quarta-feira, 15 de março de 2017

Base Bíblica e Histórica para o Batismo Infantil


Batismo Infantil

“Deixai vir a mim os pequeninos!”

“Quanto a todas as opiniões que não danificam as raízes do cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar.” — John Wesley

“No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em tudo, caridade.” — Frase tradicional, comumente atribuída a Agostinho; difundida por Rupertus Meldenius (1626).

 

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello


Por que privar as crianças do batismo?

O batismo é o sinal da nova aliança da graça, assim como a circuncisão foi o sinal da antiga aliança. Se cremos que as crianças estão incluídas na redenção, faz sentido permitir que sejam batizadas a pedido dos pais ou tutores, que se comprometem a oferecer a elas uma formação cristã adequada. Mais tarde, quando chegarem à idade de compreender sua fé, essas crianças batizadas deverão reafirmar o voto do batismo por elas mesmas, antes de serem recebidas como membros da igreja.

 

Vale lembrar que o batismo não é, em primeiro lugar, um sinal do arrependimento e da fé de quem o recebe, mas da aliança e da obra de salvação de Cristo, realizada na Cruz. Essa obra vicária precisa ser anunciada a todos, e o sinal (e selo) do batismo pode ser estendido não apenas àqueles que já responderam positivamente a ela, mas também aos filhos desses crentes, que estão sendo criados num ambiente cristão e aprendendo sobre o que Deus realizou de uma vez por todas em Cristo — algo totalmente suficiente.

 

O batismo simboliza também a ação regeneradora do Espírito Santo (Tt 3.5). O Espírito é soberano (Jo 3.8) e muitas vezes atua antes mesmo de percebermos, sem depender, necessariamente, de nossa compreensão daquele momento. Afinal, o Espírito convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8) e não despreza a mente dos pequeninos. João Batista, por exemplo, foi movido pelo Espírito ainda no ventre de Isabel, quando ela foi visitada por Maria, grávida de Jesus: “Ao ouvir a saudação de Maria, a criança se agitou no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41).

 

Jesus ensinou que até mesmo as criancinhas, inclusive as que ainda mamam, podem oferecer um louvor perfeito a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.16).

 

 

Fundamentos Bíblicos: O Princípio da Inclusão Pactual

A base bíblica para o Batismo Infantil reside no princípio da continuidade da Aliança da Graça, que sempre incluiu os filhos na comunidade da fé. O Novo Testamento mantém e aperfeiçoa essa lógica, não a revoga.


O Padrão Pactual: Família e Sinal

A história da salvação mostra que Deus lida consistentemente com famílias inteiras, e não apenas com indivíduos isolados, marcando-as com o sinal de Sua aliança:

  • Circuncisão e Batismo: No Antigo Testamento, a circuncisão (Gn 17.11) foi dada a Abraão como selo da justiça da fé (Rm 4.11) e foi aplicada aos infantes. O batismo cristão é o correspondente desse sinal na Nova Aliança, sendo chamado por Paulo de "circuncisão de Cristo" (Cl 2.11–12), sustentando a lógica de continuidade da pertença ao povo de Deus.
  • Prefigurações Coletivas: As prefigurações do batismo no AT envolveram o povo em comunidade:
  • Noé e toda a sua casa foram salvos pela arca (1Pe 3.20-21).
  • Todo Israel, incluindo crianças, foi "batizado em Moisés" ao passar pelo Mar Vermelho (1Co 10.1–2), um grande ato de redenção que antecipa o batismo.
  • O sangue foi aspergido sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb 9.19) na ratificação da aliança.
  • Compromisso Familiar: A aliança mosaica convocava adultos e "vossos meninos" a estarem diante de Deus (Dt 29.10–12). O ideal da fé doméstica é expresso na confissão de Josué: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor"(Js 24.15).

O Sinal de Proteção na Páscoa

O episódio da Páscoa no Êxodo reforça a importância do sinal da aliança para a proteção familiar. A obediência dos pais em aspergir o sangue do cordeiro nos umbrais das portas garantiu a salvação dos seus primogênitos. Isso demonstra que a fé e a obediência dos pais a um mandamento de Deus inserem os filhos no âmbito da proteção divina, enfatizando que o batismo é um selo da promessa de Deus e não um rito meramente simbólico.

A Inclusão na Nova Aliança 

A Nova Aliança, sendo superior, não restringe, mas confirma a inclusão dos filhos, dando-lhes o sinal do batismo:

·       Promessa para os Filhos: Pedro declara explicitamente que a promessa do Espírito e da aliança é "para vós e para os vossos filhos" (At 2.38–39).

·       Filhos "Santos": Paulo ensina que os filhos de pelo menos um dos pais crentes são "santos" (1Co 7.14), ou seja, separados e pertencentes ao povo visível da aliança, e por isso têm direito ao sinal.

·       Batismos de Famílias: O registro de batismos de casas inteiras — Lídia (At 16.15), o carcereiro de Filipos (At 16.32–33), Crispo (At 18.8) e Estéfanas (1Co 1.16) — coaduna-se com o princípio pactual familiar. A salvação, muitas vezes, é declarada à "casa", como no caso de Zaqueu (Lc 19.9) ou do carcereiro (At 16.31).

·       O Exemplo de Jesus: Jesus não apenas acolhe as crianças, mas as coloca no centro do Seu Reino. Traziam-Lhe "bebês/infantes" (), e Ele os abençoou, afirmando que "dos tais é o Reino de Deus" (Lc 18.15–17). Ele ainda atesta o "perfeito louvor" que sai da boca dos pequeninos (Mt 21.16), e João Batista foi cheio do Espírito Santo ainda no ventre (Lc 1.41), confirmando que a ação regeneradora do Espírito não depende da plena consciência.

·       Bênçãos Pela Fé dos Pais: O Novo Testamento reforça o princípio de que a fé dos pais opera em favor dos filhos, como nos exemplos de curas e ressurreições (filha de Jairo, filho epilético, filho da viúva de Naim, filho do oficial de Cafarnaum).

