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Cabe aos pais escolher a religião dos filhos?

"Escolher” ou "decidir" pelos filhos é algo forte e impositivo e não parece ser um caminho sábio. É natural que os pais transmitam a sua cultura, os seus valores morais e suas crenças aos filhos. A questão é como isto deve ser feito. Precisamos aprender com o melhor exemplo que temos de Pai. Deus que é Pai, ao criar seus filhos, poderia tê-los feito programados para obedecer a sua vontade; sim, poderia ter escolhido criar seres autômatos, algo assim como os robôs, que não tem liberdade de escolha. Mas, embora, um mundo de autômatos pudesse funcionar muito bem, sem guerras, sem injustiças e sem maldade, no final das contas, seria também um tanto sem graça, pois as próprias expressões de amor, devoção e serviço não seriam livres e espontâneas, também teriam de ser programadas, o que resultaria em algo artificial, algo sem graça e sem significado real. Ninguém, em sã consciência, se sentiria muito tocado em receber uma declaração de amor de um ser que foi programado para isto e que não pode dizer outra coisa a não ser aquilo que está na sua programação. 


Deus quis que seus filhos fossem livres, mesmo sabendo dos riscos derivados da liberdade humana. Ninguém pode ser livre apenas para dizer sim. Alguém que é livre pode também dizer não, pode se rebelar e pode optar pelo mal. A história da humanidade revela as conseqüências do mau uso da liberdade, como o surgimento do pecado, egoísmo, inveja, ódio, crimes, doenças, injustiças, guerras, fomes, etc. Um alto preço tem sido pago para que possamos ter no mundo relacionamentos verdadeiramente significativos. Neste mundo temos muitas opções, somos livres para escolher, portanto, quando amamos a Deus e respondemos positivamente ao seu chamado, isto é cheio de significado. Este relacionamento entre Deus e o homem é cheio de afeto. É algo tremendo! O mesmo se pode dizer do relacionamento de amor e amizade entre os seres humanos. Alguém, certa vez disse: "Amo a liberdade, por isso deixo livres todas as coisas que tenho. Se elas permanecerem comigo será porque as conquistei, se partirem será porque, de fato, nunca as possuí

Mesmo tendo criado seres livres, Deus poderia ter se imposto aos homens pela força do seu poder. Mas não quis que fosse assim. Ele disse: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR” (Zacarias 4.6). Deus, como Pai, não quis se impor pela força, mas decidiu cativar pelo amor! Manifestou-se ao mundo na pessoa de Jesus, que sendo o próprio Deus, esvaziou-se de sua glória para identificar-se com nossa fraqueza, revelou-se como servo sofredor, que carrega a sua cruz e dá a vida pelos seus amados. Quando se apresentou como Rei em sua entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, não entrou montado num cavalo portentoso e cheio de pompa e nem estava acompanhado de um forte e ameaçador exército, mas escolheu entrar de maneira humilde e mansa montado num jumentinho.

Portanto, os pais precisam se inspirar em Deus e precisam aprender com Jesus, cujo estilo de liderança foi marcado pela cruz, pelo burrinho, pela água e a toalha, com que lavou os pés dos discípulos. Sendo Senhor, foi humilde e assumiu a condição de servo. Não foi dominador e nem tirano, mas procurou cativar pelo exemplo. Não constrangeu os seguidores pela força, pois seus seguidores sempre foram livres para escolher e até mesmo desistir. Não quis se impor pela força, antes escolheu o caminho da graça e do amor. Na cruz, Deus revelou seu grande amor ao mundo e atraiu muitos a si.

Portanto, os pais devem ensinar pelo exemplo, procurando cativar os filhos pelo caminho do amor e não pela via do autoritarismo. Pais que amam a Deus sobre todas as coisas e que amam ao próximo como a si mesmos e que vivem a fé que professam, experimentando a paz e a alegria de Deus em seus corações, certamente exercerão uma forte influência positiva sobre seus filhos, que se sentirão inspirados a seguir o mesmo caminho, contudo, caberá aos filhos decidir por si mesmos.



Bispo José Ildo Swartele de Mello
www.metodistalivre.org.br

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