terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reflexões sobre o Reino de Deus


Video da Palestra que fiz aos alunos da Faculdade de Teologia Metodista livre na noite desta Segunda-feira sobre o relevante tema do Reino de Deus e suas implicações para a missão da Igreja.
Reflexões sobre O Reino de Deus

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Novo Retrato da Fé no Brasil


O novo retrato da fé no Brasil
A revista Isto É (Editora Três / ano 35 / n° 2180 / 24 de agosto de 2011) publicou uma reportagem de capa intitulada O novo retrato da fé no Brasil. A matéria fala sobre pesquisas que apontam mudanças na religiosidade dos brasileiros, como por exemplo, o crescimento do número de evangélicos que não frequentam nenhuma igreja e o aumento de adeptos do islamismo. Clique abaixo para ler a reportagem no site da Isto É:

O novo retrato da fé no Brasil

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O que é eleição do ponto de vista bíblico?


O que é eleição?

O que é eleição? by José Ildo Swartele de Mello




O que é “eleição” do ponto de vista bíblico?
Conflito entre Calvinismo e Arminianismo

O que significa “eleição”? Significa predestinação radical? Fatalismo? Significa que alguns já estão eleitos e predestinados para o céu, enquanto que outros já nasceram sem nenhuma chance de salvação, ou seja, predestinados a condenação do inferno? Qual é a base da eleição? O apóstolo Pedro responde estas questões quando diz: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai...” (1Pe 1.2). Deus elege alguém baseado em sua presciência, no seu conhecimento antecipado dos fatos que estão por vir. Não podemos confundir predestinação com presciência. O conhecimento prévio que Deus tem das coisas não é o que as tornam assim existentes, antes, porque elas serão desta ou daquela maneira, Deus as conhece antecipadamente. Deus conhece as pessoas mesmo antes delas nascerem. Ele sabe como elas reagiriam diante das variadas circunstâncias da vida. Deus as escolhe baseado em sua presciência. Isto não nega o livre arbítrio do homem, pelo contrário, o reafirma ainda mais. Pois uma eleição baseada na presciência divina leva em consideração a autonomia dos seres humanos. Deus é soberano, e em sua soberania, determinou que o homem fosse um ser dotado da capacidade de escolher, sendo, portanto, responsável por seus atos, de modo a estar sujeito ao dia do acerto de contas no Juízo Final. Seria completamente sem cabimento existir um dia de juízo final se as pessoas não tivessem tido a mínima possibilidade escolha, se cada um tivesse apenas cumprido o papel teatral que lhe foi prescrito, como um fantoche nas mãos do inevitável destino.

Para aceitar o calvinismo é preciso endossar uma série de noções teológicas incompatíveis com o caráter generoso e relacional de Deus, que desembocam em um abismo em que Deus passaria a ser o responsável pelo mal que há no mundo. Teríamos que concluir também que Deus está mentindo quando dá entender que o homem é responsável por suas ações e que a oração de súplica é uma farsa perversa, visto que o futuro é imutável e Deus não pode ser persuadido a mudar de ideia. Além de tudo isto, perceberíamos que de nada adianta pregar o Evangelho, visto que os eleitos acabarão encontrando a salvação de um modo ou de outro.

Como John Wesley bem explicou, enquanto os calvinistas acreditam em predestinação absoluta, os arminianos defendem que a predestinação é condicional. Enquanto os calvinistas professam que Deus absolutamente decretou, desde toda a eternidade, salvar tais e tais pessoas, e não outras, e que Cristo morreu apenas em favor de tais escolhidos, os arminianos defendem que Deus amou ao Mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). De modo que Deus não tem prazer na morte do homem, antes deseja que todos venha a ser salvos (1Tm 2.4 e 2Pe 3.9). A morte de Cristo foi em favor de todos os homens. Sua obra de expiação é suficiente para salvar a todos, mas eficiente apenas para aqueles que depositarem sua confiança no Salvador. "Aquele que crer será salvo: aquele que não crer será condenado" (Jo 3.18) E para isso, Cristo morreu por todos os ímpios (Rm 5.6), todos os que estavam mortos em delitos e pecados (Ef 2.1).

