadas, ainda que tivesse poder para tanto. 

É interessante notar que Jesus veio a nós na condição humilde de homem pobre e sofredor. Ele é um Rei diferente, um Rei que não quer se impor pela força e que entra em Jerusalém montado em um jumentinho procurando conquistar adeptos pela via do amor e pelo caminho da cruz. 

Na cruz, ele está de braços abertos a nos buscar. Na cruz encontramos perdão, aceitação, restauração e aconchego. Creio também que cada um de nós, seres humanos criados a imagem e semelhança de Deus, criados por Jesus e para Jesus, de alguma maneira que eu não sei bem explicar, sente saudade do Criador; saudade esta, que se revela na sensação de vazio e de desconforto oriunda do seu estado de alienação e distância de Deus. Temos uma vocação para Deus, um elo com o Eterno, de modo que as coisas efêmeras desta vida não podem nos dar aquilo que só podemos encontrar em nosso Criador: a paz e a felicidade que excedem a todo o entendimento humano a guardar a nossa mente e o nosso coração, ou seja: o absoluto aconchego do abraço do Pai!

Jesus disse que suas ovelhas seriam capazes de reconhecer a sua voz. Há um testificar do Espírito de Deus com o nosso espírito, coisa que nós não sabemos explicar direito. O filho voltou ao lar e teve um reencontro com Deus. Assim também acontece conosco, mesmo que estejamos conhecendo a Cristo pela primeira vez, sentimos como se já o conhecêssemos há muito tempo. Sua voz não nos é tão estranha assim! Existe uma comunicação íntima, profunda e espiritual que nos assegura que estamos em território conhecido. Podemos experimentar, então, o aconchego do retorno ao lar.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

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