quarta-feira, 27 de março de 2013

O que a ressurreição de Jesus nos garante

A ressurreição de Jesus nos garante:
  1. vitória sobre o nosso maior inimigo que é a morte ou seja a certeza da nossa própria ressurreição (1Co 15.25-58); 
  2. coragem diante da morte, pois, se não precisamos mais temer o nosso maior adversário, então, a quem iremos temer? A ressurreição de Jesus impactou os discípulos. O mesmo Pedro, que havia negado a Cristo por causa do medo da morte, enche-se de coragem para enfrentar as autoridades politico-religiosas após a ressurreição de Jesus (At 5.29); 
  3. uma alegria que ninguém pode tirar (Jo 16.22); 
  4. que Jesus é Filho de Deus, pois exerceu poder sobre a vida e a morte, conquistando vitória sobre o pecado e o inferno, tendo sido exaltado sobre tudo e todos (Ef 1.19-23). "Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm 1:4); 
  5. a vitória de sua Igreja (Mt 16.18); 
  6. que a nossa fé não é em vão (1 Co 15.14);
  7. que realmente estará sempre conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20);
  8. que Jesus voltará para julgar os vivos e os mortos (2Tm 4.1) e que os que esperam em Cristo são por ele libertos da ira vindoura (1 Ts 1.10).
  9. a certeza do céu, pois Jesus prometeu que subiria aos céus para nos preparar um lugar (Jo 14.2-2);
  10. o cumprimento de todas as suas demais promessas, pois ressuscitou como havia prometido (Mt 28.6). 


Feliz Páscoa!

Bispo Ildo Mello

10 absurdos ensinos dispensacionalistas


Existem muitos absurdos no ponto de vista dispensacionalista, citarei aqui apenas 10:

  1. O Ensino de que Deus teria dois povos; 
  2. O ensino de que os apóstolos de Jesus representariam Israel e não a igreja em grande parte dos escritos dos Evangelhos, cujos textos passariam a não ter nenhum ensino para nós, como Igreja. Exemplo: O Sermão do Monte e o Sermão das últimas coisas.
  3. O ensino de que existiriam dois Evangelhos, um para salvar gentios na era presente e outro para judeus no período da Grande Tribulação. Mas Paulo expressamente advertiu: "Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gálatas 1:9);
  4. O ensino de que haveria mais de duas vindas, dividindo a Segunda Vinda em duas ou três etapas; 
  5. O ensino de que a Igreja não passaria pela grande Tribulação; 
  6. O ensino de que o arrebatamento seria um evento secreto, separado por 7 anos da Segunda Vinda gloriosa e manifesta de Cristo;
  7. O ensino de que haveria possibilidade de salvação após o arrebatamento da Igreja
  8. O ensino de que o anticristo seria, de fato, antisemita, pois, para eles, quando ele surgir, a Igreja já terá sido arrebatada e não poderá ser perseguida por ele, restando a ele perseguir apenas os judeus; 
  9. O ensino de que a sétima e última  trombeta, que anuncia a Vinda do Senhor e promove a ressurreição dos mortos e o arrebatamento da Igreja, não seria, de fato, a última, pois creem em múltiplas Segundas Vindas de Cristo e em múltiplas ressurreições.
  10. E o ensino de que haverá muitos juízos finais

Ressurreição geral e o Juízo Final

Só existe uma ressurreição física e geral de todos, quer sejam eles crentes ou incrédulos (Dn 12.2, At 24.14,15), vindo após isto, o Juízo Final e o estado eterno, “porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5:10). Os que não tiverem os seus nomes escritos no livro da vida serão condenados (Ap 20.11-13).


Por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, todos mortos ressuscitarão (Dn 12.2)! "Todo olho o verá, até mesmo os que o traspassaram" (Ap 1.7,) o que só será possível se a ressurreição física e geral de todos os mortos acontecer no dia da Segunda Vinda de Cristo. 


Jesus também ensinou que haveria apenas uma única ressurreição geral e que esta aconteceria logo após a Sua Segunda Vinda: 
"Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda... E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-33 e 46).