A misericórdia do Senhor se estende "sobre os filhos dos filhos" (Sl 103.17), estabelecendo um padrão de graça que se manifesta, na Nova Aliança, através do sinal do Batismo.

 

Testemunho da Igreja antiga

Os primeiros testemunhos explícitos de batismo de crianças aparecem no início do séc. III. 1) Tradição Apostólica (c. 215): “as crianças serão batizadas primeiro… as que não puderem responder, que os pais respondam por elas”. 2) Tertuliano (De bapt. 18): reconhece a prática, mas recomenda adiar por cautela pastoral — o que atesta sua existência. 3) Orígenes: a Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém-nascidos (Hom. Lev. 8.3; Com. Rm. 5.9). 4) Cipriano e o Sínodo (253): decide não esperar o 8º dia; batizar o quanto antes. 5) Concílio de Cartago (418): canoneia que os infantes são batizados para remissão dos pecados.3 4 5 6 7

 

Nota sobre o modo: a Didaquê (7.1–3) prevê imersão preferencial, e, quando não possível, derramar água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo — legitimando a efusão/aspersão.8

 

Tradição Protestante

É importante lembrar que Lutero, Calvino e Zwinglio — os três grandes reformadores — jamais foram rebatizados. Todos foram batizados ainda na infância e rejeitaram firmemente a ideia do rebatismo, considerando-a uma negação da eficácia da graça divina e do caráter único do batismo cristão.

Esses líderes, embora divergentes em diversos pontos teológicos, concordaram quanto à legitimidade e à necessidade do batismo infantil, por o entenderem como sinal da aliança e meio de graça.

Martinho Lutero, em sua Catequese Maior, descreve o batismo como um ato em que Deus age objetivamente, selando sua promessa, independentemente da idade do batizando.

João Calvino, nas Institutas (4.16), fundamenta o batismo infantil no argumento pactual: assim como os filhos eram incluídos na aliança através da circuncisão, devem agora ser incluídos por meio do batismo, o sinal da nova aliança.
Ulrico Zwinglio também reconheceu o batismo de crianças como sinal de pertencimento ao povo de Deus, em continuidade com a fé do Antigo Testamento.

Essa mesma compreensão foi herdada pelas principais confissões da Reforma:
O Catecismo de Heidelberg (Pergunta 74) declara que as crianças “devem ser batizadas, porque pertencem à aliança e ao povo de Deus”.

Os 39 Artigos da Religião da Igreja Anglicana (Artigo 27) afirmam que “o batismo de crianças deve ser de todo retido na Igreja, como inteiramente conforme à instituição de Cristo”.

John Wesley, seguindo essa tradição reformada e católica antiga, considerava o batismo um sacramento iniciatório e meio de graça, pelo qual a criança é recebida na comunidade da fé e colocada sob a influência santificadora do Espírito Santo.

Assim, tanto os reformadores do século XVI quanto os movimentos posteriores — luteranos, reformados, anglicanos e metodistas — mantiveram o batismo infantil como prática legítima e bíblica, rejeitando qualquer rebatismo como desnecessário e contrário ao princípio de “um só batismo” (Ef 4.5). 9 10 11 12 

 

Respostas às objeções

“Mas não há mandamento explícito para batizar bebês.”

De fato, não há um mandamento direto dizendo: “batizai também os vossos filhos pequenos.” No entanto, também não há mandamento para excluí-los da Igreja visível — e isso, sim, representaria uma ruptura drástica com o Antigo Testamento, no qual os filhos dos crentes sempre fizeram parte do povo de Deus e recebiam o sinal da aliança (Gn 17.7–12).

O Novo Testamento nunca revoga esse princípio de inclusão; pelo contrário, o reafirma claramente: “A promessa é para vós e para vossos filhos” (At 2.39). A ausência de uma nova proibição não indica exclusão, mas continuidade da economia da graça. A Igreja do Novo Testamento é a mesma comunidade da aliança, agora ampliada e aperfeiçoada em Cristo.


“Mas o batismo requer arrependimento e fé.”

Textos como Mc 16.16, At 2.38 ou At 8.37 falam da primeira geração de convertidos, ou seja, adultos chamados pela primeira vez à fé cristã. Nesses casos, a conversão naturalmente precede o batismo. Contudo, quando o Evangelho alcança famílias inteiras, o padrão bíblico mostra casa e fé unidas (At 16.15, 33; 1Co 1.16), sem qualquer exclusão explícita das crianças.

A ordem teológica da graça é constante:

1.     A graça de Deus precede (iniciativa divina);

2.     O sinal do batismo marca a pertença à aliança;

3.     A fé responde — no adulto, antes do batismo; na criança, depois, no contexto do discipulado e da educação cristã.

Essa lógica expressa a visão pactual: o batismo é sinal da entrada na aliança, assim como a circuncisão foi no antigo pacto (Cl 2.11–12). Deus age primeiro, e a resposta humana vem no tempo oportuno.


“Mas Jesus foi batizado adulto, e não bebê.”

É verdade, mas o batismo de Jesus não foi um batismo cristão. Ele foi batizado por João, num rito de arrependimento que antecedeu a cruz e a ressurreição. O batismo cristão, porém, é ministrado “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19) e representa a graça da Nova Aliança.

Além disso, o batismo de Jesus teve um propósito singular: inaugurar seu ministério messiânico e identificar-se com os pecadores. Não foi um modelo de idade para o batismo cristão. As crianças, por sua vez, são batizadas não por arrependimento pessoal, mas com base na promessa da graça que as insere no povo de Deus.


“Mas não há exemplo de batismo infantil no Novo Testamento.”

Também não há exemplo de exclusão das crianças. Pelo contrário, há fortes indícios de sua inclusão: expressões como “ele e toda a sua casa” (At 16.15, 33; 1Co 1.16) eram fórmulas familiares na cultura hebraica e greco-romana, abrangendo todos os membros do lar — inclusive filhos e servos.

