O Rico e Lázaro

 

O rico e Lázaro

Riqueza, indiferença e a suficiência da Palavra (Lc 16.19-31)

Bispo Ildo Mello

 

Introdução

A história do rico e de Lázaro aparece somente no Evangelho de Lucas e está entre os textos mais lembrados sempre que se fala da vida depois da morte, e talvez por isso desperte tantas perguntas. Trata-se de uma parábola ou do relato de um caso real? Por que o mendigo tem nome e o rico não? O que o texto ensina sobre o estado dos mortos, e o que ele não pretende explicar? E por que a história termina com a afirmação de que nem a ressurreição de um morto convenceria quem não ouve Moisés e os Profetas?

Todas essas perguntas merecem resposta, mas convém dizer desde já que a parábola não foi contada para satisfazer a curiosidade de ninguém sobre o além. Ela é uma das advertências mais contundentes de Jesus sobre o perigo das riquezas e sobre a indiferença diante do sofrimento humano, e coloca cada pessoa diante da sua responsabilidade moral, do juízo de Deus e da necessidade de arrependimento enquanto há tempo. Seu ensino vai muito além da questão da vida após a morte, porque Jesus confronta aqui uma religiosidade que conhece as Escrituras, mas não permite que elas transformem o coração e o comportamento.

Começo pela questão do gênero literário, porque dela depende a maneira correta de ler todo o resto. Em seguida, situo a história no capítulo em que Lucas a colocou e no ambiente religioso do primeiro século, examino o significado dos personagens, especialmente o nome de Lázaro e o anonimato do rico, e acompanho o diálogo depois da morte até a resposta final de Abraão. Por fim, procuro distinguir o que a parábola afirma sobre a vida depois da morte daquilo que ela apenas representa em linguagem narrativa, e encerro com algumas aplicações pastorais.

1. Parábola ou relato literal?

Antes de interpretar qualquer detalhe, é preciso decidir que tipo de texto temos diante de nós, porque uma parábola e uma crônica não se leem da mesma maneira. A tradição cristã se dividiu sobre esse ponto, e vale a pena ouvir primeiro o argumento mais forte a favor da leitura literal.

John Wesley, no sermão que dedicou a esta passagem, sustentava que se tratava de uma história verdadeira. Seu raciocínio era direto: Jesus diz “havia certo homem rico” e “Havia também certo mendigo, chamado Lázaro” (Lc 16.19-20), e, se o Senhor afirma que esses homens existiram, não nos caberia negá-lo. Nas palavras de Wesley, “Não é ousadia excessiva negar categoricamente aquilo que nosso bendito Senhor afirma categoricamente?” (WESLEY, Sermão 112, introdução, 2). Além disso, o nome próprio do mendigo pareceu a muitos intérpretes um indício de que Jesus falava de alguém conhecido.

O argumento merece respeito, mas não resiste ao próprio texto de Lucas. A passagem está inserida numa série deliberada de parábolas: a grande ceia (Lc 14.15-24), a ovelha, a dracma e o filho perdidos (Lc 15.1-32) e o administrador infiel (Lc 16.1-13). A abertura, aliás, é a mesma que Lucas emprega em outras parábolas: “Certo homem deu uma grande ceia” (Lc 14.16), “Certo homem tinha dois filhos” (Lc 15.11), “Certo homem rico tinha um administrador” (Lc 16.1). No grego, a parábola do administrador e a do rico começam praticamente com as mesmas palavras, e ninguém imagina que o administrador infiel tenha sido um personagem histórico. O “havia” de Jesus é a fórmula de quem começa a contar uma história, e não a declaração de um registro civil.

Quanto ao nome, o argumento também não procede do ponto de vista hermenêutico, porque não existe regra que proíba uma parábola de usar um nome concreto. É verdade que em nenhuma outra parábola dos Evangelhos um personagem recebe nome próprio, e aqui, além de Abraão, que é figura histórica, só o mendigo é nomeado. Justamente por isso o nome chama a atenção. Mas o que ele revela, como veremos adiante, é uma intenção teológica de Jesus, e não a identidade de um mendigo conhecido em Jerusalém.

Klyne Snodgrass (2008), no seu guia das parábolas de Jesus, interpreta a passagem como parábola e adverte que ela não oferece uma descrição literal e detalhada da vida após a morte, embora comunique com toda a seriedade a realidade do juízo divino. Richard Bauckham (1991) mostrou que a história se serve de dois motivos narrativos que circulavam na literatura antiga: a inversão da sorte de um rico e de um pobre depois da morte e o retorno de um morto com uma mensagem para os vivos. Jesus trabalha, portanto, com material que seus ouvintes conheciam, mas o conduz a um desfecho próprio, em que o pedido para que um morto volte e advirta os vivos é recusado (Lc 16.29-31). Bauckham lembra também que os paralelos extrabíblicos podem enganar quando mal usados e iluminar quando bem usados, o que exige cuidado para não confundirmos os recursos literários de Jesus com uma descrição sistemática do mundo invisível.