Os calvinistas defendem que a graça salvadora de Deus é absolutamente irresistível e que ninguém é capaz de resisti-la assim como a um golpe de um relâmpago. Já os arminianos defendem que, embora possa haver alguns momentos em que a graça de Deus aja irresistivelmente, todavia, em geral, qualquer homem pode resistir a graça salvífica, e isso para sua eterna ruína. "Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam, mas a tantos quanto o receberem, Deus deu-lhes o poder de serem chamados filhos de Deus" (Jo 1.11). Jesus chorou sobre Jerusalém por que eles não reconheceram aquele que lhes trazia a paz (Lc 19.41).

Os calvinistas também advogam que um verdadeiro crente em Cristo não pode perder a salvação. Os arminianos defendem que um verdadeiro crente pode "apostatar-se da fé", que ele pode cair, não apenas de modo vil, mas finalmente, de modo a perecer para sempre (Hb 6.4-1; 10.25-30).

Estes dois conceitos calvinistas, a graça irresistível e a perseverança infalível, são uma consequência natural da crença no decreto incondicional. Pois se Deus eterna e absolutamente decretou salvar tais e tais pessoas, segue-se, tanto que elas não podem resistir a sua graça salvadora e nem tão pouco vir a perder a salvação. De modo que as estas questões se resumem em se a predestinação é absoluta ou condicional. Os arminianos acreditam que ela seja condicional, enquanto os calvinistas afirmam que é absoluta.


Se a depravação humana foi total ou parcial é algo difícil de definir biblicamente falando. Minha percepção é que ela não foi tão completa como muitos afirmam. Pois observo muitos sinais de bondade e justiça em muitas pessoas que ainda não experimentaram o novo nascimento. E, mesmo que a tal depravação fosse total, teríamos que considerar a graça preveniente conforme ensinada por John Wesley.

A este respeito, li um interessante texto do Dr. Adrian Rogers, em que ele começa observando que um cego precisa mais do que de luz para ser capaz de enxergar. E, que, quando jovem, costumava pensar que o seu papel como pregador era apenas o de ensinar o caminho da salvação para as pessoas. Mas logo percebeu que para uma pessoa cega a quantidade de luz é indiferente. Portanto, assim como é preciso mais do que luz para que um cego possa ver, assim também é necessário mais do que a pregação para que as pessoas possam ser salvas, pois somente o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. Por esta razão a igreja deve orar sem cessar em favor da conversão de almas, sabedora da dependência que temos da unção do Senhor para abrir os olhos dos cegos para a realidade do Evangelho de Cristo.

Ele arremata dizendo que o homem caído é cego espiritualmente e, portanto, carece de visão. Como ouvimos que não há quem busque a Deus, aprendemos das Escrituras que Deus toma a iniciativa de procurar o homem, que é exatamente o que os Evangelhos mostram Jesus fazendo quando o descreve buscando (Lucas 19:10), chamando (João 12:32) e batendo a porta do coração do perdido (Apocalipse 3:20). Sendo assim, é o Espírito Santo quem convence o homem (João 16:8), dando pontadas no coração (At 26:14), compungido o coração (Atos 2:37), e promovendo a abertura do coração para que este possa ser capaz de responder positivamente ao Evangelho (Atos 16:14).

Esta é a iluminação da Graça Preveniente, que não deve ser confundida com a regeneração. Porque a Iluminação lida com o velho coração, enquanto a regeneração tem a ver com o novo coração. Em João 1:9 lemos que Jesus é a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina a todo homem. Paulo afirma que o Evangelho é a Luz através da qual o Espírito Santo abre os olhos dos homens (Rm 10:17).  Um homem é iluminado a fim de receber o Evangelho. Um homem é regenerado depois de ter sido selado em Cristo (Ef 1:13). A regeneração  se dá através do lavar renovador do Espírito Santo (Tt 3:5), momento em que nos tornamos "novas criaturas" em Cristo (2 Co 5:17), nascidas de novo, com um "coração novo" e um "espírito novo" (Ez 36:26).  O calvinismo, ao contrário, ignora o claro ensino de Efésios 1:13, para ensinar erroneamente que os homens são previamente escolhidos por Deus para a salvação, de modo que o chamado e a graça sejam irresistíveis para o grupo dos predestinados. Assim, fica manifesta a clara diferença entre a graça preveniente do arminianismo e graça irresistível do calvinismo.