Se no Antigo Testamento as crianças recebiam o sinal da aliança, seria impensável que uma aliança mais ampla e graciosa as deixasse de fora. A ausência de proibição e a clara continuidade pactual constituem forte evidência de que a prática do batismo infantil remonta aos tempos apostólicos.

Além disso, o testemunho patrístico confirma essa prática:

·       Irineu de Lyon já no século II menciona o batismo de crianças como algo estabelecido (Contra as Heresias II.22.4).

·       Orígenes afirma que era uma tradição apostólica (Comentário sobre Romanos V.9).

·       Cipriano de Cartago e o Concílio de Cartago (Epístola 64) endossam a prática.

Esse consenso histórico reforça a leitura bíblica da continuidade da aliança.


“Mas uma criança não pode ter fé.”

Nas Escrituras, a fé é antes de tudo um dom da graça (Ef 2.8). Deus pode agir no coração humano antes mesmo da plena consciência. João Batista “alegrou-se no ventre” (Lc 1.41), e Jesus declarou: “das crianças é o Reino de Deus” (Mc 10.14). A fé infantil é potencial, mas real, sustentada pela comunidade de fé que ora, ensina e conduz a criança ao amadurecimento espiritual.

O batismo, portanto, não substitui a conversão pessoal, mas a antecipa como promessa da graça que será confirmada pela fé. Por isso, na tradição reformada e metodista, o batismo infantil é seguido, na juventude, de uma profissão pública de fé, quando o batizado confirma conscientemente as promessas feitas no início de sua caminhada.


Conclusão

As objeções ao batismo infantil geralmente partem da suposição de que o batismo é apenas um testemunho humano de fé. A teologia bíblica, no entanto, revela o contrário: o batismo é primeiramente um ato da graça divina — sinal da aliança de Deus antes de ser resposta humana.

A fé dos pais, a promessa de Deus e a comunhão da Igreja sustentam a criança até o momento em que ela mesma possa confessar conscientemente o Cristo em quem já foi selada. Assim, longe de ser uma inovação, o batismo infantil é expressão da fidelidade de Deus de geração em geração, conforme o padrão pactual revelado nas Escrituras.

 

 

Diretrizes pastorais

1) Votos e catequese — Pais/padrinhos prometem discipular: culto no lar (Dt 6.6–7), oração, Escrituras, vida congregacional, classes de catecúmenos.
2) Confirmação — Ao atingir maturidade, o batizado professa publicamente a fé (confirma o “amém” que a Igreja pronunciou).
3) Disciplina e esperança — O batismo não é amuleto. Se houver afastamento, o sinal permanece como testemunho chamando ao retorno.
4) Modo e forma — Imersão, efusão/aspersão são legítimas; a Didaquê já prevê derramar quando necessário. Use água e a fórmula trinitária.

 

Textos bíblicos-chave

Os seguintes textos formam a base doutrinária da compreensão cristã do batismo, especialmente em sua dimensão pactual e graciosa, mostrando tanto o mandato divino quanto o princípio de inclusão dos filhos dos crentes na comunidade da fé.

 

Mateus 28.19–20

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês.”

O mandato batismal é universal e missionário. O batismo é o sinal visível da entrada na comunidade discipular, a Igreja. A ordem “batizar e ensinar” mostra que o ensino pode seguir o batismo, o que é plenamente coerente com o batismo infantil, em que a criança é batizada primeiro e instruída depois, dentro do processo contínuo do discipulado.

 

Atos 2.38–39

“Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo. Porque a promessa é para vocês e para os seus filhos...”

Pedro declara que o batismo é o sinal da promessa da aliança, e essa promessa é explicitamente para os crentes e seus filhos. Assim como os filhos de Abraão recebiam o sinal da aliança no Antigo Testamento, os filhos dos crentes no Novo Testamento também estão sob as promessas de Deus. A aliança não se estreita com Cristo — ela se amplia.

 

1 Coríntios 7.14

“Porque o marido descrente é santificado pela mulher crente, e a mulher descrente é santificada pelo marido crente; de outra sorte, os vossos filhos seriam impuros, mas agora são santos.”

Paulo afirma que os filhos dos crentes são santos, isto é, separados para Deus e pertencentes à comunidade da aliança. Sendo santos, devem receber o sinal da santidade — o batismo — assim como os filhos de Israel recebiam a circuncisão. O apóstolo reforça aqui o princípio pactual de que a fé dos pais consagra a casa inteira (cf. Js 24.15).

 

Colossenses 2.11–12

“Nele também vocês foram circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojar do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo...”

Calvino observou com acerto que este texto é decisivo para compreender o batismo infantil. O apóstolo liga circuncisão e batismo como sinais equivalentes de uma mesma graça pactual. A circuncisão, aplicada aos filhos dos crentes no antigo pacto, é substituída pelo batismo, sinal da nova aliança. Negar o batismo às crianças dos crentes seria romper a continuidade da aliança que Deus mesmo estabeleceu.

 

Tito 3.5

“Ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.”

O batismo é aqui descrito como lavar regenerador, expressão da graça preveniente que age antes de qualquer mérito humano. A salvação é dom de Deus, e o batismo é o sinal visível dessa misericórdia. Essa verdade se aplica igualmente às crianças, que ainda não podem realizar “obras de justiça”, mas podem ser alcançadas pela graça divina.

 

Lucas 18.15–17

“Traziam-lhe também as crianças, até os bebês, para que ele as tocasse... Jesus, porém, chamando-as para junto de si, disse: ‘Deixem vir a mim os pequeninos e não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus.’”

Jesus não apenas acolhe as crianças, mas as coloca no centro da comunidade do Reino. A expressão “até os bebês” (βρέφη) mostra que Ele se refere também aos recém-nascidos. A advertência “não as impeçam” deve ecoar fortemente nas discussões sobre o batismo infantil. Se o Reino pertence a elas, não há razão para negar-lhes o sinal visível da pertença ao Reino.

