domingo, 18 de janeiro de 2026

O Divino Hóspede e a Obra do Amor

Leitura Bíblica: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." (2 Coríntios 3:18)


1.⁠ ⁠Não uma Força, mas um Amigo Divino - Muitas vezes, em nossa caminhada, corremos o risco de buscar o "poder" de Deus como se fosse uma eletricidade espiritual para resolver nossos problemas. Mas as Escrituras nos corrigem gentilmente: o Espírito Santo não é uma energia impessoal, uma "força ativa" ou uma influência abstrata. Ele é uma Pessoa Divina. Ele possui intelecto para nos ensinar, vontade para distribuir dons "como lhe apraz" (1 Coríntios 12:11) e emoções sensíveis — tanto que a Bíblia nos adverte a não O entristecermos (Efésios 4:30).

O privilégio da nossa fé não é apenas crer sobre o Espírito, mas crer nele como o "outro Consolador", aquele que está ao nosso lado e habita em nós. Se no Antigo Testamento Deus estava com o povo (no templo), e nos Evangelhos Deus estava entre nós (em Jesus), agora, através do Espírito, Deus está dentro de nós. Nós nos tornamos o Seu santuário vivo.


2.⁠ ⁠A Obra Prima: Cristo em Nós - Qual é o objetivo deste Hóspede Divino em nossas vidas? João Wesley, com seu "otimismo da graça", nos ensinou que a salvação não é apenas o perdão dos pecados (o que Cristo fez por nós na cruz), mas é também a transformação da nossa natureza (o que o Espírito faz em nós agora).

A obra do Espírito é a restauração da Imago Dei — a imagem de Deus que foi quebrada pelo pecado. Ele é o escultor que trabalha diariamente para nos tornar parecidos com Jesus. Ele não quer apenas nos levar para o céu; Ele quer trazer o céu para dentro de nós, purificando nosso coração de toda rebelião e egoísmo. Como nos lembra o apóstolo Paulo, fomos salvos "mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tito 3:5).


3.⁠ ⁠Santidade: O Caminho do Amor Perfeito - Talvez a palavra "santificação" soe pesada ou inalcançável. Mas, na perspectiva do Espírito, santidade é, essencialmente, amor. A "Inteira Santificação" é ter o coração liberto de tudo o que é contrário ao amor, para que possamos amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos.

O Espírito Santo é quem derrama esse amor em nossos corações (Romanos 5:5). Ele não se contenta em nos deixar lutando eternamente como "miseráveis homens" (Romanos 7), escravos de velhos vícios. Ele nos convida para a vida no Espírito, onde somos mais que vencedores (Romanos 8).

A graça do Espírito não apenas perdoa; ela cura. Não apenas declara justo; ela torna justo.


Oração: Espírito Santo, Deus vivo e pessoal, perdoa-nos quando Te tratamos apenas como um meio para obter bênçãos, e não como o próprio Deus habitando em nós. Nós Te damos as boas-vindas em cada cômodo do nosso coração. Realiza a Tua obra prima em nós: purifica-nos de toda mancha, restaura a imagem de Cristo em nosso caráter e enche-nos com o Teu perfeito amor. Que a nossa vida não seja apenas uma busca por poder, mas uma demonstração do Teu fruto. Em nome de Jesus, Amém.


Para Reflexão: Se o Espírito Santo é uma Pessoa que habita em você, como isso muda a maneira como você cuida dos seus pensamentos e do seu corpo hoje?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Crianças na Santa Ceia: uma defesa bíblica, histórica e pastoral

A pergunta é antiga e gera dúvidas sinceras: crianças podem participar da Santa Ceia? Se podem, em que condições? Se não, qual a base bíblica para excluí-las? Para responder sem cair na mera repetição de costumes, precisamos de honestidade teológica. Afinal, a Ceia é um “prêmio” para quem atingiu certo nível intelectual, ou um meio de graça para quem precisa ser nutrido no caminho? (1Co 10.16–17; 1Co 11.23–26)