Em Apocalipse 20, após a descrição da Ressurreição Física de todos os mortos, temos o Juízo Final: 
"O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e cada um foi julgado de acordo com o que tinha feito" (v.13). "Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo" (v.15).  


Daniel e Jesus ensinaram que a ressurreição dos mortos é geral e acontece exatamente antes do Juízo final (Dn 12.2Mt 25.31-46Jo 5:28-29;  Jó 19:23-27Is 26:19At 24:15Rm  8:11, 23Fp 3:20 e 1Ts 4:16)


Há também um outro importante texto em que Jesus ensina claramente que a ressurreição será geral, para todos, crentes e não crentes, uns para vida e outros para a condenação: 
“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.28,29).
Assim como a Ressurreição, o Juízo também será geral, abarcando os vivos e os mortos, o salvos e os perdidos. Pois, todos compareceremos perante o Tribunal de Deus (2 Co 5.10Rm 14.10-12). Os que não tiverem os seus nomes escritos no livro da vida serão condenados (Ap 20.11-13).


Paulo afirmou possuir a mesma esperança dos profetas do Antigo Testamento; de que haverá ressurreição geral tanto de justos como de injustos:
"Confesso-te, porém, que adoro o Deus dos nossos antepassados como seguidor do Caminho, a que chamam seita. Creio em tudo o que concorda com a Lei e no que está escrito nos Profetas, e tenho em Deus a mesma esperança desses homens: de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos" (At 24.14,15).

Paulo também ensina que Jesus virá como um ladrão à noite e que juízo e destruição é o que as nações receberão e não um milênio:
"Pois vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão à noite. Quando disserem: “Paz e segurança”, a destruição virá sobre eles de repente, como as dores de parto à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão" (1Ts 5.2,3).
O Profeta Joel também ensina que o Dia do Senhor é dia de Juízo Final e não de milênio terrestre. 
"Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto;Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração.Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará.A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros assim correm.Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate.Diante dele temerão os povos; todos os rostos se tornarão enegrecidos.Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira.Ninguém apertará a seu irmão; marchará cada um pelo seu caminho; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos.Irão pela cidade, correrão pelos muros, subirão às casas, entrarão pelas janelas como o ladrão.Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor.E o SENHOR levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do SENHOR é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar?" (Joel 2:1-11)
Note também que as descrições deste Dia se assemelham as descrições da Segunda Vinda encontradas no Novo Testamento, tais como: "Tocai a trombeta" (Mt 24.311Co 15.521Ts 4.16), "diante dele um fogo consome" (2Ts 1.7), "a sua aparência é como a de cavalos" (Ap 19.11,21), "como um povo poderoso", "diante dele tremeram os povos" (Mt 24.30), "diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor" (Mt 24.29), "porque o dia do Senhor é grande e mui terrível" (1Ts 5.3 e 2 Pe 3.10). Confirmando assim que a Segunda Vinda desencadeará o Juízo Final. 


Pedro também ensina que a Segunda Vinda de Cristo trará o julgamento final:
"O dia do Senhor, porém, virá como ladrão. Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela há, será desnudada. Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda. Naquele dia os céus serão desfeitos pelo fogo, e os elementos se derreterão pelo calor" (2Pe 3.10-12).
O Novo Testamento sempre diz que o Juízo Final se seguirá a Segunda Vinda de Cristo (2 Ts 1.7-10Mt 16.2725.31-32Jd 14-15 e Ap 22.12). E o Credo Apostólico também estabelece esta mesma relação ao dizer: “de onde há de vir pra julgar os vivos e os mortos”. Note que não diz “de onde há de vir para inaugurar seu reino milenar”. Seguindo este raciocínio, o Milênio só poderá acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo, pois o juízo final acontecerá após a sua Segunda Vinda.