 

Lucas 1.15,41 – João Batista cheio do Espírito no ventre

“Ele será cheio do Espírito Santo, ainda no ventre de sua mãe... e, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou no ventre.”

Esse episódio singular demonstra que o Espírito Santo pode agir em uma criança antes mesmo de seu nascimento. João Batista experimentou a presença e a ação do Espírito ainda no ventre materno — um exemplo notável da graça preveniente, pela qual Deus age antes da consciência ou da resposta humana.
Se o Espírito pôde encher João ainda não nascido, não há obstáculo teológico para crer que Deus possa agir também na vida dos pequeninos que recebem o batismo, selando-os com o sinal da promessa. Assim, a regeneração espiritual é obra soberana do Espírito, e o batismo é seu selo visível e comunitário (cf. Ef 2.8; Jo 3.8).

 

 

Mateus 21.16

“Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor.”

Jesus cita o Salmo 8 para afirmar que as crianças têm lugar no culto e que delas procede “perfeito louvor”. Esse reconhecimento divino do louvor infantil reforça a ideia de que as crianças fazem parte do povo adorador e, portanto, devem receber o sinal da aliança.

 

1 Coríntios 10.1–2

“Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar, e, em Moisés, todos foram batizados na nuvem e no mar.”

Toda a comunidade de Israel — inclusive crianças — foi “batizada em Moisés”, prefigurando o batismo cristão como sinal de identificação com o povo de Deus. Esse batismo coletivo no Êxodo reforça o caráter comunitário e não meramente individual do sacramento.

 

Deuteronômio 29.10–12

“Todos vocês estão hoje diante do Senhor, seu Deus... para entrar na aliança do Senhor, seu Deus, e no juramento que o Senhor, seu Deus, faz com vocês hoje.”

A aliança mosaica incluía todas as gerações e idades: homens, mulheres, crianças e estrangeiros. Ninguém estava fora da comunhão do povo de Deus. O princípio é o mesmo da nova aliança: Deus estabelece pacto com famílias inteiras, incluindo os filhos.

 

Josué 24.15

“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

A confissão de Josué expressa o ideal da fé doméstica: o chefe da família consagra toda a casa ao serviço de Deus. O batismo de famílias inteiras no Novo Testamento (At 16.15,33; 1Co 1.16) é o prolongamento natural dessa consciência comunitária da fé.

 

Síntese

Esses textos, lidos em conjunto, revelam uma linha teológica clara e contínua:

  1. O batismo é mandato de Cristo e sinal de discipulado (Mt 28.19–20);
  2. É sinal da promessa da aliança que alcança também os filhos (At 2.39);
  3. As famílias crentes pertencem integralmente à aliança (1Co 7.14; Js 24.15);
  4. O batismo substitui a circuncisão como sinal pactual (Cl 2.11–12);
  5. É lavar regenerador do Espírito Santo (Tt 3.5);
  6. As crianças são acolhidas por Cristo e cheias do Espírito (Lc 1.15,41; 18.15–17);
  7. E a aliança de Deus sempre abrangeu o povo inteiro, sem exclusão das crianças (1Co 10.1–2; Dt 29.10–12).

Assim, negar o batismo infantil seria romper o fio de continuidade da aliança divina e restringir a graça que, desde Abraão até Cristo, sempre alcançou as gerações dos que creem.

 

Conclusão 

À luz das Escrituras Sagradas, da continuidade pactual, do acolhimento de Jesus aos pequeninos, da promessa que se estende “a vós e a vossos filhos”, do uso antigo e universal da Igreja e de um caminho pastoral sólido (votos + discipulado + confirmação), o batismo de crianças é bíblico, eclesial e prudente. Ele honra a primazia da graça e convoca a resposta pessoal de fé — não a dispensa.

 

Anexo — Livro de Disciplina (IMeL)

A disciplina da Igreja Metodista Livre no Brasil acolhe o batismo de crianças, exigindo posterior profissão de fé antes da admissão como membros plenos. A numeração de parágrafos varia por edição; consulte a edição brasileira vigente.13

 

 

Notas Finais (referências)

1. John Wesley, “A Treatise on Baptism” (1756).

2. BDAG, s.v. βρέφος (brephos).

3. Tradição Apostólica de Hipólito, cap. 21 (edições: Alistair Stewart; ou Bradshaw/Johnson/Phillips).

4. Tertuliano, De baptismo, 18 (ANF).

5. Orígenes, Homilias sobre Levítico 8.3; Comentário a Romanos 5.9.

6. Cipriano de Cartago, Epístola 64 (a Fido).

7. Concílio de Cartago (418), Cânon 2 (contra os pelagianos).

8. Didaché 7.1–3, em Michael W. Holmes (ed.), The Apostolic Fathers: Greek Texts and English Translations (Baker).

9. João Calvino, Institutas da Religião Cristã, IV.16.

10. Catecismo de Heidelberg, Pergunta 74.

11. Trinta e Nove Artigos, Artigo 27.

12. John Wesley, “A Treatise on Baptism”.

13. Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre (edição brasileira vigente).

 

 

Sugestão sobre como realizar o batismo infantil

1) Acolhida e propósito

            ⁠Irmãos, o batismo é sinal da graça de Deus e da nossa entrada no povo da nova aliança (Mt 28.19; At 2.39). Cremos que Cristo acolhe as crianças e as coloca no centro do Reino (Mc 10.14–16). Hoje pedimos que esta graça marque a vida de [Nome da criança], enquanto nos comprometemos a discipulá-la para que, a seu tempo, professe pessoalmente a fé em Jesus (Rm 10.9; Ef 6.4).

 

2) Palavra breve

•⁠  ⁠A salvação é pela graça mediante a fé (Ef 2.8–9); o batismo é sinal dessa graça e nos vincula à comunidade de Cristo (Rm 6.3–4).

•⁠  ⁠À família cabe ensinar e modelar a fé no cotidiano (Dt 6.6–7; Ef 6.4).

