Conclusões sobre Questões Tribulacionistas

Por José Ildo Swartele de Mello
No tratamento que demos as questões tribulacionistas, concluímos que o pré-tribulacionismo se baseia numa interpretação ultraliteralista das Escrituras que faz uma dicotomia rígida e absoluta entre o Israel do Antigo Testamento e a Igreja do Novo Testamento, chegando a ponto de concluir que a Igreja é um parêntese no plano de Deus, que não foi previsto nas Escrituras do Antigo Testamento. Procuramos, no entanto, demonstrar que o Novo Testamento vê as profecias do Antigo Testamento encontrando seu cumprimento em Cristo e sua Igreja. Pois a Igreja Cristã foi edificada sobre o fundamento dos profetas e dos apóstolos judeus (Ef 2.14-16). Ela não constitui um segundo povo de Deus. Deus tem apenas um povo (Jo 10.16; Ef 2.14-16). Os gentios crentes foram enxertados na mesma “Oliveira”, tomando parte na mesma raiz e tronco do hebreu Abraão (Rm 11.16-18). Não existindo, portanto, um plano de salvação distinto para Israel. A esperança futura para Israel é aceitar o Evangelho de Cristo, sendo novamente reconduzido à mesma e única Árvore, a Oliveira, da qual fazem parte judeus e gentios crentes, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, onde não há mais lugar para distinções entre judeus e gentios, pois, em Cristo foi derrubada a parede de separação.
Vimos também que não existe nenhuma base bíblica para ensinar que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. No entanto, como demonstrado, existem dezenas de textos que ensinam que a Igreja passa pela Grande Tribulação. Todos os registros históricos até o advento do dispensacionalismo (1830) revelam um ponto de vista pós-tribulacionista, não existindo sequer um único texto neste longo período de quase dois mil anos de história da Igreja que registre a idéia pré-tribulacionista de um arrebatamento secreto para livrar a Igreja da Grande Tribulação. E vimos também que os textos usados pelos dispensacionalistas para ensinar a natureza iminente da Vinda de Cristo não podem ser interpretados neste sentido, visto que estes mesmos textos não poderiam ter sido interpretados neste sentido por seus primitivos destinatários. Concluímos que a Segunda Vinda de Cristo será um evento único e visível, em que ele virá sobre as nuvens dos céus com poder e glória; momento este em que se dará o arrebatamento da Igreja, que, como foi demonstrado, não tem nada de secreto. A única coisa que se mantém em segredo é a questão relacionada ao dia e a hora em que Cristo regressará. O que serve também para refutar aqueles conceitos mid-tribulacionistas que coincidem com os do pré-tribulacionismo, a saber, arrebatamento secreto e Segunda Vinda em Duas fases. Concordamos com o a distinção que o Mid-tribulacionista faz entre “ira de Deus” e “perseguição da Besta” e concordamos que a Bíblia ensina que seremos protegidos da ira de Deus (1 Ts 1.9-10; 5.9; Rm 5.9), mas não existe razão para crer que tal proteção se dará através de um arrebatamento, pois Deus não precisou arrebatar o povo de Israel do Egito quando enviou as pragas. Deus protegeu o seu povo dentro da esfera de perigo. Ensinar que a Igreja será arrebatada juntamente com o Espírito Santo reduz tanto o papel da Igreja quanto o papel do Espírito Santo na história da redenção da humanidade, além de produzir escapismo.

E demonstramos também que não existe nada no texto de Daniel que indique algo como um intervalo ou paralisação do relógio profético. Vimos que tais profecias de Daniel são hoje mais história, do que profecias apocalípticas a respeito de dias ainda futuros, pois a Grande Tribulação de caráter judaico com a queda de Jerusalém, profanação e destruição do templo pelo abominável da destruição de que falou o profeta Daniel, General Tito, cumprindo a profecia de Daniel e a do próprio Jesus em Mt 23 e 24. O que não significa dizer que não mais haverá Grande Tribulação, pois após a queda de Jerusalém, temos os escritos de João que falam a respeito de uma Grande Tribulação de caráter cristão que já estava em andamento naquela época, algo não mais circunscrito a Jerusalém, mas de âmbito universal, não mais como um juízo de Deus em relação a infidelidade do povo de Israel como o foi no caso da primeira e da segunda queda de Jerusalém nos anos 586 AC e 70 DC, respectivamente, mas neste caso, agora, seria uma Grande Tribulação produzida pelo ódio dos inimigos de Jesus e de sua Igreja (Ap 6.9s e 7.9s). O apóstolo João não falava apenas de um anticristo, mas de vários, dizendo que, já em seu tempo, muitos anticristos haviam surgido (1 Jo 2.18; 4.3; 2 Jo 1.7). Interessante observar que não há nenhuma menção ao anticristo no livro de Apocalipse. Existe apenas 4 menções ao(s) anticristo(s) nas duas primeiras Epístolas de João como uma clara referências aos hereges gnósticos cristãos que negavam que Cristo veio em carne. 

Se o pré-tribulacionismo estivesse com razão ao ensinar que a Igreja será arrebatada antes do surgimento do anticristo, seríamos forçados a concluir, por exemplo, que o próprio João não foi arrebatado com a Igreja, pois João reconhecia a presença e a atividade do anticristo em seus dias.

Paulo afirma que a batalha entre as forças do Homem da Iniquidade e as forças da Igreja de Cristo irá perdurar até o Dia do Senhor, quando ele destruirá o Homem da Iniquidade com o sopro de sua boca (2 Ts 2.8).

Sendo assim, concluímos que a Igreja não só passará pela Grande Tribulação como já passou e, em muitos lugares e sentidos, tem passado por ela. E, baseados em Ap 20, podemos também concluir que haverá uma feroz investida satânica contra os discípulos de Cristo no final dos tempos, o que concorda também com o texto de Ap 12:12, que diz “ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta”. Ainda sobre as 70 Semanas de Daniel, concluímos que Jesus veio como Rei de Israel e estabeleceu a nova aliança que fora profetizada por Jeremias. Jesus foi e é a única esperança de Israel. Na sua primeira vinda, Cristo cumpriu todos os seis objetivos da visão das 70 Semanas de Daniel. A Segunda Vinda de Cristo não será o início da septuagésima semana de Daniel, mas, sim, a consumação final.

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