O calvinismo ensina que antes de crer e ser salvo é preciso ser previamente  escolhido e estar preliminarmente posicionado em Cristo. Seria, então, possível estar em Cristo antes de ser salvo? Bem, para o arminiano, a ordem dos eventos está claramente apresentada em Efésios 1:13, que ensina que primeiro é preciso ouvir o Evangelho, que é uma condição para se poder crer, que, por sua vez, é uma condição para receber o selo regenerador do Espírito. A fé vem através de ouvir a Palavra do Evangelho (Rm10:17). Assim, o arminiano quer saber como o calvinista pode ensinar ser possível alguém estar em Cristo antes mesmo de crer e ser selado pelo Espírito?

O Apóstolo Paulo, em Romanos 8.1, diz que não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus e sabemos também que os que não creem estão debaixo da condenação (Jo 3.18). Sendo assim, seria contraditório afirmar que um incrédulo estaria em Cristo antes mesmo de sua conversão.

Se a graça fosse irresistível, como Saulo de Tarso teria sido capaz de recalcitrar contra os aguilhões (At 26:14)? E se a graça fosse irresistível, como poderia ser possível a queda e a perdição de que cristãos verdadeiros que tiveram os seus olhos iluminados para verem e experimentarem o dom celestial de modo a terem se tornado participantes do Espírito Santo, e de terem também provado a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro (Hb 6.4-6)?

Santidade e perseverança são necessárias para evitar a remoção do candelabro (Ap 2.5), para garantir o acesso ao fruto da árvore da vida (Ap 2.7), para receber a coroa (Ap 2.10), para escapar da segunda morte (Ap 2.11) do juízo da espada (Ap 2.16), do risco de ser vomitado (Ap 3.16) e de ter seu nome riscado (Ap 3.5). E o que dizer também de textos como Hb 6.4-8; 10.26-31; 12.14-15; 1Co 9:27; 2Pe 1; 3.17-18 e Jo 15.6?

"Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém" (2Pe 3.17 e 18).


Gosto muito de C.S. Lewis. Eu costumo usar argumentos semelhantes aos dele para defesa do livre-arbítrio:

Deus poderia ter criado todas as coisas programadas para darem certo. Poderia ter criado os anjos e os homens como robôs, programados para obedecerem, incapazes de se rebelarem. Mas as expressões de amor, louvor, devoção e serviço destes seres seriam artificiais e “sem graça” e sem significado real. Deus, em sua soberania, resolve criar seres angelicais e humanos com o atributo do livre-arbítrio, mesmo ciente das consequências: surgimento do pecado, crimes, doenças, guerras, fome, tristeza, etc.… Ninguém pode ser livre só para obedecer. Liberdade implica em opção e escolha. Neste mundo temos muitas opções, somos livres para escolher, portanto, quando amamos a Deus e respondemos positivamente ao seu chamado, isto é cheio de significado. Este relacionamento entre Deus e o homem é cheio de afeto. É algo tremendo! Deus criou tudo perfeito, o mal no universo existe como uma perversão dos seres angelicais e humanos, e que só pode ser entendido dentro do propósito último de Deus.

Na sua soberania, Deus decidiu nos conceder liberdade, para que nosso relacionamento com ele pudesse se revestir de especial significado porque construído na base da livre escolha e não na base de predeterminações arbitrárias e unilaterais. Não negamos nem a graça e nem a soberania. Sem Deus estaríamos mortos em nossos delitos e pecados. Por nós mesmos não podemos encontrar a salvação. A salvação é iniciativa da livre graça de Deus. O amor e a graça se manifestaram em Cristo. Deus nos amou primeiro, para que possamos responder livremente ao seu amor manifesto de modo especial na Cruz de Cristo. Arrependimento, fé e entrega são respostas adequadas ao chamado do amor divino. Alguns respondem com fé e amor enquanto outros com incredulidade, indiferença e até com ódio, por amarem mais as trevas do que a luz. A doutrina do juízo final contribui muito para fortalecer o ponto de vista de que o homem, como um ser livre, responderá pelos seus atos.