Parábola, porém, não é fábula. Embora seja uma narrativa pedagógica, e não necessariamente a crônica de dois indivíduos históricos, a parábola se assenta sobre elementos e conceitos reais e compreensíveis para os ouvintes da época. A mulher que procura a moeda perdida e o pai que espera o filho pertencem ao mundo real, e é por isso que as parábolas funcionam. Do mesmo modo, a morte, a continuidade da existência, o juízo e a impossibilidade de voltar atrás formam a moldura desta história, e Jesus não construiria uma advertência tão solene sobre uma moldura falsa, nem usaria uma alegoria fantasiosa sobre o pós-morte que servisse apenas para enganar ou confundir o auditório. Minha leitura, portanto, é que estamos diante de uma parábola, e de uma parábola séria: os detalhes do cenário pertencem à linguagem da narrativa, mas a realidade para a qual eles apontam é verdadeira.

2. A quem Jesus dirigiu a advertência?

O capítulo em que a parábola se encontra (Lc 16) trata do dinheiro do começo ao fim, e é dentro dele que ela precisa ser lida. Jesus havia contado aos discípulos a história do administrador infiel e concluído com um conselho surpreendente: “usem a riqueza injusta para fazer amigos, para que, quando a riqueza faltar, vocês sejam recebidos nos tabernáculos eternos” (Lc 16.9). Logo depois, afirmou que ninguém pode servir a dois senhores: “Vocês não podem servir a Deus e à riqueza” (Lc 16.13).

Foi então que Lucas registrou uma informação decisiva: “Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e zombavam de Jesus” (Lc 16.14). A resposta de Jesus foi direta: “Vocês são os que se justificam diante dos homens, mas Deus conhece o coração de vocês; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus” (Lc 16.15). Em seguida, falou da Lei e dos Profetas e afirmou que é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei (Lc 16.16-17). A parábola responde a essa situação, e não é por acaso que ela termina exatamente com “Moisés e os Profetas” (Lc 16.29,31), retomando o fio do que Jesus acabara de dizer.

Lida nessa sequência, a história do rico ilustra pelo avesso o conselho dado pouco antes (Lc 16.9). O rico tinha à sua porta, todos os dias, o amigo que a sua riqueza poderia ter feito, e não o fez. Quando a riqueza faltou, não houve quem o recebesse.

Darrell Bock (1994) observa que Jesus está denunciando um sistema de valores que mede o sucesso pela riqueza e ignora a responsabilidade de cuidar dos necessitados. A riqueza pode tornar-se instrumento de egoísmo ou meio de expressar o amor ao próximo. Isso significa que o problema do rico não era simplesmente possuir bens materiais, assim como Lázaro não foi acolhido simplesmente porque era pobre. O verdadeiro problema era um coração dominado pelas riquezas, insensível ao próximo e resistente à vontade de Deus.

Essa interpretação se harmoniza com o restante do Evangelho. Na parábola do rico insensato, Jesus adverte que “a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ela tem” e descreve o destino de quem “ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para com Deus” (Lc 12.15,21). Na casa de Zaqueu, ao contrário, um homem rico anuncia que vai dar a metade dos seus bens aos pobres e ouve de Jesus que houve salvação naquela casa (Lc 19.8-9).

3. O pano de fundo: a falsa equação religiosa

Que mentalidade Jesus estava confrontando naquela audiência? Para responder, é preciso considerar duas ideias que circulavam no judaísmo do primeiro século.

A primeira diz respeito ao destino dos mortos. No judaísmo do segundo templo e, mais tarde, na tradição rabínica, já havia discussões sobre a continuidade da consciência depois da morte, bem como sobre recompensa e juízo. O livro de 1 Enoque, por exemplo, descreve lugares separados em que os espíritos dos justos e dos ímpios aguardam o dia do julgamento (1 Enoque 22). A parábola reflete esse ambiente ao apresentar um estado consciente de consolação e de tormento, e os ouvintes de Jesus não estranhariam o cenário.