•⁠  ⁠À igreja, acolher, ensinar e testemunhar (Mt 5.16; At 2.42).

 

3) Perguntas aos pais/responsáveis

1.⁠ ⁠Vocês recebem de Deus este(a) filh(a) como dádiva e pedem o batismo confiando na graça de Cristo, comprometendo-se a guiá-lo(a) à fé pessoal e à futura profissão de fé? (At 2.39; Rm 10.9)

   *Pais: Sim, com a ajuda de Deus.

2.⁠ ⁠Prometem orar por [Nome], ensiná-lo(a) nas Escrituras, no culto doméstico e na comunhão da igreja, conduzindo-o(a) a amar e obedecer a Jesus? (Dt 6.6–7; Ef 6.4)

   *Pais: Sim, com a ajuda de Deus.

3.⁠ ⁠Prometem dar *bom exemplo* de vida cristã — arrependendo-se quando falharem, praticando a justiça, a misericórdia e a fidelidade? (Mt 5.16; Mq 6.8)

   *Pais: Sim, com a ajuda de Deus.

4.⁠ ⁠Renunciam ao mal e às obras das trevas e prometem resistir às tentações, confiando na graça que educa para a santidade? (Tt 2.11–12; Tg 4.7)

   *Pais: Sim, com a ajuda de Deus.

 

4) Perguntas aos padrinhos/madrinhas

1.⁠ ⁠Vocês se comprometem a *apoiar* estes pais na educação cristã de [Nome], orando, acompanhando, aconselhando e sendo *referência* de discipulado?

   *Padrinhos:* Sim, com a ajuda de Deus.

2.⁠ ⁠Prometem permanecer presentes nos marcos da fé desta criança e encorajá-la à futura confirmação/profissão de fé?

   *Padrinhos:* Sim, com a ajuda de Deus.

 

5) Voto da igreja (congregação)

            ⁠Como família de Deus, vocês recebem [Nome] e prometem acolher, orar e cooperar no discipulado desta criança, oferecendo ensino fiel e bom testemunho?

 

Igreja: Sim, com a ajuda de Deus.

 

6) Oração de consagração pelos pais, padrinhos e igreja

(Pastor(a) ora brevemente pedindo graça, sabedoria e perseverança — Ef 3.16–19.)

 

7) Oração sobre a água (breve)

 

            ⁠Ó Deus da aliança, bendize esta água, para que, ao receber o sinal do batismo, [Nome] seja marcado(a) pela tua graça em Cristo, unido(a) ao teu povo e conduzido(a) ao novo viver do teu Espírito (Rm 6.3–4). Amém.

 

8) Chamada do nome

 

            ⁠Qual é o nome desta criança?

            ⁠(Pais respondem.)

            ⁠[Nome], eu te batizo *em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.*

 

(Aí você aplica a água com as mãos ou fazendo uso de algum recipiente, conforme instruções: fluxo contínuo — enfatizando a unidade — ou três afusões — destacando as Pessoas da Trindade.)

 

9) Pós-batismo (opcional e breve)

 

•⁠  ⁠Oração final e apresentação à igreja:

 

            ⁠Igreja, este é/esta é [Nome], nosso(a) novo(a) batizado(a). Caminhemos juntos para que ele(a) cresça na graça e no conhecimento do Senhor. 

 

 

Leia também: Qual o método correto de Batismo: imersão, aspersão ou efusão? 

 




terça-feira, 14 de março de 2017

Dízimos e Ofertas

Introdução


Pretendo apresentar neste breve estudo uma visão bíblica e equilibrada sobre esta questão que é tão controvertida, mesmo dentro do círculo evangélico. Veremos que a prática do dízimo é anterior a Lei Mosaica e que, mesmo nos dias do Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus disse que o ato de dizimar não deveria ser omitido por seus seguidores. De modo, que o dízimo segue sendo um princípio sábio, justo e norteador para as contribuições dos fiéis para o sustento da Igreja de Cristo. Depois, estudaremos um pouco sobre o propósito dos dízimos e ofertas e também sobre como ofertar e quais devem ser as motivações.

Dízimo antes da Lei

  • Abraão deu dízimo dos seus bens a Melquisedeque: (Gn 14:17-20)
  • Jacó fez voto de dar dízimo de tudo. (Gn 28:20-22)

Dízimo no Período da Lei do AT

  • Era um mandamento, pois o dízimo é santo ao SENHOR (Lv 27:30-33) 
  • O dízimo foi instituído para ser o sustento da Obra de Deus (Nm 18:21-24 e 31; Ne 12:44; Ml 3:8-12).

Dízimo no Novo Testamento

  • Jesus ensina que a prática de dar o dízimo não deve ser omitida: "Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas."(Lc 11.42). 
  • Jesus também disse: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5:20)
  • O cristão não está debaixo da lei, mas não deve fazer uso da liberdade cristã para dar ocasião à carne (Gl 5:13). No caso, não se deve usar a liberdade cristã como pretexto para dar menos que o dízimo.  Pois a graça de Deus em nós deve nos levar ao amor que nos fará exceder em muito a justiça de um fariseu que se contentava em cumprir o mínimo exigido pela lei.


Dois extremos opostos perigosos na abordagem desta questão são:

  1. O legalismo, que ensina que o cristão ainda está debaixo da lei Mosaica; e
  2. O extremo de se pensar que o cristão está sem nenhuma lei e que pode fazer o que bem entender.
Paulo, nos primeiros versículos de Romanos 8, ensina que a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, nos livrou da lei do pecado e da morte. Ou seja, não estamos mais sujeitos a lei do AT, mas devemos ser guiados pelo Espírito Santo. 

