Pular para o conteúdo principal

O caminho para uma vida santa

O chamado para partilhar da comunhão e da amizade com Deus é o fundamento para uma vida de santidade. Pois somos naturalmente influenciados por aqueles com quem passamos a conviver. O texto de Marcos 3:14 nos ensina que, em primeiro lugar, os discípulos foram chamados para estarem com Jesus e não para fazerem qualquer outra coisa.

O caminho da santidade não está no estabelecimento dos limites e regras, pois a tendência humana é a de caminhar na direção para onde os seus olhos estão apontados. Por exemplo, o motorista experiente não fica de olho na margem externa de uma curva acentuada tentando se manter distante dela, mas, sim, fixa os olhos na margem interna procurando manter-se próximo a ela.

Assim também acontece na vida cristã, pois, se fixarmos os olhos naquelas coisas que devemos evitar, vamos acabar sendo atraídos por elas. Mas, se, ao invés disto, nós passarmos a nos preocupar mais em estar mais perto de Cristo, naturalmente estaremos nos afastando do pecado, pois quanto mais perto de Jesus, mais distante nos encontraremos do mal. Eis aí o caminho para uma vida santa!



(Por Bispo Ildo Mello, baseado na palestra que Dr. Kevin Manoia deu aos pastores metodistas livres no dia 27 de Maio de 06. Ele foi um dos principais líderes do Projeto de Estudo de Santidade que envolveu várias denominações evangélicas. Este projeto buscou articular uma declaração contemporánea sobre a santidade para a missão futura da igreja, produzindo assim um "Manifesto de Santidade")

Manifesto de Santidade


Projeto de Estudo Wesleyano e de Santidade, Azusa, Califórnia, Fevereiro de 2006.

A Crise que Enfrentamos


Nunca houve um tempo com maior necessidade por uma articulação autêntica e motivadora da mensagem da santidade. Pastores e líderes em todos os níveis eclesiásticos chegaram a um impasse em sua procura por formas de revitalizar suas congregações e denominações. O que fazemos não dá resultados. A membresia das igrejas de todas as tradições estabilizou-se. Em muitos casos as igrejas têm sua membresia em queda. Não temos sequer atingido o crescimento vegetativo, ao comparar com o crescimento vegetativo da população dos Estados Unidos da América. O zelo e a energia das igrejas tem sido empregados na busca incessante por um método melhor, uma moda passageira, uma visão mais recente e melhor para desencadear o crescimento. Nesse processo para descobrir um método mágico para termos igrejas vibrantes, saudáveis e crescentes, nosso povo tornou-se altamente ineficaz e cativo de um cristianismo genérico que resultou em congregações que não se distinguem da cultura que as circundam. As igrejas precisam de uma mensagem autêntica e clara que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco de nossa missão. Nossa mensagem é nossa missão!

Além do mais temos sido inundados por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico e influência programática. Eles se tornaram tão preocupados sobre “como” eles administram a igreja que negligenciaram um aspecto mais importante de “o que” a igreja declara. Nós inundamos o “mercado” com esforços metodológicos para fazer a igreja crescer. Neste processo, nossos líderes perderam a capacidade de liderar. Eles não conseguem liderar porque não tem nenhuma mensagem autêntica para transmitir, nem uma visão autêntica de Deus, nem uma compreensão transformadora da alteridade de Deus. Eles sabem disto e desejam encontrar o poder centralizador de uma mensagem que faça a diferença. Mais que nunca desejam banhar-se em uma profunda compreensão do chamado de Deus pela santidade - vida transformada. Estão cansados de confiarem em métodos. Querem uma missão. Querem uma mensagem!

As pessoas hoje estão buscando um futuro sem terem uma memória espiritual. Eles suplicam por uma palavra generosa e integrativa de cristãos que faça sentido e faça a diferença. Se Deus será relevante para as pessoas, temos a responsabilidade de tornar isso claro a eles. Nós temos de nos livrarmos de nossa obsessão por uma linguagem verborrágica, expectativas embaraçosas e padrões intransigentes. Qual o âmago, o centro, a essência do chamado de Deus? Esta é nossa mensagem e esta é nossa missão!