Como metodistas, afirmamos que a Santa Ceia é sacramento — não apenas um memorial. Isso significa que ela é um meio de graça: um sinal visível instituído por Cristo, pelo qual Deus fortalece, desperta, consola e confirma a fé do seu povo. Não adoramos os elementos, mas recebemos, com reverência, aquilo que eles significam e comunicam: a comunhão com Cristo e com o seu corpo. (1Co 10.16–17; 1Co 11.23–26)

Por isso, a pergunta sobre crianças não pode ser resolvida apenas pela régua da “compreensão intelectual”. Se a Ceia é sacramento, ela não é prêmio de maturidade, mas alimento para peregrinos — e as crianças também são parte do povo em peregrinação, sendo discipuladas no seio da comunidade. (At 2.42; Ef 4.15–16)


Minha convicção, fundamentada na Escritura e na nossa herança wesleyana, é esta: crianças batizadas, sob devida orientação pastoral e familiar, podem e devem ser acolhidas à Mesa do Senhor. Elas não são “quase membros”, mas parte do povo de Deus, e devem ser discipuladas por Palavra, comunhão e reverência no culto. (At 2.39; Ef 4.4–6)


1. A refeição pactual e a coerência da Aliança


Não é por acaso que Jesus instituiu a Ceia no contexto da Páscoa. A Páscoa era uma refeição pactual: não apenas um rito individual, mas um memorial celebrado em comunidade e, frequentemente, em família. As crianças participavam e aprendiam fazendo perguntas sobre o significado do que estavam vivendo. (Êx 12.24–27)


É verdade que Ceia e Páscoa não são idênticas. A Ceia é cristológica: aponta para a morte do Senhor, para a nova realidade do Evangelho e para a esperança do Reino. (Lc 22.19–20; 1Co 11.26) Porém, a escolha deliberada de Jesus não é irrelevante: ela reforça que o povo de Deus é formado, instruído e nutrido por sinais que envolvem memória, pertença e comunhão. (Dt 6.6–7; 1Co 10.17)


A pergunta, então, não é: “as crianças entendem tudo?”, mas: elas pertencem ao povo? Se pertencem — e se são tratadas como parte do corpo — por que seriam mantidas fora da mesa que expressa e alimenta essa comunhão? (1Co 12.12–13; Ef 4.4–6)


2. “Deixai vir”: a teologia do acesso e do acolhimento de Cristo


Quando Jesus repreendeu os discípulos por impedirem as crianças, Lucas registra que estavam sendo trazidos até ele até mesmo bebês/lactentes. (Lc 18.15–16) E Jesus afirma: “Dos tais é o Reino de Deus”. (Lc 18.16)


Esse texto não é uma “prova direta” sobre a Ceia. Mas ele estabelece um princípio cristológico decisivo: não criar obstáculos eclesiais que Cristo não cria. (Mc 10.13–16) Se o Senhor acolhe, abençoa e recebe as crianças, a igreja precisa tomar muito cuidado para não empurrá-las para uma periferia espiritual, como se dissessem: “Vocês participam da Igreja de Cristo, mas ainda não pertencem a ela de forma plena.” (Rm 15.7; Ef 2.19)


A compreensão doutrinária cresce com o discipulado — e o discipulado, muitas vezes, é fortalecido pelos próprios meios que Deus usa para nutrir seu povo. (2Tm 3.14–15; Ef 4.15)


3. 1Coríntios 11: o problema não era idade, mas indignidade moral e divisão do corpo


A objeção clássica é: “Paulo manda examinar-se; criança não pode”. (1Co 11.28) Mas essa leitura frequentemente ignora o contexto. Em Corinto, o problema não era imaturidade etária; era indignidade moral e comunitária: egoísmo, divisão, desprezo pelos irmãos, humilhação dos pobres, distorção do caráter de comunhão da mesa. (1Co 11.17–22)


Quando Paulo fala em “discernir o corpo”, o tema do capítulo não é um exame intelectual sofisticado, mas o reconhecimento reverente de que a Ceia é do Senhor e que a igreja é um corpo, não um conjunto de consumidores individuais. (1Co 10.16–17; 1Co 11.29) A disciplina apostólica mira o pecado que rompe comunhão e profana a mesa por arrogância, injustiça e falta de amor. (1Co 11.33–34)


