terça-feira, 15 de outubro de 2013

Além do horizonte

Era madrugada do dia 14 de junho de 87, quando acordei com meu pai batendo à porta de nossa casa para avisar que minha avó estava prestes a dar o último suspiro. Como morávamos bem perto, Cristina e eu nos levantamos e fomos imediatamente na direção da casa dela a fim de vê-la. Quando chegamos lá, ela já havia falecido. Ali encontramos minha mãe, os meus irmãos e os meus tios Bubi, Ana e Joel que estavam serenos, num silêncio contemplativo. Afinal de contas, minha avó Rosa havia servido ao Senhor Jesus por toda a sua vida com muito amor e inabalável confiança nas Sagradas Escrituras. Era um momento solene de despedida, recheado de doces lembranças, como também de íntima reflexão sobre o significado da vida, o drama da morte e a esperança de vida eterna em Cristo Jesus.

Passado um tempo, meus pais e meus irmãos se retiraram para cuidarem dos trâmites do enterro e minha mãe e meus tios Bubi e Ana saíram para o quintal. Cristina e eu também deixamos o quarto para prepararmos um café, de modo que, apenas o meu tio Joel ficou ali ao lado do corpo da minha avó. De repente, quando estávamos na cozinha, percebemos que meu tio ligara um rádio. Achamos aquilo impróprio para a ocasião, tanto que pensei em me dirigir ao quarto para, com jeito, solicitar a ele que desligasse o rádio. Mas, foi aí que eu fiquei ainda mais surpreso, ao notar que a canção que estava tocando era aquela do Roberto Carlos que diz: "Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz, onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza...". Pois, mesmo ciente de se tratar de uma canção romântica, tais versos serviram para mim como uma voz profética apontando para o estado de beleza e felicidade que há no Paraíso Celestial em que minha avó agora se encontrava. Sabe, parece que o meu tio também entendeu assim, tanto que, após ouvir este trecho da canção, ele, de maneira espontânea e respeitosa, desligou o rádio! Entendemos aquilo como um sinal divino. Deus transformou algo irreverente e inadequado em algo condizente com a ocasião e com a memória de alguém que viveu para Deus. Uma confirmação também de que além do horizonte existe realmente um lugar para os que confiam em Jesus!

Bispo Ildo Mello

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