quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Discordo dos seguintes ensinos de Agostinho

Discordo dos seguintes ensinos de Agostinho:
  1. que Maria teria nascido e vivido sem pecado (AGOST., De natura et gratia, 36, 42, PL 44, 267; P. LOMB., Sent. III, dist. 3, 2, p. 559.), sendo que a Bíblia afirma que, exceto Cristo, todos os seres humanos pecaram (Romanos 3.23);
  2. que existe um purgatório (Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 37,3), sendo que a Bíblia não encoraja a idéia de uma segunda oportunidade após a morte (Mateus 25.11-13; Apocalipse 20.11-15), pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27).  E nem muito menos encoraja uma idéia de salvação através do próprio sofrimento ou obras (Efésios 2.8-10, Tito 3.4-5 e Hebreus 10.12). Sabemos que Jesus disse ao Ladrão arrependido: "hoje mesmo estarás comigo no Paraíso" (Lucas 23.39-43), portanto, tal indivíduo que viveu uma vida de pecado, encontrou a graça salvadora na hora de sua morte e, ao morrer, não foi conduzido para um purgatório a fim de purificar-se dos seus pecados, mas ao Paraíso, pois se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça baseado no sacrifício de Cristo em favor dos pecadores (1 Jo 1.9); Após a morte, será tarde de mais para o pecador, pois é aqui e agora o dia da salvação (2 Coríntios 6.2);
  3. que o sacramento do batismo salva, sendo que o ritual exterior de nada serve se não for acompanhado do lavar regenerador do Espírito Santo (Tito 3.5). E o ladrão arrependido da cruz não teve tempo de ser batizado e nem por isto deixou de entrar no Paraíso (Lucas 23.39-43);
  4. que fora da Igreja Católica não há salvação, tal pretensão exclusivista é refutada pelo próprio Cristo no episódio em que seus discípulos queriam proibir um grupo estranho de seguidores de Cristo de exercerem seu ministério: "'Mestre', disse João, "vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos. 'Não o impeçam', disse Jesus. 'Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em seguida, pois quem não é contra nós está a nosso favor'" (Marcos 9:38-40). A igreja não existe para si mesma e os discípulos de Jesus não foram enviados para fazerem discípulos de si mesmos, mas discípulos de Cristo! Outra coisa a ser questionada é se a Igreja Católica é realmente uma fiel seguidora de Cristo e se está de fato firmada na doutrina dos Apóstolos;
  5. que a autoridade da Igreja está acima daquela da Bíblia, sendo que os verdadeiros seguidores de Cristo, cheios do Espírito Santo, são aqueles que perseveram na doutrina bíblica dos Apóstolos, como diz as Escrituras: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (Atos 2:42). Pois  “toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). Por esta razão é que o Apóstolo Paulo exorta ao Bispo Timóteo: "E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros" (2 Timóteo 2:2); 
  6. que o Papa é infalível quando se pronuncia ex cathedra, "mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gálatas 1:8); 
  7. que a Igreja tinha o direito de violar as liberdades humanas, idéia que serviu de base para a Santa Inquisição (João Bernardino Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo: Saraiva, 1993).
  8. que Deus predestinou uns para o céu e outros para o inferno, quando as Escrituras afirmam que a graça salvadora foi manifesta a todos os homens, pois o desejo dele é que todos sejam salvos: Tito 2.11; 3.4; Hebreus 2.9; 1 João 2:2; João 1. 7-9; 3.16-19; 6.40; 8.13; 12.32; 2 Co 5.15; Mateus 4:16; 1Timóteo 2.4-6; Atos 2.21; 17.30; 26.16-18; Romanos 1.16; 3.22. E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34); "Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas" (Colossenses 3:25); 
  9. que sexo é pecado até mesmo dentro do matrimônio e que o pecado é transmitido hereditariamente através das relações sexuais, sendo que a Bíblia afirma: "venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará" (Hebreus 13:4). Deus criou o homem e a mulher, macho e fêmea, para que eles pudessem ter relações sexuais dentro do santo estado do matrimônio que foi instituido por Deus ainda no tempo da inocência, ou seja, antes da queda (Genesis 1.26, 27; 2.18-25). Paulo diz que é doutrina de demônios proibir casamentos por enxergar a prática do sexo pecaminosa mesmo entre marido e mulher (1 Timóteo 4.1-3). Sexo não existe apenas para procriação, de modo que marido e mulher tem o direito de desfrutarem do prazer sexual (Provérbios 5.19; Cantares 7.6 e 12; 1 Coríntios 7.33, 34).
  10. que o pecado está na carne e que o homem só pode ser liberto do domínio do pecado quando se libertar da carne através da morte, idéia de influência gnóstica e que os calvinistas costumam também endossar, o que implica em dizer que a morte é mais poderosa do que Jesus, pois somente ela nos libertará do domínio do pecado. Mas não é isto que o Apóstolo Paulo ensina em Romanos 6 e que também encontramos em inúmeras outras passagens bíblicas que falam do novo nascimento que nos confere um novo coração que nos capacita a vencer o pecado;
  11. Além de tudo isto, algumas de suas afirmações revelam certo grau de anti-semitismo: "Os Judeus que O assassinaram, e não criam nEle, porque coube a Ele morrer e viver novamente, foram ainda mais miseravelmente assolados pelos romanos, e completamente expulsos de seu reino, onde estrangeiros já tinham dominado sobre eles, e foram dispersos pelas terras (tanto que não há lugar onde eles não estejam), e são assim, por suas próprias Escrituras, um testemunho para nós de que não forjamos as profecias a respeito de Cristo." (Cidade de Deus, Livro 18 capítulo 46; ver também: Resposta a Fausto o Maniqueísta, Livro 12, verso 11; Flannery, Edward H., The Anguish of the Jews: Twenty-Three Centuries of Antisemtism, published 1985 by Paulist Press, 997 Macarthur Boulevard, Mahwah, N.J. 07430, U.S.A. pp.52-53; Transcript of a talk by Olga Marshall - Lydia Research Adviser, Swanwick, England, May 1997, p.7). "Mas Deus é amor e qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 João 3:15) e "se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1 João 4:20). Na Parábola do Bom Samaritano, Jesus ensina que nosso próximo deve ser até mesmo aquele que pertence a um grupo hostilizado como o era o dos samaritanos (Lucas 10.33). Jesus é o Príncipe da Paz! Jesus veio destruir as obras de Satanás. Jesus derrubou a parede de separação entre judeus e gentios. Jesus veio acabar com a inimizade (Efésios 2.14-16). Os que em nome de Cristo semeiam o ódio são de fato filhos do diabo e não de Deus (João 8.44).