Portanto, o texto não funciona bem como “barreira etária automática”. Ele funciona como chamado à reverência, arrependimento, reconciliação e unidade — e isso pode ser trabalhado pastoralmente com crianças de modo proporcional à sua condição. (1Co 11.28–29; Mt 18.3–4)


4. Profissão de fé e nutrição espiritual: a Ceia não é “formatura”


É crucial distinguir teologia de política eclesiástica. A profissão de fé é importante: marca maturidade, consciência e compromisso. (Rm 10.9–10) Mas a Ceia não é apenas “selo de chegada”; ela é alimento para a jornada do povo de Deus. (1Co 10.16; Jo 6.35)


Como sacramento, a Ceia não apenas aponta para a graça; ela é um meio pelo qual Deus comunica graça ao seu povo, fortalecendo a fé e chamando à comunhão e à santidade. (At 2.42; 1Co 11.26)


Não dizemos a uma criança: “você só poderá jantar com a família quando entender plenamente os processos da digestão”. Nós a alimentamos para que cresça. Assim também no discipulado cristão: a igreja alimenta, ensina e acompanha. (1Pe 2.2; Ef 4.15)


Se essa nutrição é vital para adultos frágeis, por que negaríamos às crianças, que também carecem da graça que atua despertando, convencendo, salvando e santificando? (Fp 1.6; Tt 2.11–12)


5. Um breve testemunho histórico: disciplina não é mandamento apostólico


A exclusão de crianças por “idade da razão” não é uma regra universal e apostólica que sempre existiu de modo homogêneo. Em vários contextos da história cristã, crianças participaram da comunhão; e tradições orientais mantêm, até hoje, a comunhão infantil como disciplina viva. (At 2.42; Ef 2.19)


Isso significa que o cristianismo histórico não fala com uma só voz nessa prática disciplinar. Logo, antes de transformar uma disciplina específica em “lei universal”, convém humildade, pesquisa e temor de Deus. (1Ts 5.21; 2Tm 2.15)


6. Objeções comuns e respostas rápidas


(1) “Vai banalizar a Ceia.”

Banalização é risco de qualquer idade. A resposta bíblica é catequese, liturgia reverente e pastoreio — não exclusão automática. (1Co 11.27–29; 1Pe 5.2–3)


(2) “E o autoexame?”

O autoexame é real, mas não é “prova escolar”. É chamado ao arrependimento, reverência e comunhão do corpo. Crianças podem ser ensinadas a participar com fé simples, respeito e orientação. (1Co 11.28–29; Mt 18.3–4)


(3) “E o vinho / os elementos?”

Aqui entram prudência e prática pastoral. Além disso, vale lembrar que a maioria das igrejas evangélicas substituiu o vinho por suco de uva, o que remove uma objeção frequente e favorece a participação das crianças com ainda mais tranquilidade. De toda forma, a igreja pode administrar com prudência (quantidade mínima; orientação; supervisão), sem transformar uma questão prática em veto teológico. (1Co 14.40)


(4) “Como cercar a mesa?”

Do mesmo modo que fazemos com adultos: ensino, exortação, reconciliação e disciplina quando necessário. A igreja não é chamada a excluir por medo, mas a pastorear com seriedade. (Mt 18.15–17; 1Co 11.33)


7. Um caminho pastoral prático


Para acolher crianças à mesa com ordem e decência, o caminho não é relaxamento, mas discipulado intencional:

1. Base no batismo: a criança batizada é tratada como membro da aliança, e não como “membro em espera”. (At 2.38–39; Gl 3.27)

2. Catequese contínua: ensinar o essencial (quem é Jesus; o significado da Ceia; reverência; perdão; amor). A criança aprende participando, não ficando de fora. (Dt 6.6–7; 2Tm 3.15)

3. Envolvimento da família: os pais orientam a postura e a fé simples, e a liderança pastoral acompanha com zelo. (Ef 6.4; Hb 13.17)


A exclusão automática tende a comunicar uma mensagem perigosa: “você pertence à igreja, mas não pertence tanto assim”. A Mesa do Senhor é lugar de graça, memória e comunhão. E é exatamente à mesa, junto dos mais velhos, que as crianças aprendem o que significa ser parte do Corpo de Cristo. (1Co 10.17; Rm 15.7)