A segunda ideia é aquela que Jesus quer desmontar. Havia, no ambiente religioso da época, uma leitura simplificada da retribuição divina, segundo a qual quem prosperava era automaticamente justo e abençoado por Deus, enquanto quem padecia na miséria ou na enfermidade estava sob o desfavor divino. Os próprios discípulos pensavam assim quando perguntaram diante de um cego de nascença: “Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele?” (Jo 9.2). E foi a mesma lógica que levou os ouvintes de Jesus a perguntar, quando ele afirmou que é difícil um rico entrar no Reino de Deus: “Sendo assim, quem pode ser salvo?” (Lc 18.26). Se nem os ricos, que pareciam tão claramente abençoados, entram com facilidade, quem entraria? A literatura de sabedoria já conhecia o drama de Jó e o espanto do salmista diante da prosperidade dos ímpios (Jó 21.7-13; Sl 73.3-12), mas a leitura simplificada transformara tudo numa equação: riqueza é sinal de aprovação, pobreza é sinal de reprovação.

Ao colocar o mendigo junto de Abraão e o rico em tormentos, Jesus desmonta essa leitura simplista da espiritualidade. O homem que todos teriam considerado abençoado acaba do lado de fora, e o homem que todos teriam considerado amaldiçoado é recebido no lugar de honra.

É preciso, porém, ponderar o outro lado, para não substituir uma equação falsa por outra. A parábola não ensina que todo rico é mau nem que todo pobre vai para o céu. A prova está no próprio texto: Lázaro é acolhido justamente junto a Abraão, de quem a Escritura diz que “era muito rico; possuía gado, prata e ouro” (Gn 13.2). Wesley expressou o equilíbrio com precisão: “Não é mais pecaminoso ser rico do que ser pobre. É, porém, indescritivelmente perigoso” (WESLEY, Sermão 112, II.1).

Também não é necessário imaginar o rico como um criminoso notório. O texto não lhe atribui roubo, violência ou fraude. Wesley lembra que ele era, sem dúvida, muito estimado pelas pessoas e que “Não parece ter sido uma pessoa perversa no sentido comum da palavra” (WESLEY, Sermão 112, I.1 e I.11). Seu erro estava em ter escolhido os bens deste mundo como objeto supremo da sua felicidade. Ele poderia ser considerado honrado e respeitável pela sociedade sem que isso significasse aprovação divina, e é esse o perigo que a parábola expõe: uma pessoa pode desfrutar de excelente reputação religiosa e social e, ainda assim, estar espiritualmente distante do Senhor. À igreja de Laodiceia, que se julgava próspera, o Cristo glorificado disse: “Você diz: ‘Sou rico, estou bem de vida e não preciso de nada.’ Mas você não sabe que é infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17).

A lição, portanto, corre nos dois sentidos: a prosperidade material não é prova de aprovação divina, assim como a pobreza e o sofrimento não são necessariamente sinais de que Deus nos abandonou.

4. Ter e ser: por que o mendigo tem nome e o rico não?

Por que Jesus deu nome ao mendigo e deixou o rico no anonimato? E por que justamente este nome? As duas perguntas estão ligadas, e a resposta a elas mostra como Jesus enxerga cada um dos dois homens.

Na vida social, o normal seria o contrário. O nome do rico seria conhecido na cidade, citado nas conversas e lembrado pelos banquetes, enquanto o homem à porta seria apenas “o mendigo”, alguém que todos viam e ninguém chamava pelo nome. Jesus inverte essa ordem. O homem socialmente invisível, reduzido à condição de pedinte coberto de feridas, recebe nome próprio na história; o homem socialmente privilegiado é apenas “certo homem rico” (Lc 16.19) e, daí em diante, simplesmente “o rico”. A ausência não passou despercebida, e a tradição posterior, sem nome para ele, acabou chamando-o de Dives, palavra latina que significa simplesmente “rico”. Mesmo quando quiseram dar-lhe um nome, só encontraram aquilo que ele possuía.

O nome Lázaro é a forma grega do hebraico Eleazar, como Wesley já observava (WESLEY, Sermão 112, I.2), e significa “Deus ajudou” ou, numa tradução mais livre, “Deus socorre”. O nome conta, numa só palavra, a história inteira daquele homem. À porta do rico, ninguém o ajudou: ele ficava deitado ali, desejando alimentar-se das migalhas que caíam da mesa, “e até os cães vinham lamber-lhe as feridas” (Lc 16.21). Mas Deus o socorreu, e na morte ele “foi levado pelos anjos para junto de Abraão” (Lc 16.22). O rico, que tinha recursos para ser o instrumento desse socorro, não quis sê-lo, e foi o próprio Deus quem cumpriu o significado do nome. Reuben Bredenhof (2020), em estudo publicado na revista New Testament Studies, propõe uma leitura narrativa do nome em harmonia com o propósito mais amplo de Lucas, no qual os pobres recebem honra e os ricos são convocados a atender às necessidades materiais do próximo.

