segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

João 3.16 - Jesus, nosso Modelo, vocação e inspiração missionária

A Bĩblia não é base para missões, mas missões são a base para a Bĩblia.
João 3.16 é considerado o coração da Bíblia, pois revela o coração de
Deus que é missionário e cheio de amor pela humanidade, ao ponto de
enviar e sacrificar o próprio Filho para salvação de todo o que crer. O
amor de Deus pela humanidade se revela desde os primórdios da criação.
Em cada detalhe vemos o capricho e o cuidado de Deus em favor de suas
criaturas prediletas. Após a confusão de Babel que gerou conflitos,
intrigas e a divisão e o distanciamento dos povos e da nações, o
Senhor, Ur dos Caldeus, região de Babel, chama um homem com o intuito
de que este venha a se tornar uma bênção para todas as famílias da
Terra (Gn 12). Deus abençoa Abrão e quer que ele se
torne uma bênção para todas as nações. Abraão e seus descendentes
recebem um chamado missionário. Mas, a história mostra que,
infelizmente, os descendentes de Abraão, por vezes, tornaram-se
ensimesmados, acabando por se esquecerem de sua grande missão. Mas Deus
não desiste, e, dentre os descendentes de Abraão, faz nascer o
"Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo" (Jo 1.29)!
“Deus
proverá o cordeiro para o holocausto”, foi o que o pai Abraão disse ao
seu querido filho Isaque, que estava atado ao altar do sacrifício como
uma figura do verdadeiro Cordeiro de Deus que, muito tempo depois, se
ofereceria no Calvário para tirar o pecado do Mundo!

É interessante notar que este pequeno texto revela um modelo para a ação missionária da Igreja. Pois temos aqui, um agente enviador que é o Pai, o missionário enviado que é o Filho, o alvo que o Mundo inteiro, a motivação que é o amor e o propósito que é o de Salvar e conceder a vida eterna aos que estão alheios a vida de Deus. Jesus não veio para julgar e condenar, mas, sim, para salvar os que estão perdidos.

O Pai, movido por um imenso amor pela humanidade, envia o que tem de melhor, o único Filho, para ser missionário! Quantos pais cristãos desejam uma carreira missionária para os seus filhos? Aprendemos com Deus o valor que devemos dar a Missão da Igreja de Evangelizar o Mundo. No entanto, existem muitos que agem como aquele fazendeiro que, de uma ninhada de porcos, decidiu ofertar ao Senhor o porquinho mais mirradinho, que por aquelas bandas é costumeiramente chamado de "tiguera". Mas, sabe o que aconteceu? Com o passar do tempo, o tiguera cresceu e ficou mais gordo do que os seus irmãos! E não é que os olhos do fazendeiro cresceram sobre o tiguera. Tanto que ele mudou de idéia e, agora, não queria mais ofertá-lo para Deus. O Senhor nos livre deste espírito miserável em relação as coisas de Deus e desta visão estreita do valor da causa do Evangelho.

O Filho abraçou a obra missionária, deixou sua casa e todo o conforto do lar que tinha ao lado do Pai, desceu até nós, aprendeu nosso idioma, vestiu-se como um de nós, andou entre nós e conviveu conosco, visitou nossas casas e comeu e bebeu de nossa comida. Partilhou de nossos de nossos momentos alegres, mas também chorou conosco. Ele verdadeiramente nos amou e se identificou conosco a ponto de partilhar o nosso destino a fim de prover nosso bem estar e a vida eterna.

Mas a história não termina por aí, pois o Filho fez seguidores que receberam dele a mesma incumbência:
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio
(Jo 20.21). Temos, aí, a nossa vocação, a nossa inspiração e o nosso modelo. Sigamos os passos do Filho!

Pr. José Ildo Swartele de Mello

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Como Vencer Crises (Salmo 126)


O Salmo 126 é a oração de um povo que sofre muito em meio a uma enorme crise. Diante de dificuldades tão ameaçadoras, o povo busca o socorro de Deus (v.4). A fé deste povo não existe num vazio, não é supersticiosa, superficial e abstrata, mas está fundamenta sobre dois pilares: o primeiro é a recordação de um grande evento histórico de libertação que aconteceu no passado (vs. 1-3) e o outro diz respeito à uma experiência mais próxima do dia a dia daquela comunidade agrícola, algo que se repetia todos os anos, uma lição extraída da natureza da vida, em que se pode ver a mão provedora de Deus (vs. 5-6).