Conclusão


A questão não é “reduzir santidade” nem “facilitar a Ceia”. A questão é coerência eclesial e fidelidade pastoral: se Cristo acolhe as crianças e se a igreja as discipula como parte do povo, devemos considerar seriamente se nossa prática não as empurra para uma espiritualidade de segunda classe. (Lc 18.16; Ef 2.19)


Recebê-las com reverência, ensino e cuidado não enfraquece a Ceia; antes, fortalece a identidade da igreja como família da fé, onde todos tem comunhão com Cristo — adultos e crianças — aprendendo a se aproximar de Cristo com temor, gratidão e esperança. (At 2.42; 1Co 11.26; Hb 10.24–25)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Redação do meu filho Daniel quando tinha 10 anos de idade

Meu pai se chama José Ildo Swartele de Mello.

Ele usa óculos, é magro, é alto, tem olhos pretos, cabelos pretos e curtos, com entradas no cabelo. Ele tem trinta e cinco anos.
É esperto e joga bem futebol.
Tem três filhos.

Meu pai é bem alegre, é bem-humorado e é uma pessoa generosa.
Ele reclama demais, é mandão e é muito corajoso.
Eu gosto muito do meu pai, porque ele sempre me deu muito carinho.

Meu pai é pastor.
Eu acho que ele gosta muito da sua profissão, porque, na sua profissão, ele está ajudando as outras pessoas que não conhecem a Palavra de Deus.

Meu pai age do mesmo jeito que pensa.
Eu nunca tive surpresas desagradáveis com meu pai.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Que Criança é Essa?


O Natal que nos Encontra


Quando Deus entra na nossa história

Que criança é esta?
Essa é a pergunta que o Natal nos obriga a responder. Não é uma pergunta poética apenas. É uma pergunta decisiva. Porque, dependendo da resposta, o Natal pode ser apenas mais uma data no calendário — ou o começo de uma nova vida.

Isaías anunciou, séculos antes, que Deus daria um sinal à humanidade: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel” (Is 7.14). Emanuel não é apenas um nome bonito. É uma declaração: Deus está conosco. O Natal não começa com o homem procurando Deus, mas com Deus vindo ao encontro do homem.

O mundo estava em trevas. Trevas morais, espirituais, existenciais. Pessoas vivendo, mas sem saber para quê. E então Isaías proclama: “O povo que andava em trevas viu grande luz” (Is 9.2). Essa luz não é uma ideia, nem uma filosofia, nem uma religião melhorada. Essa luz é uma Pessoa. Jesus nasce para iluminar consciências, confrontar o pecado e oferecer redenção.

O profeta vai ainda mais longe: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9.6). Aqui está o coração do Evangelho. Um menino nasce — plenamente humano. Um filho é dado — plenamente divino. Deus não enviou um discurso do céu. Ele enviou o seu Filho. O Natal é Deus se doando, não apenas se manifestando.

Mas como esse Filho veio? Isaías responde com sobriedade: “Cresceu como renovo… sem aparência nem formosura” (Is 53.2). Ele não nasceu em palácio, mas numa manjedoura. Não foi recebido pelos poderosos, mas por pastores. O Salvador do mundo entra pela porta da humildade, porque veio salvar pessoas reais, feridas, cansadas e pecadoras.

E aqui está a boa notícia do Natal: Jesus não veio apenas para nascer; veio para buscar e salvar o que se havia perdido. Ele nasceu para viver entre nós, morrer por nós e ressuscitar para nos dar vida nova. A manjedoura aponta para a cruz, e a cruz aponta para o túmulo vazio.

Por isso, o Natal não é apenas para ser celebrado — é para ser respondido. Não basta admirar o menino; é preciso receber o Salvador. O mesmo Jesus que nasceu em Belém deseja hoje nascer no coração humano. Não como símbolo, mas como Senhor.