Isso não quer dizer que Lázaro tenha sido acolhido por ser pobre. O texto não descreve a sua fé nem a sua piedade; o nome, porém, aponta para onde estava o seu socorro. A pobreza não salva ninguém, assim como a riqueza, por si mesma, não condena ninguém. O que a parábola mostra é que Deus conhece e valoriza aqueles que o mundo despreza.

O anonimato do rico também diz muito. Nas Escrituras, o nome com frequência expressa identidade, história e vocação: Abrão passa a chamar-se Abraão, Jacó passa a chamar-se Israel, e o filho de Maria recebe o nome de Jesus “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Gn 17.5; 32.28; Mt 1.21). Deus chama pelo nome aqueles que lhe pertencem: “eu o chamei pelo seu nome; você é meu” (Is 43.1), e o bom pastor “chama as suas próprias ovelhas pelo nome” (Jo 10.3). O rico da parábola, ao contrário, é definido apenas por aquilo que tinha: púrpura, linho finíssimo e festas diárias com grande ostentação (Lc 16.19). Luiz Sayão resume bem a questão: o rico construiu toda a sua vida sobre bens transitórios e, ao esvaziar o seu ser no mero ter, chega à eternidade sem identidade real, lembrado apenas pela sua condição material. Quando morre, continua sendo “o rico” (Lc 16.22), mas já não tem mais nada.

Um salmo de sabedoria já havia observado, a respeito dos que confiam na riqueza, que eles “chegam a dar o seu próprio nome às suas terras” (Sl 49.11), e advertira que o rico, “quando morrer, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará” (Sl 49.17). A parábola leva essa verdade às últimas consequências: quem viveu para o ter termina sem nome, e quem nada possuía é lembrado pelo nome que proclama o socorro de Deus.

O valor de uma pessoa, portanto, não é determinado pelo seu patrimônio, pela sua posição social, pela sua aparência ou pelo reconhecimento público. Essa é a perspectiva do Reino de Deus que Lucas anuncia desde o cântico de Maria, em que Deus “exaltou os humildes” e “Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lc 1.52-53). É a mesma perspectiva das bem-aventuranças e dos ais do sermão da planície (Lc 6.20-26) e da carta de Tiago, que lembra que Deus escolheu “os que para o mundo são pobres para serem ricos em fé” (Tg 2.5) e adverte contra a parcialidade na comunidade cristã: “vocês não podem ter fé em nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória, e ao mesmo tempo tratar as pessoas com parcialidade” (Tg 2.1). A igreja deve enxergar aqueles que a sociedade costuma ignorar e chamá-los pelo nome.

5. A omissão também é pecado

Se o rico não era ladrão nem violento, qual foi, afinal, o seu pecado? O texto não diz que ele roubou Lázaro, que o agrediu ou que o expulsou da sua porta. Seu pecado aparece principalmente naquilo que ele deixou de fazer.

Lázaro “ficava deitado à porta da casa do rico” (Lc 16.20), e o verbo usado por Lucas sugere que ele havia sido deixado ali por outros, provavelmente sem forças para se mover. Sua necessidade era evidente e não estava escondida num bairro distante, mas no caminho por onde o rico entrava e saía todos os dias. O rico tinha recursos de sobra para ajudá-lo e, ainda assim, continuava desfrutando do seu luxo, indiferente ao sofrimento daquele homem. Também não se pode alegar ignorância, porque, depois da morte, o rico reconhecerá Lázaro e o chamará pelo nome (Lc 16.23-24). Ele sabia quem estava à sua porta.

A ausência de uma ação compassiva é, portanto, o centro da gravidade moral da história. Tiago expressa o princípio com toda a clareza: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg 4.17). João vai na mesma direção: “Ora, se alguém possui recursos deste mundo e vê seu irmão passar necessidade, mas fecha o coração para essa pessoa, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem da boca para fora, mas de fato e de verdade” (1Jo 3.17-18). E no julgamento das nações, descrito pelo próprio Jesus, os que são afastados não são acusados de crimes espetaculares, mas de omissão: “sempre que o deixaram de fazer a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixaram de fazer” (Mt 25.45).

A tradição metodista deu forma prática a esse princípio desde o seu início. As Regras Gerais das sociedades metodistas, de 1743, pedem a quem deseja a salvação que a evidencie, primeiro, “não fazendo mal” e, segundo, “fazendo o bem”, o que inclui, nas palavras do próprio texto, “alimentando os famintos, vestindo os nus, visitando ou socorrendo os que estão doentes ou na prisão” (WESLEY; WESLEY, Regras Gerais, §§4-5). É notável que a lista do que se deve evitar já inclua “ajuntar tesouros na terra” e “a moleza e a autoindulgência desnecessária”, e que a lista do bem a praticar comece exatamente pelo faminto e pelo doente. O rico da parábola falhou nas duas.