Se a salvação das pessoas fosse única e exclusivamente dependente da escolha de Deus, então, todos deveriam ser salvos, pois as Escrituras afirmam que Deus deseja que todos sejam salvos. Este é um dilema para o calvinista, mas não para um arminiano, pois, Deus não quer que o filho se perca, mas ao mesmo tempo, Deus quer que o filho seja livre para tomar suas próprias decisões. Isto explica tudo! Não é a vontade do pai manter o filho amarrado em casa, acorrentado a si. O pai concede liberdade para o filho pródigo sair de casa e está de braços abertos para acolhê-lo novamente quando este se arrepende e volta para o Pai (Lc 15).
Deus deseja que todos sejam salvos, mas nem todos cumprem as condições da graça que implicam em fé e arrependimento. Ou seja, a salvação não é algo que diz respeito a escolha unilateral de Deus, pois existe a necessidade de uma correspondência humana. Ele veio para os que eram seus, mas os seus não receberam, mas a tantos quantos o receberem, receberam o poder de serem chamados filhos de Deus (Jo 1.11-12)! Jesus disse que não veio julgar, mas, sim, salvar o mundo (Jo 3.18). Ele concluiu dizendo que o "julgamento é este, que os homens amaram mais as trevas do que a luz" (Jo 3.19). Deus ama o mundo inteiro e veio para salvar a todos (Jo 3.16), ainda que sua vontade seja a salvação de todos, esta vontade esbarra em uma outra vontade sua que é a de ter filhos livres que façam bom uso de sua liberdade para corresponderem ao seu amor. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”(Mt 16:24). Vemos aí um sinergismo, onde a salvação é oferecida e o chamado é feito por Cristo, e o homem reponde de acordo com a sua livre vontade. A salvação não é compulsória e a graça não é irresistível. Ele não arromba a porta com uma batida irresistível, mas bate educadamente a porta dos corações humanos e aguarda por uma resposta positiva que possa propiciar um relacionamento de amizade e amor genuíno.

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”(Ap 3.10).

Bispo José Ildo Swartele de Mello
Metodistalivre.org.br
Escatologiacrista.blogspot.com

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Maldição Hereditária


Maldição Hereditária



MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

"Que tendes vós, vós que dizeis esta parábola acerca da terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nunca mais direis este provérbio em Israel”. (Ez. 18:2 a 3).

INTRODUÇÃO

Alguns acreditam e ensinam que até os cristãos podem estar sujeitos à maldição de seus ancestrais. Existem livros e seminários que se prestam ao ensino de como quebrar as cadeias da maldição hereditária. Eles se baseiam principalmente em Êxodo 20:5 e Deuteronômio 5:9. Aliás, por causa de uma má interpretação destes textos, surgiu um ditado que se tornou muito popular em Israel "Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”.Vemos esta idéia em Lamentações 5:7: 'Nossos pais pecaram, e já não existem; nós é que levamos o castigo das suas iniqüidades.” Bem, Jeremias já havia previsto um dia em que este provérbio não mais seria proferido: “Naqueles dias já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”. (Jr. 31:29). Mas Ezequiel afirma que este dia já chegou: "Que tendes vós, vós que, acerca de Israel, proferis este provérbio, dizendo: os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que embotaram? Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel” (Ez. 18:2 e 3). Para uma compreensão melhor desta passagem é aconselhável a leitura e o estudo de todo capítulo 18 de Ezequiel. Ambos os profetas eram contra esta perniciosa doutrina, que descambava em irresponsabilidade a fatalismo, pois é muito conveniente para alguns desviar a culpa de si mesmos e transferi-la para gerações anteriores, ou então, culpar o destino a as forças ocultas por nossos fracassos, pecados, vícios e misérias; chegando a acusar a Deus de injustiça, como em Ez. 18:25: “No entanto dizeis: o caminho do Senhor não é direito...”“.Em outras palavras, Ezequiel nos ensina que, em vez de voltarmos nossos olhos para trás em busca de resposta para os infortúnios do presente, em vez de culparmos nossos antepassados, ou os demônios, ou o destino, deveríamos olhar para nós mesmos a pedir a Deus que venha sondar os nossos corações, vendo se há em nós caminho mal, a fim de nos guiar pelos Seus caminhos. (Sl. 139). O pecado, sim, é que traz maldição: "... pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.(Gl 6:7). "A maldição sem causa não se cumpre” (Pv. 26:2); "Amou a maldição: ela o apanhe; não quis a benção: aparte se dele”.(Sl. 109:17); "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Deut. 11:26), repare que bênção e maldição estão diante e não atrás das pessoas; tudo dependendo da nossa atitude para com Deus.