Agostinho conquistou uma influência política muito grande dentro da igreja. Sendo bispo africano, ele exerceu um papel fundamental no combate ao donatismo que era um grupo muito forte no norte da África e que, naquela época, protestava contra diversos erros da Igreja Romana, buscando autonomia. Não que eu endosse todos os ensinos donatistas, mas apenas observo que a questão principal que motivou tamanha perseguição católica possuía uma natureza muito mais política do que doutrinária.

Como é que se deu a influência de Agostinho sobre o protestantismo? Bem, como a queixa principal de Lutero era contra a cobrança de taxas para conceder o perdão aos pecadores, ele busca convencer o Papa apoiando-se não apenas nas Escrituras, mas também em um renomado teólogo católico como Agostinho, cujos ensinos favorecem a idéia da salvação pela graça e não pelas obras. Tal simpatia por Agostinho acaba abrindo brecha para a aceitação de algumas de suas demais teses, como a predestinação e até conceitos anti-semitas. E o reformador Calvino segue como discípulo de Agostinho até mesmo no que diz respeito a perseguição e morte dos hereges. 

Creio que o contexto de Lutero e Calvino explicam, em parte, o apego deles aos ensinos de Agostinho, o que dava uma base sólida para os protestantes dentro da própria tradição católica. Lutero começou crendo em predestinação absoluta, mas, convicto de que Deus deseja a salvação de todos os homens, acabou finalmente convencendo-se de que ela é condicional, assim como o fazem os arminianos.

Armínio e Wesley se levantam para combater a doutrina da predestinação, mas mantém que a salvação é produto da graça e não das obras, demonstrando que não é preciso admitir a predestinação para defender a salvação pela graça. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Eu partilho da opinião de Barth que não via na predestinação uma predeterminada separação feita entre os homens, e não entendia a eleição como algo particular, como o fazia Calvino. A predestinação leva o homem a uma crise, no momento da revelação e da decisão. Ela o condena na relação em que, por natureza, ele se acha com Deus, como pecador, e nessa relação o rejeita, mas o escolhe na relação à qual ele é chamado em Cristo, e para a qual ele foi destinado na criação. Se o homem reage positivamente à revelação de Deus, pela fé, ele é o que Deus tencionava que fosse: um eleito; mas se reage negativamente, continua sendo um reprovado. Esaú pode tornar-se Jacó, mas Jacó pode tornar a ser Esaú. A idéia é que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo para sermos santos (Ef 1.4). Em Cristo o homem encontra o destino traçado por Deus para a humanidade: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2). A predestinação é condicional à fé em Cristo.