A aplicação pastoral é exigente. Não basta perguntarmos se estamos fazendo algum mal; precisamos perguntar também se estamos deixando de fazer o bem que Deus colocou ao nosso alcance. A santidade cristã não consiste apenas em evitar o pecado, mas também em praticar o amor.

6. A morte desfaz as distinções sociais

Que diferença fazem, diante da morte, as distinções que tanto pesavam em vida? A parábola responde em duas frases: “E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado” (Lc 16.22). Os dois morreram. O rico não conseguiu comprar mais um dia de vida, e Lázaro não permaneceu indefinidamente na sua condição de sofrimento. Do rico se diz que foi sepultado, sem dúvida com a pompa correspondente à sua posição, como observa Wesley (WESLEY, Sermão 112, I.6); do mendigo nem se menciona sepultura, mas se diz que os anjos o levaram.

A expressão que a tradição consagrou como “seio de Abraão” corresponde ao que a NAA traduz por “para junto de Abraão” e “Lázaro junto dele” (Lc 16.22-23). A imagem vem dos banquetes antigos, em que os convidados se reclinavam à mesa, e quem ficava ao lado do anfitrião estava, literalmente, recostado junto ao seu peito, como o discípulo amado na última ceia (Jo 13.23). Wesley explica a cena dessa forma e conclui que a expressão “indica, portanto, que se encontrava na mais elevada posição de honra e felicidade” (WESLEY, Sermão 112, I.9). A ironia é evidente: o homem que desejava as migalhas da mesa do rico está agora reclinado no lugar de honra da mesa de Abraão, a mesa do Reino de que Jesus já havia falado (Lc 13.28-29).

A explicação de Abraão formula essa inversão de modo explícito: “Filho, lembre-se de que você recebeu os seus bens durante a sua vida, enquanto Lázaro só teve males. Agora, porém, ele está consolado aqui, enquanto você está em tormentos” (Lc 16.25). O leitor de Lucas reconhece aqui o eco das palavras de Jesus no sermão da planície: “Mas ai de vocês, os ricos, porque vocês já receberam a consolação!” (Lc 6.24). O rico recebeu a sua consolação em vida, e Lázaro a recebe agora.

Esse versículo, contudo, não deve ser lido como uma regra mecânica, como se a quantidade de bens nesta vida determinasse automaticamente o destino na outra. O contexto já mostrou que o problema do rico estava no coração e na sua resposta à Palavra de Deus. Wesley interpreta “os seus bens” como “as coisas que havia escolhido como sua felicidade” (WESLEY, Sermão 112, I.11): o rico recebeu exatamente aquilo que escolheu como o seu bem maior.

Somos chamados, assim, a avaliar a nossa existência à luz da eternidade, e não apenas pelos resultados temporais. O sucesso aos olhos do mundo pode esconder um fracasso espiritual profundo.

7. “Pai Abraão”: a religião sem fruto

Há algo significativo na maneira como o rico se dirige a Abraão: “Pai Abraão, tenha misericórdia de mim!” (Lc 16.24). Ele volta a chamá-lo de pai duas vezes (Lc 16.27,30), e Abraão, por sua vez, responde chamando-o de filho (Lc 16.25). A narrativa, portanto, não apresenta o rico como alguém alheio à tradição religiosa de Israel. Ele reconhecia o patriarca e reivindicava uma relação com ele. Essa ligação, porém, não foi suficiente para mudar a sua situação.

João Batista já havia advertido contra essa falsa segurança: “Produzam frutos dignos de arrependimento! E não comecem a dizer uns aos outros: ‘Temos por pai Abraão’, porque eu afirmo a vocês que Deus pode fazer com que destas pedras surjam filhos a Abraão” (Lc 3.8). O contraste com Zaqueu, mais uma vez, é instrutivo. O rico da parábola chama Abraão de pai e permanece do outro lado do abismo; Zaqueu, o publicano rico que decide repartir os seus bens com os pobres, ouve de Jesus que “também este é filho de Abraão” (Lc 19.9).

A religião verdadeira manifesta-se na obediência, na justiça e no amor. Pertencer a uma igreja, conhecer a Bíblia, exercer funções religiosas ou possuir uma tradição respeitável não substitui a conversão e a santificação. Wesley advertia os seus ouvintes a não imaginarem que tudo estivesse bem simplesmente porque alguém “é altamente estimado pelas pessoas, não prejudica ninguém, realiza muitas boas obras ou participa de todas as ordenanças de Deus”, se o coração continua preso ao mundo (WESLEY, Sermão 112, II.12). A fé genuína produz frutos. Esses frutos não compram a salvação, mas revelam a transformação operada pela graça de Deus.

