
O que isto tem a ver com Jesus?
Particularmente, fiquei triste em ver o presidente Bolsonaro fazendo apologia ao uso de armas em uma marcha para Jesus. Os evangélicos não são unânimes a respeito deste tema que é tão controverso. Boa parte deles não concorda com este projeto do Governo, pois entendem que armar a população é algo que vai contra a ética proposta por Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, que implica em não reagir com violência, em amar o inimigo, dar a outra face a quem nos fere, em dar de comer e beber ao inimigo, em abençoar os que nos amaldiçoam, e em pagar o mal com o bem, pois esta é a maneira cristã de vencer o mal. (Mt 5.38-39; 26.52 e Rm 12.14-21). Como indivíduo cristão, prefiro seguir a sabedoria dos mandamentos de Cristo. Martin Luther King e Gandhi mostraram historicamente o poder de tais princípios cristãos.
Agora, criticar uma atitude do presidente não é o mesmo que gritar “Lula livre”. Nestes dias de tamanha polarização, as pessoas se aproveitam de uma coisa para defender a outra. Devemos estar livres das paixões e amarras ideológicas e partidárias para poder avaliar e discernir melhor todas as coisas.
Anos atrás, meu filho, Samuel, sua esposa, Núbia, e sua filhinha, Helena, que tinha apenas poucos meses de vida, esqueceram de trancar a porta do seu apartamento e foram dormir. Aconteceu, então, que, de madrugada, um homem invadiu o apartamento. Assustado, meu filho acordou e atracou-se com o invasor. A Núbia acendeu a luz e foi então que puderam ver que se tratava de um vizinho que tinha problemas mentais. Creio que, se ele tivesse uma arma, teria atirado para matar o invasor. Este é apenas um exemplo de situações que seriam agravadas pela posse de armas. A polícia recomenda não reagir a assaltos. A reação violenta costuma produzir ainda mais violência, como disse Jesus: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada pela espada morrerão!” (Mt 26.52). Temo que o aumento de vítimas de balas perdidas, de assaltos que terminarão em morte, de crimes de trânsito e de conflitos entre vizinhos que acabarão em tiroteio e morte.
A armadura do cristão é de outra espécie (Ef 6.13)! Portanto, como cristãos, o melhor a fazer é não reagirmos com violência e deixarmos a questão da segurança pública para o Estado que deve agir dentro da Lei de maneira firme contra o crime.
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