Sugiro que assistam a esta excelente palestra que revela os bastidores do calvinismo: http://www.youtube.com/watch?v=iNBRXiuLMsE



Se puder, leia também texto que acabei de escrever e que tem a ver com o assunto:

A Manifestação da Graça Salvadora

(Tito 2.11-15)
 

Link para o vídeo deste estudo: http://youtu.be/UAqlM5J8Fs0


Abordando as seguintes questões:


v A graça  salvadora é a única esperança para os pecadores
Ø  Romanos 6.23 e João 1.29; 14.6.
v A graça salvadora foi manifesta a todos os homens
Ø  Tito 2.11; 3.4; Hebreus 2.9; 1 João 2:2; João 1. 7-9; 3.16-19; 6.40; 8.13; 12.32; 2 Co 5.15; Mateus 4:16; 1Timóteo 2.4-6; Atos 2.21; 17.30; 26.16-18; Romanos 1.16; 3.22.
v A graça salvadora não é compulsória, pois não se impõe  pela força contra a vontade humana, mas procura cativar pelo amor.
Ø  Atos 7.51; Deuteronomio 10.16; Hebreus 3.8 e 15; 4.7; Apocalipse 3.20; João 1.11-12; 3.19.
v A graça salvadora conclama ao arrependimento
Ø  Tito 2.11, 12, , 14; 3.8; 2 Pedro 3.9; Marcos 1.15; Mateus 3.2 e 8; Atos 2.38; 3.19; 5.31; 11.18; Atos 20.21; 26.20; Lucas 3.3; 5.32; Romanos 2.4; 2 Timóteo 2.25; Hebreus 6.6; 2 Coríntios 7.9.
v A graça salvadora é apropriada pela fé para as boas obras
Ø  Efésios 2.8-10; Tito 3.4-8.
v A graça salvadora não é um fim em si mesma
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  
v A graça salvadora produz regeneração e santificação 
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  1 Tessaloniscenses 4.3 e Romanos 6.19.
v A graça salvadora nos torna filhos de Deus
Ø  Tito 3.7; João 1.12; Romanos 8.29; 2 Pedro 1.4.
v A graça salvadora não é apenas uma obra de Deus a nosso favor, mas também dentro de nós!
Ø  Tito 3.5; Ezequiel 36.26; Gálatas 2.20; João 3.3; 1 João 3.9.
v A graça salvadora nos capacita para toda boa obra  
Ø  Tito 2.14; 3.8, 14;  2 Pedro 1.3-11; Efésios 2.8-10.

O pecado separa o homem de Deus e traz condenação. Por causa do pecado, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e foram condenados a morte. "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça" (Romanos 1.18). O pecado não ficará impune, pois a justiça prevalecerá sobre o pecado. Os dias do reinado do pecado estão contados, pois o Juízo Final se avizinha (2Pedro 3.7; Romanos 2.5; Judas 1.6 e Apocalipse 21.4). 

Por possuir uma natureza corrompida pelo pecado, o ser humano não consegue, por conta própria, obedecer plena e satisfatoriamente a todos os mandamentos de Deus (Romanos 3.10, 23). O melhor de nós não é suficiente, pois nossas boas obras são como trapos imundos diante da santidade divina (Isaías 64.6). Diante da contemplação da santidade gloriosa de Deus, Isaías exclamou: "Ai de mim" (Isaías 6.5); Semelhantemente, Pedro disse a Jesus: "retira-te de mim, porque sou pecador" e até mesmo aquele que o próprio Jesus considerou como o maior dos homens, João Batista, reconheceu a sua pequenez e insignificância diante do Cristo, dizendo "não sou digno de desatar as correias das suas sandálias" (João 1.27). E Jeremias afirmou que "as misericórdias do Senhor são a causa de não termos sido consumidos" (Lamentações 3.22).

Portanto, estando os homens incapazes de se salvarem da condenação eterna por estarem "mortos em seus delitos e pecados" (Efésios 2.1), e, sendo Deus, tanto justo quanto amoroso (Salmo 7.9), foi que ele decidiu enviar o seu Filho Unigênito para sofrer a condenação destinada aos pecadores (João 3.16), o justo morrendo no lugar dos injustos (Isaías 53; Romanos 3.26), como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Tudo isto para cumprir as reivindicações de sua justiça e também para manifestar o seu grande amor pela humanidade. 
Esta é a manifestação da graça salvadora de Deus a toda a humanidade (Tito 2.11). que, sem ela, estaria irremediavelmente condenada a perdição. Cristo morreu em favor de todas as pessoas e não apenas em favor de um grupo seleto (Tito 2.11; Hebreus 2.9 ). Seu perdão é extensivo a todos sem distinção, mas, para ser efetivo, precisa ser apropriado através da fé e do arrependimento. "E ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João 2:2). João inicia o seu registro do Evangelho declarando que a missão de João Batista era que "testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem" (João 1.7-9). O propósito é claro e não se trata da salvação de um grupo de escolhidos, mas tem por objetivo a salvação de todos os homens. A luz da graça salvadora brilhou a todos os homens! "O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mateus 4:16). Jesus é a luz dos homens (João 1.4). Ele é a luz do Mundo (Jo 8.12). Jesus não veio para julgar, mas para salvar o mundo que já estava condenado (João 3.17, 18) , mas "o julgamento é este, que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más" (João 3.19).