Não estar debaixo da lei não significa estar contra os preceitos da lei. Pois os mandamentos de Deus são santos, puros e bons (Rm 7.12).  Apenas não servem como caminho de salvação, pois o ser humano é  incapaz de cumpri-los totalmente (Rm 7.14). A lei não serve para conduzir o homem a Deus, mas para revelar o quanto o homem está distante de Deus (7.13). É neste sentido que Paulo diz que a lei serviu de aio, ama seca ou tutor ao Evangelho (Gl 3.24),  Portanto, Paulo não é contra a lei de Deus, mas é contra o sistema que usa a lei como um caminho para o céu. Paulo não é contra as boas obras, mas contra a idéia de que o homem pode ser salvo através das obras. A questão mais uma vez não reside nas obras em si, mas no lugar delas. Paulo ensina que o cristão é salvo pela  graça para as boas obras (Ef 2.8-10). 

Jesus e seus apóstolos esperavam que os cristãos, que estão debaixo da graça, viessem a superar em justiça e boas obras aqueles religiosos que estão debaixo da lei, com a diferença de que, como cristãos, não fazemos isto para sermos salvos, mas porque já fomos salvos; não para alcançarmos a Deus, mas porque fomos alcançados por Ele; não para chegarmos ao céu, mas porque o céu desceu a nós, e assim por diante. Nós o amamos, porque Ele primeiramente foi quem nos amou (1Jo 4.19). Cheios do Espírito Santo, com o amor de Deus no coração (Rm 5.5), o cristão acaba cumprindo a lei, pois o cumprimento da lei se dá através do amor (Rm 13.10). Aquilo que era impossível acontecer através da carne, ou seja, da pura vontade humana, agora se torna possível através da lei do Espírito e da Vida, que possibilita ao homem um andar não segundo a carne e suas paixões, mas conforme o Espírito. As boas obras dos cristãos são frutos do Espírito Santo!

Tudo isto para dizer que o cristão não está debaixo da lei, mas sim debaixo do amor de Deus. Por causa deste amor de Deus por nós e em nós é que somos capazes de amá-lo sobre todas as coisas e de amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Neste amor e graça, cheios do Espírito Santo, buscamos agradar a Deus em tudo. "É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis." (2Co 5.9). "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama..." (Jo 14.21). "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço." (Jo 15.10). 

Aplicando isto a questão dos dízimos e ofertas, entendemos que o cristão não está debaixo da lei do dízimo assim como não está debaixo de nenhum outro mandamento do Antigo Testamento como caminho para sua salvação. No entanto, o preceito do dízimo também é santo, puro e bom, assim como os mandamentos de não matar, não roubar e de honrar pai e mãe. Veja que o princípio elementar do dízimo é justo, pois faz com que cada um contribua de maneira proporcional com o que ganha. Contribuir de maneira proporcional ao seu ganho é um princípio reafirmado no Novo Testamento (1Co 16.2). Faço questão de ressaltar o fato deste princípio ser reafirmado no Novo Testamento, assim como também de destacar a frase de Jesus que diz que não devemos omitir a prática de dizimar, lembrando que nós devemos ensinar a guardar tudo o que Jesus nos ordenou (Mt 28.19).

Portanto, os mandamentos e ensinos do Antigo Testamento que foram reafirmados por Jesus e seus Apóstolos devem ser obedecidos pelos cristãos. Digo isto, pois existem ensinos no Antigo Testamento que tiveram razão de ser um dia e que valeram apenas para um determinado contexto histórico, mas que, hoje, estão ultrapassados, como por exemplo: os sacrifícios de cordeiros para expiação de pecados, que foram superados pelo advento do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). No Novo Testamento, aprendemos a respeito de muitos conceitos e ensinos do Antigo Testamento que serviram como figuras de uma realidade que era ainda vindoura para eles, mas que já tiveram cumprimento e fim em Cristo e Sua Igreja (Co 2.17, Hb 10.1). O Fim da lei é Cristo e agora estamos debaixo de um Novo Testamento, que, como vemos em Mateus 18.19, tem seus próprios mandamentos (ver também Jo 14.21). Devemos fazer uma leitura do Antigo Testamento à luz do advento de Cristo. Sendo assim, os ensinos do Antigo Testamento que foram reafirmados pelo Novo, continuam valendo para nós os cristãos. 

O Novo Testamento está cheio de mandamentos. Mas o cristão não se relaciona com estes mandamentos do mesmo modo como os judeus faziam ou fazem com os mandamentos do Antigo Testamento, pois é na esfera da graça e da salvação por meio da fé que o cristão encontra estimulo para, espontaneamente, seguir e obedecer a seu Amado Senhor com alegria.

O que vemos no Novo Testamento é que os cristãos costumavam contribuir com valores muito acima do dízimo (2Co 8:1-5). Agora, usar da liberdade cristã para dar menos que o dízimo é algo suspeito e também estranho ao espírito de generosidade que perpassa as páginas do Novo Testamento. Jesus disse que não devíamos omitir a prática do dízimo (Mt 23:23) e também disse que devíamos superar os legalistas no quesito justiça (Mt 5:20). Devemos tomar cuidado com a avareza e com o apego e o amor ao dinheiro. Vamos obedecer ao Senhor com alegria.


Como devemos ofertar


Devemos ofertar de maneira discreta 

  • "para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:4). 


Devemos ofertar com alegria

  • O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente; porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao SENHOR; também o rei Davi se alegrou com grande júbilo." (1Cr 29.9). 
  • "Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria." (2Co 9.7). 
  • "porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. 3 Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, 4 pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos.a 5 E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus;" (2Co 8.2–5). 


Devemos ofertar com gratidão

  • "Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?" (Sl 116.12). 
  • "Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. 14 Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. 15 Porque somos estranhos diante de ti e peregrinos como todos os nossos pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não temos permanência. 16 SENHOR, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome vem da tua mão e é toda tua."  (1Cr 29.13–16). 


Devemos ofertar de modo sacrificial

  • "E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. 44 Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento." (Mc 12.43–44). 
  • "Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia;  porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, 4 pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos." (2Co 8.1–4). 
  • "E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; 38 e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento". (Lc 7.37–38). 
  • "pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos." (2Co 8.9). 
  • "Tornou o rei Davi a Ornã: Não; antes, pelo seu inteiro valor a quero comprar; porque não tomarei o que é teu para o SENHOR, nem oferecerei holocausto que não me custe nada." (1Cr 21.24). 

