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Nem Ascetismo, Nem Hedonismo

Os extremos frequentemente se revelam como opções tentadoras. Na caminhada espiritual, dois polos opostos e perigosos se evidenciam: de um lado, o rigor ascético, que enxerga na renúncia aos prazeres terrenos como sinônimo de santidade; de outro, a incessante busca por prazer e entretenimento, frequentemente resultando em superficialidade e correndo o risco de desviar-se do propósito mais profundo da vida cristã.


O termo "hedonismo" evoca a ideia de uma busca incessante pelo prazer como elemento central da existência. No entanto, é vital destacar que a vida cristã não se concentra nessa busca pelo prazer. Ela se orienta pela adoração a Deus, pela busca da santidade, pela aplicação dos princípios e valores bíblicos e do cumprimento da missão de fazer discípulos. É um chamado a viver de forma ética e justa, reconhecendo que todas as bênçãos emanam de Deus e devem ser desfrutadas de modo responsável e em conformidade com Suas orientações.


Apesar de sua vida simples, Jesus não seguiu a mesma linha ascética de João Batista (Mateus 11:18-19). Ele participava ativamente de festividades e, como um exemplo marcante, realizou Seu primeiro milagre ao transformar água em vinho em um casamento (João 2:1-11), evidenciando a alegria e a celebração da vida. Compartilhava refeições e demonstrava uma abordagem equilibrada à existência, enfatizando a importância de manter uma visão espiritual abrangente. Sua visão sobre a observância do sábado não o via como um fardo, mas como algo benéfico para a humanidade, uma oportunidade para o descanso e a conexão com Deus e com os outros (Mateus 12:1-14).


O apóstolo Paulo também abordou a questão do rigor ascético em algumas de suas cartas. Ele alertou contra a adoção de práticas ascéticas extremas como meio de alcançar a salvação ou crescimento espiritual. Em suas epístolas, especialmente na carta aos Colossenses, Paulo criticou abordagens que enfatizavam regras rigorosas sobre comida, bebida, festividades ou práticas externas como caminho para a espiritualidade.


Paulo ressaltou que a verdadeira espiritualidade não está ligada a essas práticas exteriores, mas na relação com Cristo e na transformação do coração. Ele enfatizou a liberdade em Cristo, alertando contra o foco exagerado em práticas ascéticas como um meio de alcançar a espiritualidade ou salvação.


Passagens bíblicas como Eclesiastes 3:12-13, que destacam a importância de alegrar-se e praticar o bem durante a vida, Eclesiastes 9:7-9, que incentivam a desfrutar a vida com gratidão pelos dias concedidos por Deus, 1 Timóteo 6:17, que exorta a confiarmos em Deus, que nos proporciona ricamente todas as coisas para nosso desfrute, 1 Pedro 3:10-11, que orienta o correto caminho para amar a vida e ver dias felizes, e 1 Coríntios 10:31, que instrui a fazer tudo para a glória de Deus, ressaltam a ideia de que desfrutar a vida é um dom de Deus. No entanto, esses textos também enfatizam que esse desfrute deve ser realizado com responsabilidade, gratidão e em conformidade com os princípios cristãos.


Assim, evitamos tanto o legalismo do rigor ascético quanto a busca desenfreada por prazer. Lembramos que todas as alegrias terrenas devem ser desfrutadas com moderação, integridade e em adoração a Deus. Enquanto buscamos priorizar o Reino de Deus (Mateus 6:33), que está baseado em justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:17).



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