Deus deseja que todos os homens sejam salvos (1Timóteo 2.4). Por isto foi que "se manifestou a benignidade de Deus, nosso salvador e o seu amor para com todos" (Tito 3.4). Porque Deus não quer que nenhum ser humano sequer pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento, que é uma condição para o usufruto desta graça salvadora (2 Pedro 3.9). Como disse Jesus: "a vontade do meu pai é que todo o homem que vir o Filho e crer nele, tenha a vida eterna" (João 6.40). 

Por tudo isso é que sabemos que a salvação é alcançada através da fé em Cristo e não por méritos próprios. Mas esta fé é uma fé viva que opera através do amor. A salvação é uma obra regeneradora do Espírito Santo, através da qual somos "feitos" filhos de Deus e não apenas "denominados" filhos de Deus (João 1.12). Assim como os cristãos não apenas são chamados "santos", como também devem tornar-se santos como é santo o Pai celestial (1 Pedro 1.15, 16). Isto não é obra da carne, ou seja, isto não é produto do mero esforço humano, mas é a grande obra de Deus no coração do crente, que Cristo chama de "novo nascimento" (João 3.3-8). Paulo descreve a salvação não apenas em termos de uma obra de Deus em favor de nós, mas também dentro de nós; não apenas em termos de justificação, mas também de uma poderosa regeneração possibilitada pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo (Tito 3.5). Cumprisse assim a promessa de Deus pronunciada pelo profeta Ezequiel: "E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus" (Ezequiel 11:19, 20).
Vemos aí, que, Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, apontava para a sua grande salvação que propiciaria um novo coração e um novo espírito para que seu povo fosse capaz de obedecer os seus mandamentos. Algo semelhante vemos Paulo falando aqui a Tito, mostrando que o propósito desta salvação é "remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu zeloso de boas obras" (Tito 2.14).
Paulo conclui este parágrafo conclamando a Tito a pregar este ensino com toda coragem, repreendendo com toda a autoridade (Tito 2.15). Pois os que creem em Deus não podem ser infrutíferos (Tito 3.14), mas devem serem solícitos e distinguirem-se na prática das boas obras (Tito 3.8, 14). Somos salvos pela graça para as boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Efésios 2.8-10). O destino que Deus tem para o seu povo é que ele seja santo e irrepreensível (Tito 2.14; Efésios 1.4; 1 Tessalonicenses 4.3). Deus planejou que todos nós fôssemos conformes à imagem de seu Filho"(Romanos 8.29) e não conforme o mundo (Romanos 12.1,2). Pois os pervertidos é que vivem deliberadamente pecando (Tito 3.11), enquanto que os nascidos de Deus não vivem na prática do pecado (1 João 5.18). Nascemos de novo para viver conforme Jesus viveu e não mais de acordo com os padrões mundanos.
A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens a fim de remir-nos de toda iniquidade, capacitando-nos para sermos um povo zeloso de boas obras. Dize estas coisas, exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze. (Tito 2.11-15)


Bispo Ildo Mello





segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Alcance e o propósito da graça


O alcance e o propósito da graça


(Tito 2.11-15)

 

Link para o vídeo deste estudo: http://youtu.be/UAqlM5J8Fs0


Abordando as seguintes questões:


v A graça  salvadora é a única esperança para os pecadores
Ø  Romanos 6.23 e João 1.29; 14.6.
v A graça salvadora foi manifesta a todos os homens
Ø  Tito 2.11; 3.4; Hebreus 2.9; 1 João 2:2; João 1. 7-9; 3.16-19; 6.40; 8.13; 12.32; 2 Co 5.15; Mateus 4:16; 1Timóteo 2.4-6; Atos 2.21; 17.30; 26.16-18; Romanos 1.16; 3.22.
v A graça salvadora não é compulsória, pois não se impõe  pela força contra a vontade humana, mas procura cativar pelo amor.
Ø  Atos 7.51; Deuteronomio 10.16; Hebreus 3.8 e 15; 4.7; Apocalipse 3.20; João 1.11-12; 3.19.
v A graça salvadora conclama ao arrependimento
Ø  Tito 2.11, 12, , 14; 3.8; 2 Pedro 3.9; Marcos 1.15; Mateus 3.2 e 8; Atos 2.38; 3.19; 5.31; 11.18; Atos 20.21; 26.20; Lucas 3.3; 5.32; Romanos 2.4; 2 Timóteo 2.25; Hebreus 6.6; 2 Coríntios 7.9.
v A graça salvadora é apropriada pela fé para as boas obras
Ø  Efésios 2.8-10; Tito 3.4-8.
v A graça salvadora não é um fim em si mesma
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  
v A graça salvadora produz regeneração e santificação 
Ø  Tito 2.11, 12, 14; 3.7 e 8;  1 Tessaloniscenses 4.3 e Romanos 6.19.
v A graça salvadora nos torna filhos de Deus
Ø  Tito 3.7; João 1.12; Romanos 8.29; 2 Pedro 1.4.
v A graça salvadora não é apenas uma obra de Deus a nosso favor, mas também dentro de nós!
Ø  Tito 3.5; Ezequiel 36.26; Gálatas 2.20; João 3.3; 1 João 3.9.
v A graça salvadora nos capacita para toda boa obra  
Ø  Tito 2.14; 3.8, 14;  2 Pedro 1.3-11; Efésios 2.8-10.