8. A mentalidade que não muda e o abismo que não se atravessa

O que o diálogo depois da morte revela sobre a natureza humana? Um detalhe merece atenção. Mesmo em agonia, o rico não demonstra arrependimento pelo modo como viveu e continua enxergando Lázaro com um olhar utilitário. Ele nunca se dirige a Lázaro; fala dele a Abraão, como se o antigo mendigo ainda fosse alguém a quem se dão ordens. Primeiro pede: “mande que Lázaro molhe a ponta do dedo em água e me refresque a língua” (Lc 16.24). Depois insiste: “mande Lázaro à minha casa paterna” (Lc 16.27). Luiz Sayão observa que o rico continua vendo Lázaro como um serviçal, útil para aliviar o seu sofrimento ou para levar recados à sua família, e Bock nota a mesma persistência: ele ainda o trata como socialmente inferior.

Essa conclusão é uma inferência narrativa, e não uma afirmação explícita do texto sobre todos os pensamentos do rico. Sobre o pedido pelos cinco irmãos, Wesley registra as duas leituras correntes no seu tempo: a de que ele nascia do egoísmo, do medo das acusações que os irmãos lhe fariam se chegassem ao mesmo lugar, e a de que restava no rico alguma centelha de afeição natural (WESLEY, Sermão 112, I.14). Ainda que a segunda esteja certa, esse afeto não ultrapassa o círculo da própria casa. A pergunta que o detalhe suscita é necessária: será que a nossa maneira de nos relacionarmos com pessoas em condições sociais diferentes realmente expressa o amor de Cristo? A verdadeira conversão precisa alcançar não apenas o uso que fazemos do dinheiro, mas também a nossa maneira de enxergar e tratar as pessoas.

Abraão completa a resposta ao primeiro pedido com uma afirmação solene: “E, além de tudo, há um grande abismo entre nós e vocês, de modo que os que querem passar daqui até vocês não podem, nem os de lá passar para cá” (Lc 16.26). O texto enfatiza a irreversibilidade da situação depois da morte. As escolhas feitas nesta vida definem de forma definitiva o estado de cada pessoa.

Há uma ironia dolorosa nesse abismo. Em vida, a distância entre os dois homens era a de um portão, que o rico podia atravessar a qualquer momento, e ele nunca o atravessou. Agora, quando é ele quem precisa de socorro, existe entre os dois um abismo que ninguém pode transpor. A oportunidade de exercer misericórdia havia passado. Isso não significa que o rico teria sido salvo por uma única esmola; significa que a sua indiferença era a expressão concreta de uma vida que precisava de arrependimento.

Daí a urgência que atravessa a Escritura: “Hoje, se ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como foi na rebelião” (Hb 3.15). “Eis agora o tempo oportuno! Eis agora o dia da salvação!” (2Co 6.2). Wesley aplicava a passagem aos seus ouvintes com uma esperança que vale também para nós: “Vocês ainda não atravessaram o grande abismo” (WESLEY, Sermão 112, II.13). Não devemos tratar as oportunidades presentes de arrependimento como se fossem ilimitadas, nem adiar a reconciliação, o abandono do pecado ou a prática do bem.

9. “Eles têm Moisés e os Profetas”

Quando percebe que a sua situação não pode ser revertida, o rico pede que Lázaro seja enviado para advertir os seus cinco irmãos, “a fim de que não venham também para este lugar de tormento” (Lc 16.28). A resposta de Abraão orienta a leitura de toda a parábola: “Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos” (Lc 16.29).

Os irmãos do rico não precisavam de uma revelação inteiramente nova. Já possuíam as Escrituras, que ensinavam com clareza a responsabilidade para com os necessitados. Moisés havia ordenado: “não endureçam o seu coração, nem fechem as mãos a seu compatriota pobre” (Dt 15.7). Isaías havia dito que o jejum que agrada a Deus inclui “que vocês repartam o seu pão com os famintos, recolham em casa os pobres desabrigados, vistam os que encontrarem nus e não voltem as costas ao seu semelhante” (Is 58.7). Amós havia denunciado o culto que despreza a justiça e clamado: “corra o juízo como as águas, e a justiça, como um ribeiro perene” (Am 5.24). E Miqueias havia resumido: “Ele já mostrou a você o que é bom; e o que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Mq 6.8). Essas exigências já estavam presentes na Lei e nos Profetas. O rico não precisava de mais informações; precisava obedecer àquilo que já havia sido revelado.

O rico, porém, insiste: “Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for até lá, eles irão se arrepender” (Lc 16.30). E Abraão responde com as palavras que encerram a parábola: “Se não ouvem Moisés e os Profetas, também não se deixarão convencer, mesmo que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16.31).