A pergunta permanece: Que criança é esta para você?
Se Ele for apenas parte da tradição, o Natal termina em poucos dias.
Mas se Ele for o Filho de Deus, o Príncipe da Paz, então hoje pode ser o dia da salvação.

A Bíblia diz: “Eis agora o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação” (2Co 6.2). O Natal é o anúncio de que Deus se aproximou. Cabe a nós dar o passo da fé, do arrependimento e da entrega.

Que neste Natal, mais do que luzes nas casas, haja luz no coração.
Mais do que presentes nas mãos, haja graça na alma.
Mais do que emoção passageira, haja vida transformada.
Porque Jesus nasceu — e isso muda tudo.

Um Feliz Natal com Jesus!
Bispo Ildo Mello

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Natal que Confronta


O Natal que muitos celebram hoje é bonito, emotivo e bem iluminado — mas, muitas vezes, esvaziado de seu significado mais profundo. Neste vídeo, somos confrontados com a pergunta central do Natal, a mesma que atravessa a história e alcança o coração de cada pessoa: “Que criança é esta?”

Nesta mensagem, você será convidado a olhar além do presépio decorativo e do clima sentimental, para encarar o Natal bíblico — aquele que não apenas consola, mas confronta; não apenas emociona, mas exige resposta. O berço aponta para a cruz. A manjedoura anuncia o Reino. O nascimento revela guerra espiritual, arrependimento, decisão e rendição ao Rei.

Aqui refletimos sobre:

  • Natal domesticado, que transforma Jesus em um símbolo inofensivo

  • A unidade inseparável entre Berço, Cruz e Coroa

  • O Natal como avanço do Reino de Deus em território hostil

  • O chamado do Natal à decisão, não à distração

  • A verdadeira paz, que só existe para quem recebe o Rei

Esta não é apenas uma mensagem para a data, mas um convite à conversão, à obediência e à adoração genuína. Porque o Natal que vale a pena não é apenas comemorado — ele é obedecido.

Que este vídeo leve você a um encontro real com Cristo, o Deus conosco, o Salvador e o Rei.

Um abençoado Natal com Jesus.
Bispo Ildo Mello

O Natal que Confronta

 O Natal que Confronta

O Natal é, ao mesmo tempo, a história mais conhecida do mundo e a mais ignorada em seu significado real. Todo ano, repetimos imagens: luzes, presépios, músicas, família reunida, mensagens bonitas. Mas permanece a pergunta decisiva — a pergunta que o próprio Natal coloca no centro da sala, no centro do coração, no centro da história:

Que criança é esta?

Se essa pergunta não for respondida com reverência e fé, o Natal vira apenas uma decoração emocional: bonito por fora, vazio por dentro. E é exatamente isso que tem acontecido com frequência. A sociedade aprendeu a celebrar “o Natal” sem precisar lidar com Cristo. Aprendeu a manter o ambiente agradável, mas sem permitir que Jesus seja Senhor.

1. O Natal domesticado: um Cristo “seguro” demais

A cultura moderna gosta de um Jesus que não incomoda. Um Jesus bebê, silencioso, “fofo”, que cabe numa manjedoura decorativa e não exige nada além de um sentimento leve. É um Cristo reduzido: bom exemplo, inspiração de bondade, símbolo de paz genérica — mas não o Rei que confronta o pecado, chama ao arrependimento e exige obediência.

É o “Jesus suavizado”:

um Jesus que não entra na agenda,

não mexe nos hábitos,

não corrige,

não governa,

não é perigoso para os nossos ídolos.

E quando o comércio assume o comando, essa redução ganha força. Jesus é tratado como um elemento de marketing: um tema, um símbolo, um detalhe de vitrine. O “sucesso do Natal” passa a ser medido por filas, volume de compras, números fechando, metas batidas.

Mas aqui está a ironia: é possível defender “Feliz Natal” em letras enormes e ainda assim perder o Natal real. Porque o verdadeiro adversário do Natal não é apenas a secularização; muitas vezes é o comercialismo, que enche as mãos e esvazia o coração.

Há uma frase que precisa ser ouvida com seriedade:

Se o Natal não está no coração, ele nunca será encontrado debaixo de uma árvore.