O pecado separa o homem de Deus e traz condenação. Por causa do pecado, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e foram condenados a morte. "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça" (Romanos 1.18). O pecado não ficará impune, pois a justiça prevalecerá sobre o pecado. Os dias do reinado do pecado estão contados, pois o Juízo Final se avizinha (2Pedro 3.7; Romanos 2.5; Judas 1.6 e Apocalipse 21.4). 

Por possuir uma natureza corrompida pelo pecado, o ser humano não consegue, por conta própria, obedecer plena e satisfatoriamente a todos os mandamentos de Deus (Romanos 3.10, 23). O melhor de nós não é suficiente, pois nossas boas obras são como trapos imundos diante da santidade divina (Isaías 64.6). Diante da contemplação da santidade gloriosa de Deus, Isaías exclamou: "Ai de mim" (Isaías 6.5); Semelhantemente, Pedro disse a Jesus: "retira-te de mim, porque sou pecador" e até mesmo aquele que o próprio Jesus considerou como o maior dos homens, João Batista, reconheceu a sua pequenez e insignificância diante do Cristo, dizendo "não sou digno de desatar as correias das suas sandálias" (João 1.27). E Jeremias afirmou que "as misericórdias do Senhor são a causa de não termos sido consumidos" (Lamentações 3.22).

Portanto, estando os homens incapazes de se salvarem da condenação eterna por estarem "mortos em seus delitos e pecados" (Efésios 2.1), e, sendo Deus, tanto justo quanto amoroso (Salmo 7.9), foi que ele decidiu enviar o seu Filho Unigênito para sofrer a condenação destinada aos pecadores (João 3.16), o justo morrendo no lugar dos injustos (Isaías 53; Romanos 3.26), como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Tudo isto para cumprir as reivindicações de sua justiça e também para manifestar o seu grande amor pela humanidade. 

Esta é a manifestação da graça salvadora de Deus a toda a humanidade (Tito 2.11). que, sem ela, estaria irremediavelmente condenada a perdição. Cristo morreu em favor de todas as pessoas e não apenas em favor de um grupo seleto (Tito 2.11; Hebreus 2.9 ). Seu perdão é extensivo a todos sem distinção, mas, para ser efetivo, precisa ser apropriado através da fé e do arrependimento. "E ele (Jesus) é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João 2:2). João inicia o seu registro do Evangelho declarando que a missão de João Batista era que "testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem" (João 1.7-9). O propósito é claro e não se trata da salvação de um grupo de escolhidos, mas tem por objetivo a salvação de todos os homens. A luz da graça salvadora brilhou a todos os homens! "O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mateus 4:16). Jesus é a luz dos homens (João 1.4). Ele é a luz do Mundo (Jo 8.12). Jesus não veio para julgar, mas para salvar o mundo que já estava condenado (João 3.17, 18) , mas "o julgamento é este, que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más" (João 3.19).

Deus deseja que todos os homens sejam salvos (1Timóteo 2.4). Por isto foi que "se manifestou a benignidade de Deus, nosso salvador e o seu amor para com todos" (Tito 3.4). Porque Deus não quer que nenhum ser humano sequer pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento, que é uma condição para o usufruto desta graça salvadora (2 Pedro 3.9). Como disse Jesus: "a vontade do meu pai é que todo o homem que vir o Filho e crer nele, tenha a vida eterna" (João 6.40). 