Esta é, provavelmente, a conclusão mais importante da história. Jesus ensina que a incredulidade não é simplesmente um problema de falta de evidências, porque muitas vezes envolve resistência moral à verdade já conhecida. Quem fecha os ouvidos à instrução da Escritura não se deixará convencer nem mesmo diante de um milagre estrondoso como a ressurreição de um morto.

O Evangelho de João oferece um paralelo que o próprio Wesley já havia notado (WESLEY, Sermão 112, III.10). Depois que Jesus ressuscitou Lázaro de Betânia, muitos creram, mas os líderes religiosos não responderam com arrependimento. Pelo contrário, “desde aquele dia, resolveram matar Jesus” (Jo 11.53), e os principais sacerdotes “resolveram matar também Lázaro” (Jo 12.10). Não é necessário identificar os dois homens chamados Lázaro como a mesma pessoa para reconhecer a correspondência temática. E o próprio Lucas mostra o outro lado dessa verdade: quando Jesus ressuscitou, não dispensou as Escrituras, mas, “começando por Moisés e todos os Profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Aquele que voltou dentre os mortos conduziu os discípulos de volta a Moisés e aos Profetas.

Wesley desenvolve esse ponto na parte final do seu sermão. Uma aparição, diz ele, poderia assustar alguém profundamente ou convencê-lo de alguma verdade intelectual, mas o medo provocado por um acontecimento extraordinário não equivale à regeneração: “Seu coração, porém, não foi transformado. Somente o Todo-Poderoso conseguiria realizar isso” (WESLEY, Sermão 112, III.9). Daí a sua conclusão de que “a revelação permanente das Escrituras é o melhor meio para produzir convicção racional, sendo muito superior a todos os meios extraordinários que algumas pessoas imaginam ser mais eficazes” (WESLEY, Sermão 112, III.11).

A conversão genuína, portanto, não depende de experiências místicas extraordinárias, mas da atenção fiel e responsiva àquilo que Deus já revelou na sua Palavra, como bem resume Luiz Sayão. “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). O maior milagre não é testemunhar um acontecimento sobrenatural, mas experimentar uma verdadeira transformação do coração. E o conhecimento bíblico sem obediência não produz essa transformação: podemos estudar profundamente as Escrituras e, ainda assim, resistir às suas exigências mais claras.

10. O que a parábola ensina sobre a vida depois da morte, e o que não pretende explicar

Chegamos à questão que costuma ocupar o primeiro lugar nas discussões sobre esta passagem. Ela é importante e, justamente por isso, precisa ser tratada com cuidado, para evitar conclusões doutrinárias apressadas em qualquer direção.

As interpretações históricas variam. Wesley, que lia a história como relato real, distinguia o Hades, que ele descrevia como “o mundo invisível” e “o lugar de acolhimento dos espíritos separados do corpo, bons ou maus” (WESLEY, Sermão 112, I.7), do destino definitivo depois do juízo final, e descrevia o paraíso como “o lugar de acolhimento das almas santas desde a morte até a ressurreição” (WESLEY, Sermão 112, I.4). Snodgrass, que a lê como parábola, sustenta, como vimos, que ela não pretende descrever de modo literal e detalhado a vida após a morte, embora comunique a realidade e a seriedade do juízo.

Considero importante distinguir três aspectos.

O primeiro é o que o texto afirma. Há responsabilidade moral diante de Deus, há juízo, há inversão de destinos e há uma advertência urgente aos vivos. Além disso, como observa Luiz Sayão, a parábola fundamenta a continuidade da consciência depois da morte física e a seriedade do juízo divino, porque essa é a moldura sobre a qual Jesus constrói a sua advertência, e ele não a construiria sobre uma moldura falsa. A parábola afirma também que, depois da morte, a situação de cada um já não pode ser revertida.

O segundo é o que o texto representa narrativamente: o diálogo entre Abraão e o rico, o dedo molhado em água, o fogo e o grande abismo. São imagens que comunicam realidades espirituais numa linguagem que os ouvintes podiam compreender, e não um mapa do mundo invisível.

O terceiro é o que o texto não explica de maneira sistemática: a natureza da existência entre a morte e a ressurreição, a condição dos mortos nesse período e a duração ou a natureza definitiva do castigo.

Um dado do vocabulário ajuda nessa distinção. Onde a NAA traduz “No inferno, estando em tormentos” (Lc 16.23), o termo grego é hades, a região dos mortos, e não geena, palavra que Jesus usa em outras passagens para o castigo final (Mt 10.28; Lc 12.5). A NAA também traduz por “inferno” o hades do Apocalipse, onde se lê que “A morte e o inferno entregaram os mortos que neles havia” para serem julgados e que, depois, “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.13-14). O Hades, portanto, não é o destino final. Essa distinção não elimina a seriedade do julgamento apresentado na parábola, mas recomenda cautela ao usar a passagem como prova isolada de uma doutrina completa sobre o castigo final.