Portanto, concluímos que o texto de Apocalipse 20 não está ensinando nada de novo, como duas ressurreições físicas separadas por um período de mil anos, mas, sim, estaria falando de modo simbólico, como é característico da literatura apocalíptica, do tema da ressurreição de modo a concordar com todos os vários outros textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, que são unânimes no ensino de uma única ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos, seguida do Juízo Final. Veremos a seguir um estudo mais acurado sobre a natureza do Reino de Deus em sua íntima relação com a natureza e a missão de Jesus e do Espírito Santo.


Os eventos registrados nos capítulos 19 e 20 não estão em ordem cronológica como querem os pre-milenistas. Pois o capítulo 19 não termina com uma descrição da Segunda Vinda, mas, sim, com uma clara descrição do juízo final, culminando com a destruição de todos os inimigos de Deus. Se o capítulo 19 conclui com a morte de todos os habitantes da terra cujos nomes não estavam escritos no livro da vida, quem restou das nações para um reinado milenar na terra? 

Além disso, o milênio descrito em Apocalipse 20 não descreve Jesus reinando de Jerusalém, mas do céu. Não faz também sentido algum supor um motim generalizado contra Jesus no final dos mil anos. É absurda a ideia de exércitos marchando sobre a terra para atacar com armas a Jesus e os salvos com corpos glorificados e indestrutíveis.


Soa no mínimo estanho que Jesus careça de um fogo vindo do céu para destruir seus inimigos, quando bem sabemos que é Jesus mesmo quem desce do céu no meio de labaredas de fogo para destruir seus inimigos. Temos aqui uma alusão a Segunda-Vinda de Cristo em socorro a sua igreja que sofre perseguição no período da Grande Tribulação. Paulo ensinou que Jesus Cristo retornaria em meio a chamas flamejantes para julgar a humanidade (1Ts 1.6-10) e o mesmo disse Isaías: "Vejam, O Senhor virá num fogo, e seus carros são como um turbilhão! Transformará em fúria a sua ira, e em labaredas de fogo, a sua repreensão. Pois com fogo e com a espada o Senhor executará julgamento sobre todos os homens" (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo, Ele retorna a terra em labaredas de fogo!


Diante da Segunda Vinda de Cristo, os pecadores não tem esperança de um reino milenar, mas sim, uma terrível expectativa do juízo final. Jesus claramente ensinou que a Segunda Vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes... Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos'... E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-46). A Parábola das Dez Virgens ensina que não há esperança de vida e nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus. Ficando, assim, descartada a ideia de uma segunda oportunidade de vida e salvação para os não salvos após o Arrebatamento da Igreja.


Todos estes textos ensinam que a Segunda Vinda de Cristo é o Grande e terrível Dia do Senhor em que Jesus vem para julgar a terra. Os inimigos de Deus serão condenados e o mal terá fim. Já, os remidos do Senhor receberão a vida eterna em um lar celestial.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ministério Feminino

Não se pode interpretar a Bíblia sem levar em conta o contexto social e cultural da época em que o texto foi escrito. O Mundo Antigo era extremamente machista, as mulheres eram desprezadas, tratadas como seres inferiores, que não tinham direito à voz, à educação e nem sequer eram contadas quando se queria saber quanta “gente” havia. Atentando para o contexto, podemos apreciar melhor a revolução que Jesus Cristo estava iniciando em relação a condição da mulher.

Assim também podemos compreender melhor porque os apóstolos, em alguns momentos, parecem referendar a discriminação das mulheres, pois, não seria produtivo para a obra de evangelização da igreja erguer alto e rapidamente uma bandeira em favor dos direitos das mulheres, pois isto provocaria uma resistência intransponível por parte de uma geração que não estava preparada para aceitar tamanha revolução, e, além de não produzir o efeito desejado, suscitaria ainda mais perseguição o que não seria nada aconselhável para uma igreja que ainda estava aprendendo a dar os primeiros passos.

O mesmo se aplica a questão da escravidão que não foi abertamente confrontada pelos apóstolos. No entanto, os princípios que servem de semente para a libertação das mulheres e dos escravos estão firmemente estabelecidos nos escritos do Novo Testamento: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).