As pessoas nas igrejas estão cansadas das nossas mesquinhas linhas de demarcação que criam artificialmente compartimentos, denominações e divisões. Estão cansadas de construírem instituições. Anseiam por uma mensagem clara e articulada que transcenda a institucionalização e os conflitos entre os seguidores de Jesus Cristo. Estão embaraçadas pela mentalidade corporativista das igrejas que defendem pedaços do evangelho como se a elas pertencessem. Querem conhecer o poder unificador e transformador de Deus. Querem ver a impressionante santidade de Deus, que nos compele à unidade na qual testemunhamos seu poder. As pessoas aceitam o fato de que nem todos nós seremos semelhantes; haverá diversidade. Mas querem ter a certeza que qualquer que seja a igreja ou líder, saibam que somos um - unidos pelo santo caráter de Deus que nos dá toda a vida e amor. Querem uma mensagem que seja unificadora. A única mensagem que pode fazer isto vem da natureza de Deus, que é unidade na diversidade.

Portanto, neste momento crítico, emitimos este novo foco na santidade tendo em vista o bem estar da Igreja. Em nosso ponto de vista, este foco é o coração das Escrituras no que diz respeito à existência dos cristãos através dos tempos - e claramente para o nosso tempo.

A Mensagem Que Temos


Deus é santo e nos chama a sermos um povo santo.


Deus, que é santo, tem um amor abundante e fiel por nós. O santo amor de Deus nos é revelado na vida e ensinamentos, morte e ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Deus continua a agir, dando vida, esperança e salvação através da habitação do Santo Espírito, conduzindo-nos à vida santa e amorosa de Deus. Deus nos transforma, livrando-nos do pecado, idolatria, servidão e egoísmo para amarmos e servirmos a Deus, aos outros e para sermos mantenedores da criação. Portanto, nós somos renovados à imagem de Deus como revelada em Jesus Cristo.

Separado de Deus, ninguém é santo. Os santos são separados para o propósito de Deus no mundo. Capacitados pelo Espírito Santo, os santos vivem e amam como Jesus Cristo. A santidade é tanto um dom quanto uma resposta renovadora e transformadora, pessoal, comunitária, ética e missionária. Os santos de Deus seguem a Jesus Cristo ao engajarem-se nas culturas do mundo e trazerem os povos a Deus.

Os santos não são legalistas ou julgadores. Não buscam um estado privado e exclusivo de serem melhores que os outros. Santidade não é ausência de falha, mas o preenchimento com a vontade de Deus para nós. A busca pela santidade não deve cessar nunca, pois o amor de Deus não se extingue.



Deus quer que sejamos, pensemos, falemos e agimos no mundo à maneira de Cristo. Convidamos a todos a abraçarem o chamado de Deus a:



  • Ser preenchido pela completude de Deus em Jesus Cristo - Espírito Santo, colaboradores consagrados pelo Reino de Deus;


  • Viver uma vida devota, pura e reconciliada, sendo desta forma agentes transformadores de Jesus Cristo no mundo;


  • Viver como um povo fiel da aliança, construindo comunidades responsáveis, crescendo em Jesus Cristo, corporificando o Espírito das leis de Deus em uma vida santa;


  • Exercitar, para o bem comum, uma gama eficaz de ministérios e chamados, de acordo com a diversidade de dons do Espírito Santo;


  • Praticar a compaixão através dos ministérios, a solidariedade com o pobre, advogar a causa da igualdade, justiça, reconciliação e paz; e


  • Cuidar da terra, o dom de Deus confiado a nós, trabalhando com fé, esperança e confiança pela cura e cuidado por toda a criação.

Pela graça de Deus, comprometamo-nos juntos a sermos um povo santo.

As Ações que Tomamos




  • Que este chamado nos impulsione a levantarmos a visão bíblica da missão cristã:


  • Preguemos a mensagem transformadora da santidade;


  • Ensinemos os princípios do amor e do perdão de Cristo;


  • Vivamos vidas que reflitam a Jesus Cristo;


  • Lideremos um engajamento com as culturas do mundo; e


  • Partilhemos com outros para multiplicarmos seu efeito pela reconciliação de todas as coisas.

Para isso vivemos e trabalhamos pela glória de Deus.



Projeto de Estudo Wesleyano e de Santidade (em ingles: Wesleyan Holiness Study Project - WHSP)

Participantes:


Comitê Diretivo

David Bundy—Pentecostal Lisa Dorsey—Escudo da Fé

Donald Thorsen—Metodista Livre

Bill Kostlevy—Secretary—Metodista Unido

Kevin Mannoia—Chair—Metodista Livre


Participantes do Projeto

Henry Alexander—Escudo da Fé

Perry Engle—Irmãos em Cristo

Jesse Middendorf — Nazareno

Thomas Noble — Nazareno

Diane Leclerc — Nazareno

Jonathon Raymond—Exército de Salvação

George McKinney—Igreja de Deus em Cristo

Greg Dixon—Igreja de Deus (Anderson)