A parábola deve ser interpretada em harmonia com os demais textos bíblicos sobre a ressurreição, o juízo e o destino final (Dn 12.2; Jo 5.28-29; Mt 25.31-46; Ap 20-21). O que ela deixa claro, sem margem para dúvida, é que o destino de cada pessoa se decide na resposta que ela dá a Deus nesta vida, e que ninguém deve contar com uma segunda oportunidade depois da morte.

11. Aplicações pastorais

A parábola oferece três perguntas especialmente importantes para a igreja de hoje.

A primeira é: quem é o Lázaro que está à nossa porta? Pode ser uma família necessitada, uma pessoa enferma, um idoso abandonado, uma criança vulnerável ou alguém que frequenta a nossa própria igreja e passa por dificuldades sem que percebamos. O rico não precisou sair de casa para encontrar Lázaro; bastava olhar para o portão.

A segunda é: estamos apenas ouvindo a Palavra ou praticando aquilo que ouvimos? O rico conhecia a tradição religiosa de Israel, mas a sua vida não correspondia às exigências de misericórdia e justiça das Escrituras. Tiago adverte: “Sejam praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vocês mesmos” (Tg 1.22).

A terceira é: o que precisamos mudar hoje, enquanto temos oportunidade? Os cinco irmãos ainda estavam vivos, e essa é uma dimensão decisiva da parábola. A advertência não se dirige principalmente aos mortos, mas àqueles que ainda podem ouvir, arrepender-se e viver de outra maneira. Quem lê a parábola hoje está na posição dos cinco irmãos: tem Moisés e os Profetas e tem, além deles, o testemunho daquele que de fato ressuscitou dentre os mortos.

Conclusão

A parábola do rico e de Lázaro não foi contada para despertar curiosidade sobre o mundo depois da morte. Jesus pretende confrontar a indiferença, denunciar a falsa segurança proporcionada pelas riquezas e advertir aqueles que possuem as Escrituras, mas não vivem de acordo com os seus ensinamentos. Para isso ele se vale de uma parábola, e não de uma crônica, mas de uma parábola cuja moldura é verdadeira: a morte chega para todos, a existência continua, o juízo é real e o destino se decide nesta vida.

A grande tragédia do rico não foi ter riquezas, mas permitir que elas ocupassem o lugar de Deus no seu coração, tornando-o insensível ao sofrimento do homem que estava à sua porta. Ele entrou na história como “certo homem rico” e dela saiu do mesmo modo, sem nome, ao passo que o mendigo à sua porta foi chamado por um nome que fala do socorro de Deus.

E a grande pergunta deixada pela parábola é esta: se não estamos dispostos a obedecer ao que Deus já nos revelou, que diferença faria recebermos mais uma revelação extraordinária?

Referências

BAUCKHAM, Richard. The rich man and Lazarus: the parable and the parallels. New Testament Studies, Cambridge, v. 37, n. 2, p. 225-246, abr. 1991.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Nova Almeida Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

BOCK, Darrell L. Luke. Downers Grove: InterVarsity Press, 1994. (The IVP New Testament Commentary Series).

BREDENHOF, Reuben. Looking for Lazarus: assigning meaning to the poor man in Luke 16.19-31. New Testament Studies, Cambridge, v. 66, n. 1, p. 51-67, 2020.

SAYÃO, Luiz. [Exposição em vídeo sobre a parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19-31)]. 

SNODGRASS, Klyne R. Stories with intent: a comprehensive guide to the parables of Jesus. Grand Rapids: Eerdmans, 2008.

WESLEY, John. Sermão 112: O rico e Lázaro [1788]. In: WESLEY, John. Sermões de Wesley na linguagem de hoje. São Paulo: Igreja Metodista Livre do Brasil, 2026. Disponível em: https://metodistalivre.org.br/sermoes-de-wesley/sermao-112-o-rico-e-lazaro/. Acesso em: 23 out. 2026.

WESLEY, John; WESLEY, Charles. A natureza, o propósito e as Regras Gerais das Sociedades Metodistas [1743]. São Paulo: Igreja Metodista Livre do Brasil, 2026. Disponível em: https://metodistalivre.org.br/regras-gerais-das-sociedades-metodistas/. Acesso em: 23 out. 2026.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Igreja passa pela Grande Tribulação?

As Setenta Semanas de Daniel

O templo judaico deverá ser reconstruído de novo?