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Orientações para o Uso do Dom de Profecia

Amados irmãos e irmãs metodistas livres, 

 

Que a graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo se multipliquem em suas vidas. Com base nos princípios bíblicos e em nossa tradição wesleyana, desejamos oferecer orientações claras para o uso do dom de profecia em nossas igrejas. Este dom é precioso, mas também requer discernimento e responsabilidade. 

 

1. A Advertência Bíblica sobre Falsos Profetas (Mateus 7:15-20; Deuteronômio 13:1-5 e Jeremias 23:16-17):

As Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, afirmam o dom de profecia, mas também nos alertam sobre os perigos dos falsos profetas. Em Mateus 7:15-20, Jesus nos adverte sobre os falsos profetas que se disfarçam de ovelhas, mas são lobos vorazes. Ele nos ensina a discernir esses falsos mestres pelos frutos de suas vidas e ensinamentos. Deuteronômio 13:1-5 adverte que até mesmo aqueles que realizam milagres não devem ser seguidos se suas palavras nos afastarem de Deus. Jeremias 23:16-17 nos alerta sobre profetas que proferem falsos sonhos e enganos.

2. Caráter Cristão e Continuidade dos Dons Espirituais (1 Coríntios 12:4-11, 1 Coríntios 3:1, Gálatas 5:22-23, 1 Coríntios 13:1-3):

Acreditamos na continuidade dos dons espirituais, mas é vital lembrar que os dons não são sinônimos de espiritualidade. Isso fica evidente quando observamos a situação da igreja de Corinto, que possuía todos os dons, no entanto, Paulo os chama de carnais e imaturos. O apóstolo enfatiza que o caráter de justiça e amor, juntamente com a maturidade espiritual, são fundamentais. Pois, como Paulo declara em sua carta aos Coríntios, os dons, sem o amor, não têm valor algum diante de Deus. 

Em seu Sermão “A Natureza do Entusiasmo”, John Wesley reconhece a influência real do Espírito de Deus na vida dos crentes, mas também observa que muitos confundem essa influência com suas próprias ideias e impulsos, levando a excessos e comportamentos fanáticos. Ele enfatiza a importância de buscar a vontade de Deus por meio da razão, da experiência e da aplicação das Escrituras, em vez de depender de sonhos, visões ou impressões subjetivas. Ele reconhece que o Espírito Santo pode auxiliar os crentes durante o processo de discernimento, trazendo à mente circunstâncias relevantes, destacando convicções e proporcionando paz interior.

3. Submissão à Palavra de Deus (2 Timóteo 3:16, Isaías 8:20):

Toda profecia deve ser submetida à Palavra de Deus. A Bíblia é nossa base e autoridade suprema. Isaías declara que, se alguém não fala de acordo com a lei e o testemunho, não há luz nele. Qualquer profecia que contradiga a Palavra de Deus não é inspirada pelo Espírito Santo. 

4. Submissão à Liderança Espiritual (Hebreus 13:17; Efésios 4.11-12; 1 Timóteo 5.17; 1 Coríntios 14.29-40):

Toda profecia deve ser submetida à liderança espiritual da igreja. A liderança é responsável por discernir e confirmar a autenticidade das profecias e pela ordem e decência do culto.

5. Manifestação do Caráter Cristão (Efésios 4:22-24):

Aqueles que operam no dom de profecia devem refletir o caráter de Deus. A integridade e a santidade de vida são essenciais.

6. Glorificação de Deus e Edificação (1 Coríntios 14:3):

Toda profecia verdadeira glorifica a Deus e testemunha de Jesus Cristo. Deve contribuir para o crescimento espiritual e o fortalecimento da fé.

7. Julgar as Profecias e Pôr à Prova os Profetas (1 João 4:1-3, Apocalipse 2:2, 1 Coríntios 12:10, Atos 17:11):

Devemos julgar as profecias e por à prova os espíritos para saber se de fato procedem de Deus. Jesus elogia a igreja de Éfeso por sua atenção em desmascarar falsos apóstolos, destacando a importância do discernimento espiritual dentro da comunidade cristã. Devemos ser vigilantes e capazes de discernir entre aqueles que genuinamente representam a verdade de Cristo e aqueles que são falsos mestres. O dom de discernimento de espíritos é vital para avaliar profecias. Os bereianos são elogiados por examinar cuidadosamente as Escrituras para verificar se o ensino de Paulo estava em conformidade com a Palavra de Deus. Isso ilustra a atitude prudente que os cristãos devem adotar ao receberem ensinamentos ou profecias.

8. Vida de Santidade e Oração (1 Pedro 1:15-16):

Uma busca contínua pela santidade e uma vida de oração são essenciais para quem opera no dom de profecia. Uma vida santificada é mais receptiva à voz de Deus.

9. Orientação Pastoral (1 Coríntios 14:1; 5; 24; 31; 39; 15:4):

A liderança pastoral deve ensinar a Igreja que o dom de profecia pode ter um espaço importante na Igreja, mas evitar que pessoas que profetizam recebam importância indevida, como se fossem gurus ou pitonisas.

10. Propósito Primordial do Dom de Profecia (1 Coríntios 14.3, 1 Coríntios 14:4, 1 Coríntios 14:12):

Lembremos que o propósito primordial do dom de profecia é edificar, exortar e consolar, promovendo a edificação do corpo de Cristo e não destruição, unidade e não divisão. Portanto, todas as mensagens proféticas devem ser dadas com amor, alegria, paz e em conformidade com o fruto do Espírito.

Conclusão:

Reafirmamos o compromisso da Igreja Metodista Livre do Brasil em buscar uma vida cristã sólida, fundamentada na Palavra de Deus, na santidade de vida e na edificação mútua. Pedimos a todos os membros e líderes que busquem discernimento espiritual e que sejam vigilantes contra falsas doutrinas e enganos, à medida que utilizam e avaliam o dom de profecia para a edificação do corpo de Cristo.

 

Que a graça e a sabedoria de Deus nos guiem enquanto continuamos a servir ao Senhor e à sua igreja.

 

Em Cristo,

 

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Bispo Daniel Abe 

Superintendentes dos Concílio Regionais do:

Centro-oeste: Marinho Soares Filho e Peterson Albuquerque Nunes

Nordeste: Rosimeire Araújo dos Santos e João da Paz

CONLESTE: Nilson Campos, Marie de Oliveira e Milton Aquino

CONOR: Eduardo Adriano e Rozinaldo Leopoldino da Silva

CONSULPA: Rodrigo Rodrigues Lima e Delma Lima Souza

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