INFLUÊNCIA PAGÃ

Diversas religiões, como feitiçaria e macumba, sempre atribuíram poderes extraordinários aos pronunciamentos de benção e maldição, pois crêem que uma vez proferida uma maldição, ela passa a ter vida própria, não sossegando até o cumprimento de seu desígnio. E, para se ver livre de tal encanto, um homem precisaria recorrer a um feitiço ainda maior. Perceba que, assim, tudo fica no campo da magia. Tal idéia é dualista, gnóstica e antropocêntrica e implica numa negação da soberania de Deus, por colocar o destino das pessoas nas mãos ou palavras de outros seres humanos.

A infiltração do misticismo e da superstição nas igrejas evangélicas do Brasil é algo assustador. Muitos evangélicos substituíram as "três batidinhas na madeira" por uma nova forma de esconjuro, usando em todo o tempo a expressão "TÁ AMARRADO!", procurando, assim, quebrar o poder de uma palavra negativa, exorcizando um mal. E, por causa de tal influência pagã, muitos crentes sinceros estão ficando obcecados por "Batalha Espiritual", chegando a desenvolver uma grande sensibilidade e uma percepção muito forte da presença do maligno. Por mais que tentem, não conseguem disfarçar seu nervosismo e inquietude que são frutos de desconfiança e temor. Ficam arrepiados e atribuem isto a um pretenso discernimento espiritual.

Biblicamente falando, o pecado é que traz maldição, pois o pecado separa o homem de Deus. Deus é a única fonte de bênçãos. Bênção é o oposto de maldição. Maldição seria, então, estar distante de Deus.

CONTRA JACÓ NÃO VALEM ENCANTAMENTOS

A Bíblia ensina exaustivamente que os servos do Senhor não estão sujeitos à maldição, a não ser que se desviem do caminho do Senhor.

Balaão não pôde amaldiçoar o povo de Israel. Deus não o permitiu! Disse Balaão a Balaque: "Como posso amaldiçoar a quem o Senhor não amaldiçoou?" (Nm 23:8) e "Ele abençoou, não o posso revogar... O Senhor seu Deus está com ele... pois contra Jacó não vale encantamento”.(Nm 23:20, 21 a 23). Sabendo, pois, Balaão, que não se amaldiçoa o povo de Deus com feitiços ou rogando pragas, ensinou Balaão a Balaque como se poderia atingir o povo de Israel, ou seja, seduzindo o povo ao pecado, afastando os de Deus, que é a única fonte de bênção, levando o povo ao juízo e condenação: (Apocalipse 2:14; Nm 25:1 18 a Nm 31:8 a 16).

As palavras não possuem tanto poder como querem alguns, conforme concluímos das seguintes passagens: Tg. 2:15 16 e I Jo 3:18.

Salmo 109:17 "Amaldiçoem eles, mas Tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre se, porém, o teu servo”. E em Neemias 13:2 lemos: "Deus converte a maldição em bênção"; e, além disso, o ímpio não sai impune do seu intento de nos prejudicar: "amaldiçoarei os que to amaldiçoarem" (Gn 12:3). Ver também: Cl 2:14 15 a Pv. 3:26, 33.

O Salmo 91 nos deixa a seguinte promessa: "O Senhor te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Sob suas asas estarás seguro... praga nenhuma chegará a tua tenda...” E o Salmo 31:4 diz: "Tirar me ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois Tu és a minha fortaleza" (Ver também: Sl 118:13; Sl 84; Sl 146:5, 7; Sl 147:13; Sl 139:1 16; Sl 133:3; Sl 121:3 8; Sl 46:1, 5, 7; Sl 33:18 22; Sl 32:7; Sl 28; 7 9; Sl 29:11; Sl 27:1 6; Sl 23:6; Sl 21:11; Sl 18:1 3, 27 50; Sl 16:5 8, 11).

CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO

“Cristo se fez maldição em nosso lugar”. Foi crucificado como se fosse um maldito para nos resgatar da maldição da lei, para que a benção chegasse até nós. (Gl. 3:13, 14). "Os da fé” não estão debaixo de nenhuma maldição, mas "são abençoados com o crente Abraão". (Gl. 3:9).

"Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, tudo novo se tornou”.(2 Cor. 5:17). Não precisamos nos preocupar em desenhar nossa árvore genealógica, regredindo até a terceira a quarta geração quebrando as cadeias. Em primeiro lugar, porque pactos e alianças feitos pelos ancestrais não se transmitem automaticamente aos filhos. Favor não confundir conseqüências dos pecados dos pais com maldição. Pois é óbvio que os pais exercem forte influência sobre os filhos, ou para o bem ou para o mal. Mas isto não é o mesmo que dizer que eles estejam debaixo de uma maldição, de um feitiço, ou sob algum encantamento, que necessariamente precisa ser quebrado para livrá los de tal destino. Não devemos nos esquivar de nossas responsabilidades pessoais. E também, quando nos convertemos, o sangue precioso de Jesus nos purificou de todo o pecado (1Jo 1:7).

Não é necessário regredir pare nascer de novo, (Jo. 3). Um crente que volta atrás para quebrar cadeias de maldições hereditárias está pondo em dúvida a sua fé e a sua salvação. Está diminuindo o que Cristo fez por ele. Não está crendo que é nova criatura e que as coisas velhas já passaram. Não está descansando no poder de Deus a nem confiando no poder purificador e libertador do sangue de Jesus. (Cl. 2:14-15; Ap 1:5; Rm. 5:9; Ef. 1:7, Hb 9:12, 14; 1Pe 1:18-19).

Em vez de retrocedermos devemos fazer como o apóstolo Paulo: “... mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Fp 3:13b)”. O Senhor ainda diz ao seu povo: “Não vos lembreis das coisas passadas e nem considereis as antigas” (Is 43.18). Deus tem um caminho no meio da tormenta (Naum 1.3). Não duvide do amor de Deus. "Deus não nos deixou à deriva no mar da hereditariedade" (Max Lucado) e não estamos largados à própria sorte e nem somos joguetes nas mãos dos homens ou de espíritos malignos. Procure focalizar os aspectos positivos, “quero trazer a memória o que me pode dar esperança...” (Lm 3.21) e busque discernir a boa mão de Deus em sua vida, histórico familiar e hereditariedade, pois foi o próprio Deus quem nos formou com carinho e com bons propósitos que vão além da nossa compreensão: “Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem”; (Sl 139.13, 14) e "Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança". (Jr 29:11). 
Não há mais maldição e nem condenação para os que estão em Cristo (Rm 8:1). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31). Tendo em mente a definição bíblica de maldição: separado de Deus, ouçamos o que o apóstolo Paulo ainda tem a dizer em Romanos 8:33 39: "quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?... quem os condenará?... quem nos separará do amor de Cristo?... Pois eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor".

"Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou pare o Reino do Filho do Seu amor, no qual temos a remissão dos pecados, a redenção" (Co 1:13, 14, ver também Co 2:12 15; 3:1 3 10; Ef 1:3 14, 18 20).

Firme-se na Palavra de Deus e não se deixe levar por todo vento de doutrina e não se deixe enganar por aqueles que distorcem as Escrituras com intuito de atrairem discípulos para sí. A ignorância e a superstição escravizam, mas a verdade liberta. (Jo. 8:32). Só como curiosidade: a última palavra do Antigo Testamento é "maldição"; já o primeiro e mais importante sermão do Senhor Jesus Cristo registrado no Novo Testamento inicia-se com o termo: "BEM AVENTURADO"!
Ainda sobre este assunto leia o estudo sobre Batalha Espiritual:
BIBLIOGRAFIA

Gondin, Ricardo O Evangelho da Nova Era Abba Press São Paulo SP 1993
Romeiro, Paulo Super Crentes Mundo Cristão São Paulo SP 1993.
Artigo especial da revista "Vos Scripturae 3:2 (setembro de 1993) pág.131 a 150. Artigo de Alan B. Pierrat, intitulado:” O Segredo da Espiritualidade da Prosperidade."
Lucado, Max. "Superando sua hereditariedade" http://www.irmaos.com/maxlucado/?id=1306