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Não é só sorrisos

O estóico zomba daquele que derrama lágrimas. As pessoas valorizam demais a alegria, como se estar triste fosse um grande pecado. Não que não seja bom estar contente, dar umas boas risadas, se divertir. Mas, como diz Walcyr Carrasco em seu livro “A Corrente da vida”, “o ser humano não é um autômato programado para dar gargalhadas o tempo todo. Não, a gente tem tristezas, melancolias, momentos de sofrimento e ansiedade”. Assim ensinou o autor de Eclesiastes: “Há momento para todo propósito debaixo do Céu” (Ec 3). Concordo também com Walcyr Carrasco que, quando a tristeza chega, não se deve evitá-la, contando uma piada, saindo, tentando esquecer. “É preciso viver a tristeza como se vive a alegria. Saber enfrentar os momentos difíceis também é bonito. Por incrível que pareça, vivê-los, inteiramente, deixando o sentimento brotar como a água de uma fonte, pode nos trazer uma surpreendente felicidade”.


Em “Mananciais do Deserto”, meditação de 20 de Março, li que, em certos lugares, fontes de água doce saltam no meio das águas salgadas do mar; que as mais lindas flores dos Alpes se encontram nos recantos mais agrestes e escarpados das montanhas; que os mais sublimes salmos foram o produto da mais profunda agonia de alma. Sabemos também que a ostra produz pérolas através de um processo de sofrimento provocado pela irritação da areia que entra em seu interior. Poeticamente, poderíamos dizer como o saudoso compositor e ventríluco, Rubem Ciola, que com sua macaquinha Kika, cantava: “sua lágrima produz uma linda pérola!” Sendo assim, não devemos fugir da realidade, mas, devemos, sim, encarar com coragem nossa existência com todos os seus "tempos", aprendendo, amadurecendo, crescendo, e, por que não dizer, curtindo, em todo o processo, uma alegria e uma paz que excede a toda compreensão humana, confiando no cuidado e na providência divina. Vivamos, pois!


Medite em 2 Co 6.10.


Bispo José Ildo Swartele de Mello


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