O salmista está trazendo a memória aquilo que pode dar esperança (Lm 3.21). A recordação dos grandes feitos do Senhor, como a libertação do cativeiro babilônico, traz esperança, fé, ânimo e alegria: "Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isto estamos alegres!" (v.3). Aquele cativeiro e exílio haviam sido um dos piores momentos da história do povo hebreu, mas, quando tudo parecia perdido, o Senhor manifestou-se Salvador, e as lágrimas converteram-se em sorrisos de enorme alegria (v.2)!

Além disto, como já mencionado, outra inspiração para orar e trabalhar com confiança é uma lição extraída da experiência de vida cotidiana, pois, como lavradores, eles bem sabiam que, muitas vezes, a alegria de uma colheita abundante é conquistada através de um processo que exige muito esforço, perseverança, sofrimento e lágrimas (Vs. 5-6). A história ajuda a entender a vida e a vida ajuda a entender a história. Vida e fé se iluminam mutuamente!

Por vezes, o plantio se faz na penúria. Mas a esperança de uma abundante colheita inspira-os a plantar. A benção é prometida para os trabalhadores, não para os acomodados. “Aquilo que o homem semear, também ceifará” (GL 6.7-9), “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará” (2 CO 9.6), Disse Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus dá o crescimento” (1Co 3.6). Deus dá o crescimento para aquele que, a despeito das adversidades, planta e rega com fé.

O choro aqui não é de desânimo, desespero e de covardia, e nem é o choro de um fatalista, conformado, que está prostrado nutrindo sentimentos de autocomiseração, e nem de um murmurador passivo e nem muito menos é choro e lamento de um saudosista, que está preso ao passado, como aquele que diz "no meu tempo é que era bom". "No meu tempo"? Uma pessoa viva devia ter a consciência de pertencer ao tempo presente. As memórias de um saudosista, ainda as mais gloriosas, em vez de produzirem encorajamento para encarar as dificuldades e desafios do presente, inspirando à construção de um futuro melhor, acabam por aumentar ainda mais a dor e frustração diante da crise e chegam ao ponto de, até mesmo, eclipsar as conquistas e realizações presentes, como no caso daqueles que em vez de celebrarem a inauguração do novo templo choravam amargamente ao recordarem a glória do templo de Salomão. Em vista disto, o Senhor dirá: "A glória dessa última casa será maior do que a primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei paz diz o Senhor dos Exércitos ( Ageu 2: 9)!". É como diz a canção de Kleber Lucas: "O melhor de Deus ainda está por vir!".

Mas, bem diferente disto, aquele choro era o de quem segue em frente, andando e plantando a semente (v.6), de quem sofre esperançoso de que Deus irá mudar a sua sorte (v.4), comparado ao choro de uma mulher que está dando a luz à um filho (Jo 16.21). É o choro daquele que sabe que seu trabalho e sofrimento não é vão no Senhor (1 Co 15.58).

O salmista transforma o milagre do passado em medida para o futuro. Fruto da intervenção divina, a felicidade desfrutada no passado é trazida à lembrança para ser chamada de volta em oração! Há esperança de que o deserto transforme-se em um manancial de águas como as Torrentes no Neguebe. Situações difíceis e extremas são oportunidades para a intervenção milagrosa de Deus. Devemos trazer a memória apenas aquilo que nos pode dar esperança. Discernindo a boa mão do Senhor em nossa história e na vida.

O milagre da história e da vida nos inspira a orar e a trabalhar com confiança. Portanto, nada de ficar murmurando, nutrindo desespero, pessimismo e espírito de autopiedade. Não se entregue a depressão e nem fique acomodado diante da crise. Pois, o mesmo Deus que operou maravilhas no passado e que é Senhor da vida continua a operar no presente. Ele ainda liberta do cativeiro e transforma deserto em um jardim florido. Deus mudará a sorte daqueles que nEle esperam e semeiam com fé.

Pr. José Ildo Swartele de Mello