Por tudo isso é que sabemos que a salvação é alcançada através da fé em Cristo e não por méritos próprios. Mas esta fé é uma fé viva que opera através do amor. A salvação é uma obra regeneradora do Espírito Santo, através da qual somos "feitos" filhos de Deus e não apenas "denominados" (João 1.12). Assim como os cristãos não apenas são chamados "santos", como também devem tornar-se santos como é santo o Pai celestial (1 Pedro 1.15, 16). Isto não é obra da carne, ou seja, isto não é produto do mero esforço humano, mas é a grande obra de Deus no coração do crente, que Cristo chama de "novo nascimento" (João 3.3-8). Paulo descreve a salvação não apenas em termos de uma obra de Deus em favor de nós, mas também dentro de nós; não apenas em termos de justificação, mas também de uma poderosa regeneração possibilitada pelo lavar regenerador e purificador do Espírito Santo (Tito 3.5). Cumprisse assim a promessa de Deus pronunciada pelo profeta Ezequiel: "E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus" (Ezequiel 11:19, 20).

Vemos aí, que, Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, apontava para a sua grande salvação que propiciaria um novo coração e um novo espírito para que seu povo fosse capaz de obedecer os seus mandamentos. Algo semelhante vemos Paulo falando aqui a Tito, mostrando que o propósito desta salvação é "remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu zeloso de boas obras" (Tito 2.14).

Paulo conclui este parágrafo conclamando a Tito a pregar este ensino com toda coragem, repreendendo com toda a autoridade (Tito 2.15). Pois os que creem em Deus não podem ser infrutíferos (Tito 3.14), mas devem serem solícitos e distinguirem-se na prática das boas obras (Tito 3.8, 14). Somos salvos pela graça para as boas obras que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Efésios 2.8-10). O destino que Deus tem para o seu povo é que ele seja santo e irrepreensível (Tito 2.14; Efésios 1.4; 1 Tessalonicenses 4.3). Deus planejou que todos nós fôssemos conformes à imagem de seu Filho"(Romanos 8.29) e não conforme o mundo (Romanos 12.1,2). Pois os pervertidos é que vivem deliberadamente pecando (Tito 3.11), enquanto que os nascidos de Deus não vivem na prática do pecado (1 João 5.18). Nascemos de novo para viver conforme Jesus viveu e não mais de acordo com os padrões mundanos.

A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens a fim de remir-nos de toda iniquidade, capacitando-nos para sermos um povo zeloso de boas obras. Dize estas coisas, exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze. (Tito 2.11-15).

Bispo José Ildo Swartele de Mello
http://escatologiacrista.blogspot.com 


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Como saber se sou salvo?



Como saber se sou salvo?

Como saber se já nasci de novo? Você já teve um encontro com Deus?


Muitos professam terem tido um encontro com Deus, mas seguem vivendo como antes. Mas um verdadeiro encontro com Deus deixa marcas! Abrão torna-se Abraão, Jacó transforma-se em Israel, Simão em Pedro, Levi em Mateus e Saulo em Paulo. Isaías exclamou: “ai de mim”! Zaqueu deixou de ser um corrupto ganancioso e passou a ser justo e caridoso. Ou seja, um verdadeiro encontro com Deus é impactante e transformador.

Alguém pode dizer: “eu creio, então, estou salvo”. O problema desta afirmação é que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.18), pois a verdadeira fé em Cristo é também transformadora. Quem reconhece que Jesus é o Senhor, deve também sujeitar-se ao seu senhorio. É fácil perceber que a grande maioria das pessoas ao nosso redor professa uma fé cristã, mas Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mt 7:21-23).

Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (Jo 3:3). Nascer de novo implica em mudança de vida, pois a nova criatura não pode permanecer a mesma, mas deve viver em novidade de vida (Rm 6.4).
Jesus também ensinou que o caminho da salvação era estreito e apertado. Como saber, então, se estamos no Caminho? Jesus mesmo responde a esta pergunta com a seguinte frase: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).

Se queremos conhecer que espécie de árvore somos devemos examinar os frutos, pois eles são realmente reveladores. Paulo exorta os cristãos dizendo: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13:5).

João escreveu um livro para ajudar os cristãos a discernirem a autenticidade de seus relacionamentos com Cristo. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna” (1 Jo 5.13). Ele usa expressões descritivas das características dos salvos em Cristo que garantem aos possuidores delas a convicção de sua salvação. Tais expressões costumam conter os seguintes termos: “sabemos que” , “assim sabemos”, “deste modo sabemos”, “desta forma sabemos”, “conhecemos”, “assim conhecemos”, “nisto conhecemos”, “dessa forma reconhecemos”, “se alguém”, “dessa forma”, “quem não”, “todo aquele”, “todo aquele que é nascido de Deus”, “todo aquele que ama”, “todo aquele que crê”, “aquele que é”...