Por exemplo, os que se valem de 1 Timóteo 2 para impedir que as mulheres exerçam o ministério pastoral, deveriam também, de acordo com o mesmo texto, impedí-las de usar aliança e outros objetos de ouro, vestido caro, tranças no cabelo, e até mesmo deveriam proíbí-las de fazer perguntas durante um estudo bíblico, pois o texto também diz que as mulheres devem aprender em silêncio. E, por fim, deveriam ensinar que a salvação da mulher se processa através da sua missão de mãe, o que complicaria a vida das estéreis e de todas aquelas que, por uma razão ou outra, jamais terão filhos.

Segundo o mesmo texto, os homens devem orar em todos os lugares com as mãos erguidas (v.8). Porventura, os homens que condenam o ministério pastoral feminino oram sempre de mãos erguidas em todos os lugares? Se não, que hermenêutica seletiva e convencional é esta que encara parte do texto que está no mesmo contexto como Palavra de Deus aplicável a todos os contextos e gerações e outra como sendo algo cultural que tem a ver apenas com aquele contexto?

Os que proíbem o ministério feminino, para serem coerentes consigo mesmos, deveriam também proibir as mulheres de abrirem a boca na igreja, até mesmo para fazerem perguntas, pois é exatamente isto que Paulo está ordenando. No entanto, vai ver se esta ordem está sendo cumprida à risca nas igrejas destes pastores e teólogos que se valem de 1 Timóteo 2 para impedirem o ministério feminino.

Os que advogam que a mulher deve ser submissa e que, por esta razão também não estaria apta para liderar uma igreja que é composta tanto por mulheres como por homens, estão esquecidos de que a mesma Bíblia ensina que deve haver mútua sujeição (Ef 5.21) e que o maior é aquele que serve! O próprio Cristo atuou como servo, lavou os pés dos discípulos e chamou-os de amigos, dando-nos, assim, o exemplo que deveria nortear nossos relacionamentos. No Reino de Deus não há lugar para autoritarismo.

O Espírito Santo também atuou e continua a atuar no sentido da promoção da mulher à uma condição de igualdade com o homem. Observe que elas também receberam o dom de profetizar. E, como não é possível profetizar de boca fechada, elas recebem autoridade espiritual para falar, proclamar a Palavra de Deus na Igreja e for a dela. “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Jl 2:28 e 29). Mulheres profetizas na Bíblia: Miriã (Ex 15:20), Débora (Jz 4:4), Hulda (II Rs 22:14), Ana (Lc 2:36-38), As 4 filhas de Felipe (At 21:9), Evódia e Síntique (Fl 4:2-3).

Além do ministério profético, as mulheres exerceram outras funções de liderança e de destaque na Bíblia: Débora como juíza instituída por Deus em Israel (Jz 4.4), Priscila: “Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.” (At 18.26), “Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus” (Rm 16.3); Febe, a diaconisa: “Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia” (Rm 16.1,2). A Mulher Samaritana como Evangelista: “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher... Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: —Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?” (Jo 4. 27-29) e duas outras irmãs que também eram evangelistas: “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho” (Fp 4.3).

Nunca esquecer que a primeira pessoa a testemunhar e a proclamar a ressurreição de Jesus foi uma mulher: Maria Madalena. Em At 12.12-17, é interessante notar que o nome da mulher da casa onde a igreja se reunia é mencionado, uma vez que poderia simplesmente ser chamada de mãe de João Marcos,que era figura notória, pois isto mostra a importância da liderança desta mulher. As mulheres, nas cartas paulinas, são consideradas “colaboradoras” de Paulo; Em 1 Co 16.16ss., Paulo exorta a comunidade a reconhecer a liderança de diversas mulheres. Em Rm 16.6,12, o apóstolo recomenda Maria, Trifena, Trifosa e Pérside por terem “labutado” muito, termo este empregado por Paulo para caracterizar o seu próprio trabalho de evangelizar e ensinar. Fp 4.2-3 menciona que Evódia e Síntique trabalhavam como ele, lado a lado; a liderança delas era tão fundamental que Paulo teme que o conflito surgido entre elas possa prejudicar a missão cristã na comunidade de Filipos. Rm 16.7 dá a conhecer Andrônico e Júnia, que, assim como Priscila e Áquila, são chamados de apóstolos, parceiros missionários, convertidos antes do apóstolo Paulo, muito provavelmente pertencentes ao círculo dos apóstolos em Jerusalém, conforme 1 Co 15.7. Nota-se que nem Priscila nem Júnia são definidas como esposas; ressalta-se, isto sim, sua parceria na obra missionária.

