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O que significa fazer violência ao reino e se apoderar dele pela força?



O que Jesus quis dizer com a frase abaixo, que é tão difícil de entender?

“E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” (Mateus 11:12) 


Violência aqui não significa violência contra os adversários, pois Jesus nos ensinou a dar a outra face e a amar até mesmo os nossos inimigos. Não significa também a violência dos inimigos contra o Reino de Deus, porque em Lucas 16:16,  temos uma declaração semelhante, onde tal interpretação não seria possível, pois ali se lê: “A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele.” (Lc 16.16).   O pensamento parece ser: "... apenas o homem em quem a violência da devoção supera e derrota a violência da perseguição entrará finalmente no Reino dos Céus“. O que é capaz de negar-se a si mesmo, carregar sua cruz, que prioriza o Reino e é capaz de deixar as redes, e que luta por entrar pela porta estreita; não tendo dois senhores, não amando as riquezas, não sendo avarento, não amando e seguindo apegado as coisas e valores deste mundo passageiro é que entrará no Reino de Deus. Ou seja, Jesus está se referindo às pessoas que o seguiam ativamente, fazendo de tudo para apropriar-se do reino, pagando o preço do discipulado, negando-se a si mesmo, deixando tudo para seguir o Senhor, desprendendo-se de tudo para apropria-se da pedra de inestimável valor, ou seja, elas não ficam simplesmente esperando que o reino venha até elas. Trata-se aqui da violência contra os apetites carnais, contra o egoísmo e todas as obras da carne. “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” (1Co 9.27 AA ). “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.” (Mt 5.29).

A porta do Reino dos Céus é estreita:  “E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. (Lc 13.23–24 AA). (onde o verbo ἀγωνίζομαι traduzido por “esforçar” significa "lutar”). 

Nenhuma obra, sacrifício ou esforço humano é capaz de nos garantir a salvação, mas, uma vez alcançados por tão grande e gratuita salvação, somos chamados e capacitados a sermos suas testemunhas aqui neste mundo, vivendo de modo digno do Evangelho, produzindo os frutos dignos de arrependimento, as boas obras que promovem a glória de Deus.

A graça salvadora não apaga a responsabilidade humana. “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tt 2.11–12). 

No primeiro capítulo de sua segunda epístola,  Apóstolo Pedro diz que recebemos gratuitamente todas as condições para vivermos à altura de nossa vocação e que compete a cada cristão esforçar-se diligentemente para o seu desenvolvimento espiritual, para não se tornarem inativos e nem infrutíferos, “pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (2Pe 1.11). 

Portanto, cuidado com a graça barata que promove a ideia de um Deus que dá tudo e que não exige nada. Bonhoeffer disse que "A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado… Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho - ‘vocês foram comprados por preço’ - e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus.”

Quem ama mais ou menos, tem fé mais ou menos, ora mais ou menos, se engaja na obra de Deus mais ou menos, obedece a Deus mais ou menos, levando a vida cristã no banho Maria, corre o risco de estar enquadrado na categoria dos cristãos mornos que serão vomitados da boca do Senhor se não se arrependerem (Ap 3.16). 

Os que gostam de levar a vida em banho Maria, deveriam atentar para o refrão da canção Maria, Maria de Milton Nascimento: “Mas é preciso ter força. É preciso ter raça. É preciso ter gana sempre!”

Qual o valor que temos dado ao Evangelho que nos salva? Temos buscado o Reino de Deus como a prioridade máxima de nossas vidas? Qual tem sido a temperatura da nossa fé, amor e devoção a Cristo e sua Igreja?


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