De acordo com João, aquele que é nascido de Deus apresenta as seguintes características:

1) Tem comunhão com Deus
2) Tem comunhão com a Igreja
3) Tem comunhão com a Verdade
4) Tem o testemunho do Espírito Santo
5) Tem respostas para as suas orações
6) Tem vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo


1) Tem comunhão com Deus

· Tem comunhão com o Pai e com o Filho:
o “Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1 Jo 1.3).
· Conhece a Deus.
o “Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos” (1 Jo 2:3).
o “conheceis o pai” e “conheceis aquele que existe desde o princípio” (1 Jo 2.14).
· Ama a Deus.
o “Amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos” (1 Jo 5:2).
o “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4:16).
· Está em Cristo:
o “Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5:20).
o “Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele” (1 Jo 2:5).
o “Os que obedecem aos seus mandamentos permanecem nele, e ele neles. Deste modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu” (1 Jo 3:24).
· Permanece em Cristo
o “Permanecei nele” e “dele não nos afastemos” (1 Jo 2.28).
o “Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o principio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai.” (1 Jo 2.24).
· Anda na luz, pois Deus é luz
o “Deus é luz; nele não há treva alguma” (1 Jo 1:5).
o “Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7).


2) Tem comunhão com a Igreja


Os salvos mantem comunhão com a igreja e não somente com Deus (1.3). Deve ter comunhão com Deus (1.6) e também uns com os outros (1.7). Segundo João, os verdadeiros cristãos são os que:

· Amam os irmãos
o “Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos” (1 Jo 5:2).
o “Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1 Jo 3:14).
o “Desta forma sabemos quem são os filhos de Deus e quem são os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não procede de Deus; e também quem não ama seu irmão” (1 Jo 3:10).
o “Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas” (1 Jo 2:9).
o “Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço” (1 Jo 2:10).
· Não abandonam a Igreja
o “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (1 Jo 2:19).
o “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb 10:25).
o “Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7).
· Reconhecem o valor da Igreja:
o “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro” (1 João 4:6).
· Seguem o exemplo de Jesus que deu sua vida em favor da Igreja para apresenta-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável (Ef 5.26-27). Devemos amar como Jesus amou:
o “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos” (1 Jo 3:16).


3) Tem comunhão com a Verdade

Crê que Jesus é o Verdadeiro Deus encarnado e a vida eterna:
o “Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5:20).
o “Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus” (1 Jo 4:2).
o “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho” (1 Jo 2:22).
o “Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho” (1 Jo 5:10).
o “De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo” (2 Jo 1:7).
Dá ouvidos a sã doutrina apostólica:
o “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro” (1 Jo 4:6; cf. Ef 2.20, At 2.42; 3 Jo 13, 4, 8 e 12).
o “Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o principio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai.” (1 Jo 2.24).
Obedece a Palavra de Cristo:
o “Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele” (1 Jo 2:5).
Está firmado e seguro na Verdade:
o “Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele” (1 Jo 3:19; 2 Jo 1.1-4 e 3 Jo 13, 4, 8 e 12).
o “A Palavra de Deus permanece em vós” (1 Jo 2.14).
o “Nisto conheceremos que somos da verdade” (1 Jo 3.19).
Não dá ouvidos aos falsos profetas
o 1 Jo 2.18-27
o 1 Jo 4.1-6
o “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”(1 Jo 4.4)
o “Nisto reconheceremos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1 Jo 4.4 e 5)
o “Guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21).
“Mentira alguma jamais procede da verdade”
o 1 Jo 2.21
Se tem comunhão com Deus tem comunhão com a Verdade, pois:
o “O Espírito é a Verdade” (1 Jo 5.6)
o “Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida”(Jo 14.6).
o “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”(Jo 8.32).
o “A Palavra de Deus é a Verdade” (Jo 17.17).
o “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5.20).

4) Testemunho do Espírito

Podemos saber que somos salvos pelo Espírito Santo que testifica com o nosso próprio espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16). O Espírito nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Pelo Espírito somos levados a convicção que Jesus é Senhor (1 Co 12.3) e também é por Ele que clamamos “Aba, Pai” (Rm 8.15; Gl 4.6). O Espirito derrama amor em nossos corações (Rm 5.5). O Espírito nos ensina (1 Co 2.13 e 1 Jo 2.27). o Espírito Santo nos guia, “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).
João, portanto, ensina que todo aquele que verdadeiramente é filho de Deus possui o testemunho do Espírito Santo como podemos ver nos textos abaixo:

· “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” ( 1 Jo 3.24).
· “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (1 Jo 4.13).
· “E o Espírito é o que dá testemunho” (1 Jo 5.6).
· “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho” (1 Jo 5.10, cp. Rm 8.16; Ef 1.13-14)
· “A sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas” (1 Jo 2.27 e 1 Co 2.13).