Um fator decisivo para a expansão da igreja eram os cultos caseiros. Os cultos domésticos eram o lugar onde o cristianismo primitivo celebrava a ceia do Senhor, pregava as boas novas e a fé era nutrida. Estas igrejas contaram com a importante contribuição das mulheres. Que bom que não havia altar e nem púlpito elitista. Que bom que o ambiente era informal, o que favorecia a participação de todos. Na Carta aos Colossenses (Cl 4.15), o autor lembra a “igreja na casa” de Ninfa, em Laodicéia. Nas origens da fundação da comunidade em Filipos está Lídia, que se converteu e ofereceu sua casa para a missão cristã (At 16.15). Eminente missionária e fundadora de comunidades domésticas foi Priscila, que junto com Áquila divulgou o Evangelho. Este casal missionário, assim como Barnabé e Apolo, realizavam sua missão independentemente de Paulo, não estando sob sua autoridade. De Priscila e Áquila sabe-se que, por ocasião de sua expulsão de Roma, mudaram-se para Corinto, onde aceitaram Paulo como colaborador em sua atividade profissional e sua comunidade doméstica. Das vinte e cinco pessoas citadas em Rm 16, participantes da comunidade de Jerusalém, aproximadamente um terço são mulheres. A liderança de Febe chega a ser caracterizada por três títulos: irmã, diácona e prostátis, todos usados para designar pessoas na qualidade de mestres, missionárias, profetas, pessoas cheias do Espírito de Sabedoria.

O apóstolo Paulo deixa orientação bem mais específica quanto à legalidade do ministério independentemente do sexo. "Paulo afirma em Efésios que Deus chamou uns para apóstolos, outros para profetas e outros para mestres", diz. "Em momento algum ele fala que Deus chamou homens ou mulheres para este ou aquele ministério exclusivo." Assim como Pedro argumentou que não poderia negar o batismo para aqueles que haviam recebido o Dom do Espírito, também podemos argumentar que não devemos negar a ordenação para as mulheres que evidenciarem o dom do Espírito para o ministério pastoral. Efésios 5.21-31 inicia convocando todos e todas a serem submissos uns aos outros. O critério de “sujeitar-se” é válido para todos, independentemente da posição que cada qual ocupa. No quarto século, a Igreja Católica, adotou o modelo do Antigo Testamento e fecharam as portas para a ordenação de sacerdotes do sexo feminino.

Outro argumento com base na tradição levítica foi o uso da pureza como critério para seleção para o ofício sacerdotal. Neste quesito, nova desvantagem feminina, pois, sob o ponto de vista da lei mosaica, as mulheres eram consideradas imundas nos períodos menstruais, o que as tornava inaptas para o sacerdócio. Impedida de alcançar o sacerdócio, restou à mulher resignar-se com as atividades subsidiárias ao serviço eclesiástico, algo que o protestantismo, pelo menos em seu nascedouro, não fez questão de modificar.

Constatamos com tristeza o registro de que a Igreja conviveu, tolerou e sancionou por séculos diversas injustiças sociais como a escravidão e a discriminação da mulher. No entanto, os princípios bíblicos de igualdade e liberdade germinaram, contribuindo para a libertação dos escravos e, agora, coopoeram, para a libertação da mulher.

O movimento wesleyano foi pioneiro na luta contra a escravidão e foi também o primeiro a reconhecer o ministério feminino. Não é de hoje que a Igreja Metodista Livre reconhece o valor das mulheres! Veja o que diz o seu Manual: "Os Metodistas Livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja. Portanto, todas as posições na Igreja são acessíveis a todos que Deus chamar".