2. A verdade do Natal: Berço, Cruz e Coroa

O Natal bíblico não é um conto romântico. É o início de uma intervenção divina na história humana. Deus entrou no nosso mundo. E Ele entrou de um modo que revela tanto a Sua glória quanto a nossa condição.

A manjedoura não é um detalhe poético. É um diagnóstico.

A Escritura diz que Maria “o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7). Não havia lugar. Não havia espaço. E isso não foi apenas um episódio logístico; foi um símbolo profético da vida inteira de Jesus.

Ele começou em uma manjedoura emprestada.

E terminou em um túmulo emprestado.

E, no meio, o mundo deixou claro que o “lugar” preparado para Ele seria a cruz.

O Natal, quando visto com os olhos da Bíblia, nos impede de separar Jesus em “fases” agradáveis: bebê no presépio, mestre nas histórias, símbolo de paz nos cartões. O mesmo Cristo que nasceu em Belém é o Cristo que carregou a cruz e foi coroado como Rei.

Por isso, a história do Natal não termina no berço. Ela aponta inevitavelmente para:

a Cruz — onde o Cordeiro de Deus tira o pecado do mundo;

a Coroa — onde o Senhor ressuscitado reina e julga com justiça.

Se o Natal não nos leva à cruz, ele não chegou onde Deus queria que chegasse.

3. O Natal também é guerra: a noite não foi “silenciosa” no reino espiritual

Há um outro aspecto que a superficialidade cultural apaga: o Natal inaugura um confronto. A vinda de Cristo não foi apenas “um nascimento”; foi o avanço do Reino de Deus dentro de território hostil.

Basta lembrar: Herodes se enfurece, crianças são assassinadas, famílias fogem, o mal se levanta (Mt 2.16–18). Por quê? Porque o nascimento de Jesus não é neutro. A encarnação é uma declaração de guerra contra as trevas.

A noite pode ter sido silenciosa na rua.

Mas não foi silenciosa no mundo espiritual.

Onde Cristo nasce, o inferno reage.

Onde o Rei chega, as trevas tremem.

O Natal é o anúncio de que Deus não abandonou o mundo. Ele entrou nele — para derrotar o pecado, quebrar a escravidão e inaugurar a reconciliação.

4. O verdadeiro chamado do Natal: não distração, mas decisão

Aqui está o ponto que separa o Natal bíblico do Natal cultural: o Natal exige resposta.

Diante de Jesus, ninguém permanece apenas “assistindo”. A manjedoura expõe o coração. A presença do Salvador nos coloca diante de uma escolha:

eu o rejeito,

eu o ignoro,

ou eu o adoro.

Não existe Natal neutro. Não existe encontro real com Cristo sem consequências.

Porque o Natal não é um convite ao sentimentalismo; é um convite ao arrependimento. Deus se fez homem não para decorar nossos sentimentos, mas para resgatar nossa vida.

E, quando Cristo é recebido, o Natal deixa de ser uma data e se torna um caminho.

5. Natal é imitação: o Deus que veio servir chama o seu povo a servir

O Filho de Deus veio com humildade. Veio sem ostentação. Veio obediente ao Pai. Veio para servir. Ele não nasceu para ser aplaudido em vitrines; nasceu para se entregar por pecadores.

Se Ele é o centro do Natal, então o Natal verdadeiro produz marcas concretas:

(1) Obediência

Não apenas “cantar sobre Jesus”, mas viver sob o governo de Jesus. Natal não é cenário; é senhorio.

(2) Generosidade

Se Deus se deu, nós aprendemos a doar. E doar não apenas presentes entre os que já têm, mas cuidado real com os que sofrem. O Natal bíblico nos arranca do consumo e nos empurra para o amor prático.

(3) Adoração

Adorar é mais do que emoção. É reverência, rendição e prioridade. O verdadeiro Natal reorganiza a vida.

6. A paz do Natal: para quem recebe o Rei

Todo mundo fala de “paz” no Natal. Mas a Bíblia é específica: a paz de Deus não é um enfeite universal; é uma dádiva para quem se rende ao Príncipe da Paz.

Há paz, sim — mas não como slogan. Há paz como reconciliação com Deus, como perdão real, como nova vida, como esperança que não depende de circunstância.