5) Tem respostas para as suas orações


· Podemos saber que somos salvos por que o Senhor tem respondido as nossas orações:
· “E aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (1 Jo 3.22 cf. Tg 5.16; Jo 15.7)
· “E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos” (1 Jo 5:15).


6) Tem vitória sobre o pecado. O Diabo e o mundo


João ensina que o cristão pode saber que é salvo porque está vivendo uma vida de vitória sobre o pecado, o diabo e o mundo:

Vitória sobre o pecado:
  • “Sabeis também que Ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado. Todo aquele que permanece nele não vive pecando, todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1 Jo 3.4-6).
  • “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.8,9).

Vitória sobre o diabo
  • “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno (1 Jo 2.14).
Vitória sobre o Mundo
  • “Não ameis o Mundo” (1 Jo 2.15)
  • “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o Mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 Jo 5.4, 5).
  • “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1 Jo 5.18).

O Cristão já foi liberto do domínio do pecado (Rm 6.14), já morreu para o pecado e não deve continuar vivendo nele (Rm 6.2). Isto não significa que esteja imune a possibilidade de pecar (1 Jo 1.8). O crente precisa vigiar, pois ainda está suscetível a cair em tentação (Lc 22.46). O Cristão já é uma nova criatura, cujo velho homem foi crucificado com Cristo (Gl 2.20; 5.24). Mas isto não significa o mesmo que estar automaticamente blindado contra o pecado. Ainda há uma longa batalha a ser travada contra o pecado, o diabo e as paixões mundanas. Há uma grande luta interior. Uma batalha difícil entre o espírito e a carne (Gl 5.17). Por isto é que encontramos inúmeras exortações para andarmos em espírito a fim de não darmos ocasião a carne (Gl 5.16-25; Co 3.8; Ef 4.22; Rm 8.13). O cristão não pode mais viver segundo a vontade da carne, mas deve ser guiado pelo Espírito de Deus, “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”(Rm 8.14).

João afirma que sua carta tem como propósito conduzir os cristãos à uma vida de vitória sobre o pecado: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (1 Jo 2.1). Os filhos da Luz, não devem andar nas trevas (1 Jo 1.6), mas se tropeçarem em sua caminhada, não devem permanecer prostrados, pois tem em Cristo um grande advogado para interceder em seu favor a fim de alcançarem perdão e purificação para seguirem firmes em seu propósito de viverem para Deus (1 Jo 1.8 e 2.1-2).

Ainda que o pecado seja uma realidade na vida do cristão, uma grande diferença entre os que são filhos de Deus e os que não são é que o verdadeiro cristão não vive praticando o pecado, pois não é mais escavo do pecado e sabemos que “todo aquele que vive pecando é escravo do pecado” (Jo 8:34). Por isto é que João afirma: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge.” (1 Jo 5:18).
A diferença é que são de Deus não estão sob o poder do Maligno: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno” (1 Jo 5:19).

Sabemos que somos novas criaturas porque recebemos um novo coração (Ez 11.19; 36.26) e um novo Espírito (Ez 36.27) que nos capacita a guardar os mandamentos de Cristo (1 Jo 2.3-7; 3.22; 5.2). Como exclamou Jesus: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama” (Jo 14.21). Isto significa uma vida de vitória sobre o pecado! Uma vida de santidade possibilitada pelo Espírito Santo de Deus! “Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pe 1:3). Sim, fomos chamados para participar de sua virtude. Pedro arremata dizendo: “para que vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2 Pe 1.4). Por isto é que o cristão não pode amoldar-se a forma deste mundo (Rm 12.1-2), pois foi escolhido para ser santo, conforme a imagem de Jesus (Rm 8.29; Ef 1.4).

De acordo com João, o filho de Deus deve andar na luz, porque Deus é luz (1 Jo 1.7), deve amar, porque Deus é amor (1 Jo 4.8), deve praticar a justiça, porque Deus é justo (1 Jo 2.29; 3.7,10), deve ser verdadeiro porque Deus é a Verdade (2.21, 27), deve ser puro porque Deus é puro (1 Jo 3.3-9). Em suma, deve andar assim como Ele andou (1 Jo 2.6).

Sabemos que somos salvos porque estamos em Cristo, porque estamos seguindo os seus passos, porque estamos no Caminho! Tropeços acontecem, mas estamos no Caminho da Luz. Encontramos perdão neste caminhar e força para prosseguir. Nossa caminhada não é solitária. O Senhor nos guia e desfrutamos da presença constante do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Também encontramos irmãos e irmãs que seguem a este mesmo Senhor Verdadeiro, Justo, Puro e Amoroso. Nosso Senhor é nossa Luz e Salvação. Nosso Senhor é nosso alvo e motivação. Nosso Senhor é a nossa força para vencer o pecado, o Diabo e o Mundo.

Bispo José Ildo Swartele de Mello