As mulheres representam hoje algo em torno de 60% da membresia ativa da Igreja e não devem ser caladas e nem serem restringidas à um papel secundário. Mas precisam serem reconhecidas e valorizadas como iguais, para serem enconrajadas a assumirem seu posto e vocação lado a lado com os homens em condições de igualdade. Isto não é liberalismo, mas, sim, libertação. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres! “

Bispo José Ildo Swartele de Mello

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chorão, mais uma vítima das drogas.

Morre mais um artista famoso por causa das drogas: agora foi a vez do Chorão. A lista é enorme, entre tantos, inclui: Amy Winehouse, Whitney Huston, Michael Jackson, Heath Ledger, Bob Marley, Elvis Presley, Elis Regina, Raul Seixas, Cássia Eller, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain, Marilyn Monroe, Janis Joplin, etc. Parece mesmo difícil para as pessoas aprenderem com o erro dos outros. Acham quem nunca acontecerá com elas. As drogas exercem um fascínio sedutor que conduz a destruição. Abramos os olhos antes que seja tarde demais.

terça-feira, 5 de março de 2013

Contraste entre a era presente e a vindoura

O pensamento bíblico vê o tempo como linear, contrastando a era presente com a que há de vir. Cristo está assentado a direita de Deus Pai, “acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef 1.21)

Esta era é o período da atividade de satanás, da rebelião humana, do pecado e da morte. A era vindoura será iniciada pela Segunda Vinda de Cristo, que trará consigo a plenitude do Reino de Deus, quando Satanás e todos os inimigos de Deus serão destruídos e o mal já não mais existirá.

Mas, as bênçãos da era vindoura já entraram nesta era presente, por ocasião da primeira vinda de Cristo:

1. “Os fins das eras já tem chegado sobre os cristãos” (1 Co 10.11), significando que os cristãos vivem na presente era, já impactados pela era vindoura.

2. Já são “novas criaturas” (2 Co 5.17); a nova criação já é realidade na vida dos que possuem as “primícias do Espírito” (Rm 8.23)

3. A salvação que pertence ao futuro (Rm 13.11; 1 Pe 1.5,9) também já pode ser experimentada no presente (2 Co 6.2; Ef 2.8).

4. A vida eterna que pertence a era porvir já é uma posse do crente (Jo 3.36; 6.47)

5. A justificação que significa ser inocentado no dia do juízo final já está sendo graciosamente oferecida (Rm 3.24; 5.1).

6. Já desfrutamos dos poderes da era vindoura (Hb 6.5)

7. Já fomos libertos do domínio da presente era má (Gl 1.4; Cl 1.13)

8. Já não devemos nos conformar com esta era, mas... (Rm 12.1,2; 2 Co 6.2)

9. O reino de Deus, cuja plenitude pertence a era vindoura (Mt 25.34; 1 Co 15.50) já invadiu a presente era, antecipando suas bênçãos (Mt 12.28; Lc 17.20; Cl 1.13; Rm 14.17).

Barth disse que o cristão deve viver à sombra da cruz e à luz da ressurreição. A cruz caracteriza nossa vida nesta era, enquanto a ressurreição é algo que diz respeito a nossa bendita esperança que se realizará na era vindoura. Mas, numa certa e boa medida, o poder da ressurreição já está ao alcance do Cristão, que espiritualmente já foi ressuscitado e se encontra assentado juntamente com Cristo acima de todo principado e potestade (Ef 2.6; cf 1.21). Os cristãos vivem em duas eras; pois já desfrutam dos poderes da era vindoura enquanto vivem no fim desta era, exercendo seu papel de luz do mundo e sal da terra, de embaixadores do Reino de Deus, de testemunhas de Cristo e pregadores do Evangelho do Reino, atuando neste mundo como cidadãos e embaixadores do Reino de Deus, atuando também como soldados de Cristo que marcham contra as cidadelas do inferno, investidos da autoridade do Senhor dos Exércitos.

Bispo Ildo Mello