A paz do Natal não é o silêncio das ruas; é o silêncio da culpa.

Não é a ausência de problemas; é a presença do Salvador.

Não é distração; é reconciliação.

Conclusão: o Natal que vale a pena

*O Natal que Confronta: quando o Berço vira chamada ao arrependimento*

O Natal é, ao mesmo tempo, a história mais conhecida do mundo e a mais ignorada em seu significado real. Todo ano, repetimos imagens: luzes, presépios, músicas, família reunida, mensagens bonitas. Mas permanece a pergunta decisiva — a pergunta que o próprio Natal coloca no centro da sala, no centro do coração, no centro da história:

Que criança é esta?

Se essa pergunta não for respondida com reverência e fé, o Natal vira apenas uma decoração emocional: bonito por fora, vazio por dentro. E é exatamente isso que tem acontecido com frequência. A sociedade aprendeu a celebrar “o Natal” sem precisar lidar com Cristo. Aprendeu a manter o ambiente agradável, mas sem permitir que Jesus seja Senhor.

1. O Natal domesticado: um Cristo “seguro” demais

A cultura moderna gosta de um Jesus que não incomoda. Um Jesus bebê, silencioso, “fofo”, que cabe numa manjedoura decorativa e não exige nada além de um sentimento leve. É um Cristo reduzido: bom exemplo, inspiração de bondade, símbolo de paz genérica — mas não o Rei que confronta o pecado, chama ao arrependimento e exige obediência.

É o “Jesus suavizado”:

um Jesus que não entra na agenda,

não mexe nos hábitos,

não corrige,

não governa,

não é perigoso para os nossos ídolos.

E quando o comércio assume o comando, essa redução ganha força. Jesus é tratado como um elemento de marketing: um tema, um símbolo, um detalhe de vitrine. O “sucesso do Natal” passa a ser medido por filas, volume de compras, números fechando, metas batidas.

Mas aqui está a ironia: é possível defender “Feliz Natal” em letras enormes e ainda assim perder o Natal real. Porque o verdadeiro adversário do Natal não é apenas a secularização; muitas vezes é o comercialismo, que enche as mãos e esvazia o coração.

Há uma frase que precisa ser ouvida com seriedade:

Se o Natal não está no coração, ele nunca será encontrado debaixo de uma árvore.

2. A verdade do Natal: Berço, Cruz e Coroa

O Natal bíblico não é um conto romântico. É o início de uma intervenção divina na história humana. Deus entrou no nosso mundo. E Ele entrou de um modo que revela tanto a Sua glória quanto a nossa condição.

A manjedoura não é um detalhe poético. É um diagnóstico.

A Escritura diz que Maria “o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7). Não havia lugar. Não havia espaço. E isso não foi apenas um episódio logístico; foi um símbolo profético da vida inteira de Jesus.

Ele começou em uma manjedoura emprestada.

E terminou em um túmulo emprestado.

E, no meio, o mundo deixou claro que o “lugar” preparado para Ele seria a cruz.

O Natal, quando visto com os olhos da Bíblia, nos impede de separar Jesus em “fases” agradáveis: bebê no presépio, mestre nas histórias, símbolo de paz nos cartões. O mesmo Cristo que nasceu em Belém é o Cristo que carregou a cruz e foi coroado como Rei.

Por isso, a história do Natal não termina no berço. Ela aponta inevitavelmente para:

a Cruz — onde o Cordeiro de Deus tira o pecado do mundo;

a Coroa — onde o Senhor ressuscitado reina e julga com justiça.

Se o Natal não nos leva à cruz, ele não chegou onde Deus queria que chegasse.

3. O Natal também é guerra: a noite não foi “silenciosa” no reino espiritual

Há um outro aspecto que a superficialidade cultural apaga: o Natal inaugura um confronto. A vinda de Cristo não foi apenas “um nascimento”; foi o avanço do Reino de Deus dentro de território hostil.

Basta lembrar: Herodes se enfurece, crianças são assassinadas, famílias fogem, o mal se levanta (Mt 2.16–18). Por quê? Porque o nascimento de Jesus não é neutro. A encarnação é uma declaração de guerra contra as trevas.

