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A Parábola das Bodas de Mateus 22



O conceito de Jesus sobre eleição

Na Parábola das Bodas (Mt 22) Jesus trata do tema da eleição. Temos ali o ensino de que os judeus, que recusaram o convite, receberam mais que uma oportunidade, tal era o desejo do Rei de que eles participassem da festa (Mt 22.4). Tal recusa não foi por predestinação, falta de oportunidade ou incapacidade, mas, simplesmente, porque "não quiseram" (Mt 22.3). Este tema é recorrente na Bíblia. João disse que Jesus “veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.11-12). Jesus chorou sobre Jerusalém e lamentou o fato de seus moradores terem rejeitado a oferta de salvação (Lc 13.34).

E as Palavras de Paulo aos judeus que rejeitaram o Evangelho estão em perfeita sintonia com está Parábola, que diz que, então, o convite foi extensivo a todos indistintamente: "Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: 'Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios'" (At 13:46).

Jesus conclui a parábola com a seguinte declaração: “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos”. Todos foram chamados. O desejo do Rei era contar com a participação de cada um deles. Ninguém precisava ter ficado de fora! Todos foram chamados, mas, no final, escolhidos foram apenas os que atenderam de bom grado o convite. Estes não agiram assim por terem sido previamente escolhidos, mas foram escolhidos por terem exercido fé a ponto de atenderem apropriadamente ao convite nos termos estabelecidos pelo Rei. Portanto, Jesus está enfatizando que a eleição possui um caráter condicional. Por esta razão é que Pedro diz que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2).

A fé de cada indivíduo não é uma decisão falsa onde tudo já teria sido decidido de antemão pelo ser supremo (Mt 22.3; Rm 9.33; 10.4,8,11,16-21).


Bispo Ildo Mello

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