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Sobre o dever de salgar Terra e iluminar o Mundo


Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16)

Após descrever as características dos bem-aventurados, num mundo injusto e de trevas em que os cristãos são perseguidos, Jesus volta-se para os seus discípulos incumbindo-os de uma grande e poderosa missão, que é a de salgar a terra e iluminar o mundo.

O sal serve para três importantes coisas: temperar, preservar e provocar sede.

Não é preciso muito sal para temperar um prato. Verdadeiros cristãos, ainda que em menor número, podem e devem exercer uma preciosa influência na sociedade. Neste sentido, a ação do sal não é a de chamar a atenção para si. O sal não é exibicionista. Tem um tom discreto, embora seus efeitos sejam significativos. Tire o sal da comida e se ouvirá uma chiadeira geral.

O sal é usado para preservar os alimentos, mantendo-os purificados das bactérias, evitando assim a sua deterioração. Este uso do sal é muito comum hoje em dia, mas foi ainda muito mais importante nos tempos antigos quando não existia aparelhos refrigeradores. Aplicava-se sal a carne para que ela pudesse manter-se saudável por um longo período.

Uma outra característica conhecida do sal é a de provocar sede. Na antigüidade, para evitar a desidratação, as pessoas carregavam consigo um pacote de sal durante as longas viagem. De modo que, de quando em quando, elas experimentavam um pouco de sal puro ou misturado a comida para terem sede, pois, do contrário, correriam o risco de não estarem apercebidas da sua necessidade de água, não possuindo sede que as levassem a beberem água o suficiente para evitarem a desidratação. De modo semelhante, observamos pessoas indiferentes a sua necessidade de Deus. Muitos vivem com a ilusão de que as coisas deste mundo nos bastam. Como a Mulher Samaritana, estão bebendo das águas provenientes dos poços desta terra sem se darem conta de uma sede muito maior. Assim como Jesus despertou a consciência daquela mulher para a sua mais profunda sede, para a sua maior e vital necessidade,  para a sede de alma, para a sede de uma água viva que realmente possa satisfazer o espírito humano que tem potencial para o eterno por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. Assim devemos nós colaborarmos também com todos que os estão ao nosso redor carecendo de beber desta mesma bendita fonte de vida abundante e eterna!

A igreja existe para dar sabor, para purificar e preservar a Terra e também para despertar sede da única água que pode realmente satisfazer a alma humana.

Os discípulos de Jesus devem se manifestar neste mundo não apenas como sal, mas também como luz. A nossa luz vem de Cristo. Somos como os planetas e a lua que não possuem luz própria, mas que brilham por refletirem a luz do sol. Jesus é como o grande Sol e nós devemos refletir a sua luz neste Mundo.

A sociedade está corrompida pelo pecado. O individualismo e o egoísmo tem prevalecido. A família está em decomposição. A corrupção corre solta na política, no sistema financeiro, nos negócios em geral, nos meios de comunicação, nos sistemas públicos de educação, saúde e segurança e nas igrejas que, de um modo em geral, em vez de fazerem diferença, estão fazendo coro com este estado de coisas. Seduzidos pelo "príncipe deste mundo" que fomenta o egoísmo, a rivalidade, a desigualdade, o ódio, a violência, a soberba, a ganância e o hedonismo, muitos cristãos deixaram de refletir a luz de Cristo por estarem confortavelmente acomodados aos valores dominantes deste mundo tenebroso.

Outros tantos, estão tímidos; sim, estão acovardados diante das perseguições e dos preconceitos. São tantos os escândalos que denigrem a imagem da igreja, que eles preferem ficar na miúda, por estarem com vergonha de se identificar. O nome de Cristo tem sido ridicularizado por conta do procedimento dos muitos "judas", de modo que os "pedros", os "tiagos" e os "joãos" sentem-se um tanto intimidados.

Mas, diante deste quadro conturbado, de podridão, confusão e trevas, Jesus, esperançoso, volta os olhos para os seus fiéis seguidores com uma mensagem convocatória, que os conclama a assumirem o seu papel de sal da terra e luz do mundo. Eles não devem se encolher. O sal precisa sair do saleiro direto para a panela e a lâmpada deve ser posta num lugar destacado para encher todo o ambiente de luz.

Os verdadeiros discípulos devem se apresentar a sociedade não para obtenção de glória para si mesmos, mas, pelo contrário, suas ações devem visar a glória de Deus. Nossas boas obras são frutos do Espírito e devem apontar para o autor e consumador da nossa fé.

Tanto o sal como a luz estão a serviço da terra e do mundo. São agentes do Reino de Deus. Costumam ser discretos, mas jamais são agentes secretos. O sal se entrega totalmente a sua causa. Ele desgasta-se e dissolve-se para o bem de toda a comida. Sua ação é sacrificial! A luz despende também muita energia num ato constante de dissipar as trevas. Tanto um como o outro chegam mesmo a passar desapercebidos, pois não são exibicionistas. Ninguém diz "Que sal gostoso!", mas, sim, "Que comida saborosa!" e também não se ouve: "Que luz linda", mas, sim, que "paisagem linda"! Embora saibamos muito bem que a paisagem somente pode ser apreciada devido a presença da preciosa luz! Agora, tire o sal da comida e a luz do ambiente para ver o que acontece!

Jesus diz que os seus discípulos exercem a missão de iluminar o mundo através de atos concretos, ou seja, através das boas obras. No Sermão do Monte, Jesus prescreve aos seus discípulos uma série de ações que devem caracterizar o comportamento dos verdadeiros cristãos. Estas boas obras não são um caminho para a salvação, mas são um caminho para os salvos. Somos salvos pela graça para as boas obras que o Pai preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.8-10).

Ouça o chamado o Senhor Jesus. Obedeça ao seu comando. Não fique acomodado e conformado com o jeito de ser deste mundo (Rm 12.1-2). Assuma o seu papel de ser diferente e de fazer diferença neste mundo (Mt 6.8). Seja a sua vida como sal que confere sabor, preserva a vida e desperta sede de Deus, e atue também como a luz que dissipa as trevas. Tudo isto para o bem da Terra, para a salvação de muitos e, acima de tudo, para a glória de Deus!

Bispo Ildo Mello

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