Devemos ofertar com amor

  • Como sinal do nosso amor a Deus sobre todas as coisas. 
  • Um sinal de devoção a Deus e de desprendimento e desapego aos bens materiais. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1 Tm 6.10). Mamom é o deus mais adorado do mundo. Não podeis servir a dois senhores (Mt 6.24).
  • O amor e lealdade à Igreja e sua missão: "E ainda, porque amo a casa de meu Deus, o ouro e a prata particulares que tenho dou para a casa de meu Deus, afora tudo quanto preparei para o santuário". (1Cr 29.3). 
  • Contribuindo com amor às pessoas que estão no mundo e precisam ser alcançadas pelo Evangelho.

Devemos ofertar como um ato de fé na providência e na recompensa de Deus

  • Jesus motiva seus discípulos dizendo que há recompensa para o ato de dar “dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc 6:38). 
  • Pois Jesus orienta que nossa generosidade deva ser secreta, buscando a recompensa divina e não a humana: “para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6:4). 
  • Devemos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6.33). Por esta razão, Jesus também nos encoraja a não acumularmos tesouros na terra, mas a buscarmos juntar tesouros nos céus (Mt 6:20). 
  • Dorcas foi abençoada por sua generosidade: “Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, nome este que, traduzido, quer dizer Dorcas; era ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia” (Atos 9:36). 
  • O capítulo que trata da conversão de Cornélio registra por 3 vezes que ele era caridoso e o texto ainda diz que tais esmolas subiram para memória diante de Deus o que ajuda em parte a explicar a visita do anjo: “piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus” (Atos 10:2); “Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus” (At 10:4); “e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas, lembradas na presença de Deus” (At 10:31). 
  • Repare na ordem de Paulo a Timóteo: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida” (1Tm 6.17-19). 
  • "E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. 8 Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça,  enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus," (2Co 9.6–12). 
  • "Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, 34 porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Lc 12.33–34). 


Devemos ofertar de maneira voluntária

  • "Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários" (2Co 8.3). 
  • "Quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao SENHOR?" (1Cr 29.5). 
  • “12 Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. 14 Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. 16 SENHOR, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome vem da tua mão e é toda tua. 17 Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente." (1Cr 29.12–17). 

José Ildo Swartele de Mello

quarta-feira, 8 de março de 2017

Uma Palavra em prol do Ministério Feminino

Não se pode interpretar a Bíblia sem levar em conta o contexto social e cultural da época em que o texto foi escrito. O Mundo Antigo era extremamente machista, as mulheres eram desprezadas, tratadas como seres inferiores, que não tinham direito à voz, à educação e nem sequer eram contadas quando se queria saber quanta “gente” havia. Atentando para o contexto, podemos apreciar melhor a revolução que Jesus Cristo estava iniciando em relação a condição da mulher.

Só assim será possível compreender adequadamente porque os apóstolos, em alguns momentos, parecem referendar a discriminação das mulheres, pois, não seria prudente para a obra de evangelização da igreja erguer tão prontamente uma bandeira em favor dos direitos das mulheres, porque isto provocaria uma resistência intransponível por parte de uma geração que não estava minimamente preparada para aceitar tamanha revolução. Além do mais, tal atitude não produziria o efeito desejado, pelo contrário, suscitaria ainda mais perseguição a uma igreja que ainda estava aprendendo a dar os primeiros passos e que tinha que lutar contra tanta oposição.

O mesmo se aplica a questão da escravidão que não foi abertamente confrontada pelos apóstolos. No entanto, os princípios que servem de semente para a libertação das mulheres e dos escravos foram firmemente estabelecidos nos escritos do Novo Testamento, como por exemplo, o texto que diz: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).

Os que se valem de 1 Timóteo 2 para impedir que as mulheres exerçam o ministério pastoral, deveriam também, de acordo com o mesmo texto, impedí-las de usar aliança e outros objetos de ouro, vestidos caros, tranças no cabelo, e até mesmo deveriam proíbí-las de fazer perguntas durante um estudo bíblico, pois o texto também diz que as mulheres devem aprender em silêncio. Para serem coerentes com seu método interpretativo, deveriam também ensinar que a salvação da mulher se processa através da sua missão de mãe, o que complicaria a vida das estéreis e de todas aquelas que, por uma razão ou outra, jamais terão filhos. Consequentemente, deveriam exigir que os homens orassem em todos os lugares com as mãos erguidas (v.8). Porventura, os homens que condenam o ministério pastoral feminino oram sempre de mãos erguidas em todos os lugares? Se não, que hermenêutica seletiva e convencional é esta que encara parte do texto que está no mesmo contexto como Palavra de Deus aplicável a todos os contextos e gerações e outra como sendo algo cultural que tem a ver apenas com aquele contexto?

Os que advogam que a mulher deve ser submissa e que, por esta razão também não estaria apta a liderar uma igreja, que é comumente composta tanto por mulheres como por homens, estão esquecidos de que a mesma Bíblia ensina que deve haver mútua sujeição (Ef 5.21) e que o maior é aquele que serve! O próprio Cristo atuou como servo, lavou os pés dos discípulos e chamou-os de amigos, dando-nos, assim, o exemplo que deveria nortear nossos relacionamentos. No Reino de Deus não há lugar para autoritarismo. É bom também lembrar que a mulher foi criada em condições de igualdade com o homem e ambos viviam em uma excelente relação de companheirismo antes da Queda, e que foi somente depois do pecado que é dito a ela que se submeterá ao homem como um castigo ou maldição. Cristo veio para desfazer as obras do diabo e restaurar o ser-humano à sua condição original.