A noite pode ter sido silenciosa na rua.

Mas não foi silenciosa no mundo espiritual.

Onde Cristo nasce, o inferno reage.

Onde o Rei chega, as trevas tremem.

O Natal é o anúncio de que Deus não abandonou o mundo. Ele entrou nele — para derrotar o pecado, quebrar a escravidão e inaugurar a reconciliação.

4. O verdadeiro chamado do Natal: não distração, mas decisão

Aqui está o ponto que separa o Natal bíblico do Natal cultural: o Natal exige resposta.

Diante de Jesus, ninguém permanece apenas “assistindo”. A manjedoura expõe o coração. A presença do Salvador nos coloca diante de uma escolha:

eu o rejeito,

eu o ignoro,

ou eu o adoro.

Não existe Natal neutro. Não existe encontro real com Cristo sem consequências.

Porque o Natal não é um convite ao sentimentalismo; é um convite ao arrependimento. Deus se fez homem não para decorar nossos sentimentos, mas para resgatar nossa vida.

E, quando Cristo é recebido, o Natal deixa de ser uma data e se torna um caminho.

5. Natal é imitação: o Deus que veio servir chama o seu povo a servir

O Filho de Deus veio com humildade. Veio sem ostentação. Veio obediente ao Pai. Veio para servir. Ele não nasceu para ser aplaudido em vitrines; nasceu para se entregar por pecadores.

Se Ele é o centro do Natal, então o Natal verdadeiro produz marcas concretas:

(1) Obediência

Não apenas “cantar sobre Jesus”, mas viver sob o governo de Jesus. Natal não é cenário; é senhorio.

(2) Generosidade

Se Deus se deu, nós aprendemos a doar. E doar não apenas presentes entre os que já têm, mas cuidado real com os que sofrem. O Natal bíblico nos arranca do consumo e nos empurra para o amor prático.

(3) Adoração

Adorar é mais do que emoção. É reverência, rendição e prioridade. O verdadeiro Natal reorganiza a vida.

6. A paz do Natal: para quem recebe o Rei

Todo mundo fala de “paz” no Natal. Mas a Bíblia é específica: a paz de Deus não é um enfeite universal; é uma dádiva para quem se rende ao Príncipe da Paz.

Há paz, sim — mas não como slogan. Há paz como reconciliação com Deus, como perdão real, como nova vida, como esperança que não depende de circunstância.

A paz do Natal não é o silêncio das ruas; é o silêncio da culpa.

Não é a ausência de problemas; é a presença do Salvador.

Não é distração; é reconciliação.

Conclusão: o Natal que vale a pena

O Natal que vale a pena não cabe apenas numa agenda. Ele precisa caber no coração — e, mais do que isso, precisa governar o coração.

Que este Natal não seja apenas lembrança de uma criança, mas encontro com o Rei. Que não seja apenas um clima, mas uma rendição. Que não seja apenas uma frase bonita, mas uma conversão verdadeira.

Porque, no fim, a pergunta permanece, e ninguém escapa dela:

Que criança é esta?

E a resposta bíblica é clara:

Ele é o Deus conosco.

Ele é o Salvador.

Ele é o Rei.

E se Ele é o Rei, então o Natal não é apenas comemorado.

O Natal é obedecido.


Um abençoado Natal com Jesus!

Bispo Ildo Mello Natal que vale a pena não cabe apenas numa agenda. Ele precisa caber no coração — e, mais do que isso, precisa governar o coração.

Que este Natal não seja apenas lembrança de uma criança, mas encontro com o Rei. Que não seja apenas um clima, mas uma rendição. Que não seja apenas uma frase bonita, mas uma conversão verdadeira.

Porque, no fim, a pergunta permanece, e ninguém escapa dela:

Que criança é esta?

E a resposta bíblica é clara:

Ele é o Deus conosco.

Ele é o Salvador.

Ele é o Rei.

E se Ele é o Rei, então o Natal não é apenas comemorado.

O Natal é obedecido.


Um abençoado Natal com Jesus!

Bispo Ildo Mello

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