Pular para o conteúdo principal

Um breve comentário de Romanos 9 - 11

Para uma boa interpretação de Romanos 9-11, se faz necessário entender o propósito deste capítulo. Lembrando que, no começo desta carta (Rm 1.16 e 17) Paulo afirmou que o Evangelho era o poder de Deus para salvação de judeus e gentios. Mas os judeus, como nação, rejeitaram a Cristo. Os ramos naturais foram cortados e em seu lugar foram enxertados os ramos da oliveira brava, uma referência aos gentios, ou seja, a todos os demais povos.

Mas muitos, indignados, estão acusando Paulo de renegar o seu próprio povo e de ensinar que as promessas de Deus feitas ao seu povo Israel não são verdadeiras, firmes e confiáveis. Paulo, portanto, está aqui neste capítulo 9, respondendo a estas falsas acusações, deixando claro que a promessa não é para os filhos carnais de Abraão, mas para os herdeiros da fé de Abraão. Veja também o que Paulo diz a este respeito em Gálatas 3.

Para reforçar a tese que a promessa nada tem a ver com a descendência carnal de Abraão, Paulo lembra que Esaú, foi rejeitado como povo herdeiro da promessa ainda que fosse o preferido de seu pai, Isaque. Deus tem os seus motivos e enxerga bem melhor do que Isaque. Deus é livre para escolher e decidir como e através de que povo ou povos se dará o cumprimento de suas promessas.

Observe que o tema da eleição individual não está na mente de Paulo, mas, sim, o da eleição dos judeus para ser o povo escolhido, sua posterior rejeição, e a escolha dos gentios em seu lugar. Esaú e Jacó são os representantes de dois povos: Israel e Edom. Paulo deixa claro aqui que o conceito de povo de Deus é algo que transcende a etnia hebraica. Não basta ser descendente físico de Abraão, é preciso ser descendente espiritual. Não importa se você é judeu ou gentio. Os verdadeiros herdeiros da promessa de Abraão são os que exercem fé no Messias que é sobre todos, Deus Bendito Eternamente!

Portanto, as promessas de Deus feitas a Abraão estão, sim, sendo cumpridas no Israel de Deus, que é composto por judeus e gentios que crêem em Cristo. Deus tem direito de rejeitar qualquer povo, mesmo os judeus, por sua incredulidade, e eleger qualquer outro que ele quiser em seu lugar. Deus tem misericordia e favorece os povos que Ele julgar por bem fazê-lo sem que isto implique qualquer injustiça de sua parte, pois Ele tem suas razões que muitas vezes desconhecemos.

Deus também pode endurecer o coração de quem Ele quiser sem que isto seja uma atitude injusta e meramente arbitrária. Lembremos que antes do relato do Êxodo dizer que Deus endureceu o coração de faraó, por 5 vezes é dito que foi o próprio faraó é quem foi endurecendo o seu próprio coração (Ex 7.13; 7.22; 8.15; 8.32; 9.7). Paulo sabe que os judeus aceitam com facilidade o fato do endurecimento do coração de faraó, mas que não reconhecem que a mesma incredulidade que levou a rejeição de faraó também está levando a rejeição dos judeus como povo de Deus. O povo uma vez favorecido e liberto das garras de faraó, deixa de ser favorecido quando se desvia da fé de Abraão e segue o erro, a obstinação e a incredulidade de faraó. Deus endurece a quem quer. E Ele quer endurecer aqueles que endurecem a si mesmos. Sem fé é impossível agradar a Deus. A verdadeira circuncisão é a do coração e os verdadeiros filhos de Abraão são os da fé.

Portanto, nestes três capítulos, Paulo não está tratando da eleição de indivíduos, mas sobre a expansão da graça de Deus para abarcar os gentios no povo de Deus juntamente como os remanescentes de Israel. O mesmo princípio gracioso que promoveu a eleição de Israel está agora operando para incluir os gentios que antes não faziam parte do povo de Deus, mas que agora podem também pertencer a ele através da fé em Jesus Cristo. Predestinação de indivíduos está completamente fora de cogitação aqui, pelo contrário: "Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar" (Rm 11.22-23).

Espero que este breve comentário ajude você a compreender melhor este importante capítulo.

Um grande abraço!

Bispo Ildo Mello

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma exortação para que haja ordem e decência nos cultos

"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (I Co 14:40)

O Apóstolo Paulo exorta desta maneira a igreja de Corinto que precisava aprender que a ação do Espírito produz ordem e e decência, e não bagunça e confusão. A liberdade do Espírito não é incompatível com a ordem e a decência deste mesmo Espírito, pois "Deus não é Deus de desordem" (1Co 14.33). Portanto, toda desordem no culto não é de procedência divina. Sabedores disto, cabe aos pastores botarem ordem na casa, não permitindo que o culto seja enrolado e descontrolado. Assim como Paulo estabeleceu regras para o bom andamento do culto, devemos nós fazer o mesmo.

Alguns exemplos de coisas que devemos evitar em um culto:

O culto deve ser objetivo, enxuto, sem vãs repetições.

Cada participante deve possuir uma clara consciência da integridade do culto para não invadirmos a área do outro.

Um dirigente de culto e um líder de louvor não devem fazer comentários bíblicos prolongados, visto que já teremos um pregador…

Lições extraídas da história de Mefibosete

Áudio:
Vídeo:
Mefibosete from Ildo Swartele Mello on Vimeo.

Lições extraídas da história de Mefibosete Mefibosete nasceu num "berço de ouro" de um "palácio real", pois era neto do Rei Saul, filho do Príncipe Jônatas (2Sam 4.4). Entretanto, uma tragédia se abateu sobre sua vida quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Israel foi derrotado em uma sangrenta batalha. A notícia da morte de Saul e de Jônatas chegaram até a casa real; então, a babá de Mefibosete, temendo que o menino também fosse morto, o toma em seus braços e foge correndo, mas, na pressa, acaba tropeçando e deixando o menino cair. Na queda, Mefibosete despedaça os pés e fica aleijado.

Agora, ele está órfão de pai e mãe. Perdeu a majestade, perdeu a saúde e vive escondido em um humilde povoado na casa de um bom homem chamado Maquir, que foi quem o amparou, adotando-o como filho.

Tais tragédias são frutos da rebeldia do Rei Saul, que plantou ventos e acabou colhendo tempestades devastadoras para a sua …

A Igreja passa pela Grande Tribulação?

IntroduçãoOs pré-tribulacionistas afirmam que Deus não permitirá que a Igreja sofra no período da Grande Tribulação. Mas, não existe nenhum versículo bíblico que ensine que a Igreja não passará pela Grande Tribulação e nada existe também na Bíblia sobre uma Segunda Vinda de Cristo em duas fases ou etapas, separadas por sete anos de Grande Tribulação, e também não há nada sobre um arrebatamento “secreto”, pois não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-17; Mt 24.31). 
Outra incongruência deste ponto de vista é a ideia de um arrebatamento para tirar a Igreja e o Espírito Santo da Terra antes da manifestação do Anticristo. Se este fosse o caso, o Anticristo seria anti o quê? Anticristos são falsos profetas que já atuavam no mundo nos tempos mais primitivos da Igreja. Não devemos confundir Anticristo com a Besta ou Bestas Apocalípticas. Todas as menções ao(s) Anticristo(s) aparecem nas epístolas joaninas e dizem respeito aos hereges o…