Lyell Rader—Exército de Salvação

Roger Green-Exército de Salvação

David Kendall—Metodista Livre

Doug Cullum-Metodista Livre

Howard Snyder-Metodista Livre

James Leggett—Internacional Pentecostal de Santidade

Lynn Thrush—Irmãos em Cristo

Ron Duncan—Igreja de Deus (Anderson)

Tim Erdel—Igreja Missionária

Barry Callen—Igreja de Deus (Anderson)

David Winn—Igreja de Deus (Anderson)

Doretha O'Quinn — Evangelho Quadrangular

John Hatcher — Evangelho Quadrangular

Steve Schell — Evangelho Quadrangular

David Shrout—Igreja de Deus (Anderson)

Jim Adams — Evangelho Quadrangular

Doug O'Brien—Exército de Salvação

Brian Hartley—Metodista Livre

Ric Gilbertson—Aliança Cristã e Missionária

Bernie Van De Walle—Aliança Cristã e Missionária

Franklin Pyles—Aliança Cristã e MissionáriaDoug Beacham—Internacional Pentecostal de Santidade

John Huntzinger — Evangelho Quadrangular

Donald Dayton — WesleyanaCraig Keen — Nazareno



Copyright © 2006 Christianity Today.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma exortação para que haja ordem e decência nos cultos

"Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (I Co 14:40)

O Apóstolo Paulo exorta desta maneira a igreja de Corinto que precisava aprender que a ação do Espírito produz ordem e e decência, e não bagunça e confusão. A liberdade do Espírito não é incompatível com a ordem e a decência deste mesmo Espírito, pois "Deus não é Deus de desordem" (1Co 14.33). Portanto, toda desordem no culto não é de procedência divina. Sabedores disto, cabe aos pastores botarem ordem na casa, não permitindo que o culto seja enrolado e descontrolado. Assim como Paulo estabeleceu regras para o bom andamento do culto, devemos nós fazer o mesmo.

Alguns exemplos de coisas que devemos evitar em um culto:

O culto deve ser objetivo, enxuto, sem vãs repetições.

Cada participante deve possuir uma clara consciência da integridade do culto para não invadirmos a área do outro.

Um dirigente de culto e um líder de louvor não devem fazer comentários bíblicos prolongados, visto que já teremos um pregador…

Lições extraídas da história de Mefibosete

Áudio:
Vídeo:
Mefibosete from Ildo Swartele Mello on Vimeo.

Lições extraídas da história de Mefibosete Mefibosete nasceu num "berço de ouro" de um "palácio real", pois era neto do Rei Saul, filho do Príncipe Jônatas (2Sam 4.4). Entretanto, uma tragédia se abateu sobre sua vida quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Israel foi derrotado em uma sangrenta batalha. A notícia da morte de Saul e de Jônatas chegaram até a casa real; então, a babá de Mefibosete, temendo que o menino também fosse morto, o toma em seus braços e foge correndo, mas, na pressa, acaba tropeçando e deixando o menino cair. Na queda, Mefibosete despedaça os pés e fica aleijado.

Agora, ele está órfão de pai e mãe. Perdeu a majestade, perdeu a saúde e vive escondido em um humilde povoado na casa de um bom homem chamado Maquir, que foi quem o amparou, adotando-o como filho.

Tais tragédias são frutos da rebeldia do Rei Saul, que plantou ventos e acabou colhendo tempestades devastadoras para a sua …

A Igreja passa pela Grande Tribulação?

IntroduçãoOs pré-tribulacionistas afirmam que Deus não permitirá que a Igreja sofra no período da Grande Tribulação. Mas, não existe nenhum versículo bíblico que ensine que a Igreja não passará pela Grande Tribulação e nada existe também na Bíblia sobre uma Segunda Vinda de Cristo em duas fases ou etapas, separadas por sete anos de Grande Tribulação, e também não há nada sobre um arrebatamento “secreto”, pois não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-17; Mt 24.31). 
Outra incongruência deste ponto de vista é a ideia de um arrebatamento para tirar a Igreja e o Espírito Santo da Terra antes da manifestação do Anticristo. Se este fosse o caso, o Anticristo seria anti o quê? Anticristos são falsos profetas que já atuavam no mundo nos tempos mais primitivos da Igreja. Não devemos confundir Anticristo com a Besta ou Bestas Apocalípticas. Todas as menções ao(s) Anticristo(s) aparecem nas epístolas joaninas e dizem respeito aos hereges o…