O Espírito Santo também atuou e continua a atuar no sentido da promoção das mulheres à uma condição de igualdade de direitos com os homens. Observe que elas também receberam o dom de profetizar. E, como não era possível profetizar de boca fechada, elas receberam autoridade espiritual para proclamar a Palavra de Deus na Igreja. “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Jl 2:28 e 29). Mulheres profetizas na Bíblia: Miriã (Ex 15:20), Débora (Jz 4:4), Hulda (II Rs 22:14), Ana (Lc 2:36-38), As 4 filhas de Felipe (At 21:9), Evódia e Síntique (Fl 4:2-3).

Além do ministério profético, as mulheres exerceram outras funções de liderança e de destaque na Bíblia: Débora atuou como juíza instituída por Deus em Israel (Jz 4.4), Priscila ensinava com destaque, tanto que teve o nome citado à frente do de seu próprio marido, algo muito incomum naquela época: “Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.” (At 18.26), “Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus” (Rm 16.3); Febe, a diaconisa: “Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia” (Rm 16.1,2). A Mulher Samaritana como Evangelista: “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher... Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: —Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?” (Jo 4. 27-29) e duas outras irmãs que também eram evangelistas: “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho” (Fp 4.3).

E não foi por acaso que a primeira pessoa a testemunhar e a proclamar a ressurreição de Jesus tenha sido uma mulher: Maria Madalena! Já, em Atos 12.12-17, nota-se que o nome da mulher da casa onde a igreja se reunia é mencionado, uma vez que poderia simplesmente ser chamada de mãe de João Marcos, que era uma figura notória por ser o autor do Evangelho que leva o seu nome. Isto mostra a importância da liderança desta mulher naquela casa. Nas cartas paulinas, as mulheres são consideradas “colaboradoras” de Paulo. Paulo exorta a comunidade a reconhecer a liderança de diversas mulheres (Em 1 Co 16.16s). Em Romanos 16.6,12, ele recomenda Maria, Trifena, Trifosa e Pérside por terem “labutado” muito! Termo este empregado por Paulo para caracterizar o seu próprio trabalho de evangelizar e ensinar. Paulo menciona que Evódia e Síntique trabalhavam como ele, lado a lado (Fp 4.2-3); a liderança delas era tão fundamental que Paulo temeu que o conflito surgido entre elas pudesse prejudicar a missão cristã na comunidade de Filipos. Andrônico e Júnia, que, assim como Priscila e Áquila, são chamados de apóstolos (Rm 16.7), parceiros missionários, convertidos antes do apóstolo Paulo, muito provavelmente pertencentes ao círculo dos apóstolos em Jerusalém (Cf. 1 Co 15.7). Interessante observar que nem Priscila nem Júnia são definidas como esposas, pois o que se quis ressaltar foi a parceria delas na obra missionária!

Sabe-se que um fator decisivo para a expansão da igreja primitiva eram os cultos caseiros. Os cultos domésticos eram o lugar onde o cristianismo primitivo celebrava a ceia do Senhor, onde se estudava o Evangelho e a fé era nutrida. Estas igrejas contaram com a importante contribuição das mulheres. Que bom que não havia altar e nem púlpito elitista. Que bom que o ambiente era informal, o que favorecia a participação de todos. Na Carta aos Colossenses, Paulo menciona a “igreja na casa” de Ninfa (Cl 4.15). Nas origens da fundação da comunidade em Filipos está Lídia, que se converteu e ofereceu sua casa para a missão cristã (At 16.15). Das vinte e cinco pessoas citadas por Paulo em Romanos 16, aproximadamente um terço são mulheres. A liderança de Febe chega a ser caracterizada como diaconisa e prostátis, termos usados para designar pessoas na qualidade de mestres, missionárias, profetas, pessoas cheias do Espírito de Sabedoria.

Paulo afirma em sua carta aos Efésios que Deus chamou uns para apóstolos, outros para profetas e outros para mestres. Em momento algum, ele fala que Deus chamou homens ou mulheres para este ou aquele ministério exclusivo. Assim como Pedro argumentou que não poderia negar o batismo para aqueles que haviam recebido o Dom do Espírito, também podemos argumentar que não devemos negar a ordenação para as mulheres que evidenciam o dom do Espírito para o ministério pastoral. Como dito anteriormente, o critério de “sujeitar-se” é válido para todos, independentemente da posição que cada qual ocupa (Ef 5.21-31). No quarto século, a Igreja Católica, adotou o modelo do Antigo Testamento, fechando assim as portas para a ordenação de sacerdotes do sexo feminino. Outro argumento com base na tradição levítica foi o uso da pureza como critério para seleção para o ofício sacerdotal. Neste quesito, nova desvantagem feminina, pois, sob o ponto de vista da lei mosaica, as mulheres eram consideradas impuras nos períodos menstruais, o que as tornava inaptas para o sacerdócio. Impedida de alcançar o sacerdócio, restou à mulher resignar-se com as atividades subsidiárias ao serviço eclesiástico, algo que o protestantismo, pelo menos em seu nascedouro, não fez questão de modificar.

Constatamos com tristeza o registro de que a Igreja conviveu, tolerou e sancionou por séculos diversas injustiças sociais como a escravidão e a discriminação da mulher. No entanto, os princípios bíblicos de igualdade e liberdade germinaram, contribuindo para a libertação dos escravos e, agora, cooperam para a libertação da mulher.

O movimento wesleyano foi pioneiro na luta contra a escravidão e foi também 0 primeiro a reconhecer o ministério feminino. Não é de hoje que a Igreja Metodista Livre reconhece o valor das mulheres! Veja o que diz o seu Manual: "Os Metodistas Livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja. Portanto, todas as posições na Igreja são acessíveis a todos que Deus chamar".

As mulheres representam hoje a maioria da membresia ativa da Igreja e não devem ser caladas e nem serem restringidas à um papel secundário. Devem ser reconhecidas e valorizadas como iguais, para serem enconrajadas a assumirem seu posto e vocação lado a lado com os homens em condições de igualdade. Isto não é liberalismo, mas, sim, libertação. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres!“

Bispo Ildo Mello

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